quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

O NATAL E O NASCIMENTO DE JESUS PARA MIM

O texto de Lc 2.1-20 nos relata o nascimento de Jesus, o Ungido Filho de Deus, o Messias, o Cristo. Muito já se escreveu e certamente se continuará escrevendo sobre o nascimento de Jesus Cristo. Muitas são as polêmicas sobre esse acontecimento extraordinário e sobrenatural. Não irei entrar nas discussões sobre o natal, quanto à data de 25 de dezembro, e sua origem de festa pagã, nem sobre a esdrúxula figura de um velhinho com um saco nas costas que surge todos os anos nesta época e que parece “cegar o entendimento” de tantos, crianças e adultos. Não me interessa, também, analisar se a idéia do “espírito natalino” conduz à mais generosidade e alegre comunhão entre os homens. Precisamos discernir entre mentira e verdade, entre o que é e o que parece ser. Vamos tentar entender por partes toda esta história. Primeiro, natal nos conduz à natalício, nascimento. Muitos são os que – até no meio evangélico – entendem que não é possível celebrar o nascimento de Jesus em 25 de dezembro, posto que não é essa a data de Seu aniversário. Outros tantos, reconhecendo o caráter mercantil do natal, asseguram que não se deve celebrar nada, até porque Jesus não pregou ou ensinou sobre aniversários e celebrações desse tipo. Enfim, radicalizações à parte, entre celebrar o nascimento de Jesus em meio à figura de Papai-Noel, que é de todo errado e não celebrar nada, até em decorrência de não ser esta a data de seu aniversário, nós da Comunidade resolvemos celebrar o nascimento de Jesus sim, mas para tanto é preciso alguns esclarecimentos, uma vez que precisamos distinguir a verdade dos falsos ensinos e dos muitos enganos. Para nós, mais importante de que o nascimento é a ressurreição dEle e vida conosco. Voltando ao texto bíblico: muitos são os pontos no texto que nos levam à reflexão. Inicialmente o v.7 nos ensina que Maria após ter dado à luz, envolveu Jesus em humildes panos e O deitou em uma manjedoura – tabuleiro ou cocho que acolhe comida para animais. E isto tudo aconteceu porque não havia lugar para eles na estalagem, na pousada para os viajantes. Jesus nasceu em um lugar muito humilde, em uma simples estrebaria, um estábulo, lugar onde se recolhem os animais. E assim nasceu simplesmente porque somente ali lhe permitiram nascer. Não havia alojamento para Ele e Sua família, nem mesmo na hospedaria crua da vila, lugar esse que homens de posição teriam evitado como indigno deles. Portanto, Cristo nasceu e teve como berço um cocho e animais foram seus assistentes. Cristo, então, só nasce na vida daquele que dá permissão e uma vez nascido transforma os homens à Sua própria imagem. Se uma pergunta for dirigida a você sobre quando se deu o natal para você, ou seja, quando nasceu Jesus, o que você dirá?
Tenho por certo que se esta pergunta fosse feita a algumas pessoas dentre as muitas que tiveram um encontro com Ele, certamente elas nos responderiam.
Se a Pedro, a resposta seria: - Para mim Jesus nasceu no pátio do palácio de Caifás na noite em que o galo cantou e pela terceira vez O neguei. Foi nesse momento que minha consciência acordou para a verdade da vida.
Se a Paulo, a resposta seria: - Para mim Jesus nasceu na Estrada de Damasco quando envolvido por intensa luz que me deixou cego, pude ver a figura nobre e serena que me perguntava: “Saulo, Saulo, por que me persegues? E na cegueira passei a enxergar um mundo novo quando lhe disse: ‘Senhor, o que queres que eu faça?"
Se a Tomé, a resposta seria: - Para mim Jesus nasceu naquele inesquecível dia em que Ele me pediu para tocar as Suas chagas e me foi dado testemunhar que Ele tem poder sobre a vida e sobre a morte. E aí então pude compreender o sentido de Suas palavras: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.
Se a mulher de Samaria, a resposta seria: - Para mim Jesus nasceu junto à fonte de Jacó na tarde em que me pediu água para beber e me disse: “ Mulher eu posso te dar a água viva que sacia toda a sede, pois vem do amor de Deus e santifica as pessoas. Naquela tarde soube quem Jesus era e lhe pedi: “ Senhor, dá-me dessa água, pois quem dela bebe nunca mais terá sede”.
Se a João Batista, a resposta seria: - Para mim Jesus nasceu no instante em que, chegando ao rio Jordão pediu-me que O batizasse. E ante a meiguice do Seu olhar e a majestade da Sua figura pude ouvir a mensagem do Alto: “Este é o meu Filho Amado, em quem me comprazo.” Compreendi que chegara o momento de Ele crescer e eu diminuir, para a glória de Deus.
Se a Lázaro, a resposta seria: - Para mim Jesus nasceu na Betânia na tarde em que visitou o meu túmulo e disse: “Lázaro! Levanta”. Neste momento compreendi finalmente que Ele era a Ressurreição e a Vida.
Sendo dirigida a pergunta a mim, Pr. Evandro, eu respondo: - Para mim Jesus nasceu há quase 15 anos quando em um quarto de apartamento pude reconhecer que me encontrava sozinho, então soube que não havia mais ninguém ao meu lado, senti-me abandonado... Mas aí, caí de joelhos e busquei Deus, em mais alguns instantes senti a presença forte do Espírito Santo e desabei a chorar, eu gritava, clamava pela proteção de Deus, por Sua luz, por Sua suave e doce presença. E então no meio do deserto que havia se tornado a minha vida, senti-me abraçado, senti - me amado, senti nascer Jesus definitivamente em mim.
Esta é a véspera do dia em que os cristãos do mundo inteiro celebram o nascimento de Jesus.
Ele nasceu em um estábulo, teve por berço um cocho, uma manjedoura, lugar mais humilde impossível! Ele viveu intensamente conduzido pelo Pai, amou intensamente, realizando curas, milagres e maravilhas, como recompensa e prêmio foi, pelos homens, crucificado. Morto, foi enterrado, mas no terceiro dia, ressuscitou e está aqui entre nós. Se hoje celebramos Seu aniversário, Ele deve se fazer presente. Você tem certeza que Ele está presente em sua vida? Na festa diária de sua vida, Ele é a pessoa mais importante? Ele é seu convidado? Esta festa é em sua homenagem. Você o convidou para estar aqui? Neste natal eu faço a pergunta: E para você: quando Jesus nasceu? (Síntese da mensagem deste pastor levada à Comunidade em culto especial de natal, noite de 24/12/2008)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O MELHOR AINDA ESTÁ POR VIR

Em Jo 2.1-11 há a descrição do primeiro milagre realizado por Jesus. A característica ímpar deste milagre, o da transformação de água em vinho, releva-se por dois propósitos. PRIMEIRO: para que a Glória de Deus se manifestasse através de Seu Filho, o Messias. SEGUNDO: para que a Fé fosse despertada em Seus discípulos. As mais diversas interpretações teológicas confirmam o que logo se destaca no texto: 1)Jesus aprova a vida social; 2) Jesus aprova o casamento. Na falta do vinho – o que estava causando visível constrangimento aos noivos – pois a festa judaica costumava durar sete dias, Jesus realiza o milagre, o suprimento sobrenatural (v.6-10). Mas a despeito do milagre ser o que é - ação miraculosa - somente aconteceu porque algo foi feito como mensagem de fé: 1) a mãe de Jesus sabia que seu filho podia fazer algo que livrasse os noivos daquele embaraço, ela teve fé no Filho; 2) os serviçais obedeceram à voz de comando de Jesus para que enchessem as talhas (potes) com água. Havia faltado vinho, não água, mas, sem contestarem, os servos obedeceram a Jesus; 3) os servos fizeram o que Jesus ordenara e continuaram a obedecer quando Ele lhes ordenou que levassem ao encarregado da festa (o mestre-sala). Pode-se, de antemão, inferir que dois foram os requisitos para que o milagre acontecesse: FÉ e OBEDIÊNCIA. Após ter experimentado o vinho, eis que muito surpreso, o mestre-sala chama o noivo e lhe pergunta por que contrariamente a todos, ele passara a servir o MELHOR VINHO, ao final da festa, e não no início. Aprendamos com o episódio e com o Mestre de todos nós: 1) Se acabou o dinheiro, a saúde, a paz, a esperança, até, em sua vida, em nome de Jesus, eu posso afirmar, que peça a Ele o milagre, por que O MELHOR ESTÁ POR VIR; 2) Se estiver cansado das coisas comuns, o mesmo Cristo que transformou a água em vinho pode transformar a água da alegria passageira e terrestre no vinho da bem-aventurança celestial; 3) Ele pode transformar a água amarga da tristeza no vinho da alegria; 3) Ele pode lançar mão de uma série de circunstâncias da vida que nos perturbam, transformando-as em brilhantes oportunidades. As coisas que no dia-a-dia nos parecem cansativas e monótonas devem ser levadas à Jesus e Ele transformará tudo por Sua presença. Onde Jesus está há alegria, há esperança, há milagre. E saiba: se a situação está desesperadora creia nEle e tudo será transformado, pois o Melhor está por vir; se a situação ao contrário está muito boa, não esqueça, ainda é pouco, muito pouco, pois com Jesus... O MELHOR AINDA ESTÁ POR VIR! (Síntese da mensagem deste pastor levada à Comunidade no culto de domingo 07/12/2008)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

