REFLEXÕES PASTORAIS COM GRAÇA

segunda-feira, 10 de março de 2014

ORAÇÃO DE FÉ É AQUELA QUE CONTINUA E PERSISTE ATÉ QUE A BÊNÇÃO SEJA ALCANÇADA!

A parábola do juiz iníquo – injusto, perverso, malévolo – relatada por Jesus em Lucas 18.1-8, forma um par com a parábola do amigo importuno (Lucas 11.5-13) e nos ensina a necessidade da oração paciente, persistente e perseverante. As duas parábolas se harmonizam em sua estrutura e estão baseadas em um raciocínio: o contraste completo e infinito entre Deus e o homem, e a evidência de que o Senhor cede aos argumentos e persuasão dos seus santos. Assim, as duas parábolas são semelhantes por fazerem a mesma comparação e o mesmo contraste entre o que esperamos da natureza humana, mesmo imperfeita, e o que podemos esperar de Deus. As duas parábolas nos conduzem à mesma conclusão que Deus não falha conosco, como os amigos fazem às vezes. O propósito da parábola do juiz iniquo é o de ensinar a perseverança da oração. Deus sempre responde, mesmo que aparente, por algum tempo, que Ele não nos está ouvindo quando pedimos. Há duas características que devem ser observadas sobre o tipo de oração fervorosa que devemos fazer. Antes de mais nada, devemos orar sempre, ou seja, continuamente. Precisamos estar presentes na oração. Muitas orações acontecem com um certo alheamento por parte de quem ora. Mal começam e muitos são os que se afastam da oração. Há um certo envolvimento, mas não há comprometimento. Não se exige, necessariamente, quantidade de oração, mas importa a qualidade da oração. Não devemos apenas pedir, mas continuar pedindo, buscando e batendo até que a porta do céu se abra.E mais: em nossa oração constante devemos ser específicos como aquela viúva, pois ela, dia após dia, se dirigia ao juiz com o mesmo pedido. Muitos são os que oram, mas suas orações são genéricas e sem meta definida.
Quando orarmos, jamais devemos definhar ou esmorecer. Não devemos ficar desencorajados se a oração não for respondida logo. Se estivermos passando por alguma situação aflitiva, e a ajuda der a impressão que foi protelada, nosso espírito não deve enfraquecer nem sucumbir.
Na parábola há um juiz duro de coração e insensível, que é apresentado como um homem sem princípios, que não temia a Deus nem tinha consideração pelos homens. Uma viúva da mesma cidade fora tratada injustamente por um inimigo e veio até o juiz pedir justiça. Embora a causa fosse justa, ele não deu atenção ao seu caso. Mas ela persistiu, voltando sempre a ele com o mesmo pedido, até que finalmente o juiz decidiu fazer-lhe justiça, muito mais para livrar-se daquela viúva que o importunava tanto. Não houve outro motivo que o fizesse agir a não ser esse. Grandes contrastes são apresentados aqui:
- arrogância, da parte do juiz injusto.
- humildade e impotência, da parte da viúva importuna.
Em contraponto a tudo isso, um Juiz Divino e Justo. Analisemos por parte: a viúva e sua petição insistente, o juiz injusto e o juiz divino e justo.
1.   A VIÚVA IMPORTUNA: As viúvas têm um lugar de destaque na Bíblia. Na época de Jesus, eram elas até certo ponto, desprezadas e constituíam presa fácil para qualquer homem que não tivesse princípios. Eram, geralmente pobres, não tinham quase ninguém por elas, para protegê-las e resgatá-las. Sua esperança era recorrerem aos que administravam a justiça para que interviessem a seu favor. A viúva da parábola se sentia injustiçada e recorria ao juiz em busca de justiça na questão com seu adversário. Mas o juiz era insensível e não tinha pena; mas a viúva “ia ter com ele” – vinha constantemente –Lucas 18.3, tal qual devemos ir ao Trono da Graça se o nosso pedido inicial não for atendido. A viúva insistiu tanto que, finalmente, o juiz sem coração cedeu e resolveu atendê-la, “para que enfim não volte, e me importune muito”. A sua persistência prevaleceu e, no final, conseguiu do insensível juiz, a justiça que precisava e merecia.
