REFLEXÕES PASTORAIS COM GRAÇA

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

GRAÇA RECEBIDA ... GRAÇA LIBERADA!

Quando lemos Lucas 19.1-10, o tão conhecido encontro de Jesus com Zaqueu, e a nossa leitura bíblica se dá “com os olhos da graça” (v. a publicação de Caio Fábio, neste blog), identificamos algo extraordinário: graça recebo, graça preciso liberar. Durante anos e anos, muitas foram as pregações e as reflexões que ouvi e mesmo as preparadas por mim em que, praticamente, apenas um foco era interpretado, a partir desse episódio. Falava-se da pequena estatura de Zaqueu, o chefe dos publicanos de Jericó. Falava-se sobre seu extraordinário exemplo em superar seus limites e até sobre sua grande visão em querer encontrar-se com Jesus, embora com tantos obstáculos. Enfim, já ouvi e até li coisas muito boas e edificantes sobre Zaqueu e o exemplo que ele nos legou. Mas hoje, certamente que o texto é o mesmo, mas com os olhos da graça, a hermenêutica é diferente. Vejamos alguns pontos que destaco à titulo de introdução:1) Zaqueu demonstrou interesse por Jesus. 2) Mas havia um obstáculo, a multidão que O seguia era muito grande e ele era pequeno. 3) Mas esse obstáculo poderia ser superado, e ele correu adiante e subiu em uma figueira e esperou para ver Jesus passar. 4) Jesus lançou Seu olhar sobre Zaqueu e ordenou a ele que descesse depressa, pois naquele dia Ele seria hóspede em sua casa. 5) Extraordinariamente o publicano – uma autoridade do império romano - não contesta a ordem de alguém a quem ele nunca vira antes. 6) Ao contrário, ele obedece à voz de comando, desce depressa e recebe Jesus alegremente em sua casa. Com os olhos da graça, relendo esse episódio bíblico, fica claro que a graça é liberada por Jesus sem condições. Assim não é preciso ser santo ou religioso, não é necessário fazer nada, absolutamente nada exteriormente falando para receber a graça. Mas é certo que Zaqueu demonstrou interesse por Jesus, tendo uma atitude de adorador, de procura por Ele e desejo de estar com Ele. E então recebeu de Jesus “o olhar da graça”. Jesus olhou para ele, e mesmo sabendo que ali estava – talvez o pecador mais desprezado entre os judeus presentes - o escolheu para pousar em sua casa. Os religiosos de hoje continuam afirmando o que os fariseus daquela época diziam: somente os santos podem hospedar Jesus, somente os religiosos podem ter intimidade com Deus. Assim Jesus nega com sua atitude isso: Ele tem interesse especial pelos pecadores. Você e eu somos pecadores? Que bom! Ele tem interesse por você e por mim. Então a graça foi liberada sobre o odiado pecador Zaqueu; e como reage Zaqueu? Ele recebe Jesus alegremente. E aqui na seqüência algo extraordinário acontece: impactado pela força da graça liberada por Jesus, Zaqueu, o pecador, o desprezado publicano tomou uma atitude. Declarou – sem que Jesus tivesse cobrado nada – que daria a metade de tudo quanto possuía aos pobres e que para aqueles que em negócios com ele tinham o que reclamar, ou seja, àqueles que se sentiram enganados por ele, eis que restituiria tudo acrescido de 400% de juros e correção monetária. Extraordinária compreensão da graça: Recebi graça, graça quero liberar. E como acaba esse episódio? Jesus declarando – e observem que somente após a declaração de Zaqueu é que Jesus afirma - hoje veio salvação a esta casa, posto que ele também é filho de Abraão. E afirma mais: que Ele tem uma missão, buscar e salvar o que se havia perdido. Assim aprendemos que a salvação não veio pelo que Zaqueu fez – ele fez tudo errado em sua vida - traiu seu povo, tornou- se cobrador de impostos à serviço dos opressores romanos e enriqueceu as custas do povo sofrido e pobre. Zaqueu por suas obras, pelos seus feitos não era merecedor de nada, muito menos de salvação. Como se justifica, pois, a salvação? Pela Graça – o favor não merecido. É a GRAÇA que liberta e que salva. É A GRAÇA que importa. GRAÇA recebemos de Jesus. E assim como Zaqueu só devemos ter uma atitude. Liberar GRAÇA. D’Ele recebemos, para o outro devemos dar. Jesus tem sido generoso com você? Ótimo! Seja, então, generoso, com todos os que o cercam e os que se aproximarem de você. Foi abençoado? Que alegria! Abençoe outros. Uma porta se abriu para você? Que legal! Abra as portas para outros, no que depender de você. Descubra a alegria de servir. Descubra a alegria de fazer a alegria do Senhor. Pois a alegria dEle é a nossa força.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

RELIGIÃO NÃO! ESPIRITUALIDADE SIM! (Pr. Caio Fábio)

Em Jerusalém um amigo judeu de muitos anos, que já foi meu guia, mas que se tornou amigo mesmo [ele meu e eu dele], me disse que pastores brasileiros chegam lá, e, uma vez indagados por mim, dizem, entre outras coisas, que eu deixei a “religião cristã”. Meu amigo judeu então lhes diz: “Mas ele nunca acreditou em religião. Ele apenas sempre creu em espiritualidade, não em religião. E a espiritualidade na qual ele crê não é a dos cristãos, mas sim a de Jesus”. (...) De fato, meu amigo está certo. Sou discípulo da espiritualidade de Jesus e de nada mais. Não sou discípulo da espiritualidade de Paulo e nem de nenhum dos apóstolos, mas sim de Jesus, única e exclusivamente de Jesus. É a partir de Jesus que vejo o que é e o que não é sadio até na espiritualidade dos apóstolos. Espiritualidade, conforme já tenho dito em muitos livros e textos meus, é aquilo que perpassa a vida, de modo integral, como espírito que qualifica todas as percepções, interpretações, atitudes, e decisões de uma pessoa. Meu amigo judeu entendeu isto, e tem seu coração aberto para mim e para o Evangelho. Entretanto, muitos cristãos [a maioria], à semelhança dos judeus que perseguiam Paulo por ele ter deixado a “religião judaica”, insistem em não entender o óbvio, apenas porque a ruptura que está estabelecida, agora, já não é mais de livros, textos e de conceitos, mas prática e histórica; e é isto justamente o que os tem apavorado. No início, ouviam e pensavam: “São os estrebuchos do falido, do caído, do homem sob os escombros!...” Mas agora que vêem milhares e milhares, e até seus filhos, esposas e netos enxergando o que eles se negam a ver, então, dizem: “Este homem está corrompendo a religião!” Então, os mesmos que me perseguem por aí, muitas vezes me escrevem cartas de apelo, implorando que eu “volte”, e que pare de criar essa “divisão”. Que divisão? Sim! Eu quero saber! Qual foi a divisão que eu criei? O Evangelho só é divisão para os que se perdem, pois, todo aquele que o ama e nele crê, esse, quando o ouve, deixa tudo e diz “amém” à verdade. Assim, aproveito para informar aos que já sabem, mas não querem admitir que sabem, que o “Caminho da Graça” tem cultos, reuniões, ceia, batismos, ordenações conforme os dons, envia pessoas, sustenta pessoas, e anuncia a Palavra; e faz tudo isso sem ser um movimento da religião, mas sim da espiritualidade segundo Jesus. Jesus pregava, orava com doentes e oprimidos, ensinava o evangelho e anunciava a chegada do Reino de Deus; além de acolher pessoas, andar com elas, reuni-las e fazerem-nas sentirem-se irmãs umas das outras, e, sobretudo, deixando a elas claro que o maior poder de testemunho que teriam neste mundo viria exclusivamente da capacidade que tivessem de amarem-se umas às outras — “para que o mundo creia”. Quando [logo depois de minha conversão] deparei com as implicações de Jesus ter sido sumo sacerdote segundo a ordem de Melquizedeque, ato continuo toda e qualquer força que a religião desejasse ter sobre mim, morreu...Quem crê que Jesus é Sumo Sacerdote segundo uma ordem que transcende a religião de Abraão, crê, daí para frente, não mais em religião, mas apenas em espiritualidade em Cristo, conforme o Evangelho. O “Cristianismo” é um ente histórico poluído e pervertido demais para ter qualquer poder de influencia de sal na terra. Insistir nas Cruzadas Cristãs contra o mundo pagão, é ainda pior do que pregar o Islã, por exemplo; pois, pregar uma religião em nome de Maomé é coisa humanamente simples de entender, mas fazer a mesma coisa com Jesus é blasfêmia contra o ser de Jesus. Desse modo, tudo o que Jesus faz e ensina nos evangelhos é o que nos concerne, e, sobretudo, Seu modo de ser, pois, é da observação de Seu modo de ser e andar que se tem, segundo Ele, a chance de em vendo-o, ver-se também o Pai. Assim, alegremente reduzo-me a Jesus, e aceito os limites da infinita liberdade, e as contenções do amor, e as cadeias do regozijo, e a impotência dos milagres, e a fraqueza de se enfrentar o inferno apenas com a Palavra. Isto, hoje, todavia, é loucura para o Cristianismo e escândalo para os Evangélicos!Mas para todo aquele que crê, esta é a Raiz de Vida que põe seu espigão no cerne mais profundo do discípulo, dando a ele a essencial alegria e gozo no enfrentamento das tribulações que virão sobre todos os habitantes da terra. (...) (Brasília, 22/11/2007)


segunda-feira, 19 de novembro de 2007

BATALHA ESPIRITUAL E QUEBRA DE MALDIÇÕES HEREDITÁRIAS!

