quinta-feira, 8 de novembro de 2012

JESUS, O BOM PASTOR!

O texto de João 10 é consequência do episódio da cura do cego, descrito no capítulo 9, uma vez que os líderes religiosos já haviam determinado que qualquer pessoa que confessasse ser Jesus o Messias fosse excomungada, expulsa da sinagoga (Jo 9.22). Quando o cego já curado insistiu em sua lealdade a Jesus, foi expulso ( 9.34). 
O cego curado fez a escolha certa, embora tenha sentido pesar por ser rejeitado pelos líderes religiosos, repudiado por todos que o viam passando pela rua e sem o direito do convívio com homens de bem, o que o ajudaria em sua vida.
Mas Jesus não o deixou desamparado, pois procurou- o para dar abrigo em Seu aprisco, posto que declara: “Eu sou a porta das ovelhas.... Eu sou o bom pastor”.
I – JESUS É A PORTA DO APRISCO DAS OVELHAS: O Senhor indica as características da liderança espiritual. Há modos lícitos e ilícitos de se obter acesso às pessoas e assumir autoridade sobre elas. Há o caminho certo, divino, para entrar no ministério cristão, e há o caminho errado e humano.Quem quiser ministrar à almas dos homens deve passar por Cristo, a Porta, sendo vocacionado e enviado por Ele. É através Dele que os pastores assistentes têm acesso ao rebanho.
Jesus chama de ladrão e salteador ao falso pastor que entra no ministério por motivos egoístas – não para fazer o bem às ovelhas, mas para tirar vantagens delas, visando seus próprios interesses ( Mt 5.15; At 20.29,30).
Jesus dá a entender que muitos queriam assumir a condição de pastor diante do rebanho de Deus sem ter vocação na alma.
Eles insistem em seus próprios privilégios e direitos, afligiam as almas famintas e angustiadas com suas interpretações da Palavra de Deus e demonstravam, de modo geral, não possuir acesso aos corações humanos. Aqueles líderes religiosos excomungaram um pobre homem recém curado da cegueira pela sua corajosa lealdade àquele que lhe abrira os olhos, mas essa advertência repercute e se aplica aos tirânicos de todos os tempos e lugares. Ninguém pode cuidar do próximo como verdadeiro pastor se não possuir real simpatia por ele.
Jesus é a  porta para a salvação:
Notemos as três bênçãos que decorrem do ato de passar pela Porta para desfrutar da viva comunhão com Cristo:
-  segurança: sentimento de quem se sente salvo, seguro e protegido por Ele.
-  liberdade: a verdadeira liberdade para servir.
- sustento: a expressão “acharás pastagens” indica que quem está com Ele, será alimentado, farto, suprido.
Muitas pessoas piedosas e tementes a Deus têm sido excluídas das igrejas ao longo dos séculos, e isto não é de se estranhar, porque o próprio Senhor tem sido excluído de muitas delas. Certas igrejas assim como a de Laodicéia (Ap 3.20), deixam Cristo fora da porta, pois se comportam mais como clubes religiosos do que igreja de Cristo, e há mais vantagem espiritual em ficar fora delas.
II – JESUS É O PASTOR DAS OVELHAS: O relacionamento das almas com Cristo é comparado ao da ovelha com o pastor.
Os homens, assim como as ovelhas, tendem a seguir a um líder; facilmente se extraviam (espiritualmente); precisam de proteção; necessitam de sustento.
Notemos o que o Pastor  faz em prol das ovelhas:
   Ele conduz Suas ovelhas. Ele as guia e conduz mediante o Seu exemplo. Diferentemente dos falsos pastores que dão às ovelhas o que elas querem, o verdadeiro pastor dá às ovelhas o que elas necessitam, não o que querem receber. Há uma grande diferença! Ele conduz e não impele, não constrange, não usa de violência ou truculência. Uma das características do Messias, o Bom Pastor,  é Sua ternura e mansidão (Is 40.11; I Pe 5.2). 
    Ele conhece Suas ovelhas. Não adianta usar máscara ou se apresentar com subterfúgios e meias palavras. Ele conhece a cada um, em todo o seu interior, nas entranhas, juntas e medulas.
    Ele dá vida às ovelhas. Aqui o sentido é que como Ele é o autor da vida, continua dando vida e vida em abundância aos que são dEle.
    Ele morre pelas ovelhasEle não somente falou e ensinou sobre isso, mas realmente deu Sua própria vida pelas ovelhas; noutro sentido, na extensão do item anterior, Ele continua dando vida a quem está espiritualmente seco e morto!
Espero que você tenha, cada vez mais, clareza sobre a obra redentora de Jesus Cristo e, entendendo o v.1 do Salmo 23 – em toda sua extensão e complexidade – sinta-se como ovelha fiel e temente ao seu pastor; sendo Cristo verdadeiramente seu Pastor, nada – realmente – nada lhe faltará. Louvado seja Deus, por isso! (Reflexão com base em sermão proferido por este pastor, no templo da Comunidade, no culto de domingo 04/11/2012).