A ROCHA, A AREIA E SEUS FUNDAMENTOS

Tanto em Lc 6.46-49 quanto em Mt 7.21-29 nos é descrito um episódio em que Jesus ilustra seu ensino com o uso de mais uma parábola. Desta feita, é destacado que: chamar Jesus de Senhor e não se submeter a Ele em obediência mostra uma total contradição. Assim, nos é ensinado que nossas atitudes, aceitando e vivendo (pondo em prática), ou não, o senhorio dEle sobre nós, configura dois fundamentos. O Fundamento na Rocha: quem ouve as palavras (ensinos) de Jesus e pratica é semelhante ao homem prudente. Homem prudente para Jesus é o que se firma na Rocha, que é Ele, o próprio Cristo. O homem prudente é obediente, sábio, pois usa a sabedoria do alto em tudo o que faz. O homem prudente constrói a sua casa (toda a sua vida) sobre as rochas do verdadeiro discipulado, em uma submissão genuína a Cristo. O salmo 18.1,2 diz: “Eu te amo, ó Senhor, força minha. O Senhor é a minha rocha, a minha cidadela, o meu libertador, o meu Deus, o meu rochedo em que me refugio; o meu escudo, a força da minha salvação, o meu alto refúgio”. Jesus é a Rocha sobre a qual construímos nosso dia-a-dia, nossa vida. Cristo ensina aqui a importância do FAZER tanto quanto do OUVIR. Em Sua descrição de dois construtores deixa bem claro que ambos foram julgados, não pelo cuidado que tiveram ao construir suas casas, mas pelo Fundamento com que alicerçaram suas construções. Jesus ilustrou extraordinariamente a importância do fundamento quando edificamos a vida. Aprendamos, pois, que é somente pela nossa união com Cristo, que é a Rocha, que podemos conseguir a firmeza das paredes, sem a qual, até os nossos mais firmes objetivos serão como areia movediça. O construtor sábio e prudente cavou, abriu profunda vala e lançou o alicerce sobre a Rocha. E aí sim pode vir a enchente, o rio pode arrojar-se sobre a casa, mas não será abalada, por ter sido bem construída.O Fundamento na Areia: O que um fundamento arenoso representa? Mostra-nos uma base frouxa, o ato de professar a religião de forma vazia, como uma mera religião externa. A areia explica os sentimentos inconstantes e incertos de algumas pessoas (os insensatos da parábola). Para muitos destes, o único solo sobre o qual agem, tem a ver com amar a si mesmos, gostar de serem louvados, sendo fiéis aos costumes. Este segundo tipo de construção, externamente pode até assemelhar-se a uma mansão, mas é desprovido de alicerce, não tem fundação e, portanto, está condenada à destruição. Os homens que ouvem, mas não praticam os ensinos de Jesus tomam decisões sem levar em conta a ajuda de Deus, e têm suas casas edificadas sobre a areia. Seu fundamento é frágil, e pode desmoronar a qualquer momento, basta que chuvas provoquem inundações e destruam tudo. Essas pessoas podem até ter:- alegria, mas não é baseada na confiança do amor de Deus;
- confiança, mas não é fundamentada na presença revelada de Deus;
- virtudes, mas estas não têm raízes;
- bondade, mas não tem motivação para fazer o bem, e,
- esperança, mas não tem fundamento algum.

Há outras pessoas – e são até boas pessoas – que não são do Senhor, mas que constroem bem e acham que suas casas estão bem edificadas, lidam sabiamente sobre o dinheiro, os amigos, a saúde e o sucesso nos negócios, mas essas coisas embora sejam louváveis em si mesmas, são desastrosas, se não forem alicerçadas sobre a Rocha. Há, ainda, outras pessoas que constroem de forma diferente, e elas agem aumentando diariamente:
- o seu poder de Servir,
- o seu conhecimento de Deus,
- as suas vitórias sobre os seus defeitos,
- as suas alegrias e esperanças, até que suas vidas se tornem um palácio digno para Deus habitar. Estas são do Senhor, e edificam suas casas sobre Jesus Cristo, a Rocha.
Sobre qual fundamento você tem edificado sua vida? Sobre a Rocha ou sobre a Areia? (Síntese da mensagem deste pastor levada à Comunidade no culto de domingo, 16/11/2008)

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A VIDA ETERNA E AS ESCOLHAS ENTRE O CERTO E O BEM

Lc 10.25-37 nos descreve um episódio em certo dia na vida de Jesus que precisa merecer nossa melhor atenção. Muito são os textos bíblicos que por serem muito conhecidos, são também os menos compreendidos. Explico: eles são tão lidos e pregados que acabam por cauterizar nossas mentes e corações, deixando-nos imunes à sua mensagem. A parábola do samaritano é muito conhecida, mas o que temos lido e ouvido nos levam a concluir apenas que os religiosos (o sacerdote e o levita) foram frios e distantes e que o samaritano foi sensível ao ver o homem caído. Existe algo mais, que não nos foi revelado, mas que se encontra presente no texto? Creio que sim e vejamos o que Jesus realmente expressa e ensina a todos nós. Lemos que um doutor (intérprete) da Lei pergunta a Jesus – testando-O – o que deve fazer para herdar a vida eterna. Na seqüência da leitura do texto fica evidente que a mente de Cristo funciona de forma combinada com elementos lógicos e analógicos, ou seja, confronta o raciocínio lógico, coerente, natural, racional, com analogias, comparando pontos semelhantes entre coisas diferentes. Diante de uma pergunta perspicaz feita por um intérprete da Lei (com o intuito de por Jesus à prova, v.25), Jesus responde com igual perspicácia devolvendo àquele homem a pergunta: Que está escrito na Lei? Como lês (interpretas)? Jesus aqui apela para a lógica e objetividade da Lei, conhecida do interlocutor, pois este era especialista em interpretação. À pergunta objetiva de Jesus o intérprete respondeu citando uma conhecida síntese legal: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e amarás o teu próximo como a ti mesmo” (v.27). À resposta tão objetiva do intérprete segue-se a conclusão lógica e sumária de Jesus; “Respondeste bem (corretamente); faze isso e viverás”. Mas longe de se contentar, visto que o homem queria provocar Jesus, ele insiste deixando a lógica de lado e torna a perguntar: “quem é o meu próximo?”(v.29). E aqui a mente de Jesus desenvolve o lado analógico e passa a descrever a parábola. Jesus recorre à metáfora, à parábola, à linguagem simbólica, à força da imagem e da imaginação. A narrativa de Jesus descreve algumas cenas repletas de contradições lógicas e paradoxos teológicos. Vejamos alguns desses contrastes: PRIMEIRO: Jerusalém fica a cerca de 740 metros acima do nível do mar e Jericó a 400 metros abaixo do nível do mar, na região do mar Morto. Assim, embora a distância seja pequena de menos de 30 km, há um desnível de mais de 1.100 metros. É um caminho íngreme, cheio de desfiladeiros, ideal para emboscadas e ação de salteadores. Ninguém em sã consciência se aventuraria a passar por ali a não ser que estivesse em caravana, jamais sozinho. Ao que tudo indica, portanto, a vítima da parábola não era uma pessoa prudente. SEGUNDO: Geralmente pensamos que o sacerdote e o levita, que passaram de largo faltaram com suas obrigações, mas isso não é bem verdade. Havia todo um conjunto de regras, normas e leis muito claras e rígidas que proclamavam que os que exerciam funções religiosas ficariam impedidos de realizá-las caso tocassem em um cadáver, ou em um estrangeiro, pois estariam ritualmente impuros. Ora tanto o sacerdote quanto o levita fizeram o que parecia certo, o que era mais lógico. Podem ter pensado: “Esse aí que está no chão pode ser um estrangeiro e pode me contaminar e impedir-me de realizar minhas funções. Ou pior: “esse aí pode estar morto e, neste caso, nada poderei fazer para ajudá-lo. “Além do mais, pode ser uma emboscada, ele pode estar fingindo para me atrair e assim que me aproxime mais, salteadores podem me atacar”. Portanto, a lógica e o bom senso sugeriam aos dois caminhantes que não haveria nada mais inteligente a fazer do que sair dali o mais rápido possível. Não podemos recriminá-los, uma vez que não fazemos nós as mesmas coisas quase todos os dias, quando passamos por situações semelhantes nas estradas, nos semáforos, nas calçadas...! TERCEIRO: O samaritano é alguém que quebra todas as regras do bom senso. Aproxima-se do perigo. Quando está bem próximo percebeu bem que aquele homem era um judeu – como os demais judeus arrogantes por quem os samaritanos nutriam um histórico desprezo – mas isso não o impediu de aproximar-se ainda mais. Ele se importou, pois se moveu de íntima compaixão. Correndo o risco, foi até o homem cuidou dele, servindo-se de seu meio de transporte levou o ferido até uma estalagem – um hotel de beira de estrada – onde pudesse ser tratado, deixou recomendações e mais- gastou dinheiro com tudo isso. A PRÁTICA DO CERTO: Nesta história não pode haver dúvida sobre quem fez o que era CERTO. Tanto o sacerdote quanto o levita fizeram o certo. Eles cumpriram o preceito religioso, usaram de bom senso, evitando o perigo. Eles foram prudentes e usaram a lógica e a inteligência quanto a sua auto-preservação. A PRÁTICA DO BEM: Quem fez tudo errado foi o samaritano, ele arriscou-se, quebrou preceitos, rompeu com o bom senso, desperdiçou suas reservas de medicamentos e ataduras, perdeu tempo e dinheiro... SE O SACERDOTE E O LEVITA FIZERAM O QUE ERA CERTO E QUEM PROCEDEU ERRADO FOI O SAMARITANO ... POR QUE JESUS CONSIDERA O SAMARITANO O HERÓI DA HISTÓRIA? Esta é uma questão intrigante. A chave para se entender a mente de Cristo está no versículo 33... Certo samaritano... vendo-o moveu-se de íntima compaixão. O verbo compadecer de origem grega deriva de uma palavra que significa “vísceras”, “intestinos”, “entranhas”. Trata-se daquele sentimento que revolve nosso estômago, deixando-o embrulhado, revirado, diante do sofrimento humano. Ter compaixão conduz ao embrulhamento e deixa-nos enjoados, posto que desce ao fundo da alma. Normalmente nos importamos com o que é errado ou certo (a verdade/razão) e com o que é inteligente (lógico), e de forma bem natural, quanto mais seguros estivermos de estarmos certos, e de estarmos do lado da verdade, mais justificativas encontramos para nossos atos de indiferença e pior, de intolerância. Neste sentido, fazer o que é certo é o primeiro passo para a intolerância. Qual é então a proposta de Jesus? O problema não é ter que escolher entre o CERTO OU ERRADO. A questão está entre FAZER O CERTO ou FAZER O BEM! Como racionais, reforçamos a idéia de que para se fazer o certo, devemos exercitar a razão, e é isso mesmo, e assim devemos fazer sempre; mas nunca devemos perder a noção de que o CERTO não é mais importante do que a VIDA: “O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” ( Mt 2.27). Algo muito mal acontece quando a nossa prática do certo nos impede de sermos melhores e mais humanos, e nos incapacita para sentirmos indignação e nojo pela miséria e pela degradação deste mundo globalizado e injusto, tornando-nos intolerantes ou indiferentes ao sofrimento do nosso próximo! É preciso mudar isto! Mas como desenvolver em nosso convívio social uma prática que vá além do certo? Haverá quem diga que isto é impossível e que é tarefa por demais espinhosa e difícil, posto que o homem moderno cada vez mais se preocupa em viver na sociedade de consumo que valoriza o ter e não o ser. Muito embora tentem, tanto as escolas quanto as igrejas, não têm conseguido reverter esse quadro. A violência urbana, os casos de degradação moral, de estupros, de pedofilia, de conflitos domésticos só têm aumentado. E essas estatísticas parecem sinalizar que não basta ensinar o certo para que as pessoas se tornem melhores. Não adianta ensinar o CERTO se não somos capazes de aprender o que é realmente BOM para nós. Precisamos viver e praticar o certo, sem desconsiderar a prática do bem... Precisamos praticar a tolerância e o bem. Somente é intolerante quem tem a certeza de que está fazendo o que é certo, mas nunca é intolerante o que está certo de estar fazendo o bem. Ao final da parábola (exemplo analógico), Jesus apela novamente para a lógica que oferece conclusão ao seu raciocínio: “Qual destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? (ou qual deles viu no homem ferido um próximo?). Respondeu o intérprete da Lei “O que usou de misericórdia para com ele”. (v.37). Tal é a proposta de vida prática que Jesus ensina: Um diálogo entre a razão e as entranhas, entre o intelecto, o cérebro, e o coração. Jesus propõe a primazia da vida sobre os preceitos ao defender QUE QUANDO TIVERMOS QUE OPTAR ENTRE FAZER O CERTO OU O BEM, DEVEMOS SEMPRE ESCOLHER FAZER O BEM. Guardemos, então, em nossos corações e em nossas mentes, o que nos ensina Cristo. Devemos exercer a prática do certo e aprenderemos muitas coisas; mas devemos exercer, igualmente, a prática do bem, posto que, segundo Suas palavras: “Faze isto e viverás (v.28). Em tudo e em todos os sentidos, nossa prática diária na Comunidade realça a primazia do bem sobre o certo. Queremos fazer o certo - obedecer à Palavra, com integridade, com retidão, sendo tementes à Deus e afastando-nos do mal - mas privilegiamos a prática do bem, posto que importa-nos amar o próximo, construindo relacionamentos solidários e eternso (At 2.42-44;4.32 e Rm 2.7).(Síntese da mensagem deste pastor levada à Comunidade no culto de domingo 12/10/2008).