Muitos já são os anos em que difundiram no país as práticas de um movimento que se fundamenta em Batalha Espiritual. São as denominações evangélicas pentecostais, mas principalmente, as neopentecostais, as maiores adeptas de mais esse modismo, que consciente ou inconscientemente, busca anular a obra redentora de Cristo. Uma coisa é a presença opressora e a possessão demoníaca, que deve ser repreendida e expulsa, em nome de Jesus. Outra, bem diferente, é a admissão de que, como crentes nEle, precisamos “quebrar maldições”. Embora a obra de Jesus Cristo tenha sido completa, os que atuam nesse “ministério”, insistem em acrescentar algo. Segundo esse movimento herdamos as maldições que acompanharam nossos antepassados, por causa de seus pecados e pactos demoníacos, e, então, precisamos anulá-las. Geralmente é usado Ex 20.5 como o texto a partir do qual tudo se fundamenta: trata-se da declaração de Deus em visitar a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração dos que O aborrecem. Entretanto, ensinar que Deus faz cair sobre os filhos as conseqüências dos pecados dos pais, é só metade da verdade revelada. A Bíblia afirma igualmente que se um filho de pai idólatra e adúltero vir as obras más de seu pai, temer a Deus e andar em seus caminhos, nada do que o pai fez virá a cair so­bre ele. A conversão e o arrependimento individuais "quebram", na existência das pessoas, a "maldição hereditária" (um efeito somente possível por causa da obra de Jesus Cristo, consumada na Cruz do Calvário). Vejamos ainda o ponto enfatizado pelo profeta Ezequiel em sua pregação ao povo de Israel da época (Leia Ez 18 ). A nação de Israel havia sido levada em cativeiro para a Babilônia, e os judeus cativos se queixavam de Deus dizendo "Os pais come­ram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram?” (Ez 18.2b) - ou seja, "nossos pais pecaram, e nós sofre­mos as conseqüências". Eles estavam transferindo para seus pais a responsabilidade pelo castigo divino, que foi o exílio. Achavam que era injusto que estivessem pagando pelo pecado de idolatria dos seus pais. Através do profeta Ezequiel, Deus os repreendeu, afir­mando que a responsabilidade moral é pessoal e individual di­ante dele: "A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniqüidade do pai..." (Ez 18.4b, 20). E que pela conversão e por uma vida reta, o indivíduo está livre da "maldição" dos pecados de seus antepassados (ver em especial Ez 18.14 -19). Aqui fica evidente o modo como o próprio Deus interpreta (através de Ezequiel) o significado de Ex 20.5. Ou seja, Ele prevê a visitação do juízo divino sobre os descendentes de homens ímpios, descen­dentes que aborrecem a Deus como fizeram seus pais. Assim a ação do Senhor sobre os filhos dos que O aborrecem é desconti­nuada a partir do momento em que estes filhos se arrependem de seus próprios pecados, e os confessam a Deus, confessando igualmente os pecados de seus pais, como Lv 26.39 - 42. De semelhante modo é o que se encontra em Nm 14.13-34. Nesta referência identificamos a misericórdia e a longanimidade de Deus atuando em conjunto com Sua justa ira contra os rebeldes e pecadores. Após a revolta dos israelitas contra Deus, inflamados pelo relato desanimador dos dez espias incrédulos, o Senhor Deus condenou aquela geração incrédula a perecer no deserto. Seus filhos haveriam de levar sobre si as infidelidades de seus pais, até que estes morressem (v.33), após o que, os filhos entrariam na terra (v. 31). Teologicamente, entretanto, no Gólgota, aquilo que fora predito por Isaías (capítulo 53), consumou-se na cruz, quando Jesus Cristo levou sobre Si todas as nossas transgressões, pecados, desobediências, iniqüidades, maldições presentes, passadas e antepassadas. Aplicando aos nossos dias, fica evidente que os discípulos e crentes fieis já romperam com “tudo que ficou para trás”, inclusive com as conseqüências espirituais dos pecados dos seus antepassados, quando, arrependidos, vieram a Cristo em fé, posto que libertos nEle e salvos pela graça, “somos verdadeiramente livres” (Jo 8. 36)

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

MORREMOS QUANDO NOS AFASTAMOS DE DEUS

(Reflita sobre o texto abaixo. Ele foi extraído e adaptado de LUCADO, Max. Nas garras da Graça: você não pode escapar do seu amor. Rio de Janeiro: Ed. CPAD, 2005, p.64-65).

Saiba que...

Uma flor morta não tem vida.
Um corpo morto não tem vida.
Uma alma morta não tem vida.
Separada de Deus, a alma murcha e morre. A conseqüência do pecado não é um dia ruim ou um mau humor, mas uma alma morta. O sinal de uma alma morta é claro: lábios envenenadores e boca blasfemadora, pés que se encaminham para a violência e olhos que não vêem Deus.
Por isso as pessoas são tão profanas! Por isso estão tão separadas de Deus...! Suas almas estão mortas. Agora você compreende por que muitos religiosos podem ser tão opressivos, tão “sem graça”. Eles não têm vida. Agora você entende por que o traficante, os políticos corruptos, o religioso raivoso e insensível, podem dormir à noite, em paz com a consciência. Eles não possuem alma. Simplesmente porque a função do pecado é matar a alma. (veja Rm 6.32).
Vejamos como Paulo descreve aqueles que estão debaixo do pecado (Rm 3.13-18):

“A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios,
a boca, eles a têm cheia de maldições e de amargura;
são os seus pés velozes para derramar sangue,
nos seus caminhos, há destruição e miséria;
desconheceram o caminho da paz.
Não há temor de Deus diante de seus olhos.”

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

LENDO A BÍBLIA COM OS OLHOS DA GRAÇA por Caio Fábio ( 2 )

A revelação de Deus no período em que a Escritura foi composta deu-se através de um longo processo, e, quem não entende isso não compreende nada. De fato, como disse Paulo, “tudo quanto outrora foi escrito, por nossa causa foi escrito, para que pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança”. A leitura bíblica é fundamental quando ela é feita com esses olhos, do contrário, ela se torna algo supersticioso e mecânico. Aliás, o fato da leitura bíblica ter sido considerada “meio de graça” — juntamente com a eucaristia e o batismo — fez com que, para muitos, o livro-Bíblia fosse considerado um ente vivo e mágico, como se carregá-lo e lê-lo, em si mesmos, carregassem uma benção inerente. Ora, na realidade não é assim. Isto porque as Escrituras podem ser examinadas, com toda acuidade e detalhamento, e, ainda assim, nada acontecer no coração de quem lê, posto que a Bíblia só se torna Palavra quando a leitura é feita a partir de Cristo, e quando o coração acompanha a revelação com fé. Vale lembrar que os “antigos”- incluindo nisto os próprios apóstolos e uma quantidade enorme de “pais da igreja - não tinham o “Livro” disponível para a “leitura devocional”, posto que não havia nem mesmo o livro disponível para que se fizesse tal “leitura inspirada”. Do ponto de vista do acesso à Bíblia, nós, sem a menor dúvida, temos muito mais acesso a ela que aqueles que nos precederam antes de haver “impressão do texto bíblico”. No entanto, paradoxalmente, as grandes percepções da Palavra aconteceram antes de haver essa facilidade física de acesso ao livro. E na minha percepção isso aconteceu também porque não tendo acesso à materialidade do Livro, as pessoas se entregavam de modo mais místico e intuitivo à verdade da Palavra. O que aconteceu é que se instituiu o Livro como algo quase mágico, e, assim, a leitura bíblica perdeu a sua força intuitiva e simples, ficando os leitores presos à culpa de abrir o livro e ler — e, muitas vezes, seguindo até mesmo um esquema de leitura —, como se não fazendo isso Deus não falasse com a pessoa. Nesse processo de objetivação da relação com o Livro, foram desenvolvidos muitos métodos de “compreensão” da Escritura, os quais, nada mais são do que “condicionantes” e que impedem a liberdade interior para a meditação, a ruminação e a gestação da Palavra na alma. Ora, o simples fato de se condicionar a Graça a um Livro já é algo pagão e pequeno, e que embota os demais sentidos do ser para manter-se aberto, conferindo coisas espirituais com coisas espirituais, e, também, crendo que o conteúdo real da Palavra que nos habita, está sempre disponível para ser excitado por toda e qualquer emulação que venha do Espírito da vida, da natureza, e por tudo quanto possa significar impressão divina no nosso ser. A Graça é puro escândalo e gera insegurança para quem não anda pela fé. Para se andar na Graça tem-se que confiar. Sem confiança, a alma acaba por tentar se agarrar a alguma forma de materialidade, seja a Bíblia, como livro; seja a igreja, como lugar de Deus; seja a Lei, como garantia de se estar “agradando a Deus” por méritos próprios. Na realidade a Graça é chocante, pois, apenas nos manda confiar no amor de Deus, e, por tal confiança, viver de modo pacificado, sabendo que tudo está feito em nosso favor. Ora, quando essa confiança se estabelece pode-se ter “um tempo devocional”, mas, na realidade, o tempo todo vira devoção. Deixa-se de ter “encontros marcados com Deus” e passa-se a andar com Deus, o tempo todo, e na tranqüilidade que nasce da confiança na fidelidade de Deus. (...) Uma vez que você sabe disso, cabe a você ler a Palavra na Bíblia e ler a Bíblia na Palavra. E mais: cabe a você manter-se completamente aberto, a fim de discernir a revelação de Deus também em todas as coisas.

