terça-feira, 16 de outubro de 2007

EM JESUS UNEM-SE BONDADE,AMOR, GRAÇA, SEVERIDADE E JUSTIÇA

O episódio descrito em Jo 2.13-16 nos revela algo sobre Jesus Cristo que faz necessária uma análise mais aprofundada, posto que costumeiramente incorre-se em erro sobre a natureza da Sua personalidade. Todos os que tentaram, de alguma forma, criar um estereótipo de Jesus, falharam. Há estereótipos desde "bonzinho" e "pobrezinho", até “coitadinho, morto pregado em uma cruz”. Há os que somente se lembram carregando a cruz, recebendo chicotadas e até bofetadas. Lembram-se, ainda, dEle com todas as Suas atitudes de amor ao curar as enfermidades de muitos, ao levantar os paralíticos, ao recuperar a visão aos cegos, inclusive ao ressuscitar mortos. A partir daí criam um estereótipo falso, esquecendo-se de dois fatores muito importantes e presentes nEle o tempo todo: Severidade, justiça e zelo pelos princípios do Pai e por todas as coisas santas de Deus. Ao lançar mão de cordas para expulsar do templo todos os que ali vendiam, Ele desfez muitos desses estereótipos que Lhe tentam imputar sem sucesso. É preciso, antes de prosseguir, discorrer um pouco mais sobre Jesus como o Filho de Deus para compreendermos a impossibilidade da criação de estereótipos para Ele. Deus disse a Moisés em Êxodo 3.14: "Eu sou o que sou". Jamais foram pronunciadas palavras tão claras acerca da impossibilidade de predefinir o Criador como estas. Ele simplesmente é o que é. Não há definição e não há estereótipos. Ele age com bondade quando entende em Sua infinita sabedoria que assim deve agir, e também, aconselhado pela mesma infinita sabedoria Ele age com severidade, quando assim entende. Ele age com amor, mas também age com justiça. Os que atentam somente para a bondade e para o amor dEle (embora sejam verdadeiros), desprezam e ignoram os limites de conduta espiritual, mental e física necessária para um filho de Deus e repentinamente descobrem que Cristo tanto pode agir com extrema bondade como também com extrema severidade (veja Rm 11.22). Por outro lado, os que só atentam mais para a severidade perdem uma parte maravilhosa que é a graça, passando a viver sempre temerosos de alguma coisa, como, se além da severidade, Jesus não usasse adequadamente a justiça, sempre. Certamente aqueles cambistas do templo estavam totalmente alheios à severidade de Deus quando costumeiramente iam ali fazer seus negócios. Do mesmo modo que as pessoas tentam estereotipar o Senhor, certamente também procuram estereotipar aqueles que crêem nEle. O que agrava ainda mais este problema é que os mesmos que crêem, de alguma forma procuram estereotipar-se a si mesmos, procurando definição para si ou para o grupo de irmãos ao qual fazem parte. Uns dizem: "Os que crêem em Jesus são desta forma", e outros dizem: "Os cristãos são daquela forma". Ora, do mesmo modo que não é possível estereotipar o Deus Criador, também não é possível estereotipar Seus filhos, começando pelo Primogênito Jesus, o Cristo e também a nós que somos irmãos dEle e filhos, com Ele, de Deus. Se Deus “é o que é”, então, todos nós, também somos o que somos, sem definição, modelos ou estereótipos. Há os que tentam criar um estereótipo, e não conseguem, e há os que tentam se enquadrar em estereótipo, o que é ainda pior. Exemplo disso são os que pensam que os que crêem em Jesus devem se vestir de uma determinada maneira. Isso é falso. Há os que pensam que os que crêem em Jesus devem comer isso ou aquilo ou beber isso ou aquilo. Isso é igualmente falso. Há os que pensam que os que crêem em Jesus terão somente atitudes de bondade, e algumas vezes se surpreendem com a severidade que alguns manifestam. Há os que pensam que os que crêem em Jesus fazem determinadas coisas, não fazem outras determinadas coisas, e assim vão procurando estabelecer seus estereótipos, ainda que não consigam. Há alguns princípios que certamente estarão presentes naqueles que crêem em Jesus, e são verdadeiramente discípulos dEle, como o amor, a graça, a misericórdia, o perdão, a justiça, a verdade, a sinceridade e inúmeras outras boas qualidades, na medida em que cada dê lugar a elas no coração. O que diferencia conhecermos características presentes nos que crêem, de criar um estereótipo, é que o estereótipo tenta prever e definir quando, como e por que esta ou aquela característica irá se manifestar, sendo aí que o estereótipo falha, porque aqueles que crêem nEle devem manifestar a vontade do Pai para cada situação, e ser orientado por ela a cada momento. Portanto, torna-se impossível, até para os que crêem, prever qualquer forma de atuação que pudesse ser estereotipada, uma vez que nosso Deus tudo vê e tudo conhece, mas não nós. Podemos, portanto, ser movidos a agir com graça e bondade em uma situação em que pensávamos que o melhor seria a severidade; e podemos igualmente ser movidos a agir com severidade numa situação onde pensávamos que o melhor seria a graça e a bondade. Simplesmente porque não conhecemos todas as coisas, e não vemos tudo o que Ele vê. O que realmente importa é que sejamos obedientes, pois "aqueles que são guiados pelo Espírito Santo, esses são filhos de Deus" (Rm 8.14).