terça-feira, 30 de setembro de 2008

LIBERTOS PELA VERDADE OU PRESOS PELA COVARDIA?

Mc 10. 17-22 nos descreve um encontro de um jovem rico com Jesus. Aprendemos ali que aquele jovem teve a iniciativa de procurar Jesus. E Jesus o amou, por sua sinceridade. Mas ao final do encontro salta aos olhos que o jovem se deparou com uma verdade que o massacrou: vender tudo o que possuía e doar aos pobres, e depois seguir a Jesus se quisesse a vida eterna. Imaginemos quantos pensamentos passaram pela cabeça daquele moço! Ele olhou para Jesus e se deparou com a realidade da vida cotidiana do Mestre, que se vestia de forma simples, não tinha posses, enfim, vivia de forma muito simples e despretensiosa. E certamente isto contrastava muito com sua vida de rico...! Como ele poderia vender tudo e segui-LO? O versículo 22 nos expõe o fato de que ele ficou abatido e afastou-se triste porque tinha muitas riquezas. Aquele jovem obedecia a Lei no exterior, porém, recusava-se a obedecer em seu interior. Em todo o contexto fica evidente que o Senhor não queria necessariamente transformar aquele jovem rico em um moço pobre, mas em Jo 8.31,32 Jesus respondendo à alguns judeus que haviam crido nEle, expõe com clareza: “se vocês permanecerem firmes na minha Palavra, verdadeiramente serão meus discípulos, e conhecerão a verdade e a verdade os libertará”(NVI). Quando buscamos o Evangelho de Cristo para sermos Seus seguidores (discípulos) temos que inicialmente permanecer (ou seja, continuar, insistir, persistir) em Sua Palavra, e então, conheceremos a Verdade e esta Verdade nos tornará livres (libertos) do pecado. Isto tudo constitui um processo: não basta iniciar a caminhada com Cristo, é preciso continuar, persistir, permanecendo sempre. O jovem rico optou por não continuar e não alcançou a salvação em Cristo. A verdade quando nos é mostrada às vezes fere, maltrata, incomoda, mas é bem melhor conhecer a verdade do que sermos enganados pela aparência mentirosa. Quando sentimos que estamos sendo enganados, ou que já fomos enganados, ou ainda quando existe algo errado, temos duas opções: 1) nos acovardar, fazer vistas grossas, ignorar a situação, e assim, passamos toda uma vida presos, acorrentados com a questão, com a alma presa na falta de conhecimento da verdade. 2) nos posicionar para descobrir a verdade. Quando a verdade vem à tona passamos por um processo de sofrimento, há tomadas de decisão, porém, ao final sentimos alívio quando resolvemos a questão. Fazendo uma analogia com o mundo espiritual precisamos entender que: se permanecemos em Cristo, conheceremos a Verdade. Haverá, então, todo um processo – muitas vezes – doloroso e sofrido, posto que com o abandono das verdades carnais e da busca da vontade do Espírito Santo para nosso viver, experimentaremos um sentimento de liberdade, de contentamento, segurança, paz e certeza da vida eterna. Aquele jovem – que era rico, mas de bens e valores materiais – não buscou primeiro as coisas do Reino, quando confrontado com outros valores, os espirituais, não aceitou a troca, acovardou-se, e desistiu. E você? Tem você ouvido a vontade de Deus para a sua vida? Ou não está sabendo como ouvir? Ou ainda, não está querendo ouvi-LO. Lembre-se: A Verdade liberta, mas para tanto, é preciso buscá-la, é necessário ter a ousadia de aceitar o desafio de Jesus... Se não for assim a covardia atuará e o aprisionará. Buscar é preciso... Conhecer é preciso... Permanecer é preciso... e assim seremos libertos de nossas convicções, de nossas verdades, de nosso orgulho e arrogância. Pense nisso! (Síntese da mensagem da Pra. Isabel Cristina Oliveira levada à Comunidade no culto de domingo 28/09/2008)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

CAMINHO DA VIDA E CAMINHOS DA MORTE

Pv 14.12 nos ensina algo extraordinário, pois “ há um caminho que parece direito ao homem, mas o fim dele são os caminhos da morte”. Em nossas escolhas no dia-a-dia optamos por um caminho que nos parece reto e adequado. Esse caminho reto promete sucesso e uma trajetória vitoriosa, mas no final se revela uma vereda traiçoeira e enganosa, como verdadeiros caminhos da morte. Muitas são as pessoas que afirmam e asseguram que todos os caminhos levam a Deus, e que, portanto não faz nenhuma diferença a escolha da religião, pois todas são boas. Esta é “a verdade’ maior do universalismo e do ecumenismo. Muitas são as coisas feitas em nome da religião que não são aprovadas por Deus: poligamia, prostituição sagrada, idolatrias, adivinhações, invocação de mortos, feitiçarias, sacrifícios de crianças a demônios, e outras mais que ocasionam mortes em nome da divindade. Todos esses caminhos conduzem à morte. Jesus se posiciona de forma clara e contundente em relação ao caminho da vida e os caminhos da morte: em Mt 7.13,14 Jesus declara que há duas portas e dois caminhos que levam a fins opostos. Há uma porta larga que conduz a caminho espaçoso e muitos são os que seguem por ele. Por caminho espaçoso entendemos o caminho do mundo, dos incrédulos, daqueles que não são discípulos do Reino. Ele é fácil de ser percorrido, pois tem amplo espaço para receber todos os tipos de pessoas, com muitas e diferentes idéias sobre os alvos e valores da vida. As multidões caminham livremente por esse caminho. Esse caminho é tão largo que milhares de pessoas podem viajar por ele sem atrapalhar uns aos outros, e mesmo sem notar os outros viajantes. A perdição é o destino final desse caminho. A idéia de perdição inclui o sentido de desperdício, de perda. A perda é o destino apontado para o homem e a mulher incrédulos, que não se chegam à Jesus Cristo. Já a outra porta, é estreita, e conduz ao caminho apertado. Nele transitam os que ouvem e praticam os ensinamentos de Jesus. Nesse caminho estão os que aceitam os mais contundentes ensinos do Mestre: “...amem os seus inimigos”, ...“não resistam ao perverso”,...”não acumulem para vocês tesouros sobre a terra”, ...”não andem ansiosos pelas suas vidas”,..”busquem em primeiro lugar o Seu Reino e a Sua justiça”,...”não julguem”. Jesus foi e é determinante e conclusivo em relação ao caminho que devemos seguir. Em Jo 14.5,6 as palavras de Jesus são definitivas, posto que Ele é “o Caminho,e a Verdade, e a Vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”. Jesus é o Caminho da Vida. É Ele quem nos conduz ao Pai. Não são nossas obras, os nossos feitos, que nos abrem os céus, estas são importantes, mas são apenas provas de nossa fé. Jesus chama o caminho para Deus de porta estreita não porque falte generosidade em Deus de querer salvar a todos ( veja 2 Pe 3.9), mas porque na prática pouquíssimos são os que renunciam ao eu – próprio para procurar a Deus. Entrar pela porta estreita e seguir pelo caminho apertado não é fácil, somente na consciência da graça é possível entender que este é o caminho dos que negaram a si mesmo. No Caminho seguimos Jesus Cristo. No Caminho somos agraciados na Verdade e deixamos a morte para a Vida. Ao contrário, sem o Caminho não pode haver avanço. Sem a Verdade não pode haver a Vida. Sem a Vida, só há a morte. Portanto, entendamos todos, Cristo é:
... O CAMINHO que devemos procurar,
... A VERDADE que devemos crer,
... A VIDA em que devemos pôr nossas esperanças.
(Síntese da mensagem deste pastor levada à Comunidade no culto de domingo 21/09/2008)

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

REDEFININDO NOSSAS PRIORIDADES

Lc 10.38-41 nos narra um episódio em que Jesus se hospeda na casa de duas irmãs, Marta e Maria. Os momentos vividos ali pelo Filho do homem nos ensinam muito sobre prioridades. Principalmente, faz-nos refletir sobre o que tem sido mais importante para nós: estamos super atarefados com as múltiplas atividades de nosso dia-a-dia, e nunca temos tempo para mais nada, ou encontramos tempo para adorar ao Senhor, para ler a Sua Palavra? Vejamos, então, o que podemos realmente aprender com a leitura bíblica. 1) É PRECISO RESERVAR TEMPO PARA ESTAR COM DEUS, POR MAIS OCUPADOS QUE ESTEJAMOS. Por mais atarefado que você esteja, encontre tempo para orar, ler a Bíblia, enfim, aproxime-se mais de Deus. A maioria de nós não tem muito tempo para Deus. A maioria, na realidade, identifica-se como Marta, e quase sempre muitos estão pensando ou falando o seguinte:...o trabalho tem que ser feito. É preciso fazer isto, é preciso fazer aquilo... Eu trabalho na igreja, mas não tenho muito tempo para orar... Mas, mesmo assim eu sirvo ao Senhor! 2) JESUS NÃO DISSE QUE ERA ERRADO NÃO SE PREOCUPAR EM RECEBER HÓSPEDES OU CUIDAR DA CASA. O que Ele ressaltou com veemência foi que a ocupação de Marta era extremada e que seu exaustivo corre-corre e frustração por causa da irmã Maria não lhe fazia muito bem. 3) NÃO SE DEVE COLOCAR O TRABALHO À FRENTE DO AMOR ( Ap 2.1-11). Aqui Jesus alerta a igreja de Éfeso que...conhece as suas obras...o seu trabalho... mas que ela deixou o primeiro amor, e isto foi um grave erro. 4) É PRECISO SEMPRE COLOCAR DEUS EM PRIMEIRO LUGAR. Não importam as circunstâncias, não importam as lutas, as adversidades; não importam as muitas atividades do nosso dia, não sejamos como Marta que achava que o que o Senhor queria era ser servido, sejamos como Maria que escolheu a melhor parte... na presença de Jesus, sempre, o que importa, o que deve ser nossa prioridade maior... é ADORÁ-LO, LOUVÁ-LO, sempre! Deixe de fazer o que você estava disposto a fazer agora e que é urgente.... deixe de fazer simplesmente... faça mais tarde... agora, neste momento, dê a Jesus o que Ele merece, dê o seu amor incondicionalmente, agora e sempre. Pare tudo e declare seu amor por Ele, adore-O, declare-se a Ele, diga que Ele é sua prioridade maior. E que a cada dia se cumpra em nossas vidas as palavras proféticas do versículo 6 do Salmo 150: todo ser que respira, tudo que tem fôlego louve ao Senhor. (Síntese da mensagem deste pastor levada à Comunidade no culto de domingo 07/09/2008)

