quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

SOMANDO FORÇAS, DEUS NOS CONCEDE VITÓRIAS.

Ex 17.8-16 apresenta-nos a primeira batalha dos hebreus, após a libertação do Egito. Poucos dias haviam passado desde a partida, quando um povo hostil, os amalequitas, os atacam. Em Refidim, Moisés chama Josué e lhe confia a missão de escolher homens e combater o inimigo. Ele falou que ficaria no alto do monte com o cajado de Deus. E assim sucedeu, Moisés subiu ao monte juntamente com Arão e Hur. Mas algo começou a acontecer, de braços levantados Moisés segurava o cajado, e quando ele permanecia firme, os israelitas venciam. Porém, quando cansado abaixava os braços, eram os amalequitas que venciam. Mas vendo o cansaço de Moisés, Arão e Hur se dispuseram a ajudá-lo, e pegaram uma pedra e a puseram perto dele para que Moisés se sentasse. E os dois, um de cada lado, seguravam os braços de Moisés. Desse modo os seus braços ficaram levantados até o pôr-do-sol. E assim Josué derrotou completamente os amalequitas. Algo extraordinário nos revela esse episódio e precisamos extrair ensinamentos. Israel ainda não era um povo. Ali estava uma massa humana de ex-escravos, com uma precária organização social, sem armamentos, nem nenhum conhecimento e perícia bélica, e mais, sem quase nenhuma unidade. Mas a crença era comum, sim. Eles criam no mesmo Deus que hoje nós cremos. E tal qual aquele povo que fez a caminhada pelo deserto, assim é a Igreja. Somos uma comunidade peregrina em busca de sua pátria, em busca de experiências com Deus, posto que Ele nos libertou da escravidão do pecado e sem merecermos liberou Sua graça na pessoa de Jesus Cristo.Assim, tornamo-nos co-herdeiros com Ele e filhos do Pai, logo, fazemos parte de Sua família. Como uma família, devemos viver não em competição uns com os outros, mas em cooperação. Este episódio nos revela a força e o valor de um líder. Sabemos que um líder conduz à vitória. Mas o texto mostra que um líder sem auxiliares competentes não é nada. Um líder, porém, mesmo com determinação, com auxiliares competentes, sem o envolvimento de todos, não vai longe. Para melhor esclarecer o episódio bíblico, leiamos Dt 25. 17-18. Lá ficamos sabendo como tudo começou: os amalequitas inicialmente atacaram por trás e de surpresa, matavam os mais fracos, que vinham vindo atrás dos outros. Em vez de enfrentar de frente, surgem pelos fundos. E lá encontram os anciãos, os cansados, as crianças e os doentes. Os guerreiros estão lá na frente. É então que os hebreus se preparam para atacar em um confronto aparentemente desigual, porque os amalequitas são ferozes guerreiros, têm armas, têm treinamento militar, têm uma estrutura social, ao contrário dos hebreus. Mas a despeito das adversidades, os vencedores foram os ex-escravos. Para entender bem a vitória é preciso ter a compreensão de que cada um de nós é parte do todo e que cada um de nós tem, individualmente, valor, força e potencial para, juntos sermos bem sucedidos. Sabemos que há diversidade de dons e funções. E neste contexto, a batalha foi ganha, mas não há vitoriosos separadamente. Moisés como líder fez sua parte. Os seus auxiliares diretos, Arão e Hur, ajudaram-no quando se sentiu cansado. Josué saiu a campo de batalha para enfrentar, com seus guerreiros, os amalequitas. Cada um teve uma tarefa a cumprir e a cumpriu. Cada um aceitou a sua responsabilidade. Cada um deu conta da tarefa proposta. Eles compreenderam que o fracasso de um seria o fracasso de todos e que o acerto de um seria o acerto de todos. O que estava em jogo não era a causa de Moisés, não era o prestígio de Moisés como líder, ou a capacidade de Arão e Hur como auxiliares de Moisés. O foco se concentrou na vitória, pois dela dependia a existência de todo o povo. Ao lermos Rm 12.3-8 aprendemos que cada um de nós tem uma função a exercer no meio do povo de Deus e para que a igreja alcance a vitória é preciso cultivar responsabilidade e solidariedade. Nós não trabalhamos isolados e cada um faz parte de um todo. Revendo a batalha com os amalequitas percebemos que cada um reconheceu o seu lugar. Nenhum deles se omitiu e nenhum deles ultrapassou seus limites. Assim também nenhum de nós pode dizer diante de Deus que é simples e despreparado para enfrentar os problemas e as adversidades. Cada um de nós tem espaço no reino de Deus. Cada um tem algo a fazer pela obra de Deus e se devemos ter uma compreensão de que devemos fazer parte de um todo, devemos ter a compreensão de que cada um de nós tem valor pessoal. Em Atos dos Apóstolos lemos, repetidas vezes, que havia vida em comum, ou seja, comunitária, havia unanimidade, cultivavam generosidade,e, finalmente, havia unidade. Identificamos, então, que a característica mais marcante da igreja primitiva não era o barulho, ou os gritos, ou as manifestações extraordinárias do Espírito Santo. Marcante mesmo era a união entre eles, posto que formavam um só corpo. Eles eram solidários e procuravam tudo fazer como se fossem uma só pessoa. Ali, ao lermos sobre as fases iniciais da igreja primitiva, aprendemos que o segredo da vitória de uma comunidade cristã está na sua coesão em torno de um propósito. Portanto, quando seguimos coesos e convictos de que cada um de nós faz parte do todo e que cada um possui um valor extraordinário, a vitória vem. ((Síntese da mensagem deste pastor levada à Comunidade, no culto de domingo 24/02/2008)