LENDO A BÍBLIA COM OS OLHOS DA GRAÇA por Caio Fábio

Deus não se tornou amor. Ele é amor. Portanto, Deus sempre foi quem Ele é. Sua manifestação aos homens, todavia, é que “cresceu” aos sentidos humanos no curso das eras, posto que embora houvesse aqueles que o conhecessem como Graça (e o A.T. está cheio de Graça), sendo justificados pela fé (Hb 11), a maioria da humanidade, e também do povo escolhido para levar o “testemunho” (Israel), não poderia discernir a Graça de Deus se não fosse encerrado na certeza do pecado, isto conforme Paulo aos Romanos e a epistola aos Hebreus. Assim, a lei foi dada para avultar a culpa e o pecado. No entanto, nunca ninguém foi salvo pela Lei, tendo todos sido salvos exclusivamente pela fé, em qualquer tempo ou em qualquer era. Ele (o Senhor) falou de muitos modos e de muitas maneiras, mas, para sempre, falou por meio do Filho. Portanto, segundo várias cartas de Paulo e segundo a epistola aos Hebreus, todas aquelas coisas anteriores (a Lei e seus cerimoniais), eram apenas uma pedagogia simbólica, e que teve o seu lugar na infância da formação da consciência, tendo caído em obsolescência quando tudo o que antes era sombra e arquétipo veio a ganhar concreção final em Jesus, o qual é Deus encarnado, e em Quem habita corporalmente toda a plenitude da divindade. Assim, no A.T. temos um processo de uma longa pedagogia divina, e que muitas vezes está carregada de coisas que ferem os nossos “sentidos atuais”, mas que eram normais para o homem antigo. Desse modo, o escândalo é nosso, mas nunca foi deles. E é assim porque a revelação de Deus aos homens acontece conforme o estágio de percepção no qual eles se encontram, sendo que, agora, Deus diz a todo homem e em todo lugar, que Ele já se reconciliou com o mundo, por meio de um Varão ao qual Ele creditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos: Jesus. Quando leio a Bíblia faço-o ao contrário do que normalmente as pessoas fazem. Ou seja: leio conforme Jesus, que mostrava o que a Seu respeito constava em todas as Escrituras. Ora, com isso não digo que procuro profecias que “conformem o messiado” de Jesus, mas sim que leio buscando o espírito do Evangelho na Velha Aliança, a qual, embora agora “tenha sido removida” (Hebreus), carrega em si a semente imutável do amor e da justiça divinos. Desse modo, leio a Bíblia a partir de Jesus, posto que Nele a Palavra se encarnou, se explicou, se auto-interpretou e fez sua própria aplicação à vida como um todo. Por isso, tudo aquilo que eu leio na Escritura e que não combina com o espírito do Evangelho, sem hesitação, à semelhança de Paulo e do escritor de Hebreus, eu considero como tendo caído em sua vigência, posto que está claramente afirmado que eram apenas “sombra de coisas que haviam de vir”. Na realidade no A.T. Deus não estava dizendo, sobretudo quem Ele era, mas sim quem nós somos.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

EM JESUS UNEM-SE BONDADE,AMOR, GRAÇA, SEVERIDADE E JUSTIÇA

O episódio descrito em Jo 2.13-16 nos revela algo sobre Jesus Cristo que faz necessária uma análise mais aprofundada, posto que costumeiramente incorre-se em erro sobre a natureza da Sua personalidade. Todos os que tentaram, de alguma forma, criar um estereótipo de Jesus, falharam. Há estereótipos desde "bonzinho" e "pobrezinho", até “coitadinho, morto pregado em uma cruz”. Há os que somente se lembram carregando a cruz, recebendo chicotadas e até bofetadas. Lembram-se, ainda, dEle com todas as Suas atitudes de amor ao curar as enfermidades de muitos, ao levantar os paralíticos, ao recuperar a visão aos cegos, inclusive ao ressuscitar mortos. A partir daí criam um estereótipo falso, esquecendo-se de dois fatores muito importantes e presentes nEle o tempo todo: Severidade, justiça e zelo pelos princípios do Pai e por todas as coisas santas de Deus. Ao lançar mão de cordas para expulsar do templo todos os que ali vendiam, Ele desfez muitos desses estereótipos que Lhe tentam imputar sem sucesso. É preciso, antes de prosseguir, discorrer um pouco mais sobre Jesus como o Filho de Deus para compreendermos a impossibilidade da criação de estereótipos para Ele. Deus disse a Moisés em Êxodo 3.14: "Eu sou o que sou". Jamais foram pronunciadas palavras tão claras acerca da impossibilidade de predefinir o Criador como estas. Ele simplesmente é o que é. Não há definição e não há estereótipos. Ele age com bondade quando entende em Sua infinita sabedoria que assim deve agir, e também, aconselhado pela mesma infinita sabedoria Ele age com severidade, quando assim entende. Ele age com amor, mas também age com justiça. Os que atentam somente para a bondade e para o amor dEle (embora sejam verdadeiros), desprezam e ignoram os limites de conduta espiritual, mental e física necessária para um filho de Deus e repentinamente descobrem que Cristo tanto pode agir com extrema bondade como também com extrema severidade (veja Rm 11.22). Por outro lado, os que só atentam mais para a severidade perdem uma parte maravilhosa que é a graça, passando a viver sempre temerosos de alguma coisa, como, se além da severidade, Jesus não usasse adequadamente a justiça, sempre. Certamente aqueles cambistas do templo estavam totalmente alheios à severidade de Deus quando costumeiramente iam ali fazer seus negócios. Do mesmo modo que as pessoas tentam estereotipar o Senhor, certamente também procuram estereotipar aqueles que crêem nEle. O que agrava ainda mais este problema é que os mesmos que crêem, de alguma forma procuram estereotipar-se a si mesmos, procurando definição para si ou para o grupo de irmãos ao qual fazem parte. Uns dizem: "Os que crêem em Jesus são desta forma", e outros dizem: "Os cristãos são daquela forma". Ora, do mesmo modo que não é possível estereotipar o Deus Criador, também não é possível estereotipar Seus filhos, começando pelo Primogênito Jesus, o Cristo e também a nós que somos irmãos dEle e filhos, com Ele, de Deus. Se Deus “é o que é”, então, todos nós, também somos o que somos, sem definição, modelos ou estereótipos. Há os que tentam criar um estereótipo, e não conseguem, e há os que tentam se enquadrar em estereótipo, o que é ainda pior. Exemplo disso são os que pensam que os que crêem em Jesus devem se vestir de uma determinada maneira. Isso é falso. Há os que pensam que os que crêem em Jesus devem comer isso ou aquilo ou beber isso ou aquilo. Isso é igualmente falso. Há os que pensam que os que crêem em Jesus terão somente atitudes de bondade, e algumas vezes se surpreendem com a severidade que alguns manifestam. Há os que pensam que os que crêem em Jesus fazem determinadas coisas, não fazem outras determinadas coisas, e assim vão procurando estabelecer seus estereótipos, ainda que não consigam. Há alguns princípios que certamente estarão presentes naqueles que crêem em Jesus, e são verdadeiramente discípulos dEle, como o amor, a graça, a misericórdia, o perdão, a justiça, a verdade, a sinceridade e inúmeras outras boas qualidades, na medida em que cada dê lugar a elas no coração. O que diferencia conhecermos características presentes nos que crêem, de criar um estereótipo, é que o estereótipo tenta prever e definir quando, como e por que esta ou aquela característica irá se manifestar, sendo aí que o estereótipo falha, porque aqueles que crêem nEle devem manifestar a vontade do Pai para cada situação, e ser orientado por ela a cada momento. Portanto, torna-se impossível, até para os que crêem, prever qualquer forma de atuação que pudesse ser estereotipada, uma vez que nosso Deus tudo vê e tudo conhece, mas não nós. Podemos, portanto, ser movidos a agir com graça e bondade em uma situação em que pensávamos que o melhor seria a severidade; e podemos igualmente ser movidos a agir com severidade numa situação onde pensávamos que o melhor seria a graça e a bondade. Simplesmente porque não conhecemos todas as coisas, e não vemos tudo o que Ele vê. O que realmente importa é que sejamos obedientes, pois "aqueles que são guiados pelo Espírito Santo, esses são filhos de Deus" (Rm 8.14).

