segunda-feira, 14 de novembro de 2011

CELEBRANDO COM FESTA A VOLTA DO PECADOR ARREPENDIDO

Em Lc 15.1-32 há a descrição de um momento em que Jesus sem responder diretamente à acusação dos implacáveis religiosos, fariseus e escribas, que O condenavam por receber e comer com pecadores, conta-lhes parábolas sobre a importância de buscar e acolher os perdidos (pecadores). Assim narra sobre a ovelha perdida, a moeda perdida e o filho que se havia perdido, o pródigo. Sobre a última parábola precisamos aprender algo mais, a despeito do quanto já se ensinou e pregou sobre ela.
Você gosta de festa? Gosta de um banquete? E se esse banquete tiver muita comida e em especial um novilho inteiro cevado em honra a um irmão/uma irmã que após ter se afastado do convívio da família, estiver arrependido e voltar em busca de consolo, ajuda e acolhimento? Como você reage?
Há três grandes personagens na parábola. O filho mais novo que quis buscar autonomia e independência, pediu sua parte na herança e partiu; após gastar tudo, passa dificuldades e, arrependido, retorna todo envergonhado, mas com coragem para enfrentar as conseqüências de seus atos. O pai que aceita a partida do filho, mas que graciosamente o recebe de volta, sem acusações ou recusas, ao contrário confere-lhe honra e dá uma festa em sua homenagem, feliz pelo regresso do filho pródigo. E o outro filho, o irmão que não havia partido, ficara na casa do pai, trabalhando duro e zelando pelas coisas do pai. A Bíblia afirma que quando o filho pródigo voltou para casa, o pai mandou matar um novilho cevado (bem tratado e especialmente alimentado para engordar) e preparou uma grande festa, porque estava muito alegre com a volta do filho que se havia perdido. O destaque que desejo dar a esta reflexão está focado na pessoa e nas ações do filho que havia ficado e permanecera em casa, ao lado do pai. Este filho, o mais velho, voltava de um dia de trabalho, viu a agitação dos preparativos da festa em honra e homenagem ao irmão que voltara. Mas não quis participar da festa. Por quê? Será que era vegetariano, portanto seria uma questão dietética? Ou, então, era defensor dos direitos dos animais, portanto seria uma questão jurídica? Não, infelizmente, não era por nenhuma dessas razões! O irmão do filho pródigo era um legalista, e para alguém assim nada é mais ofensivo do que a liberação da Graça sobre o pecador. O novilho cevado representa, espiritualmente, algo que está impregnado pela Graça que é liberada, pelo Pai, aos que ama. Então, podemos compreender que há três tipos de temperos que estavam sobre o novilho cevado:
I – O NOVILHO CEVADO ERA TEMPERADO COM MISERICÓRDIA.
Mas o filho mais velho não gostava de nada que fosse temperado com misericórdia. Para ele era tudo uma questão de justiça.
- Ele se revelou assim quando se recusou a participar da festa que o pai promovera para o irmão, que segundo ele não era merecedor de nada. "Ele se indignou e não queria entrar" (v. 28). Parece um menino mimado em cenas de imaturidade explícita. Os criados entraram; ele, não. Esse filho representa aqueles que não vibram quando os pecadores se arrependem. O Espírito convence, o pecador se converte, mas esse cristão não celebra. Aquele novilho cevado parecia estar salgado demais para ele.
- Ele se revelou assim quando se recusou a considerar como irmão o que estava sendo festejado. Vejamos a afirmação dele no v. 30: "vindo, porém, este teu filho...". Por que não disse "meu irmão"? Porque em seu coração já não mais considerava o outro como irmão.
- Ele se revelou assim quando se recusou a aceitar o arrependimento do irmão no v. 30b – “ desperdiçou os teus bens com as meretrizes". É curioso como ele exagera os pecados do irmão. O texto não afirma que o jovem pródigo gastou o dinheiro com meretrizes. Segundo o v.13 ele “dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente”. Mas para o irmão mais velho, não havia dúvida, havia gasto tudo com prostitutas!
II – O NOVILHO CEVADO ERA TEMPERADO COM HUMILDADE.
Mas o filho mais velho não gostava de nada que fosse temperado com humildade. Para ele era tudo uma questão de merecimentos e méritos. Então, esse tempero não fazia parte da cozinha do filho mais velho. Ele, batendo no peito, disse cheio de orgulho: "...há tantos anos te sirvo, e nunca transgredi um mandamento teu" (v. 29). Essa declaração de perfeição revela um desconhecimento da própria pecaminosidade. Coisa feia é alguém ficar se elogiando. Lembra o fariseu que foi orar: "Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens..." (Lc 18.11). Tiago explica por que ninguém deve dizer o que o filho mais velho disse: "Pois qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos" (Tg 2.10); depois, Tiago acrescenta: "Pois todos tropeçamos em muitas coisas" (Tg 3.2). Certa vez, discutindo com os judeus, Jesus disse: "Não vos deu Moisés a lei? No entanto nenhum de vós cumpre a lei" (Jo 7.19). Na verdade, o filho mais velho estava com ciúme. E o ensino bíblico sobre o ciúme não é agradável: "Porque onde há ciúme e sentimento faccioso, aí há confusão e toda obra má" (Tg 3.16).