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A IRA, A RAIVA E SUAS CONSEQUENCIAS

Diz a Bíblia: "Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo" (Ef 4. 26,27), Percebe-se aí que a ira, em si, não constitui pecado. A ira de Deus é muito citada no Antigo Testamento. Jesus também se irou: "Olhando-os ao redor, indignado e condoído com a dureza do seu coração..." (Mc 3. 5). É preciso aprender a ser como o Mestre; e ser como Jesus significa desenvolver o tipo certo de ira antes de mesmo tentar eliminar a ira. A raiz da ira precisa ser justa. O Senhor disse a Caim: "Por que andas irado? e por que descaiu o teu semblante?" (Gn 4. 6). O porquê é muito importante. A ira de Caim tinha uma raiz má: inveja. O sacrifício de Abel foi aceito, o dele não. Vejamos outros exemplos: Ele prosperou, eu não. Ou: eles o ouvem, a mim não. Ou, também: ele foi convidado, eu não. Ou, mesmo: Eles o cumprimentam, mas me ignoram. Ainda: Meus sentimentos estão feridos. Ele me expôs na frente dos outros, eu me senti ofendido! Estou magoado, furioso com ele. É assim que sucede com você? Cuidado! A ira que tem raiz egoísta, mesquinha ou fruto de temperamento passional, produz sempre frutos amargos. Tem-se que corrigir o por quê da ira, se não "eis que o pecado jaz à porta" (Gn 4. 7). A ira nunca pode ser justa enquanto o por quê for errado. "Irar-se" não exige raiva. Há pouca necessidade de encorajar a ira! Antes, somos advertidos sobre os perigos comuns à ira: em sua ira "não pequeis... nem deis lugar ao diabo". É certo que algumas situações realmente merecem a ira, uma ira justa. Moisés desceu do Sinai e encontrou Israel com idolatria e festanças (Êx 32. 1). Deveria Moisés ficar indiferente? Não! Ira ardente foi a resposta adequada ao insulto deles a Deus. O Senhor não repreendeu Moisés. Atirar as tábuas de pedra não foi correto; mas sua ira estava certa. Em outro caso, Potifar chegou a sua casa e encontrou a esposa chorando por causa de um assédio que José lhe havia feito. Ela mostrou prova (Gn 39.1). Deveria Potifar ficar furioso, encolerizado? Claro que deveria! Mas nós sabemos que a acusação dela era uma mentira, o marido não, ele acreditou nela; a evidência dela era errada, mas a ira de Potifar fora certa. A expressão da ira precisa ser justa. Eis aí o momento fácil de errar. A emoção da ira turba facilmente o julgamento, ignora facilmente a verdade, passa facilmente sobre os limites do certo. Na ira de Caim, ele se recusou a ouvir até mesmo a Deus. Ele assassinou seu irmão; e mentiu a Deus, depois. Isso é a ira furiosa. Não faça isso! A ira não deve esvaziar o domínio de si mesmo. Em circunstância nenhuma o domínio próprio pode ser sacrificado. "... eu não me deixarei dominar por nenhuma delas" (1 Co 6.12) nem mesmo a ira. Pode-se ficar justamente irado; mas não se pode permitir-se perder a sanidade! A ira é freqüentemente justa; a raiva nunca é. O perigo da ira é tão grande que precisamos tratar o assunto ira com muito cuidado. Precisamos aprender a ser "... tardio para se irar..." (Tg 1.19), como Deus é (Sl 103.8; 145.8). Assim, evitaremos muitos desastres. Irado, como você se comporta? Tem acessos de cólera? Fica bravo e grita? Bate o pé e dá ponta-pé? Até mesmo atira coisas? A ira pode ser ocasionalmente certa, mas um comportamento assim desenfreado nunca estará certo. É absolutamente errado: é pecado! Irado, o que você diz? Você fala mal, explode em palavrões. Você insulta as pessoasl. Você acusa falsamente quem o enfureceu? Você devolve insultos com insultos? Você espalha boatos, faz mexericos? A ira pode ser justa, mas todas as palavras maldosas certamente não são. É errado, é pecado! Irado, o que você faz? Caim irou-se contra Abel e o matou. Na sua ira, você também faz mal às pessoas? Faz coisas prejudiciais? Você instiga divisão, procura pessoas para falar mal, sai "atirando para todo lado", querendo contar a sua versão dos fatos? "O iracundo levanta contendas, e o furioso multiplica as transgressões" (Pv 29. 22). A ira é permitida, a conduta maldosa não é. É errada, é pecado. Irado, você acusa Deus? Pessoas iradas freqüentemente criticam Deus. Eles culpam Deus mesmo quando o incidente não foi um feito de Deus. Jó sabia mais do que isso. "Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma" (Jó 1. 22). Na ira, atrevidamente julgamos se Deus fez a coisa certa. A ira pode ser justa, mas julgar Deus certamente não é a atitude mais sensata e correta! De fato, é arrogantemente errado, é pecado! A duração da ira deve ser justa. "Não deixeis o sol se pôr sobre vossa ira." Breve deve ser a duração do tempo para a ira, até mesmo a ira justa. Aprenda com Deus, que "... não retém a Sua ira para sempre" (Mq 7. 18). Deixe a ira passar! Não importa se em seu juízo ela é justa. Na adversidade, no confronto com as hostes malignas, é preciso ter toda a maturidade espiritual para, então, perceber as astutas ciladas do inimigo. Se tivermos maturidade não permitiremos que a ira se transforme em raiva e “cegue o entendimento”. Na Comunidade, todos os que se permitem crescer na graça e no conhecimento, sabem que a arma mais poderosa para escapar ileso – sem machucados, arranhões e feridas abertas – de qualquer armadilha é a consciência da Graça, que libera misericórdia e perdão, enfim, leva-nos à maturidade e ao crescimento espiritual. Tais atitudes nos trazem alívio, graça e paz, e nos impedem de regredir espiritualmente com sentimentos de ira prolongada e raiva, que nos fazem muito mal, porquanto nos levam ao pecado, ou seja, afastam-nos de Deus.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O OLHAR DE JESUS LANÇADO SOBRE NÓS

Lc 13.10-17 nos apresenta um episódio em que Jesus estava em uma sinagoga. Era um sábado, e Ele ensinava. Ali havia, dentre tantas outras pessoas, uma mulher que padecia de uma enfermidade física e espiritual. O texto sagrado nos conta que ela estava possessa de um espírito de enfermidade, posto que há dezoito anos vivia olhando para o chão, encurvada, incapaz de andar ereta, ou mesmo sentar-se direito. Aquela mulher estava ali e é isso que inicialmente me chama a atenção. Outra pessoa talvez depois de tanto tempo de sofrimento, poderia ter ficado em casa, lamuriando-se, reclamando da vida ou de sua sorte. Mas ela estava ali, na sinagoga, na casa de orações. Ela estava ouvindo Jesus, disposta a aprender com Seus ensinos. Outro detalhe ainda se destaca: Ela não pediu a Jesus para ser curada. Ele simplesmente a viu ali encurvada e lançou, então, Seu olhar cheio de graça e misericórdia sobre ela, teve compaixão e a tocou. Ela foi curada e imediatamente glorificou a Deus pelo milagre. Quando o chefe da sinagoga O repreendeu por realizar a cura, desrespeitando a lei do sábado, Jesus falou da incoerência daqueles homens que levariam um boi ou um jumento para beber água em um sábado, mas eram contrários à cura da mulher que há dezoito anos vinha sofrendo. Ou seja, os religiosos judeus eram capazes até de valorizar animais, mas não o seu semelhante. E mais: Jesus chamou aquela mulher de “filha de Abraão”, já que normalmente somente se mencionavam “os filhos de Abraão” e assim Ele concedeu àquela mulher humilde uma posição de honra diante dos orgulhosos e soberbos religiosos, ao afirmar que ela também pertencia à família de Abraão. Depois do olhar de Jesus e de seu toque a “filha de Abraão” foi curada, endireitou-se, ficando completamente ereta e agradecia em brados a graça recebida. Assim como no passado continua no presente: posicione-se diante de Deus, congregue em uma igreja, participe da alegre comunhão com os da família de Deus, esteja aonde o olhar dEle possa alcançar você – ou seja, você precisa se dispor para estar com Ele – e, certamente Ele lançará o olhar sobre você e curará, libertará e salvará. (Síntese da mensagem deste pastor levada à Comunidade no culto de domingo 17/08/2008).