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

NÃO DEVEMOS NOS ENVERGONHAR DE NOSSAS FRAQUEZAS

E Ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte. 2 Co 12.9,10.Não existe pessoa completa e perfeita, suficiente e totalmente independente. Somos, a despeito de nacionalidade, gênero, idade, raça e credo, pessoas limitadas e, portanto, insuficientes, em nós mesmos. Reconheço que fazer esta afirmativa não é tarefa fácil, uma vez que essa limitação e insuficiência nos são mostradas de modo doloroso, através de um problema, uma dificuldade, uma debilidade ou uma decepção. Preocupamo-nos, por demais, com o que os outros vão pensar, de que forma vão nos avaliar, se como fracos e problemáticos ou sem valor. Geralmente não paramos para pensar que as outras pessoas também falham, e também têm suas fraquezas e defeitos, e em muitas situações se sentem de maneira semelhante, receando um julgamento ruim. Este é um conceito muito pessimista, mas sobre ele crescemos! Muitas vezes nosso foco está sobre o que existe de ruim em nós e nos outros, deixando-nos levar pela desilusão e falta de esperança, e fechando os olhos para a realidade de que não adianta se lamentar ou se submeter às acusações, porque ninguém se livra dos problemas ignorando-os ou se colocando em posição de vítima. Muitas são as fraquezas – quer de natureza emocional, psicológica, física ou material - mas se não nos é possível resolvê-las de uma vez, devemos aprender a lidar e buscar alternativas. Nenhum problema ou limitação pode nos deter de realizar algo que nos beneficie em crescimento de mente e espírito. Deus não deseja que vivamos fingindo ser alguém que não somos; não adianta fingir que não temos aquele problema quando sabemos que temos; ao contrário, Ele nos aceita exatamente como somos. Certamente que isso não quer dizer que Deus apóia todas as atitudes e escolhas que tomamos por sermos fracos; na verdade, nos aceitar como somos reflete o respeito que Ele tem por cada um de nós. E se Ele sendo Deus pode nos compreender e ver o que há de bom em nosso interior, por que nos envergonharmos de nossas fraquezas? Deus é o único que poderia nos acusar ou cobrar com fundamento, mas Seu propósito é nos ensinar a superar. A todos quantos escolheu, Deus amou e os aceitou da forma exata como eram! Veja comigo alguns exemplos de homens de Deus: Jeremias foi um profeta tímido e medroso, chorava muito; e mesmo assim Deus o usou de forma tão diferenciada que não houve outro profeta por quem Deus revelou seu amor tão explicitamente até a vinda de Jesus. Moisés era inseguro e tinha medo de falar às multidões, mas Deus o usou para libertar o povo de Israel da escravidão do Egito, e o levou junto com seu irmão Arão para falar ao faraó do Egito. Jesus escolheu homens simples e comuns como discípulos. Antes de seguir Jesus tiveram eles várias experiências em suas vidas, muitos foram os erros, as falhas e os acertos praticados, como qualquer pessoa comum. E certamente seus problemas não desapareceram apenas por que Jesus lhes confiou uma missão. Eles continuaram sendo pessoas imperfeitas como todos os grandes profetas a quem Deus confiou a missão do evangelismo, tentando fazer as melhores escolhas possíveis, tentando se abster do erro e superar suas limitações! Não existe – entre nós - perfeição! Não podemos tratar a nós mesmos com indiferença pelas nossas fraquezas e falhas, porque nunca conseguiremos viver uma vida perfeita e intocável, em que jamais algo de ruim aconteça, ou algum obstáculo surja, ou alguma coisa se complique! Não se envergonhe de suas fraquezas! Assuma-as! Seja aquilo que você é de verdade! Mais do que "cura" e "libertação", busque a "transformação", que começa com a aceitação dos limites de nossa natureza física e humana; porque é aí que passamos a enxergar o que é que podemos fazer a respeito para melhorar nossa situação! Não devemos nos esconder dos problemas ou das situações adversas. Ao contrário, é preciso encarar os problemas de frente. Se o desejo é de êxito, não se deve hesitar. É preciso buscar e encontrar alternativas. Não podemos permitir que os problemas, os obstáculos e as fraquezas nos impossibilitem de sermos felizes e de forma produtiva, em Jesus Cristo, conscientes de que Sua graça nos basta. É ela que emana dEle que nos conforta e nos dá a força para prosseguir.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

O SEMPRE E O DE VEZ EM QUANDO

Outro dia alguém pinçou uma de minhas afirmações para afirmar que eu não acredito em milagres. A afirmação que fiz foi que Deus deseja fazer algo em nós, e não necessariamente por nós. De fato, representa muito do meu pensamento: a principal obra de Deus no humano é a conformação do humano à imagem de seu Filho Jesus, que Paulo, apóstolo, chama de “primogênito entre muitos irmãos”. Mais do que fazer coisas boas para o ser humano, Deus está comprometido em transformar o ser humano, ainda que isso custe deixar ou permitir que coisas ruins aconteçam a este ser humano em processo de transformação. Deus não atua no ramo de “conforto para os fiéis”. Deus atua no ramo de transformação do humano à imagem de Jesus Cristo.
Daí a extrapolar que eu não acredito em milagres é um pulinho. Confundir a ênfase da minha teologia – “Deus faz em nós, e não necessariamente por nós”, com “Deus nunca faz nada por nós”, é até compreensível.
Na verdade, o que pretendo dizer é melhor compreendido quando se dá atenção ao “não necessariamente”: Deus deseja fazer algo em nós, e não necessariamente por nós. Sublinhe o “não necessariamente”. Isso significa que Deus pode fazer e pode não fazer, e que o fazer ou deixar de fazer é imponderável, afetado por muitas variáveis que extrapolam o nosso controle e nosso entendimento. O que acredito, portanto, é que Deus sempre deseja fazer algo em nós, mesmo quando não faz algo por nós. Deus está sempre agindo para nossa transformação, mesmo quando não atua em nossas circunstâncias.
Por esta razão, minha conclusão é óbvia e simples: não devemos pautar nosso relacionamento com Deus na expectativa de que Ele faça algo por nós, mas na certeza de que Ele deseja fazer algo em nós. Quando Ele faz algo por nós, amém, quando não faz, amém também. O que não podemos permitir é que a expectativa de que Ele faça algo por nós nos deixe cegos ou imobilizados para o que Ele quer fazer em nós.
A maioria dos cristãos baseia seu relacionamento com Deus na dimensão “por nós”: o Deus de milagres, o Deus de poder. Alguns poucos baseiam seu relacionamento com Deus no “em nós”: o Deus de amor que nos constrange a viver para Ele e não para nós mesmos, onde viver para Ele implica sempre morrer para si mesmo, tomar a cruz e meter o pé na estrada. O milagre é problema (ou solução) de Deus. A fidelidade é problema meu. Atuar em minhas circunstâncias é o imponderável do mistério de Deus. Atuar em mim é o essencial do propósito de Deus. Você escolhe a base de sua relação com Deus: aquilo que pode acontecer ou não – o milagre, ou aquilo que certamente acontece – a transformação. (Pr. Ed René Kivitz)

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

LOBOS E PASTORES

“Lobo com pele de ovelha” nós conhecemos muito bem esta expressão, mas eu gostaria de chamar sua atenção para um outro tipo de lobo que tem surgido na pós-modernidade. É o “lobo com pele de pastor” É muito fácil identificar o lobo com pele de ovelha e muito difícil identificar o lobo com pele de pastor.Gostaria de dar algumas semelhanças e diferenças para que ovelhas e pastores pudessem identificá-los:
1. Pastores querem o bem das ovelhas, Lobos os bens delas.
2. Pastores vivem à sombra da cruz, Lobos sobre holofotes.
3. Pastores têm fraquezas, Lobos muito poder.
4. Pastores ensinam à verdade. Lobos são donos dela.
5. Pastores têm discípulos, Lobos admiradores.
6. Pastores vivem de sustento, Lobos de investimentos.
7. Pastores alimentam as ovelhas, Lobos se alimentam delas.
8. Pastores são humildes, Lobos vaidosos.
9. Pastores dirigem igrejas, Lobos empresas.
10. Pastores são perseguidos, Lobos são processados.
11. Pastores pregam atrás dos púlpitos, Lobos na frente das câmeras.
12. Pastores não têm ouro nem prata, Lobos têm muitos dólares.
Acrescente você mesmo esta lista e identifique os lobos pós-modernos!


A charge e este texto estão publicados no site da Sepal - Servindo a Pastores e Líderes (http://www.sepal.org.br/) ) e é de autoria de jasiel (http://www.jasielbotelho.com.br/). Espero que você também os considerem muito criativos e realistas.

