REFLEXÕES PASTORAIS COM GRAÇA

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

IMPORTA-VOS NASCER DE NOVO!

O Evangelho de João (3.1-21) nos apresenta o encontro de Jesus com Nicodemos, um dos principais dos judeus. Ele era fariseu, membro do Sinédrio, o supremo tribunal judaico. Como fariseu representava Nicodemos um grupo religioso que prezava pelo estrito cumprimento da Lei, das tradições e dos costumes mosaicos. Os fariseus eram defensores firmes da Torah -as instruções e leis de Javeh, o Senhor Deus de Israel. Na leitura do texto bíblico, exposto pelo apóstolo João, identificamos de imediato que a visita que o fariseu fez a Jesus foi noturna. Havia algum receio de exposição...? O que poderiam pensar os outros fariseus como ele, ou o povo em geral? Seriam essas as preocupações de Nicodemos para não ter procurado Jesus durante o dia, ou mesmo, na presença de outras testemunhas? Ou, visto por outro ângulo, será que Nicodemos foi movido apenas por curiosidade religiosa, querendo conhecer de perto Aquele que estava ensinando e curando o povo, atuando através de sinais, prodígios e maravilhas, ou, foi enviado pelos demais membros do Sinédrio para sondar Jesus e verificar mais a fundo quais seus propósitos e reais intenções? As muitas perguntas que podemos fazer não invalidam algo que mais sobressai: ele, Nicodemos, foi até Jesus... e isto é o que nos interessa expor aqui. Ele não ficou se perguntando sobre quem era Jesus, ele não foi perguntar aos outros sobre Jesus. De forma resoluta, embora que noturna, ele foi até Jesus. E isto já marca a diferença que desejo evidenciar. Em seguida, há algo no texto que surpreende. Nicodemos na presença de Jesus pronuncia as primeiras palavras do diálogo, mas não faz uma pergunta, antes faz uma afirmação. "Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus;porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazer, se Deus não estiver com ele". Jesus poderia ter, em resposta, afirmado que realmente ali estava diante dEle alguém que conhecia as Sagradas Escrituras, que tinha intimidade com o Pai, que era cidadão do Reino de Deus, por isso, teve revelação divina para saber que ali se encontrava o Messias, o Filho de Deus, posto que milagres eram realizados por Deus, por meio de Jesus. Mas o que Jesus afirma é algo que atinge diretamente a Nicodemos a tantos outros religiosos que até hoje acham que por seguir a Lei é cidadão do Reino de Deus. Eis Suas Palavras: "Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus". Que ensinamento forte e contundende para a sapiência de um religioso! Após perceber a falta de discernimento espiritual do fariseu (v.4), Jesus continua e afirma que "quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus". É oportuno lembrar que água serve para lavar e purificar. Espiritualmente nós somos lavados (purificados) quando buscamos a Deus e contritos nos arrependemos de nossos pecados, e aí somos purificados de todo o mal, libertos do pecado e alcançados pelo Senhor. A expressão nascer da água, também, conduz à ordenança do batismo nas águas, que é o sinal externo da entrega de alguém ao Senhor. Simboliza a morte para o pecado e o nascimento para o novo, para a vida, para a eternidade com o Senhor. O nascer do Espírito nos leva a um entendimento sobre a natureza e os propósito da vida de um homem. A natureza do homem (o que é intrínseco, posto que nasce com ele) é pecadora e pecaminosa. Sua inclinação é para o pecado, para a prática do mal e não do bem. Somente pelo Espírito é que há o novo nascimento, posto que a regeneração somente se dá com a entrada do Espírito, não sob a forma de magia ou encantamento no rito do batismo, mas como genuína transformação. Não mais a minha vontade, mas a do Espírito Santo. Não mais o ódio, mas o amor. Não mais a revolta e o desejo de vingança, mas o perdão. E disse mais Jesus (v.6):" O que é nascido da carne, é carne; o que nascido do Espírito é espírito". O Espírito Santo atua por meio da Palavra e promove a regeneração pelo convencimento do "pacado, da justiça e do juízo "(Jo 16.7-11). Jesus aqui enfatiza a substância real e a espiritualidade do novo nascimento. O nascimento físico é algo real e por meio dele recebemos a natureza humana e mortal, então, habitamos em um lugar apropriado para este tipo de natureza, que é o plano físico da existência. Por isso que "carne é carne". Em carne nascemos, assumindo a forma corpórea morremos em um corpo, que logo perece, degenera, degrada-se, desintegra-se, unindo-se e se interligando à terra, posto que é pó e ao pó volta. Mas o novo nascimento se caracteriza pela presença redendora de Jesus Cristo, por meio do Espírito Santo, e aí, assumimos a forma dEle, posto que espírito, imortal, por toda a eternidade. Não mais a minha vontade, mas a de Jesus Cristo. Não mais a desavença, a animosidade, a raiva e o ódio por alguém que nos tenha ofendido, ou simplesmente por professar outra crença, mas o amor que é de Deus, e que me invade, impregnando-me de Sua essência, posto que Deus é amor (1 Jo 4.7-13). Deixemos, pois, morrer a natureza má e pecaminosa que insiste em permanecer, manifesta na vontade da carne. Façamos viver (ou seja, façamos nascer de novo) o Amor de Deus que excede todo e qualquer entendimento, e aí transformados, não mais prevalecerá a vontade humana, mas a vontade de Deus e aí seremos cidadãos do Seu Reino! Saibamos todos que quem é nascido de novo tem o Espírito Santo, logo manifesta em suas atitides, Seu fruto. E aí, ensina-nos Gl 5.22 que não mais a indiferença, mas o amor, não mais a tristeza, mas a alegria, não mais a discórdia, mas a paz, não mais a intolerância e impaciência, mas a paciência, não mais a malignidade, mas a benignidade, não mais a maldade, mas a bondade, não mais a falta de firmeza e infidelidade, mas a fidelidade, não mais a exasperação e grosseria, mas a mansidão, não mais o descontrole ou intransigência, mas o domínio próprio.Glória a Deus, por isso!(Síntese da mensagem deste pastor levada à Comunidade no culto de domingo 14/02/2010)