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

ENFRENTANDO AS BATALHAS DIÁRIAS

Paulo se encontrava preso em Roma quando escreveu a epístola à igreja em Éfeso. Além de ensinar, advertir e aconselhar, o apóstolo comenta sobre as lutas constantes que enfrentamos, mas que em Cristo, revestidos com a armadura de Deus, estaremos preparados para a vitória. Paulo se espelha em um soldado romano e seu uniforme, na realidade, uma armadura, para melhor ilustrar o que queria ensinar. Em nossas vidas travamos muitas batalhas contra os poderes das trevas. O inimigo não descansa, ao contrário, é muito persistente. Ele não se dá por vencido. Se depois de tentar alguém durante certo tempo, sem obter sucesso, ele se afastar, sua ausência será apenas por “algum tempo” ( Lc 4.13). Um espírito maligno, uma vez expulso, achará reforços e procurará retornar ao lar perdido (Mt 12.43-45). Por isso a preocupação de Paulo retratada em Ef 6.10-20, alertando os efésios a serem vigilantes e a estarem preparados. 1)- É PRECISO SER FORTE PARA ENFRENTAR A BATALHA: somente seremos vitoriosos sobre nossos inimigos se nos fortalecermos no Senhor diariamente. Para combater o mal não basta somente orar e jejuar, é preciso vestir a ARMADURA DE DEUS, que nos capacita a vencer. Se a guerra que estamos travando é espiritual, precisamos estar espiritualmente revestidos com a ARMADURA DE DEUS. Como nossa luta não é contra as pessoas, mas contra as forças espirituais do mal, seus principados e potestades, que dominam e subjugam essas pessoas que querem nos fazer o mal, precisamos estar espiritualmente preparados para o enfrentamento. 2)- É PRECISO ESTAR ARMADO PARA A BATALHA: como proteção para a região lombar, na cintura, deve-se estar com A VERDADE, como que um cinturão. Um cinto conserva a armadura no local apropriado, dando força e liberdade de ação. A verdade expressa o sentido de sinceridade, honestidade, muito ao contrário de fingimento, hipocrisia, leviandade e mentira, estas coisas dissolvem as forças espirituais, debilitando a resistência para a batalha contra o pecado e o mal. Não pode haver força verdadeira de caráter sem sinceridade e honestidade. No peito, A JUSTIÇA, como proteção para a região do coração, como uma couraça. Nos pés, O EVANGELHO DA PAZ, sapatos de preparação para a evangelização. Nossos pés devem ser calçados com a disposição de enfrentar o inimigo. As atitudes do cristão devem estar firmadas em ações que promovam a paz, não a guerra, que promovam o perdão e a reconciliação, não o rancor e a discórdia, que promovam o amor, não o ódio. Em uma mão, envolvendo o braço e antebraço, A FÉ, como que um escudo. É com este escudo que poderemos apagar/destruir/desviar os dardos inflamados do maligno. Na cabeça, A SALVAÇÃO, como proteção em forma de capacete. Se possuirmos de forma consistente e verdadeira a salvação e estamos desfrutando dela, passaremos sem danos por tentações que antes poderiam nos derrotar. Os olhos do crente que contemplam as obras do Senhor em sua vida, não podem ver as obras da carne. Aquele que confia no Senhor e espera pela felicidade eterna abandonará facilmente os prazeres momentâneos do pecado. Na outra mão, O ESPÍRITO, sob a forma de espada, que consiste na Palavra de Deus.As outras partes da Armadura são defensivas, mas a PALAVRA DE DEUS é usada para defender, sim, mas também para atacar. A Bíblia nos ajuda na batalha contra o mal. Use-a sempre. Habitue-se a lê-la todos os dias. E mais: pratique, falando sobre as incontáveis maravilhas e promessas que ela contém, ao alcance dos que têm fé. Finalmente, após apresentar os componentes da Armadura espiritual, Paulo nos adverte que É PRECISO ENFRENTAR A BATALHA COM ORAÇÃO. A oração estava subentendida nas exortações sobre a armadura, mas agora o apóstolo cita com clareza (v. 18-20). Assim aprendemos que a oração possui 6 características: ela é múltipla (todo tipo de oração, quer seja secreta, pública, em voz alta, silenciosa, breve, prolongada); ela se dá em todo lugar (em qualquer ocasião, em toda oportunidade); ela é espiritual ( ...orando no Espírito, em comunhão mística com Cristo); deve ser feita com vigilância (... e vigiando nisso), contra a formalidade, a negligência e o esquecimento; deve ser uma prática perseverante (... com toda persistência), com constância, com paciência; deve ser compartilhada, compreensiva ( ... por todos os santos), a oração deve ser feita uns pelos outros, em contínua intercessão mútua entre os crentes. (Síntese da mensagem deste pastor levada à Comunidade no culto de domingo 03/08/2008).

segunda-feira, 21 de julho de 2008

CURA COMO RESPOSTA À FÉ INDIVIDUAL E COLETIVA

Tanto em Mc 1.40-45; 2. 1-12 quanto em Lc 5. 12-26 são descritos dois episódios de milagres em que Jesus ministrou cura sobre dois enfermos. O primeiro exemplo de cura é o de um homem “coberto por lepra”. O que nos ensina o texto sagrado: a fé determinou a bênção. Vendo-a Jesus, de forma determinada, disse QUERO, em resposta à afirmação do homem que sabia que se Ele quisesse poderia purificá-lo. Aquele leproso veio a Jesus todo coberto não somente da doença terrível que atingia todo o seu corpo, mas carregado de estigma, do preconceito contra ele, das imposições da lei mosaica que o impediam de transitar em liberdade. Ao se aproximar de Jesus o leproso usou da palavra que libera bênção. Ele demonstrou a firme convicção de que há poder, autoridade em Jesus e que se submetia à Sua vontade. E aí, então, Jesus tocou nas chagas e o curou. Jesus tem sempre a vontade de nos fazer o bem. Afinal, Ele é amor, Ele é bom e Sua benignidade dura para sempre (Sl 136). Em Jesus nós temos o amor de Deus para conosco. Em Jesus estaremos sempre ouvindo o amém – sim, assim seja - de Deus. A fé daquele homem operou a vontade de Deus, através de Jesus Cristo. O segundo exemplo de cura é o de um homem paralítico que como tal não podia se locomover, posto que jazia em uma cama. Sozinho, ou seja, por si só, mesmo com fé, não poderia ir fisicamente até Jesus e pedir cura. O que nos ensina o texto sagrado: a ação determinou a bênção. A determinação dos quatro amigos, que não se intimidaram diante das dificuldades de fazer chegar o enfermo até Jesus, visto que a multidão os impedia de chegar a Ele, quer por portas ou janelas, tiveram a idéia de subir ao telhado, abrir um buraco suficiente para fazer chegar a cama com o paralítico aos pés de Jesus. O reconhecimento imediato que Jesus teve quanto à fé dos homens, faz com que se voltasse para o paralítico e declarasse: “homem os teus pecados estão perdoados”. Mas ao ouvir os pensamentos dos religiosos presentes (fariseus e escribas) perguntou-lhes sobre o que mais fácil fazer - perdoar pecados ou dizer levanta-te e anda – e, então, para ressaltar Sua autoridade e poder oriundos do Pai, vira-se para o paralítico e determina: “levanta-te, toma a tua cama e anda”. O que de tudo isso devemos aprender e a reter sempre em nossos corações, crendo em Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador: a oração com fé e o esforço para levar o enfermo até Jesus tornaram-se eficazes e conduziram à cura. Fé é crer somente. Mas a própria fé nos conduz à ação. A atitude de fé do primeiro homem moveu Jesus. De igual modo, as atitudes de generosidade dos amigos contribuíram para que Jesus se movesse e liberasse graça, misericórdia, bênçãos, enfim. Aprendamos com Jesus: a despeito das adversidades, dos problemas e das dificuldades diárias insista, persista e não desista nunca. Sempre com fé, busque mais para si, mas não esqueça: você recebe Graça, então, libere Graça. Você quer mais de Deus, antes aprenda a dar-se mais para Deus, e também para seu próximo. Seja generoso! Seja solidário! E aí... as bênçãos de Deus serão multiplicadas em sua vida! (Síntese da mensagem deste pastor levada à Comunidade no culto de domingo 20/07/2008).

quinta-feira, 10 de julho de 2008

IGREJAS INFECTADAS

Transcrevo abaixo uma publicação do Pr. Ricardo Gondim (www. ricardogondim.com.br) . “Aos 25 anos de idade, depois de várias febres, muita rouquidão e um péssimo hálito, dei o braço a torcer e aceitei que o médico operasse as minhas amídalas. Resisti o quanto pude porque sabia que as amídalas existem para proteger as vias respiratórias. Contudo, o médico conseguiu me convencer de que as minhas estavam imprestáveis; tão infectadas que já não protegiam, mas contaminavam o resto do organismo. Só restava uma opção, arrancá-las fora. A partir daquele dia, aprendi que um órgão – qualquer um – pode perder a sua função original e passar a atacar o corpo. Nas relações humanas e sociais acontece o mesmo. Quando se perdem as finalidades originais, morrem casamentos, empresas, igrejas. Serve o exemplo da família: pai e mãe devem oferecer um ambiente em que os filhos aprendam a ter confiança, segurança, dignidade. Mas quando acontecem muitas brigas com ódio, quando falta paz, aquela família perde a função de fomentar auto-estima e segurança. Assim, deixa de ajudar e passa a desajustar as crianças. As religiões também podem virar amídalas infectadas. Bastar ver na história. Inúmeras igrejas criaram ambientes doentios e desumanizadores, quando deviam ser espaços de humanização. Devido a este site, recebo milhares de mensagens sobre assuntos variados, a grande maioria, entretanto, pede ajuda. Muitos não suportam os sermões vazios com promessas mirabolantes e ameaças de maldição. Entristeço, mas fica óbvio para mim que as lógicas e práticas da igreja evangélica não consegue responder às complexidades do século XXI. Os espaços evangélicos estão febris. É preciso detectar, rapidamente, onde a infecção se tornou aguda para combatê-la com doses maciças de antibióticos espirituais e éticos; com um bom diagnóstico não será preciso operar o foco da contaminação e ainda preservar o organismo. Estão infectadas as igrejas que priorizam programas e não relacionamentos. Jesus não tratou a “igreja” como uma instituição, mas como uma comunidade. Igreja são mulheres e homens com um estilo de vida nobre, verdadeiro, que inspiram os outros a glorificar a Deus. Portanto, para o seu eterno propósito dar certo, Jesus não precisa de eventos sofisticados, basta que seus seguidores amem uns aos outros. Estão infectadas as igrejas que priorizam poder e não serviço. Nas Escrituras, poder só tem sentido quando mobiliza para solidariedade, compaixão, humildade. A busca do poder pelo poder é luciferiana em sua essência. Jesus criou o mundo, mas se esvaziou, encarnou e morreu numa cruz. Os cristãos não almejam tronos, mas bacia e toalha para lavar os pés alheios. Sem esperar aplausos, sentem-se privilegiados de servirem. Estão infectadas as igrejas que priorizam espetáculo e não discrição. Jesus ensinou que não se devem cobiçar os primeiros lugares; considerou que a autêntica piedade acontece num quarto de portas fechadas; falou que a mão esquerda não deve conhecer o que a direita oferece. Quando Jesus ressuscitou uma menina, respeitou a privacidade da família e não deixou que estranhos entrassem para testemunhar o milagre. Sobram exemplos de seu recato. Certamente, Jesus não se agrada de saber que alguns tentam transformar a fé num show. Estão infectadas as igrejas que priorizam milagre e não coragem existencial. Paulo considerou tudo como esterco pela excelência do conhecimento de Cristo – esse, somente esse, deve ser o alvo da espiritualidade cristã. Não se cultua a Deus para descobrir um jeito certo de “alcançar milagre” ou para ter uma fé mais “eficiente”. No culto, celebra-se o amor gratuito e unilateral de Deus. O Evangelho é boa notícia porque todos são aceitos sem exigências. Deus quer bem sem fazer distinção; não se ganha o favor de Deus com obras. Graça é o chão onde todos podem alicerçar a vida com liberdade e sem culpa. O cristão não precisa que Deus conserte as dificuldades da vida, basta a sua companhia. O Apocalipse foi taxativo com uma igreja infectada: “Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se... Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do lugar dele. Os evangélicos precisaram, como nunca, ouvir esta exortação. Soli Deo Gloria. “

terça-feira, 17 de junho de 2008

GRAÇA É GRAÇA... MESMO QUE VENHA EM MIGALHAS!

