segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

COMO SERVO DEVO SIMPLESMENTE SERVIR, SEM ESPERAR POR ELOGIOS E RECOMPENSAS!

O Evangelho de Lucas (17.7-10) evidencia mais um momento na vida de Jesus em que Ele faz uso de parábola para ilustrar um determinado ensinamento que desejava trazer. O Mestre, em Sua infinita e divina sabedoria, extrai da vida diária palestina um exemplo específico de relação entre um senhor (proprietário de terras) e um servo, que lavrava o campo e cuidava do gado. Seu propósito era mostrar que eram equivocadas certas tradições e idéias rabínicas da época que apresentavam Deus como o Senhor que recompensa as menores coisas que fazemos, coisas essas que poderiam ser consideradas como expressão de justiça pessoal de quem pratica. Ao contrário, na relação entre um senhor e seu servo (ou escravo), somente existem obrigações da parte deste, enquanto que o outro (o senhor) recebe o serviço prestado pelo servo como mera obrigação, sem direito a elogio, ou recompensas. Nos versículos anteriores do capítulo 17 (v. 1-6) eis que Jesus fala aos discípulos sobre as inevitáveis ofensas (escândalos) na forma de oposição ímpia e maliciosa de pessoas contra o Seu Evangelho, mas alerta para o fim dos que optarem com este caminho (v.1-2). Aproveita, então, para advertir os discípulos quanto à necessidade de cultivarem atitudes de amor e misericórdia, estando todos dispostos a perdoar àqueles que lhes ofenderem, mas que arrependidos, venham pedir perdão; e que não se importassem com quantas vezes fossem ofendidos. Mas o que ouviu dos discípulos, plenamente conscientes de suas limitações e fraquezas humanas, foi um pedido para que lhes aumentassem a fé. Na sequência, temos a apresentação da parábola em que o Mestre destaca que os Seus seguidores, como servos, deveriam simplesmente servirem ao Senhor, e que esse serviço deveria sobrepor o pensamento sobre descanso ou recompensa. Fosssem quais fossem as adversidades e as oposições que experimentariam futuramente, como servos, nada lhes restaria fazer, que servir, simplesmente servir, sem considerar a possibilidade de receberem agradecimentos ou alguma recompensa. Ao comparar a fé com o grão de mostarda, o Senhor estava se referindo a uma fé viva, aquela que possui alguém que tem pleno convencimento da existência de Deus, consciente de ter uma experiência de relacionamento com Ele, anulando sua vontade e completamente submisso à Sua vontade. Aí cabe uma pergunta cuja resposta satisfatória dependeria do nível de amadurecimento espiritual dos discípulos: recebendo mais fé, qual seria o impacto disso para eles? Será que ficariam envaidecidos e orgulhosos por suas vitórias de fé ou permitiriam que as conquistas os tornassem mais submissos ao Senhor? A parábola tem por objetivo, então, prevenir contra o sutil perigo de nos sentirmos satisfeitos com o serviço que prestamos e que seremos recompensados por tê-lo feito. Na parábola Jesus enfatiza que seriam árduos e incessantes (sem descanso) os serviços que Ele lhes exigiria. Por estes serviços, os discípulos (como servos) não deveriam esperar por elogios ou recompensas. Se assim não ocorrer, outro resumo pode ser apresentado à parábola: todos (os servos) que se acham merecedores de algo de Deus (Senhor), e agem como se Ele estivesse ao seu dispor para lhes dar o que quiserem, são culpados de arrogância pecaminosa. Para o servo que trabalha e que tem a dimensão real da lógica relacional entre servo e Senhor, o único modo de alcançar e obter uma fé maior é manifestar obediência firme e persistente, com base em humildade(v. 9-10). Uma fé maior e mais forte somente será gerada em nós (servos) se tivermos atitudes de humildade e obediência, destacando-se os seguintes pontos:
I - EM TUDO, COMO SERVOS, DEVEMOS ESTAR SUJEITOS AO SENHOR ( v. 7).