ESTOU CANSADO!!!:O desabafo do Pastor Ricardo Gondim. (Terceira Parte)

Canso com a falta de beleza artística dos evangélicos. Há pouco compareci a um show de música evangélica só para sair arrasado. A musicalidade era medíocre, a poesia sofrível e, pior, percebia-se o interesse comercial por trás do evento. Quão diferente do dia em que me sentei na Sala São Paulo para ouvir a música que Johann Sebastian Bach (1685-1750) compôs sobre os últimos capítulos do Evangelho de São João. Sob a batuta do maestro, subimos o Gólgota. A sala se encheu de um encanto mágico já nos primeiros acordes; fechei os olhos e me senti em um templo. O maestro era um sacerdote e nós, a platéia, uma assembléia de adoradores. Não consegui conter minhas lágrimas nos movimentos dos violinos, dos oboés e das trompas. Aquela beleza não era deste mundo. Envoltos em mistério, transcendíamos a mecânica da vida e nos transportávamos para onde Deus habita. Minhas lágrimas naquele momento também vinham com pesar pelo distanciamento estético da atual cultura evangélica, contente com tão pouca beleza.
Canso de explicar que nem todos os pastores são gananciosos e que as igrejas não existem para enriquecer sua liderança. Cansei de ter de dar satisfações todas as vezes que faço qualquer negócio em nome da igreja. Tenho de provar que nossa igreja não tem título protestado em cartório, que não é rica, e que vivemos com um orçamento apertado. Não há nada mais desgastante do que ser obrigado a explanar para parentes ou amigos não evangélicos que aquele último escândalo do jornal não representa a grande maioria dos pastores que vivem dignamente.
Canso com as vaidades religiosas. É fatigante observar os líderes que adoram cargos, posições e títulos. Desdenho os conchavos políticos que possibilitam eleições para os altos escalões denominacionais. Cansei com as vaidades acadêmicas e com os mestrados e doutorados que apenas enriquecem os currículos e geram uma soberba tola. Não suporto ouvir que mais um se auto-intitulou apóstolo.
Sei que estou cansado, entretanto, não permitirei que o meu cansaço me torne um cínico. Decidi lutar para não atrofiar o meu coração.
Por isso, opto por não participar de uma máquina religiosa que fabrica ícones. Não brigarei pelos primeiros lugares nas festas solenes patrocinadas por gente importante. Jamais oferecerei meu nome para compor a lista dos preletores de qualquer conferência. Abro mão de querer adornar meu nome com títulos de qualquer espécie. Não desejo ganhar aplausos de auditórios famosos.
Buscarei o convívio dos pequenos grupos, priorizarei fazer minhas refeições com os amigos mais queridos. Meu refúgio será ao lado de pessoas simples, pois quero aprender a valorizar os momentos despretensiosos da vida. Lerei mais poesia para entender a alma humana, mais romances para continuar sonhando e muita boa música para tornar a vida mais bonita. Desejo meditar outras vezes diante do pôr-do-sol para, em silêncio, agradecer a Deus por sua fidelidade. Quero voltar a orar no secreto do meu quarto e a ler as Escrituras como uma carta de amor de meu Pai.
Pode ser que outros estejam tão cansados quanto eu. Se é o seu caso, convido-o então a mudar a sua agenda; romper com as estruturas religiosas que sugam suas energias; voltar ao primeiro amor. Jesus afirmou que não adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma. Ainda há tempo de salvar a nossa. Soli Deo Gloria.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

QUEM AMA SANGRA

Ele olhou ao redor da montanha e previu uma cena.
Três corpos pendurados em três cruzes. Braços estendidos.
Cabeças inclinadas para frente.
Eles gemiam por causa do vento.
Homens fardados estavam sentados no chão, perto dos três.
Homens com roupas de religiosos se afastaram para o lado... arrogantes, convencidos.
Mulheres envolvidas em sofrimento estão reunidas ao pé da montanha...
rostos marcados pelas lágrimas.
Todo o céu se levantou para lutar.
Toda a natureza se ergueu para o resgate.
Toda eternidade posicionou-se para dar proteção.
Mas o Criador não deu ordem alguma.
"Isso deve ser feito...", disse, e retirou-se.
O anjo disse outra vez: "Seria menos doloroso se..."
O Criador o interrompeu brandamente: "Mas não seria amor..."
(autoria desconhecida)

ESTOU CANSADO!!! : O desabafo do Pastor Ricardo Gondim. (Segunda Parte)

Canso com a repetição enfadonha das teologias sem criatividade nem riqueza poética. Sinto pena dos teólogos que se contentam em reproduzir o que outros escreveram há séculos. Presos às molduras de suas escolas teológicas, não conseguem admitir que haja outros ângulos de leitura das Escrituras. Convivem com uma teologia pronta. Não enxergam sua pobreza porque acreditam que basta aprofundarem um conhecimento "científico" da Bíblia e desvendarão os mistérios de Deus. A aridez fundamentalista exaure as minhas forças.
Canso com os estereótipos pentecostais. Como é doloroso observá-los: sem uma visitação nova do Espírito Santo, buscam criar ambientes espirituais com gritos e manifestações emocionais. Não há nada mais desolador que um culto pentecostal com uma coreografia preservada, mas sem vitalidade espiritual. Cansei, inclusive, de ouvir piadas contadas pelos próprios pentecostais sobre os dons espirituais.
Cansei de ouvir relatos sobre evangelistas estrangeiros que vêm ao Brasil para soprar sobre as multidões. Fico abatido com eles porque sei que provocam que as pessoas "caiam sob o poder de Deus" para tirar fotografias ou gravar os acontecimentos e depois levantar fortunas em seus países de origem.
Canso com as perguntas que me fazem sobre a conduta cristã e o legalismo. Recebo todos os dias várias mensagens eletrônicas de gente me perguntando se pode beber vinho, usar "piercing", fazer tatuagem, se tratar com acupuntura etc., etc. A lista é enorme e parece inexaurível. Canso com essa mentalidade pequena, que não sai das questiúnculas, que não concebe um exercício religioso mais nobre; que não pensa em grandes temas. Canso com gente que precisa de cabrestos, que não sabe ser livre e não consegue caminhar com princípios. Acho intolerável conviver com aqueles que se acomodam com uma existência sob o domínio da lei e não do amor.
Canso com os livros evangélicos traduzidos para o português. Não tanto pelas traduções mal feitas, tampouco pelos exemplos tirados do golfe ou do basebol, que nada têm a ver com a nossa realidade. Canso com os pacotes prontos e com o pragmatismo. Já não agüento mais livros com dez leis ou vinte e um passos para qualquer coisa. Não consigo entender como uma igreja tão vibrante como a brasileira precisa copiar os exemplos lá do norte, onde a abundância é tanta que os profetas denunciam o pecado da complacência entre os crentes. Cansei de ter de opinar se concordo ou não com um novo modelo de crescimento de igreja copiado e que vem sendo adotado no Brasil.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

ESTOU CANSADO!!!: O desabafo do Pastor Ricardo Gondim (Primeira Parte)

Cansei! Entendo que o mundo evangélico não admite que um pastor confesse o seu cansaço. Conheço as várias passagens da Bíblia que prometem restaurar os trôpegos. Compreendo que o profeta Isaías ensina que Deus restaura as forças do que não tem nenhum vigor. Também estou informado de que Jesus dá alívio para os cansados. Por isso, já me preparo para as censuras dos que se escandalizarem com a minha confissão e me considerarem um derrotista. Contudo, não consigo dissimular: eu me acho exausto.
Não, não me afadiguei com Deus ou com minha vocação. Continuo entusiasmado pelo que faço; amo o meu Deus, bem como minha família e amigos. Permaneço esperançoso. Minha fadiga nasce de outras fontes.
Canso com o discurso repetitivo e absurdo dos que mercadejam a Palavra de Deus. Já não agüento mais que se usem versículos tirados do Antigo Testamento e que se aplicavam a Israel para vender ilusões aos que lotam as igrejas em busca de alívio. Essa possibilidade mágica de reverter uma realidade cruel me deixa arrasado porque sei que é uma propaganda enganosa. Cansei com os programas de rádio em que os pastores não anunciam mais os conteúdos do evangelho; gastam o tempo alardeando as virtudes de suas próprias instituições. Causa tédio tomar conhecimento das infinitas campanhas e correntes de oração; todas visando exclusivamente encher os seus templos. Considero os amuletos evangélicos horríveis. Cansei de ter de explicar que há uma diferença brutal entre a fé bíblica e as crendices supersticiosas.
Canso com a leitura simplista que algumas correntes evangélicas fazem da realidade. Sinto-me triste quando percebo que a injustiça social é vista como uma conspiração satânica, e não como fruto de uma construção social perversa. Não consideram os séculos de preconceitos nem que existe uma economia perversa privilegiando as elites há séculos. Não agüento mais cultos de amarrar demônios ou de desfazer as maldições que pairam sobre o Brasil e o mundo.