Mt 15.21-28 nos descreve a partida de Jesus e de Seus discípulos para os lados de Tiro e Sidom (território cananeu, cujo povo adorava aos deuses Baal e Astarote, e não a Javé). Lá Jesus teve um encontro com uma mulher siro-fenícia, ou seja, alguém não israelita. Ao ver Jesus a mulher passa a clamar: “Senhor, Filho de Davi, tenha compaixão de mim, pois minha filha está horrivelmente endemonhada”. O que acontece a seguir deixa-nos até hoje perplexos. É isto mesmo que aconteceu? Jesus parece não dar a mínima importância ao clamor daquela mulher. A descrição é de que “Ele não lhe respondeu palavra”. Ou seja, viu e ouviu a mulher, mas não lhe respondeu nada. É assim que você está agora: clama e clama ao Senhor e Ele não lhe responde? Aprendamos com aquela mulher o que devemos fazer nessa situação para alcançarmos a misericórdia do Senhor. Voltando ao episódio bíblico. Saiba que Jesus – não somente nada fez ou falou – porém a situação ainda se agrava mais, pois Seus discípulos sentem-se incomodados com aquela gritaria toda e pedem ao Mestre para que a despeça, livrando-se logo daquela impertinente. Quando Jesus fala, passamos a conhecer Seus pensamentos posto que revela que “Ele fora enviado apenas às ovelhas perdidas de Israel”. Assim, fica claro que Sua missão era para buscar e salvar os perdidos de Israel, e a ninguém mais. Porém algo aprendemos aqui: aquela mulher poderia ter recuado e, como fora rejeitada, ter ido embora. Mas no v. 25 vemos que a resposta não intimidou a mulher. Ao contrário: movida pela fé, ela veio e O ADOROU, dizendo: ”Senhor socorre-me”. Jesus ainda parecia não querer ajudar e declarou: “Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-los aos cachorrinhos”. Aqui Ele se refere aos israelitas como filhos de Deus e à benção como o pão, e que os outros, seriam como cachorros. Nem assim a mulher recua. Ao contrário ela retruca e faz um último apelo: “Sim Senhor, mas os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos”. Aqui algo extraordinário acontece. Jesus reconsidera e muda de idéia, aceitando a fé da mulher, libera Graça sobre ela, e declara que sua filha está salva e liberta. O que aprendemos com Jesus: Seu ministério é então não restrito aos judeus, mas universal e atinge a todos quanto demonstrarem fé nEle e O recebam como Senhor e Salvador. Uma mulher não judia reconhece Jesus como Senhor e o procura, pedindo ajuda, demonstrando fé. O que a fé fez àquela mulher? Levou-a a Jesus. Levou-a a interceder por sua filha. Levou-a a perseverar na hora da prova, quando Jesus revelou que não iria ajudá-la posto que não era filha de Israel. Levou-a a vitória, sendo atendida em seu pedido. Não sei por quais problemas e dificuldades você está passando, não importa a dimensão e a intensidade de cada um deles, saiba que na angústia clame ao Senhor. Mesmo que as circunstâncias indiquem que Ele não está ouvindo você deve INSISTIR, PERSISTIR E NÃO DESISTIR, NUNCA! Em resposta à sua fé, Ele responderá. Assim aconteceu com aquela mulher. Assim acontecerá com você. Quando se tem fé e se demonstra isso com atitudes firmes, a graça é liberada e a bênção chega. Mesmo que venha aos poucos, como que em forma de migalhas, a graça liberada é suficiente! (Síntese da mensagem deste pastor levada à Comunidade no culto de domingo 15/06/2008)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

O TESTEMUNHO DO PAI SOBRE O FILHO

A primeira carta do apóstolo João é muito especial. Ela foi escrita para que os que cressem em Jesus Cristo soubessem que têm a vida eterna. Os versículos 6 a 12 do capítulo 5 nos falam muito sobre essa verdade, mas principalmente declaram que Deus, o Pai, dá testemunho sobre o Filho. Portanto, quem crê no Pai, também deve crer no Filho, senão estará chamando Deus de mentiroso, pois é Ele quem testifica de Jesus Cristo, o Filho. E mais diz a carta: que Deus nos deu a vida eterna e esta vida está em Seu Filho; quem tem o Filho, então, tem a vida, quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Você tem o Filho, você está no Filho? Se sim, então que se cumpra o que afirma o versículo 14 que assegura “esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a vontade de Deus, Ele nos ouvirá.”Assim, o que você deseja do Pai, peça por intermédio do Filho, que lhe será concedido. Leia e medite sobre a ilustração a seguir quanto a uma pequena história que narra a vida de um pai e de seu filho. Reflita e tire suas conclusões. Você está atrás de bens materiais valiosos, ou à procura do amor do Pai, expresso no Filho?“Um homem muito rico e seu filho tinham grande paixão pelas artes”
Tinham de tudo em sua coleção, desde Picasso até Rafael. Muito unidos, se sentavam juntos para admirar as grandes obras de arte.
Por um infortúnio, seu filho foi para guerra. Foi muito valente, mas morreu na batalha, quando resgatava outro soldado. O pai recebeu a notícia e sofreu profundamente a morte de seu único filho. Um mês mais tarde, alguém bateu à sua porta. Era um jovem com uma grande tela em suas mãos e foi logo dizendo ao pai: “- O senhor não me conhece, mas eu sou o soldado por quem seu filho deu a vida; ele salvou muitas vidas naquele dia e estava me levando a um lugar seguro quando uma bala lhe atravessou o peito, morrendo instantaneamente. O rapaz estendeu os braços para entregar a tela:
- “Eu sei que não é muito, e eu também não sou um grande artista, mas sei também que seu filho gostaria que o senhor recebesse isto.” O pai abriu a tela. Era um retrato de seu filho, pintado pelo jovem soldado. Ele olhou com profunda admiração a maneira com que o soldado havia capturado a personalidade de seu filho na pintura. O pai estava tão atraído pela expressão dos olhos de seu filho, que seus próprios olhos encheram-se de lágrimas. Ele agradeceu ao jovem soldado, e ofereceu-se para pagar-lhe pela pintura. "Não, senhor, eu nunca poderei pagar o que seu filho fez por mim! Essa pintura é um presente." O pai colocou a tela à frente de suas grandes obras de arte, e a cada vez que alguém visitava sua casa, ele mostrava o retrato do filho, antes de mostrar sua famosa galeria. O homem morreu alguns meses mais tarde e se anunciou um leilão de todas as suas obras de arte. Muita gente importante e influente chegou ao local, no dia e horário marcados, com grandes expectativas de comprar verdadeiras obras de arte. Em exposição estava o retrato do filho. O leiloeiro bateu seu martelo para dar início ao leilão: "Começaremos o leilão com o retrato "O FILHO". Quem oferece o primeiro lance? Quanto oferecem por este quadro?" Um grande silêncio... Então um grito do fundo da sala: - “Queremos ver as pinturas famosas! Esqueça-se desta!" O leiloeiro insistiu: - ”Alguém oferece algo por essa pintura? R$100? R$200?." Mais uma vez outra voz: - "Não viemos por esta pintura, viemos por Van Gogh, Picasso, Rambrant... Vamos às peças de grande valor." Mesmo assim o leiloeiro continuou..."Alguém quer levar O FILHO?" Finalmente, uma voz:
"- Eu dou R$10 pela pintura." Era o velho jardineiro da casa. Sendo um homem muito pobre, esse era o único dinheiro que podia oferecer. "- Temos R$10! Alguém dá R$20?" - gritou o leiloeiro. As pessoas já estavam irritadas, não queriam a pintura do filho, queriam as que realmente eram valiosas para sua coleção. Então o leiloeiro bateu o martelo: - " Dou-lhe uma, dou-lhe duas, vendido ao cavalheiro por R$10." "Agora, vamos começar com a coleção!" gritou um. O leiloeiro soltou seu martelo e disse: - "Sinto muito senhoras e senhores, mas o leilão está encerrado. - "Mas, e as pinturas?" perguntaram os interessados. - "Eu sinto muito", disse o leiloeiro, ...quando me chamaram para fazer o leilão, havia um segredo estipulado no testamento do antigo dono. - "Não seria permitido revelar esse segredo até esse exato momento. Somente a pintura “O FILHO” seria leiloada; aquele que a comprasse, herdaria absolutamente todas as suas posses, inclusive as famosas pinturas. O homem que comprou O FILHO fica com tudo!”.
Saibamos, pois, que a vontade do Pai para todos nós, ou seja, Seu testamento anunciado como as Boas Novas (Novo Testamento), em relação ao Filho é de que quem não tem o Filho não tem nada, mas quem tem o Filho, tem tudo! (Síntese da mensagem deste pastor levada à Comunidade no culto de domingo 25/05/2008)