domingo, 4 de novembro de 2012

EM BUSCA DO NEXO ENTRE AMOR, MISERICÓRDIA, COMPAIXÃO, E O CUMPRIMENTO DA LEI E A FÉ.

O que Deus espera de mim e de você?
Alguém mais apressado pode responder que Ele espera obediência à Sua Lei. Assim, agem os legalistas religiosos. Tanto outrora quanto na atualidade, muitos são os que se preocupam com a obediência restrita às leis divinas e creem firmemente que basta isso para que conquistem a salvação e a eternidade!
Mas se analisarmos de forma mais abrangente e aprofundada as Sagradas Escrituras, verificaremos que a questão é bem mais complexa e caminha noutra direção, sentido e significado. Vejamos, pois:
Um texto no meio de muitos (Mateus 12.1-15) pode nos ajudar a elucidar muito essa questão. Dois pontos se sobressaem na perícope:
      1. O CUMPRIMENTO DA LEI:
No v. 10 há a pergunta feita a Jesus pelos religiosos: é lícito (é legal; a lei permite) curar no sábado? Certamente que eles sabiam muito bem a resposta, pois a lei mosaica proibia categoricamente atividades laborais, incluído qualquer esforço físico, por mínimo que fosse, mesmo que implicasse na cura de alguém. Perguntaram para provocar Jesus e para colocá-Lo em uma situação de confronto doutrinário. E a questão já vinha desde antes de Sua chegada na sinagoga, com o incidente da coleta de espigas pelos discípulos, contestada pelos fariseus que repreenderam o gesto porquanto não era permitido no sábado.
No geral, esta questão da guarda do sábado até hoje suscita muita discussão e polêmica. Os que guardam o sábado insistem em nada fazer em estrita obediência à lei; mas o cristianismo, desde sua origem, aos poucos, substituiu o sábado (dia do descanso) pelo domingo, dia do Senhor, para descanso. No domingo celebramos a ressurreição de Jesus e a graça redentora e restauradora que veio sobre nós – que como gentios, não somos judeus, originalmente – mas tivemos as bênçãos de Deus estendidas a todos nós, pela graça, não pela lei – exclusiva para Israel - os que cremos no Deus Trino, Pai, Filho e Espírito Santo.
É certo que respeitamos a Lei e a ela nos submetemos. Mas como no episódio do texto de Mateus, “até do sábado, o Filho do Homem é Senhor”, e não o contrário. Jesus é superior a tudo e a todos. Sua mensagem é que o AMOR prevalece à LEI. Por amor, também, entendemos Sua GRAÇA. Por isso, a salvação ocorre pela Graça, não pela fiel e estrita observância da Lei. Interessante, não! Em Rm 13.10, o apóstolo Paulo, por revelação de Deus, nos declara que “o cumprimento da lei é o amor”. Quem ama – verdadeiramente – deseja o melhor para o outro, não usurpa direitos, não transgride direitos de outrem, pratica alteridade, e não o egoísmo ou a indiferença. Quem ama, assim como Cristo, pratica a generosidade, o altruísmo, a solidariedade, a inclusão, sempre. Enfim, que ama cumpre a lei. Portanto, Jesus não valida o simples cumprimento da lei. É preciso que haja amor, porquanto o amor é o dom maior.
Deus se agrada de quem consegue amar, não necessariamente de quem guarda Sua lei, mas o faz de forma contrariada, obrigada, religiosa e sectária!
Releia a Bíblia com olhos, espiritualmente mais elevados e “veja” os seguintes detalhes na caminhada de Jesus Cristo, ao longo dos poucos mais de três anos de ministério:
- Jesus não repreendeu de forma religiosa, uma vez que a lei proibia toques em pessoas com fluxos de sangue (e a mulher com o fluxo hemorrágico que O toca, por que não foi por Ele repreendida severamente?)
- Jesus toca o esquife do filho da viúva de Naim e o faz ressuscitar (mas não deveria), pois a lei proíbe.
- Jesus – embora a lei proíba – realiza sete curas nos sábados. Faça uma pesquisa e descubra que – provocativamente – assim creio, pois não há outra explicação, uma vez que Ele sabia que a Lei impedia e que não era lícito curar no sábado. Mas atentem para Sua afirmação de que era lícito (era legal) fazer o bem no sábado! 