DECAIR DA GRAÇA

A Carta aos Hebreus nos fala acerca de pessoas que um dia conheceram a Graça, com os poderes do mundo porvir, bem como provaram o perdão dos pecados, recebendo iluminação espiritual e, mesmo assim, DECAÍRAM da Graça. Ora, o que significa este “da graça decaíram”?
Decair da Graça é não perseverar na consciência do Evangelho, antes o trocando por falsas seguranças espirituais, baseadas nas obras, no saber, no compreender, nas mecânicas dos ritos e sacrifícios, e em toda sorte de confiança naquilo pelo/ e contra o que Jesus morreu.
Decair da Graça é deixar de confiar na suficiência de Jesus e de Sua Cruz quanto a tudo quanto possa ser quanto para o homem.
Decair da Graça é escolher outra via, ou tentar aumentar a Graça, ou mesmo diminuí-la a fim de que caiba a porção de nossas seguranças humanas autônomas em relação ao que Jesus Consumou.
Decair da Graça é esquecer dos pecados outrora perdoados de graça, e agora buscar encontros de contas com Deus, como se a Graça tivesse apenas dado ao homem a vantagem de pô-lo em equivalência com Deus para, daí em diante, o próprio homem bancar sua justiça perante o Santo.
Decair da Graça é inventar doutrinas e mais doutrinas e empurrá-las na goela dos homens como pílulas de salvação desenvolvidas no laboratório de “Genéricos da Igreja”.
Decair da Graça é voltar às obras mortas e suas culpas já canceladas; e isto em razão de que pela presunção de perfeição a pessoa se esboroa contra a realidade, gerando culpa; e que remete o individuo para o estado de anulamento de toda Graça, tanto do presente como também até do passado.
Decair da Graça é esquecer o amor à gratidão e se casar com o juízo.
Decair da Graça é pensar que o amor de Deus é feito de indulgências à perversidade ou a luxuria; e, assim, ungir a lascívia e a perversidade como bênçãos dos céus.
Decair da Graça é fazer como o “Cristianismo” fez; e, com ele, bem próximo a nós, “os evangélicos” fizeram e muitos continuam a fazer: sacrifícios aos deuses do dinheiro e da prosperidade; culto às instituições; adoração à verdade feita pacote moral; reverencia a teologia como gnose pagã; visão do ministério como unção de bruxos; e culto a tudo o mais que retire da vida a Graça do sentir e do crer. Isto é decair da Graça! O que você diz? Pense nisso! (Caio Fábio)

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

É PRECISO VALER A PENA!

Quero que me digam que eu tentei ser direito e caminhar ao lado do próximo.
Quero que vocês possam mencionar o dia em que tentei vestir o mendigo, tentei visitar os que estavam na prisão, tentei amar e servir a humanidade.
Sim , se quiserem dizer algo, digam que eu fui um arauto: um arauto da justiça, um arauto da paz, um arauto do direito.
Todas as outras coisas triviais não têm importância.
Não quero deixar nenhuma fortuna. Eu só quero deixar uma vida de dedicação!
E isto é tudo o que eu tenho a dizer:
Se eu puder ajudar alguém a seguir adiante,
Se eu puder animar alguém com uma canção,
Se eu puder mostrar a alguém o caminho certo,
Se eu puder cumprir o meu dever cristão,
Se eu puder levar a salvação para alguém,
Se eu puder divulgar a mensagem que o Senhor deixou... ...então a minha vida terá valido a pena! [Martin Luther King Jr.]

sexta-feira, 27 de julho de 2007

O PARADOXO DA GRAÇA

Nenhum de nós vence o pecado. Sim! Ninguém! E esta é a razão de ser da Cruz de Jesus; pois, caso eu pudesse vencer o pecado por mim mesmo, fosse por minha própria força, autocontrole, santidade pessoal, vontade de ferro, e tudo o mais, ainda assim, jamais o venceria para o “lado de dentro”, no meu ser, no meu caminho interior, pois, eu mesmo sou caído, radicalmente caído; e, por tal razão, não há em mim poder algum que seja suficiente para enfrentar o “pecado que habita em mim”; ou seja: em minha própria natureza. Jesus morreu por mim e levou minhas culpas e iniqüidades, pois, de outra sorte, nada que eu fizesse me tornaria capaz de enfrentar o pecado; posto o pecado só é vencido na Cruz; e, em mim, ele só é vencido pelo poder do amor de Deus, que é o fator que me “constrange”; e isso quando penso que Ele se fez pecado por mim, para que eu seja feito, Nele, justiça de Deus e graça de Deus na terra, entre os homens; e, antes disso, para mim mesmo, como justificação, alegria e paz no Espírito Santo. Não lute contra o pecado pela via da justiça própria, pois, assim, você apenas o fortalece em você mesmo. Justiça própria e a jactância da Lei são os principais animadores do pecado na alma que almeja o gosto da transgressão. O pecado já foi vencido. Jesus o venceu. E o bem de tal vitória de Jesus só é meu quando (pela fé) desisto de todos os processos de auto-justificação; e, sem justiça própria, confio por inteiro no que Jesus fez por mim; e que já está consumado para sempre.Este é o paradoxo da Graça: Em Cristo sou livre da condenação do pecado a fim de que salvo de todo juízo; e, por essa razão (grato pela salvação recebida pela Graça), vivo uma vida sem culpa; e sem culpa apenas porque ela já foi tirada, embora eu mesmo ainda a conheça como consciência de transgressão; do contrario, a Graça seria o caminho piedoso para a criação de psicopatas (ou seja: de pessoas sem culpa alguma, do ponto de vista do reconhecimento psicológico da transgressão como dor quando ela é real). Todavia, se creio no que “Está Feito”, então, pela fé, descanso; e, por tal descanso e entrega, os poderes e pulsões do pecado se aquietam em mim; pois, já não existe em mim a disposição de vencê-lo por meios próprios, e, dessa forma, não tendo onde pegar em nós, o pecado vai murchando... Embora, creia, ele nunca desista; até o fim.Agora, descanse na Graça; e ande no amor de Deus, pois, no amor de Deus não há transgressão e nem tampouco se caminha como quem carrega um peso; pois, Jesus disse que “o jugo é suave e o fardo é leve”. E mais: se não for assim, então, também saiba: não será o Evangelho aquilo que você vier a chamar de evangelho. Fique firme na quietude de espírito!
Lembre-se: Jesus já nos livrou da Lei do pecado e da morte.( Caio Fábio)

sexta-feira, 6 de julho de 2007

AS FINANÇAS E A IGREJA DE NOSSOS DIAS (Parte 2)

A causa mais básica dos problemas que têm ocorrido nesta área revela uma interpretação bíblica tendenciosa e uma teologia falha, que surgiu há várias décadas na América do Norte com o nome de “evangelho da saúde e da riqueza” (health and wealth gospel) e chegou ao Brasil como ‘teologia da prosperidade”. O fundamento dessa ideologia afirma que a obra redentora de Cristo conquistou para os que nEle crêem a vitória sobre todos os tipos de males, resultando em salvação, saúde física e sucesso financeiro. Argumenta-se que os “filhos do Rei, o dono da prata e do ouro (Ag 2.8), devem, por definição, ser prósperos em tudo, citando-se exemplos como Abraão, Daniel e outros personagens bíblicos.Ao mesmo tempo, são convenientemente esquecidos os muitos textos bíblicos que apontam na direção oposta, condenando a preocupação com os bens materiais, alertando para a armadilha espiritual representada pela ganância, bem como destacando o exemplo de Cristo e o discipulado cristão, descrito em termos de humildade,generosidade, altruísmo e serviço ao próximo. Com o pragmático evangelho da prosperidade, muitas igrejas enchem seus templos e seus cofres, mas ao mesmo tempo oferecem pouca nutrição genuína para os seus fiéis e uma mensagem que em nada contribui para a solução dos graves problemas que assolam a vida do país. Por trás do discurso piedoso, essas igrejas tornam-se cada vez mais parecidas com o mundo ao redor. Vivemos, no Brasil de hoje, um dos piores períodos da história. Apesar da relativa estabilidade econômica, o crime e a insegurança atingem níveis sem precedentes; as instituições públicas estão com sua imagem destroçada de modo praticamente irrecuperável em virtude da corrupção e impunidade; o sentimento predominante na sociedade civil é de cinismo, indiferença e perda do idealismo. Nesse ambiente desolador, as igrejas evangélicas e seus líderes podem mostrar que existe algo melhor, que há esperança nos valores e princípios apregoados pela fé cristã. Todavia, em primeiro lugar é necessário que pratiquem os valores bíblicos e cristãos em sua própria casa, vivendo de modo digno do evangelho de Cristo (Fp 1.27). Só assim terão autoridade espiritual, moral e ética para serem instrumentos de transformação.