segunda-feira, 19 de maio de 2008

APRENDENDO COM JESUS A DISTINGUIR O TIPO DE ENCONTRO QUE ELE APROVA

Em Lc 10.25-37 aprendemos com Jesus sobre encontros. Há encontros para a vida e há encontros para a morte. Na parábola tão conhecida – a do bom samaritano - o Mestre nos dá o exemplo da graça, da solidariedade, da generosidade e do amor altruísta, ao próximo, mas aproveita para nos ensinar sobre violência, egoísmo, indiferença e sobre a religiosidade e seus males. Destaca-se na parábola que um homem – o personagem central – teve três tipos de encontros. O primeiro encontro foi com os ladrões, o segundo foi com os religiosos e o terceiro foi com o samaritano. Em cada um dos encontros, o homem experimentou um tipo de sentimento bem diferente do anterior. O primeiro encontro que aquele homem teve - na estrada de Jerusalém para Jericó - foi com a violência e o egoísmo. O que pensa mesmo alguém violento e egoísta? Ele pensa assim: - Tudo que é meu é meu, e tudo o que é seu será meu também! Nem que seja à força. Se possível agirei por violência, pois defendo os meus direitos e não me importo com os seus. Matarei, roubarei e destruirei se possível for, o que importa é que sou mais “eu”! Relacionamentos orientados pela violência e pelo egoísmo são muito comuns. Eles ocorrem quando um domina o outro, causando-lhe dor, humilhação, sentimento de impotência, dano.Pessoas assim impõem ao outro sua vontade e seus caprichos, extraem do outro tudo o que tem de bom (e depois o descarta). É o tipo de relacionamento em que sempre um prejudica o outro. É o tipo de relacionamento que não terá final feliz. O segundo encontro que aquele homem teve(é certo que estava muito ferido, cheio de hematomas, fora deixado ali como morto) foi com a indiferença. O que pensa mesmo alguém religioso e indiferente? Ele pensa assim: - Tudo que é meu é meu; tudo o que é seu é seu. Relacionamentos orientados pela religiosidade e a indiferença, também, são muito comuns e se caracterizam quando um demonstra com suas atitudes que não se importa verdadeiramente com o outro. Pessoas assim não têm tempo para o outro, não se comovem com a dor, as lágrimas e o sofrimento do outro, e não dão a mínima prioridade ao outro em sua vida. É o tipo de relacionamento em que um nada faz para levantar o outro. É o tipo de relacionamento que praticamente já chegou ao fim. O terceiro e definitivo encontro que aquele desafortunado homem teve foi com a graça e o amor. O que pensa mesmo alguém gracioso e amoroso? Ele pensa assim: -Tudo que é meu é seu. O amor está presente nos relacionamentos em que um se importa verdadeiramente com o outro. Pessoas assim se compadecem da dor, das lágrimas e do sofrimento do outro, socorrem, ajudam e curam as feridas do outro, procuram ter tempo para o outro, dão prioridade para o outro em sua vida, fazendo de tudo para levantar o outro, até o limite das próprias forças e, se preciso for, buscam ajuda externa, até que o outro esteja curado. É o único tipo de relacionamento que tem tudo para ter um final feliz. Aprendamos com Jesus e seus ensinos, sempre atuais. Na vida ora estamos em pé ora caídos. Muitas vezes fortalecidos, dispomo-nos a ajudar ao outro, às vezes somos nós que precisamos de ajuda. Como nós temos agido, e como os outros agem conosco? O que sabemos é que a vida nos proporciona muitos tipos de encontros. Independentemente da forma de ser e viver do outro, importa saber o que sou e como sou. Sei que o egoísta quer tudo para si mesmo e tudo faz para derrubar o outro. O indiferente nada faz para levantar os caídos. Os religiosos parecem estar mais preocupados em defender sua crença, e sua religião, principalmente sua denominação, do que olhar para seu próximo. Mas nós da Comunidade temos sido ensinados e conduzidos por Jesus a construir relacionamentos solidários e eternos, e assim devemos agir, dentro e fora do nosso convívio comunitário. Que nós possamos fazer o bem, ajudar as pessoas caídas, sem perguntar qual sua condição social, sua etnia, sua religião! Temos aprendido que Jesus lança sobre nós Sua graça, sem que haja merecimento algum em nós mesmos, logo, o que mais podemos fazer a não ser: lançar graça para todos quantos encontrarmos e que dela careça? O verdadeiro amor lança fora todo o medo. Somente o verdadeiro amor não medirá esforços para garantir o bem-estar e a felicidade do outro. Não importa o tipo de pessoa que tiver um encontro com você, comporte-se sempre como Jesus nos ensinou: seja bom, libere graça, libere amor! Dentre os três encontros o único que mereceu a aprovação de Jesus foi com o samaritano: logo ele, alguém que era desprezado pelos judeus, que era excluído de qualquer tipo de relacionamento social, mas que independentemente de tudo, demonstrou genuína preocupação pelo caído, curou-lhes as feridas e até pagou para que dele cuidassem! Não basta cumprir a Lei, não basta simplesmente obedecer e não transgredir os mandamentos. É preciso não se esquecer que Deus é amor. E que a essência dos ensinamentos de Jesus está fundada na certeza de que a Lei se cumpre quando amamos: primeiro ao Pai, depois ao outro, ao próximo (Mt 22.35-40). Não sem razão Paulo, que teve logo a clareza de tudo isso, afirma em Rm 13.10: “O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor”.
(Síntese da mensagem deste pastor levada à Comunidade no culto de domingo 18/05/2008)

sexta-feira, 16 de maio de 2008

A PRESENÇA DO SENHOR EM TODAS AS ESTAÇÕES (Compreendendo a beleza do Salmo 84 e da letra de “As Quatro Estações” de Kleber Lucas).

Flores de maio, sol de verão. A primavera está chegando, é o fim da solidão. Diz a Bíblia – Ec 3 – que para tudo há um tempo determinado. Às vezes, o tempo é bom, às vezes, não. E assim vivemos entre dois pólos. Um começa onde o outro termina. Então há tempo para: nascer, morrer; plantar, colher; derrubar, edificar; chorar, rir; prantear, saltar; abraçar, deixar de abraçar; estar calado, falar; guerra, paz. Em que tempo você está? Não esqueça: a primavera está chegando, é o fim da solidão (às vezes estamos rodeados por uma multidão, mas nos sentimos tão sozinhos, pelas circunstâncias!). O pardal encontrou casa. E a andorinha ninho para si. E eu os teus altares. Deus providencia ninho para o pardal e para a andorinha. Ele cuida de sua criação. Imagine os cuidados que Ele tem por nós, que somos feitos à Sua imagem e semelhança. Ele nos presenteia a todos nós, com os Seus altares, por isso sentimos seguros, protegidos, guardados, amparados. Nuvens e raios sobre o sertão. Avisa lá que está chovendo. É o fim da sequidão. Como falo na Comunidade, às vezes nos sentimos como terra seca, ásperos como o sertão, sem esperanças, tristes, desmotivados e de repente... Olhando para os céus, o que vejo? As nuvens, os raios... as gotas d’água, é a chuva, é o fim da sequidão. Glória a Deus! .. O milagre da Graça de Deus acontecerá. No tempo da seca, o Senhor faz o deserto florescer, por você e por mim. Diz ainda que a gente conseguiu sobreviver à dor, e Deus mandou a chuva. Diz a Bíblia: Posso todas as coisas nAquele que me fortalece!(Fp 4.13). Em Cristo Jesus conseguimos sobreviver à dor. Quantas pessoas há que nos observam e torcem contra nós e não a nosso favor. Por isso agora me lembro das palavras do Pastor Tinoco que nos alertou, “é mais fácil chorar com os que choram do que se alegrar com os que se alegram”. Então, aprendamos a confiar em Deus; Ele manda a chuva – quando estamos na mais completa sequidão – e aí conseguimos sobreviver à dor e aos problemas. Primavera e verão, no outono ou inverno, então, o Senhor é o meu Pastor. Diz a canção que Deus está conosco em todas as estações. Na alegria e na dor, eu confio em Ti,Senhor. O que significa confiar? Ter confiança (segurança íntima), ter fé, esperar. Ele sabe qual a estação que você está atravessando e Ele derramará a chuva na hora certa! Eu creio nisso e você? Nada vai me separar do Teu amor. Nem mesmo o sertão, a seca, as desilusões, as tristezas e as doenças físicas, a falta de dinheiro, as traições, os problemas que chegam sem pedir licença – NADA VAI ME SEPARAR DO TEU AMOR, SENHOR, Rei meu e Deus meu. Se o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, lugar onde põem em segurança seus filhos, muito me alegro eu, Senhor, pois encontrei os Teus altares, lugar de refúgio, ó Rei. Que eu e você- todos nós- possamos estar e permanecer em Ti, Senhor, ligados e conectados ao Teu amor e recebendo de Ti a Graça, que nos salva, e a Paz, que excede todo entendimento.
(Síntese da mensagem da Pra. Isabel Cristina levada à Comunidade no culto de domingo 04/05/2008)

terça-feira, 13 de maio de 2008

A FÉ QUE RESISTE ÀS TRIBULAÇÕES

O livro do profeta Habacuque apresenta inicialmente uma situação vivenciada por muitos crentes: a maldade não castigada e por que Deus, sendo justo e bom, pode permitir que os maus prosperem e tenham poder sobre Seus filhos. Todos os três capítulos do livro nos descrevem momentos marcantes para os hebreus. O reino do norte havia sido esmagado pelos assírios, e logo mais os terríveis caldeus – os babilônicos - viriam sobre Jerusalém, como capital do reino do Sul. Essa era a vontade de Deus pela desobediência do povo, mas Habacuque não sabia. E eis que surge o profeta orando e clamando. Aqui nos deparamos com o enigma da oração não respondida. O enigma para Habacuque era o silêncio, a aparente inatividade e despreocupação da parte de Deus em vista do pecado. O profeta olhava ao seu redor, via o pecado inflamando a todos e ficava em estado de perplexidade, perguntando-se: por que Deus não age? Este tem sido o clamor de crentes em todas as épocas. Deus, porém, sempre responde no tempo determinado por Sua vontade. É preciso entender que o pecado gera conseqüências. Ao longo do capítulo 2 o profeta chama a atenção para pecados que seriam julgados pelo Senhor: no v. 6, a desonestidade, no v. 9, a ganância, no v. 12, a violência, no v. 15, a libertinagem e devassidão, no v. 18, 19, a idolatria. Certamente que o profeta se assusta quando o Senhor fala e esclarece que usará os babilônicos para atingir os idólatras e pecadores israelitas. Mas que depois - no devido tempo - os próprios babilônicos seriam destruídos. O profeta então teme pelos seus compatriotas. Mas age, mesmo assustado, pela fé. E essa é uma das extraordinárias lições extraídas do livro: que a vida do justo deve ser baseada na fé. Aprendemos que a atitude do justo que vive pela fé está centrada na esperança, mesmo quando tudo em sua volta está se desintegrando ou quando tudo parece perdido. A oração, que também é salmo, e que também é hino, em todo o capítulo 3 é algo marcante e que deve impactar todos quanto crêem no Senhor Jesus, como nosso Advogado junto ao Pai. Em especial se destacam os vs. 17,18 e 19: “mesmo não florescendo a figueira, e não havendo uvas nas videiras, mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimentos nas lavouras, nem ovelhas no curral, nem bois nos estábulos, ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus de minha salvação. O Senhor, o Soberano, é a minha força; ele faz os meus pés como os do cervo. Faz-me andar em lugares altos”. Dito tudo isso de uma forma mais moderna e atual, inclusive como habitantes mais urbanizados que somos, esta oração pode ser assim escrita e entendida: “mesmo que eu esteja desempregado, ou totalmente sem renda, não havendo nada em minha despensa, e me tomem carro, casa ou outros bens, por falta de pagamento, que me cortem o fornecimento de água e energia elétrica e seja negado o direito à saúde e à educação de meus filhos e da família, que todos se neguem a me ajudar, não havendo como alimentar minha família, sendo-me negada qualquer possibilidade de crescer profissionalmente e até de viver, ainda assim eu me exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação. O Senhor, Soberano, é a minha Força. Eu sei que Ele me exaltará e me fará elevar-me a lugares muito altos”.Oro a Deus para que tanto eu quanto você que lê este blog estejamos tão fortalecidos na Rocha que é Jesus para que tenhamos a fé de Habacuque e possamos orar ao Senhor, com inabalável convicção e certeza de vitória. Aprenda eu e aprenda você a viver pela fé, na certeza de “tudo quanto pedirmos em oração, crendo, receberemos” (Mt 21.22).(Síntese da mensagem deste pastor levada à Comunidade no culto de domingo 11/05/2008)

segunda-feira, 5 de maio de 2008

AMOR

Hoje - como todos os dias - acordei pensando em Deus, mas também em Isabel Cristina, minha mulher, companheira, irmã, minha amada. Por isso Deus me impacta tanto, Ele é AMOR e me proporcionou encontrar em Isabel Cristina Sua própria essência, pois nela encontrei o amor. Daí ser a mensagem que ora apresento a vocês cheia de significados de GRAÇA, pois é sobre AMOR. Este é o título do poema de Carlos Drumond de Andrade que abaixo transcrevo. Drumond foi um poeta extraordinário, alguém reconhecidamente sensível, a quem certamente Deus abençoou com um dom maravilhoso, falar aos corações, falando das coisas da alma, falando do amor:
"Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção. Pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino: o amor.
Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.
Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado... se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite... se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... se você preferir morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma dádiva.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.
É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor".