2.   O JUIZ INJUSTO: A conduta desse juiz muito revela sobre a desorganização e a corrupção generalizada da justiça que prevalecia sob os governos da época. Certamente, o caso que Jesus apresentou aqui tinha sido extremo. Mas havia representantes da lei cuja consciência estava morta. O que temos aqui é o retrato de um homem, um magistrado, que não tinha Deus. Ele não era religioso e nem mesmo humanitário. Não se preocupara com Deus ou com os homens. Cuidava apenas de si mesmo. Como judeu agia em contradição à lei, a qual decretava que se estabelecessem juízes nas cidades, em todas as tribos, e proibia rigorosamente juízes distorcidos, acepção de pessoas ou subornos (Deuteronômio 16.18,19). Esse juiz era corrupto. Ele justificou a viúva somente porque o importunava e ele não queria ser molestado fisicamente.  Sem pensar em ninguém, nem em Deus, nem na viúva, mas apenas em si mesmo, preocupado em não ser forçado a fazer o que quer que fosse, o juiz havia prostituído e violentado uma posição privilegiada.
3.   O JUIZ DIVINO E JUSTO: Há um contraste muito grande entre tudo o que o juiz era e o que Deus não é. Tudo o que Deus é, o juiz não era. Deus é exatamente o oposto em caráter a tudo o que o juiz era. Se o injusto juiz, por fim, reagiu ao lamento da viúva, simplesmente para se ver livre dela, não responderá Deus, que é completamente justo, às orações dos que lhe pertencem, que trabalham debaixo da injustiça e opressão? Se um simples pensamento egoísta prevaleceu sobre o homem perverso, muito mais ainda os santos podem esperar de Deus. Se a importunação e a perseverança da viúva, finalmente, prevaleceram, muito mais ainda essas virtudes prevalecerão em relação a Deus. Se estamos bem com Deus, saberemos que da mesma forma que Ele nos elegeu, também nos fará justiça e nos responderá. Podemos esperar um tratamento melhor da parte de um Deus de amor do que de um juiz sem coração.
A viúva suportou por muito tempo o descaso do juiz, mas continuou e não desistiu de sua justa petição. Às vezes, Deus parece também estar indiferente às nossas petições.Muitas vezes, a interferência humana é o maior obstáculo para que as nossas orações sejam respondidas.Além disso, um dos propósitos da oração que Deus demora a atender, é a fortificação da nossa fé e da nossa paciência. Não sabemos o tempo e os caminhos de Deus. Deus não precisa acordar no meio da noite; Ele também não é egoísta e não se nega a ajudar de forma abundante. Quando aparentemente, Deus está segurando a resposta aos pedidos de Seus filhos, na realidade, faz isso com bastante sabedoria e amor! Há, na parábola, uma pergunta final de Jesus que ressoa até os dias atuais: “Quando porém, vier o Filho do Homem, porventura, achará fé na terra?”. Quando o Senhor voltar para destruir toda a injustiça do mundo, será que encontrará fé, ainda, na terra? Responda-me você!Mas saiba que nosso dever supremo, como discípulos de Cristo, apesar de toda oposição e tribulações, é manter a fé... “tende fé em Deus” (Marcos 11.22-24). Minha oração final é que cada um se firme de fé em fé no Senhor, aprendendo que a viúva não prevaleceu por causa de sua eloquência ou por sua elaborada petição. Suas palavras foram poucas, seu clamor foi curto e bem explícito. Ela nada disse sobre sua condição de viuvez, sua família ou sobre o juiz iníquo. Tudo o que ela queria era justiça contra seu adversário. Deus nos assegura que ouve nossas orações e isso deve nos incentivar a orar insistentemente. Glória a Deus por isso! (Reflexão com base em mensagem anunciada na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 09/03/2014).