AS FINANÇAS E A IGREJA DE NOSSOS DIAS

Detive-me a pensar hoje sobre os fundadores da Igreja Apostólica Renascer em Cristo. Ao pesquisar na internet encontrei no site do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper um artigo do teólogo Alderi Souza de Matos que, em resumo, elucida bem a questão, no que concordo plenamente. Diz o teólogo que: ao final de novembro de 2006, a justiça de São Paulo decretou a prisão do casal Hernandes. Mas o episódio mais constrangedor ocorreu em 9 de janeiro deste ano, quando eles foram presos por autoridades da imigração em Miami, ao tentarem entrar nos Estados Unidos com 56.000 mil dólares não declarados. A mídia nacional explorou bem a “coisa toda”! Na realidade, tais fatos são apenas os capítulos mais recentes de uma longa história. Há muitos anos esses e outros líderes vêm sendo alertados e censurados quanto ao estilo de vida e à maneira como utilizam os recursos da igreja, as contribuições dos fiéis. Infelizmente, não se trata de um caso isolado. Historicamente, muitos grupos e líderes evangélicos têm enfrentado sérios problemas na sensível área das finanças. Não é sem razão que o dinheiro e seu uso estão entre os temas mais freqüentes da Bíblia. Na maior parte dos textos que falam do assunto, o tom é de grave advertência quanto aos perigos que espreitam nessa área. Paulo nos alerta ao afirmar que os que querem ficar ricos caem em tentação e cilada e que o amor ao dinheiro é raiz de todos os males (1Tm 6.9-10). Existem no ambiente cultural evangélico e pentecostal brasileiro alguns elementos que contribuem para o surgimento desse tipo de problema. A tendência de colocar os líderes eclesiásticos em um pedestal, considerando-os ungidos do Senhor e, portanto, intocáveis, imunes a contestações e críticas, tem sido motivo de inúmeros males para a causa de Cristo. Muitos líderes evangélicos contribuem para esse nefasto culto da personalidade quando alegam possuir virtudes e dons especiais, atribuem a si mesmos títulos grandiosos e condicionam os seus liderados a obedecê-los cegamente, desprezando exortações bíblicas evidentes como 1Pedro 5.1-4. Em alguns casos extremos, essa atitude pode levar a tragédia como a que envolveu o pastor Jim Jones, na Guiana. Uma atitude triunfalista é cultivada nas igrejas evangélicas sempre que os líderes e os membros se consideram tão próximos de Deus, tão abençoados e protegidos por ele, que nada poderá atingi-los. Ela se manifesta em chavões como “eu sou filho do Rei” ou “com o meu Deus eu salto muralhas”. O problema dessa atitude, além da falta de humildade, é a tendência de minimizar os pecados dos crentes, especialmente dos líderes, e de considerar as críticas e reveses que sofrem por causa dos seus erros como provações passageiras ou ataques do inimigo. Com isso, os problemas não são admitidos, tratados e solucionados de maneira bíblica e cristã. No final dos anos 80 um pregador americano muito conhecido, Oral Roberts, afirmou em seu programa de audiência nacional ter recebido uma revelação na qual Deus lhe disse que o levaria para casa (ou seja, ele iria morrer) se não conseguisse levantar oito milhões de dólares para sua escola de medicina. As contribuições choveram de todos os lados e ultrapassaram a meta estabelecida, mas ficou a sensação de que esse líder havia utilizado uma chantagem baixa para conseguir dinheiro. É importante reconhecer que a maior parte das igrejas evangélicas realiza o seu trabalho cristão com seriedade e integridade. No entanto, as práticas financeiras de muitas igrejas e ministérios são uma incógnita, uma caixa preta a que poucos têm acesso.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

A GRAÇA E SEU SIGNIFICADO

Graça é o o favor imerecido. É o olhar, a atenção, o desvelo e o amor de Deus derramado sobre alguém, como eu e você, que mesmo sem ter mérito algum, em nós mesmos para merecer tamanha atenção do Deus Todo-Poderoso, a recebemos, de forma plena e integral. Durante muito tempo, para muitos como eu, mas infelizmente para milhares como tantos, não tivemos a consciência da Graça. E aí tudo de forma equivocada nos foi ensinado: desde as barganhas - do toma lá, dá cá -, das amarras da Lei, das "obrigações", dos sacrifícios, parecia até o retorno das "penitências" e "indulgências" católicas, à compreenão de que preciso "fazer" para "ter". Como se tudo já não estivesse consumado na Cruz...Certamente que todo o conceito teológico é bastante delicado e implica em estudá-lo de forma tal que não haja dúvidas no coração mais reticente.... Portanto, aprendamos que há liberdade na Graça, mas não libertinagem. Há alegria na graça, mas não "gracinhas". Há amor, doação e permissão na Graça, mas não licenciosidade. Este blog se desvincula do outro, ao possibilitar estudos mais aprofundados sobre a temática que me apaixona e se vincula à nossa Comunidade Graça e Paz Internacional. Ao longo dos próximos dias estarei repassando algumas questões, mas principalmente transferindo parte do material publicado no Cruz ou Espada ? para cá. Além das reflexões pastorais, aqui também estarão todo o conteúdo de interesse da Comunidade e de seus Ministérios.

OS DÍZIMOS E AS OFERTAS SOB A LEI E A GRAÇA

Muito se tem falado sobre dízimos e ofertas no meio evangélico. Os "assassinos da Graça" parecem que não se cansam nunca. Eles - na ânsia de arrecadar mais dízimos - dizimam o pobre, oprimem o oprimido, infelicitam a vida dos felizes, pois destroem neles o amor de Deus. Para eles, os que são "dizimados", Deus existe para exigir dinheiro, através de seus "representantes autorizados-"os pastores". O dicionário Aurélio nos ensina que dízimo é a décima parte dos rendimentos, ou seja, 10% do que recebemos como renda. Mas que dizimar significa matar (um soldado) em cada grupo de dez, destruir ou exterminar em parte, desfalcar e produzir devastações. Daí, entre eles, o dar o dízimo ser chamado propriamente de dizimar, pois, quase sempre, diz-se que quem não entrega o dízimo será destruído pela ação do gafanhoto que vem e dizima tudo. E nisso espalham o terror e o temor da lei, em especial segundo Malaquias 3, que ao lado das bênçãos, também lembra as maldições decorrentes da não obediência. Para os legalistas, o dizimado não está mais na “benção” porque parou de dar o dízimo. E, assim, dizimam a pessoa em esperança, fé, amor e alegria em Deus, e a põem em estado de mendicância espiritual culpada, paranóica e neurótica. Infelizmente, nesses casos, os pastores são os gafanhotos, mas os crentes não vêem. Contrariamente a isto, o apóstolo Paulo nos ensina em 2 Co 9.7 que "cada um contribua conforme dispuser em seu coração, não com tristeza ou por necessidade, pois Deus ama a quem contribui com alegria". Na COMGRAÇA E PAZ temos aprendido sobre generosidade e doação, sobre AMOR e atitudes dadivosas que elevam a alma e nos fazem libertos da avareza e do cinismo. Em outras palavras, na dispensação da Graça, ficamos livres das amarras da Lei, e aí, entregamos o dízimo e contribuimos até mais, e o fazemos com alegria, reconhecendo que o Doador da Graça nos ama, porquanto aprendemos a retribuir amando Sua obra, Seus filhos e ao nosso próximo.

OS ASSASSINOS DA GRAÇA (Segunda Parte)

Vimos – na primeira parte - que há assassinos da Graça à solta. O problema é que não os conhecemos só por olhar. Eles não usam crachás ou botões de identificação, nem levam cartazes advertindo que devemos ficar à distância. Pelo contrário, eles geralmente carregam Bíblias e parecem ser cidadãos respeitáveis, simpáticos e obedientes á lei. A maioria passa muito tempo nas igrejas, alguns em posições de liderança religiosa. Muitos são respeitados na sociedade. Seus vizinhos jamais poderiam suspeitar que estão vivendo ao lado de assassinos. Eles matam a liberdade, a espontaneidade e a criatividade; eles matam a alegria, bem como a produtividade. Eles matam com suas palavras e seus olhares. Eles matam com suas atitudes e comportamentos, matam com o que escrevem. Quase não existe uma igreja ou uma organização cristã onde esse perigo não esteja à espreita. O surpreendente é que eles conseguem seus intentos, diariamente, sem serem confrontados ou expostos. De modo estranho, os mesmos ministérios que não iriam tolerar a heresia durante dez minutos ficam de lado e dão a esses matadores todo o espaço que precisam para manobrar e manipular outros de maneira mais insidiosa possível. Sua intolerância é tolerada. Seus espíritos críticos permanecem sem serem julgados. Suas táticas agressivas não são detidas. E a sua estreiteza de espírito é justificada ou rapidamente defendida. A escravidão resultante seria criminosa se não fosse tão sutil e envolvida em roupagem espiritual. Neste dia – hoje mesmo, alerta Swindoll – há milhares que estão vivendo com sentimentos de vergonha, medo e intimidação, quando deveriam ser pessoas livres e produtivas. A tragédia maior se dá por que eles pensam que as coisas são como deveriam ser. Essas pessoas jamais conheceram a verdade que poderia libertá-las. São vítimas da ação legalista da “letra morta” e não aceitam o Espírito – através da Graça - que vivifica. Que pena, eles são religiosos, mas tanto quanto os fariseus que encontraram Jesus, ainda não O viram como O Bom Pastor, como a Luz que lhes pode levar à liberdade. Prendem-se eles aos rituais e à liturgia dos cultos, celebram Deus e são fervorosos, falam muito em visões e profecias, e em momentos e palavras proféticas; estão, também, em todos os eventos de louvor e adoração. Enfim, são os líderes “pastores, bispos e apóstolos” de nosso tempo. Mas diferentemente do Mestre e de Seus discípulos, fazem acepção de pessoas e querem ser servidos, daí a pompa dos títulos e das funções eclesiásticas, que muito mais afasta do que aproxima as pessoas deles mesmos. Falam sobre unidade, mas afirmam ser a “sua igreja” a “única”, posto que as demais não são “bem assim”. Enfim, falam e falam, mas não vivem o que falam. São eles - em nossos dias – os assassinos da Graça. Você conhece alguém assim? ( REPUBLICADO NESTA DATA POR TRANSFERÊNCIA DE BLOG).

