sexta-feira, 11 de junho de 2010

É VERDADE QUE A IGREJA EVANGÉLICA IGNORA Mt 6.5...?

Estava navegando pela web quando me deparei com a seguinte questão em Yahoo! Respostas, a partir de uma pergunta e dos comentários:
A pergunta: "Porque as igrejas evangélicas ignoram o versículo Mt 6:5 "?
Confesso que me assustei. O que é que nós ignoramos, Deus meu?
Eis a transcrição de Mt 6.5: “E quando orares, não seja como os hipócritas, pois gostam de orar em pá nas igrejas e nas esquinas das ruas para serem visto pelos homens. em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa."
A seguir havia o comentário do autor da pergunta e da postagem: “eles não oram de joelhos e fazem cultos nas ruas com altos falantes e tudo o mais. eu sou cristão, não estou criticando, estou alertando o erro que estão cometendo".
Depois, mais embaixo, há um destaque para uma Melhor resposta - Escolhida pelo autor da pergunta:
“Ainda existem algumas igrejas evangélicas que oram de joelhos. Uma delas é a Congregação Cristã, que apesar de seguir alguns pontos doutrinários que parecem ser ainda ortodoxos, ainda oram de joelhos e não fazem cultos fora do templo ou da residência, e não usam meios de comunicação. Apenas a internet com autorias individuais para levar a palavra de Deus”.
Aí, então, entendi tudo. Alguém estava acusando a igreja evangélica, em sua totalidade, exceto a que foi mencionada, da prática de oração em pé e de fazer cultos nas ruas com alto falante, quando se deveria orar de joelhos e ter cultos, apenas nos templos.
E é? Que interessante! Às vezes encontro pérolas como esta e simplesmente passo ao largo, pois julgo perda de tempo emitir algum comentário. Mas hoje, parei e pensei que não devo me eximir de externar minha opinião, posto que estou cansado de tanta ignorância quanto às questões teológicas e de hermenêutica bíblica.
Vamos ao sentido e verdadeiro significado do texto: Jesus está alertando pessoas que, em sua religiosidade, agem como os hipócritas e gostam de orar em pé nas igrejas e nas esquinas das ruas, apenas para serem vistas pelos homens. Ele, o Senhor, não está condenando uma determinada forma de orar e indicando outra. Ele não está condenando a oração em pé e declarando válida, apenas, a oração de joelhos. Não, de forma alguma, o texto não considera isso. O que existe é a condenação àquele e àquela que intenta que – de forma bem explícita – sua oração seja visível e notória a todos. Certamente a pessoa não está à procura da atenção de Deus e de Seu favor, senão oraria em secreto, como Jesus recomenda. O que essa pessoa busca é a atenção das pessoas a sua volta.
Poderia eu encerrar minha contribuição para a discussão em pauta, mas vejo que preciso enfocar outro ponto muito importante. Trata-se do erro muito comum de se destacar um único versículo e a partir de sua exegese considerar toda uma doutrina ou ensino de Jesus. Quando a pessoa se foca em um versículo (apenas um) da Bíblia incorre em grave erro, que pode levar a gravíssimas conseqüências. No caso em estudo, a análise precisa ser feita a partir do versículo 1 e se estender até o versículo 18 de Mt 6. Jesus trata de três temas interligados: esmolas, oração e jejum. Como se constituía uma prática corrente no judaísmo tanto o dar esmolas, quanto orar e jejuar, Jesus exorta o povo a por em prática essas ações, mas não de forma hipócrita. Muitos eram os religiosos que assim procediam porque queriam exteriorizar suas ações, conquanto que fossem vistos praticando-as. Atento a isso, Jesus adverte:
1) Nos versículos 1 - 4: para que a prática de dar esmolas se revista de algo sincero e genuíno, na preocupação do zelo para com a desventura do outro e, que evitando receber glorificação dos homens, seja dada ocultamente, pois o Pai que vê em segredo, recompensará.
2) Nos versículos 5 -15: para que a prática da oração se revista no secreto do aposento com portas fechadas(sentido pleno ou figurado, conquanto que seja sem alarde), pois o Pai que vê em segredo, recompensará. Nada diz Jesus sobre a forma de orar, se em pé ou de joelhos, o que Ele condena é a prática hipócrita dos que oram em pé, apenas, para serem vistos pelos homens.
3) Nos versículos 16 -18: para que a prática do jejum seja revestida de sinceridade e genuína intenção, não com rosto contristado como os hipócritas para que aos homens pareçam que jejua. Mas que se faça ungindo a cabeça e lavando o rosto, conquanto que não se revele aos homens que se está jejuando, mas o Pai que vê em segredo, recompensará.
Como é difícil, para tantos, compreenderem o ensino de Jesus? Por que complicar o que é tão simples? Infelizmente, há uma profusão de equívocos e  heresias no meio da igreja de Cristo! Oro a Deus para que nos abençoe e nos livre, a todos, de tanta ignorância e despreparo teológico e de interpretação bíblica!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

EXPRESSAMOS O AMOR À DEUS SEMPRE QUE AMAMOS PESSOAS, NÃO AS COISAS DO MUNDO!