O exemplo utilizado na parábola é o de um servo. Aquela era uma sociedade escravocrata. Aquele homem não era empregado ou trabalhador assalariado como hoje conhecemos. Servo é sinônimo de escravo. O servo nada possui de seu, tudo é do senhor. Não há liberdade para fazer sua própria vontade, mas a do senhor. O servo possui um senhor, porque este pagou por ele. O servo, assim como um imóvel ou um animal, é propriedade de seu senhor. Na correlação com o Senhor Jesus a relação fica mais clara: pertencemos a Ele, que nos comprou com o preço de Seu sangue. Somos a possessão adquirida por Deus, e não temos qualquer título de posse sobre nada que possuimos. Deus tem todo o direito sobre nós, que O temos como Senhor. Porque somos dEle devemos ficar totalmente à disposição do Mestre. O nosso tempo pertence à Ele, e não há dias de folga ou feriado no Seu serviço. Ele exige tudo de nós, sempre. Pertencemos a Ele por direito de criação, pela redenção e porque entregamos nossa vida a Ele. Aprendamos, então, com a parábola: o fato de o servo ter arado o campo ou alimentado o gado não garante um refrigério e uma recompensa por parte de seu senhor. Após um dia fatigante de árduo trabalho, ele não tem, de imediato, o direito de sertar-se para comer, pois tem outra tarefa a cumprir, servir a refeição para o seu senhor. O trabalho de um servo nunca termina. É preciso estar sempre à disposição do senhor e mesmo cansado o servo deve estar à postos para servir ao senhor.
II - DEVEMOS EMPREGAR NO SERVIÇO AO SENHOR TODA A DISPOSIÇÃO, O VIGOR E O EMPENHO (v. 8).
O senhor considera tudo o que o servo fez e faz como mera obrigação e, ao final do dia, exige dele, ainda, mais obediência e um trabalho adicional. As necessidades do senhor devem ser supridas e satisfeitas, em primeiro lugar, e depois, no devido tempo, o servo pode comer. "Cinge-te e serve-me, até que tenha comido e bebido, e depois comerás e beberás tu".
Esta parábola revela o árduo trabalho na vida do cristão que precisa servir ao Senhor, com humildade e obediência. No céu, os servos fiéis irão compartilhar de Sua alegria ( Ap 3.20). No momento estamos, ainda, debaixo da obrigação para com o Senhor e devemos estar completamente à Sua disposição, sem descanso. Quando estivermos com o Senhor, seremos cuidados por Ele.
III - NÃO TEMOS DIREITO ALGUM A ELOGIOS E RECOMPENSAS ESPECIAIS POR OBEDECERMOS (v. 9).
Existem promessas de bênçãos e recompensas sem limites, mas não devemos trabalhar para o Senhor, simplesmente para recebê-las. Como servos servimos, porque pertencemos a Ele e O amamos.
IV - A SUJEIÇÃO AO SENHOR PRECISA SER TOTAL, HUMILDEMENTE (v. 10).
Os apóstolos e demais discípulos poderiam ficar presunçosos quanto à obediência que já haviam prestado. A parábola, então, tem o propósito de esclarecer que mesmo que rendamos completa obediência ao Senhor, essa fidelidade extrema nada mais seria que o cumprimento de nossa obrigação.
Aprendamos, portanto, que devemos estar disponíveis para servir, sempre. Não devemos esperar pelo "Muito obrigado, servo bom e fiel". Não! O que faremos, então?
  • Devemos estar sujeitos a Deus.
  • Devemos empregar todo o esforço,a energia e o empenho no serviço a Deus.
  • Devemos servir simplesmente, obedecendo e nada esperando como recompensa.
  • Devemos estar a serviço de Deus, com humildade e sem falsidade.
Embora a parábola possibilite apresentar Deus como um senhor de escravos e nós como servos, destituídos de quaisquer direitos, tão somente com deveres e obrigações, a Bíblia, como Palavra Viva, nos revela Deus como Pai. Aquele que é Amor, que é Luz, e cuja Misericórdia dura para sempre. Assim, mesmo sem merecermos, o Senhor libera Sua Graça, o favor imerecido, a quem deseja. Portanto, do início ao final, podemos concordar com a exegese da parábola quando percebemos exatamente a Graça que parece ignorar. Eu não posso dizer "sou um servo" enquanto não for um homem redimido. E quando vejo-me como homem redimido, não sou mais um mero servo, mas um filho que trabalha por amor ao Pai e não simplesmente por um senso de obrigação. Sei que procuro ser submisso, obediente em minha vida e diligente no serviço que presto a Deus, mas sei, de igual modo, que tudo o que tenho recebido do Senhor é produto de Sua Graça, não por que sou merecedor! Ou seja, é Graça, pura e maravilhosamente, Graça! (Desenvolvimento ampliado da mensagem deste pastor levada à Comunidade no culto de domingo 17/01/2010)