III – O NOVILHO CEVADO ERA TEMPERADO COM COMUNHÃO.
Mas o filho mais velho não gostava de nada que fosse temperado com comunhão. Para ele que dava tanta importância à justiça e aos méritos próprios, o irmão perdera o direito de comunhão, uma vez que tomara a decisão de sair de casa e depois de gastar tudo, não poderia mais ter comunhão, pois perdera sua oportunidade. Com a festa e o novilho cevado, reatava-se a comunhão do filho rebelde com o pai perdoador. Mas vejamos o que o filho mais velho diz ao pai: "...nunca me deste um cabrito para me alegrar com os meus amigos" (v. 29). Dá a entender que ele trabalhava para o pai porque tinha interesse em receber coisas de volta. Ele queria novilho cevado com o tempero do retorno, da recompensa e da premiação. Vejamos a resposta do pai: "Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu" (v. 31). Ele morava com o pai, mas parece que não sabia que tudo era seu. O filho mais velho morava com o pai, estava sempre perto do pai, mas não conhecia o seu coração. Ele trabalhava para o pai, mas não tinha intimidade com ele. Se tivesse, saberia que o pai passara todo o tempo esperando a volta do filho mais novo. Saberia que o pai orava pelo retorno do seu irmão. Saberia que seu pai não teria outra reação senão aquela. E, finalmente, saberia que aquela festa sempre estivera nos planos do pai!

Será se até hoje os religiosos e legalistas que  continuam se negando a "comer e beber" com os pecadores, ainda não entenderam o sentido e o significado da parábola do filho pródigo e as palavras de Jesus em Mt 9.12,13? O Senhor em resposta às críticas dos fariseus exclama: " Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos; pois não vim chamar os justos, e sim pecadores ao arrependimento"?
E assim como com o jovem pródigo, acontece conosco em relação a Deus. Ele é Pai e, como na parábola, está sempre esperando que os rebeldes e pródigos da vida retornem a Ele. Saiba você que haverá, espiritualmente, um novilho cevado pleno de misericórdia, humildade e comunhão, enfim, cheio de Graça, reservado para você, se este for o caso! Está você com o Senhor, então, regozije-se e compartilhe com os outros das bênçãos que o Senhor tem concedido para você. Se, ao contrário, você não estiver com o Senhor, saiba que o espera com os braços abertos como somente o Pai sabe fazer!
Os braços abertos do Pai, assim estão e continuarão, à espera de filhos pródigos que se arrependam e retornam à Sua casa. A calorosa recepção e acolhida do Pai se dá – não porque os filhos tenham direitos, seja uma questão de justiça, ou por terem méritos e mereceram algo – mas por causa do Seu amor, que é incondicional e por Sua Graça, que é favor, mesmo aos que não o merecem. Reflita sobre isso! Antes que seja tarde demais, volte-se para Ele e será acolhido. Haverá uma festa celestial e a verdadeira família de Deus, aqueles e aquelas que são guiados/as pelo Espírito Santo se encherão de alegria pela doce e fraterna comunhão! (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 13/11/2011).