O apóstolo João em sua primeira carta (cap.3) nos apresenta uma mensagem que merece toda a atenção, pois, sintetiza as Boas Novas, o verdadeiramente "novo" em Cristo Jesus. As Sagradas Escrituras, até então, enfatizavam as leis e a necessária obediência, sem o que não haveria salvação. Após ter apreendido em Jesus - ao longo de uma saudável e sacrossanta convivência com o Mestre por mais de três anos - o apóstolo João, nessa carta, evidencia a essência da mensagem do Senhor Deus, expressa na vida de total entrega do Seu Filho Amado. Aprendamos, então, em síntese o que representa essa mensagem:
O Amor de Deus nos concedeu a Graça de sermos chamados filhos de Deus. Espiritualmente, por sua origem, o ser humano é dividido em duas classes, ou é de Deus ou é do Maligno. A mensagem de Deus é clara: o amor deve predominar entre os homens. Amor e ódio substituem a retidão e o pecado, como características respectivas. Amor é sentimento que provém de Deus, pois Ele é amor. Se Deus é Amor o ódio não tem parte com Ele. Há outra alegoria que representa característica de Deus e do Adversário: Deus é Luz, logo, filhos/as Dele não podem viver em trevas, ambiente em que predominam os/as filhos/as de Satanás.
O Senhor, o Cristo, manifestou-se para tirar os pecados do mundo, pois Nele não existe pecado. E todo/a aquele/a que está Nele não vive pecando. Ao contrário: aquele/a que vive pecando não O viu, não O conheceu.
Quem é nascido de novo (quem experimenta regeneração/novo nascimento/conversão verdadeira/entrega total, incondicional), permanece Nele, portanto vive na essência do amor e da justiça, e não na prática do pecado (que passa a ser ocasional/fortuito). É preciso entender que A UNIÃO COM CRISTO É INCOMPATÍVEL COM O PECADO.
Não sem razão reconhecem-se  como filhos/as do diabo os/as pecadores/as, aqueles/as que não praticam justiça e que não amam seu irmão. 
A mensagem do Senhor, como síntese na Nova Aliança, expressa na dimensão da Graça,  é que deve predominar o amor entre os homens.
Não nos devemos impressionar se o mundo nos odeia. O mundo é dominado por Satanás e seus filhos. Logo, por que esperar o bem de quem é do mal?
Quem não ama o outro (ou quem, manifesta-se ao outro com atitudes de discriminação, preconceito, intolerância, rancor,ressentimento e ódio) está espiritualmente morto, pois é um assassino e não terá vida eterna.
Ao contrário, se amamos os irmãos já passamos da morte para a vida e é nisto que conhecemos o amor, sabendo que se Cristo deu Sua vida por nós, então, em contrapartida devemos dar nossa vida pelos irmãos. Assimilaram a lógica do amor em Cristo?
Quem, possuindo condições financeiras e econômicas para tanto, negar-se a ajudar o irmão que passa por dificuldades, não está no Senhor, pois não permanece nele o amor de Deus.
O apóstolo nos alerta que não basta falar em amor, não podemos amar de palavra, nem de língua, mas de fato, ou de verdade, ou seja, não basta falar, deve-se demonstrar em atitudes o amor que é falado.
Somente assim seremos conhecidos e reconhecidos como Dele, e aí, estaremos em paz. Ao contrário, se o coração nos acusar, não adiante fingir, Deus a tudo e a todos conhece. Portanto se o coração não acusar, teremos confiança diante de Deus... e AQUILO QUE PEDIRMOS, DELE RECEBEREMOS porque guardamos os seus mandamentos (na essência do que Cristo nos ensinou: Amar a Deus, amar ao próximo como a si mesmo), e assim faremos diante Dele o que Lhe é agradável.
Finalmente, nos v.23 e 24: Crendo em Jesus Cristo e amando-nos uns aos outros, permaneceremos em Deus, e Ele permanece em nós. Somente assim conheceremos que Ele permanece em nós, pois esta é a direção que o Espírito nos deu. Quem se declara cristão e cristã - seguidores/as e discípulos/as do Senhor - somente deve expressar seu amor à Deus, e assim ser reconhecido por Ele como Filho/a, se e somente se, amar ao/à outro/a e não o mundo. Devemos amar as pessoas, não as coisas. Precisamos respeitar e cuidar mais do/a outro/a, não apenas dos bens! Administre bem seu patrimônio material, preserve-o, cuide de suas coisas, o Senhor deseja que Fihos/as sejam prósperos/as, mas não marque sua vida e seu coração por objetos e coisas móveis e imóveis. Antes, aja para promover o bem-estar das pessoas, com justiça e com amor, sempre. Na dimensão da Graça, o que recebemos não é por merecimento nosso, logo, faz sentido espiritual esperar por merecimento do/a outro/a para liberar bênçãos sobre ele ou ela?
No Antigo Testamento há uma ênfase: "...obedecer é melhor do que sacrificar"... (1 Sm 15.22b). Certamente que a obediência é bem melhor que o sacrifício, e isto não foi revogado, posto que continua válido. Mas, nos tempos da Graça, na leitura da Nova Aliança, a ênfase é ampliada: ... amar é melhor do que obedecer ! Reflita, pense, entenda a essência da mensagem de Deus e, se for o caso, mude! (Mensagem deste pastor levada à Comunidade no culto de domingo 06/06/2010).