E mais: 2  Reis 5.9-14 nos  apresenta a situação de exclusão a que eram submetidos os leprosos. O profeta Eliseu não tocou em Naamã para curá-lo, nem dele se aproximou, enviou um mensageiro mandando-o se lavar no rio Jordão para receber a cura. Os leprosos eram excluídos do convívio social, religioso e político, pois eram considerados pecadores e, por isso mesmo, impuros. Essas pessoas tinham que expor publicamente sua humilhação: "O homem atingido por esse mal andará com as vestes rasgadas, os cabelos soltos e a barba coberta, gritando: Impuro! Impuro! ... deve ficar isolado e morar fora do acampamento" (Lv 13. 45-46). Que situação mais constrangedora! Podemos nos escandalizar com isso ainda hoje, mas seria pura hipocrisia, uma vez que continuamos excluindo publicamente as pessoas. São tantos os casos de exclusão hoje.O que acontece com os aidéticos? E com os moradores das favelas, os pobres na periferia das cidades, os negros, os nordestinos, os idosos, os homossexuais e os deficientes físicos? Realmente nossa sociedade mantêm seus próprios instrumentos de exclusão. Apenas mudaram de nome, ou de formato!
Marcos 1.40-45 nos narra a cura de um leproso. Jesus, ao contrário de Eliseu, Deixou que o leproso dele se aproximasse e o tocasse. É essa a missão dos discípulos, ir a lugares aonde ninguém quer ir, aproximar-se, tocar, sanar os males.
Jesus se enche de compaixão.E se portar assim é bem mais do que ter pena, é entrar no mundo do outro, por ele sofrer e fazer algo de concreto para lhe aliviar o sofrimento. Ter compaixão é sentir-se corresponsável pelo outro, e de fato o somos. Esta mensagem é extremamente atual para o mundo moderno,  onde o que impera é o individualismo, atitude contrária à mensagem cristã. Portanto, quem ainda deixa que o individualismo doentio domine seu coração, precisa aprender com Jesus a ter compaixão. 
O cristão deve ter as mesmas atitudes e sentimentos de Jesus. Quando vejo o outro sofrendo, sou capaz de sentir compaixão e de fazer algo por ele? Diante da exclusão avassaladora que impera hoje, podemos fazer duas opções:
-Continuarmos aceitando este processo de exclusão, que nada tem de cristão e colaborar para que mais pessoas sejam marginalizadas; ou, 
-Posicionar-nos na contramão da sociedade, fazendo com que os marginalizados sejam incluídos, não somente expulsando de seu habitat como fez o governo de São Paulo com os usuários de crack, ou ainda como fazem os governos das grandes cidades, escondendo as favelas com grandes outdoors. De que lado nós estamos? Cumprimos a lei, pura e simplesmente, sendo religiosos; ou demonstramos amor, compaixão e misericórdia para com as pessoas, como nos ensina Jesus?
 II - AS ATITUDES DE FÉ:
Há pessoas que assim como o homem da mão mirrada (ressequida, atrofiada, seca) possuem uma fé mirrada. Pessoas que possuem uma fé assim, também precisam de cura.
E até hoje, como fez com o homem da mão mirrada, Jesus faz aos que possuem uma fé mirrada: Eis você, estenda a sua mão e receba a bênção!
Você está firme com o Senhor, ou ainda vacila?
Lembre-se a salvação se dá em uma via de mão dupla: de um lado temos a Graça de Deus que é derramada sobre os que não a merecem, por isso é favor imerecido, Ele lança Seu olhar e abençoa a quem quiser independente de qualquer outra condição. Mas de outro lado, sabemos que a salvação se dá, também, pela fé. É preciso, portanto, ter fé! Compreendeu o alcance da questão? Se ainda, de todo, não está clara a questão, busque ajuda ao Espírito Santo e lhe será revelada esta e muitos questionamentos que você, porventura, ainda tenha! (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 28/10/2012).