OS ASSASSINOS DA GRAÇA (Primeira parte)

Dentre os muitos livros de natureza espiritual e teológica que já li, alguns se sobressaíram, mas em especial destaco agora o de Swindoll, já identificado e recomendado neste blog: O despertar da Graça. Todo o conteúdo do livro é excepcional, mas quero enfatizar – neste comentário – apenas a introdução e o primeiro capítulo. Posteriormente, sempre que possível farei comentários sobre os demais capítulos. O autor destaca, inicialmente, o conceito da Graça – como favor imerecido - e declara que ela é surpreendente. E diz mais: que um novo movimento está surgindo no horizonte. E esse movimento é de liberdade, e representa um livramento alegre das coisas que nos prenderam por tanto tempo. E acrescenta Swindoll que muitos cristãos estão compreendendo que as restrições humanas e os regulamentos legalistas sob os quais estiveram vivendo não são oriundos da Graça de Deus, mas foram impostos por pessoas que não querem que os outros sejam livres. E aqui algo se sobressai, pois Jesus afirmou: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36). É então que se destaca a origem de uma grande confusão na igreja. E como toda confusão serve para dividir, nesta não é diferente: o confronto entre os que somente vêem a Lei e os que em tudo vêem a Graça. Por isso Swindoll alerta: é preciso ficar atento, pois há assassinos da Graça à solta! Eles são um grupo de pessoas bem organizadas e assustadoras, que não se detêm diante de nada para impedir que você e eu gozemos da liberdade que é nossa. Mas é chegado o tempo de um novo despertar. É necessário enfatizar a liberdade através da consciência da Graça. Por que? Porque há muitos que se dizem cristãos mas não são livres em Cristo. Eles estão atados e acorrentados pelas listas legalistas de “faça” e “não faça”, intimidados e imobilizados pelas demandas e expectativas de outros. Eles, enfim, constituem um grande número de pessoas da família de Deus que vivem em um círculo apertado de escravidão, conduzidos por aqueles que se autodenominaram nossos juízes e jurados. Já nos submetemos suficientemente aos “faça” e “não faça” dos legalistas de plantão. Já dormimos demais enquanto à nossa volta os matadores da Graça cumprem sua obra noturna e sinistra. É tempo de despertar, alerta Swindoll. Muitas são as pessoas afastadas de Deus por um conceito deformado da vida cristã. Em lugar de oferecer um convite cativante e contagioso, sensível e acessível, de esperança e ânimo através do poder de Cristo, muitos são os religiosos e líderes denominacionais que projetam, nas mensagens e nos convites, a morte da Graça. Nós da Comunidade COMGRAÇA E PAZ entendemos que fomos alcançados pela Graça, e nisso está a diferença. Aqui há alegria, paz e muita liberdade. Essa liberdade me leva para mais perto dEle, autor e Consumador da Vida, pois nEle encontro o amor e a misericórdia que me fazem ter disposição e alegria para amar e servir. (REPUBLICADO NESTA DATA POR TRANSFERÊNCIA DE BLOG).

A PAIXÃO POR CRISTO: A consciência da Graça me faz amar intensamente.

Desde meu encontro definitivo com Jesus -14 anos atrás - sinto-me a cada dia mais próximo d'Ele, e cada vez mais apaixonado por Sua Palavra, pelos Seus feitos, sinais e maravilhas. Mas foi apenas recentemente quando compreendi a extensão de Seu Amor, expressa na dimensão infinita de Sua Graça, que verdadeiramente apaixonei-me por Ele, pelo que Ele é. Geralmente buscamos Deus quando algo nos falta, quando precisamos de alguma coisa, mas a questão é que sempre estamos à procura de algo. Em sua ânsia de conquista e consumismo o homem é um ser insatisfeito e parece estar sempre em atitude de petição. Aprendemos desde criança a pedir e quando rapidamente somos atendidos, ou pelos pais, amigos, ou por Deus, logo queremos mais e o ciclo continua; quanto mais nos concedem, mais desejamos e mais pedimos.Por essa razão muitas são as igrejas que crescem a cada dia exatamente atendendo essa realidade: e aí o que se vê é uma sequência interminável de campanhas, sempre com um único propósito, conceder às pessoas, em nome de Jesus, simplesmente o que elas desejam. Os pedidos são de toda ordem, porquanto se busca dinheiro, cura, libertação, emprego, marido bom/mulher boa, filhos abençoados, casamento restaurado, promoção no trabalho, a viagem dos sonhos, a casa própria, o carro novo, e mais...muito mais. Muitos vêem seus pedidos rapidamente atendidos e continuam ali pedindo mais. Outros se dão conta que pediram já há algum tempo, mas ainda não houve resposta de Deus, por isso continuam na esperança de que serão atendidos. Há aqueles que estão porque foram ensinados que pela Confissão Positiva podem simplesmente determinar em nome de Jesus e que tudo acontecerá, porque Deus é Pai, Deus é o Provedor e qua nada nos faltará. Enfim, busca-se a cada dia mais de Deus pelo que Ele faz. E é aí que está a deformação teológica e que atingiu em cheio a igreja evangélica brasileira. Por causa desta e de muitas outras incoerências e deturpações no seio das igrejas, em relação á Palavra de Deus, foi que ao lado da Pra. Isabel, há um ano atrás - 28 de maio de 2006 - fundamos a Comunidade Graça e Paz Internacional. Não temos a pretensão de afirmar que estamos certos e todos errados, decididamente não é este o ponto. Ocorre que acreditamos em um Deus que libera Graça, que é Amor, que é Luz, que é Pai e que busca relacionamentos com Seus Filhos. Estamos apaixonados por Jesus porque não há outra condição de estarmos com Ele, experimentando Sua Misericórdia, Seu Amor, enfim, Sua Graça, sem nos envolvermos totalmente com Ele. Tudo o que Ele é, proporciona tamanha plenitude que não há como ter outra atitude que não a de sermos assim. Ele é assim e Seu desejo é que sejamos a extensão dEle, construindo relacionamentos solidários e eternos (At 2.42-44;4.32 e Rm 2.7). Não sem razão é este o lema de nossa Comunidade. Estamos ali - eu, Pra.Isabel e o Pr. Marley - não para sermos servidos, mas para servir. Não esperando simplesmente receber amor, carinho e respeito, para então retribuir. Não, decididamente não é este o foco. Estamos na Comunidade para liberar Graça: expressa em amor, carinho e respeito por todos quanto ali estão e tantos quantos nos visitarem. Venham a mim como estão - estas foram palavras proferidas por Jesus que nos atingem hoje em toda sua integralidade. Para nós importa: receber as pessoas como elas são, como elas estão. Simplesmente pecadores, porquanto simplesmente humanos somos nós. E assim nos portamos. Nisso tudo há uma diferença: queremos criar vínculos com as pessoas, construir parcerias de amor e comunhão. Queremos experimentar a alegre convivência daqueles que - como nós- estão á procura de mais, muito mais: amar a Deus e ao próximo incondicionalmente. Difícil, certamente, mas não impossível. Nisto acreditamos e para isso vivemos. (REPUBLICADO NESTA DATA POR TRANSFERÊNCIA DE BLOG).

O ENIGMA DA GRAÇA EM MINHA VIDA

No site do Pastor Caio Fábio (www.caiofabio.com) onde diariamente me alimento com seus sábios e graciosos comentários em respostas às incontáveis cartas que recebe, encontrei este entendimento da Graça que - por si só - diz tudo: Na Graça não há sorte e nem azar. Na Graça só há Graça. Na Graça há o que é, pois somente assim nos tornamos o que devemos ser. Na Graça acabam os jogos com “Deus”. Na Graça apenas se anda em fé, assim como uma ave se deixa levar pelo vento. Na Graça todo torto pode se tornar certo, e todo certo, caso não ande sem justiça própria, pode se tornar errado. Na Graça ficam extintas as falsas perspectivas de conquista pessoal para fora. Na Graça o mundo faz sentido, ainda quando isto não é por nós sentido, pois, logo adiante, bem antes do fim, fica-se sabendo que em toda dor há uma bondade, e que em cada perda há grande lucro. Na Graça a existência tem seu enigma desvelado. Sim! Na Graça tudo passa a fazer sentido no ser, não nas perdidas lógicas das filosofias e das teologias. Grande é minha alegria quando encontro filhos de Deus crescendo na consciência da Graça! (REPUBLICADO NESTA DATA POR TRANSFERÊNCIA DE BLOG).