quarta-feira, 30 de abril de 2008

O DISCERNIMENTO DE QUEM TEM O ESPÍRITO DE DEUS

Dn 1.1-21 descreve a situação do exílio na Babilônia quando Daniel e seus três jovens companheiros deram os primeiros e definitivos passos como escolhidos pelo rei Nabucodonosor, para receberem formação e treinamento nas ciências e nas artes, conquanto que passados três anos, fossem submetidos à apreciação real, e sendo aprovados passariam a servi-lo. Aprendemos aqui que o sucesso que vai caracterizar a vida de Daniel, muito tem a ver com essas primeiras atitudes que ele assume diante das circunstâncias adversas. Em primeiro lugar, Daniel se dá conta que é possível harmonizar a aparência externa com o interior. Ele não somente era um jovem saudável fisicamente e de boa aparência, mas em termos interiores, pode ser considerado instruído, apto para o novo, aberto para novas experiências, enfim, capaz de aprender, inclusive, outra cultura, tão diametralmente oposta à judaica. Em segundo lugar, Daniel soube perfeitamente discernir o que faz bem. Ele tinha plena consciência de que era escravo e tinha que aprender a cultura dos caldeus, mas isso não o impedia de pensar e decidir o que deveria reter e o que deveria rejeitar. As comidas diárias ali servidas não estavam de acordo com sua fé, não somente não podia comer animais considerados impuros, mas a própria forma ritualística do preparo de consagração aos deuses o impedia, e por isso ele se submete a uma dieta. Em terceiro lugar, Daniel estava consciente da sabedoria que vem de Deus. É bom e saudável aprender, conhecer mais e não se fechar para as ciências e as artes, inclusive as descobertas, inventos e inovações tecnológicas que nascem da mente engenhosa dos homens. Neste nosso mundo globalizado é importante ouvir, ler mais e se informar sobre tudo, porém nessa busca, nosso foco deve ser a perspectiva de que a verdadeira sabedoria vem de Deus. Em quarto lugar, Daniel praticou tanto a inteligência emocional quanto a inteligência espiritual. A primeira forma de inteligência está relacionada ao controle das emoções, à cultura, à intelectualidade, ao conhecimento, ao desenvolvimento das aptidões; a segunda inteligência está relacionada às percepções interiores e espirituais, intuitivas, aos sonhos e visões. Quando se sabe, tal qual Daniel, combinar essas duas inteligências resulta sabedoria, discernimento e sucesso. Assim o jovem Daniel nos deixa uma lição: fortalecidos pelo Espírito de Deus devemos nos posicionar e mesmo em situações adversas, usando tanto o racional quanto o espiritual, seremos sempre vitoriosos. Daniel consegue não se contaminar, passa no primeiro teste, agrada ao chefe dos eunucos, depois de três anos, é aprovado com louvor pelo rei babilônico; e mais tarde será homem de elevada posição no reino, conhecido por sua sabedoria, discernimento, e o dom de interpretar sonhos e visões, enfim, um vencedor.(Reflitamos sobre 1 Co 2.14,15: “ Quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus, pois lhe são loucura; e não é capaz de entendê-las, porque elas não são discernidas espiritualmente. Mas quem é espiritual discerne todas as coisas, e ele mesmo por ninguém é discernido”; Pv 22.29: “Viste o homem habilidoso na sua obra? Perante reis será posto; não permanecerá entre os de posição inferior.”) (Síntese da mensagem deste pastor levada à Comunidade, no culto de domingo 27/04/2008)

quinta-feira, 24 de abril de 2008

SOU PASTOR, MAS NÃO CREIO MAIS...!

Sou pastor, mas não creio mais em programas televisivos de pastores evangélicos. Desde criança assisto TV, em especial aprecio filmes, jornais e documentários. Mas de algum tempo para cá, surgiram muitos programas ditos evangélicos, em que mensagens pastorais são expostas e todo um aparato de show é conduzido pelos pastores televisivos. Aquilo que em princípio parecia ser uma bênção, revelou-se maléfico, na prática. A televisão transforma pessoas comuns em ídolos. E os ídolos existem para serem adorados pelas pessoas. A televisão tem causada profunda transformação na percepção da realidade de muitos pastores, que começam humildes e sozinhos em seus programas. Em pouco tempo, pedem para os telespectadores contribuírem, sendo parceiros ou patrocinadores de seus programas. Infelizmente, a história nos mostra que algum tempo depois, muitos deles caem em contradições, daí os tantos casos de adultérios, sonegações fiscais, associações com gente suspeita, enriquecimento não explicado, dentre tantos outros escândalos. Sou pastor, e no contexto das atividades da igreja, os ministérios de música também me chamam muito a atenção. Os púlpitos de muitas igrejas parecem mais palcos para apresentação dos artistas evangélicos. Eles querem brilhar mais que a própria Luz, que é o Senhor. Alguns até parecem querer transformam a igreja em academia: “vira pro lado e fala...”; “levanta a mão e declara...”; “pula na presença de Deus...”; “agora grita...”. O Brasil evangélico de hoje tem centenas de cantores, instrumentistas e grupos... Cada um querendo se sobressair mais que o outro. Tem “louvor” para todos os gostos: louvor profético, louvor apostólico, louvor extravagante, louvor para evangelismo, louvor para guerra espiritual, louvor para restituição, louvor para determinação, louvor para atrair a presença de Deus, louvor para espantar a presença do diabo, e outros mais. Parece-me, entretanto, que falta louvor para louvar somente a Deus. Sou pastor e crente no Senhor Jesus, sei que Ele é o mesmo, ontem, hoje e eternamente, portanto Ele não muda e continua realizando milagres, mas confesso que não confio mais nos milagres que acontecem. Os evangelhos mostram o cotidiano de Jesus e seus 12 discípulos. De vez em quando, em caráter excepcional, eis que surge algo extraordinário e sobrenatural. Mas hoje, se um culto acabar sem ninguém curado, esse é o fato extraordinário. Na igreja evangélica brasileira milagre virou algo comum. Não confio mais nas pessoas que ficam propagando os milagres recebidos. Muitas foram as vezes em que Jesus disse para os curados não falarem nada pra ninguém. Sou pastor, mas não confio mais quando alguém me diz que é evangélico. Tem evangélico que não vai à igreja, tem evangélico que não toma mais a ceia, tem evangélico que não ora mais nas horas de acordar, comer e dormir. Tem evangélico que passa no farol vermelho, tem evangélico que entra na contramão, tem evangélico que estaciona em local proibido e tem evangélico que compra CD e DVD piratas. Tem evangélico que pirateia CD e DVD pra ganhar um dinheiro extra. Tem evangélico que dá cheque sem fundo, tem evangélico que vende e não entrega. Sou pastor e crente no Senhor Jesus, mas não confio nos profetas modernos. Eles falam em um culto com muitos idosos que há ali gente sofrendo de dor nas costas, nos olhos, nos ossos e com dificuldade de respirar. Eles dizem nos encontros de jovens que Deus está mostrando vários casais se formando ali. Os profetas modernos, no rádio e na televisão, dizem que tem gente que vai receber uma quantia inesperada de dinheiro para saldar as dívidas. Muitos são os profetas modernos que dizem que Deus sempre vai dar 100 vezes mais, e muitos pedem mais até que o necessitado contribua para o “ministério” do tal profeta. Sou pastor, mas não creio mais em muita coisa que está aí, inclusive e principalmente nas igrejas. Principalmente as que têm líderes que se auto-intitularam de apóstolos, bispos e talvez até “arcebispos”! Não, assim não dá, cada vez mais o que presenciamos é o afastamento do homem das coisas de Deus e sua aproximação com as coisas do mundo. Até parece a volta ao começo: não à igreja primitiva (At 2.42-47), mas aos tempos do ministério de Jesus, quando Ele teve que, por diversas vezes, repreender os religiosos fariseus e saduceus, posto que a religiosidade os havia conduzido a um estado de cegueira e hipocrisia sem igual. Por isso que é tão importante crer e confiar mais na Palavra de Deus, e menos na palavra dos homens. Não sem razão sou um apaixonado por Jesus e pela Comunidade Graça e Paz Internacional. NEle encontro Graça e Paz. Nela, comissionado por Ele, sou pastor de um rebanho em que, todos nós, somos ovelhas dEle. Lá aprendemos a “construir relacionamentos solidários e eternos”. Lá aprendemos a nos “esvaziar” para que o Mestre nos “complete” com Sua Graça, com seu inefável Amor, enfim, com Sua Paz, que nos dá Vida. É, então, que nos sentimos “mortos” para o “eu”, e vivos para o compartilhar do “viver comunitário”.

terça-feira, 25 de março de 2008

CONSELHOS PARA SOBREVIVER AO MUNDO GOSPEL (Pr. Ricardo Gondim)

O mundo gospel se torna cada dia mais patético; distante do protestantismo; em rota de colisão com o cristianismo apostólico; transformado numa gozação perigosa; adoecendo e enlouquecendo milhares que são moídos numa engrenagem que condena a um duplo inferno. Não consigo responder a todas as mensagens que entopem minha caixa postal. Milhares pedem socorro. Eu precisaria ter uma equipe de especialistas, todos me ajudando a atender os que me perguntam: “ a maldição do pastor vai pegar mesmo?”; “é preciso aceitar as patadas que recebo do púlpito?”; “em nome da evangelização, devo aturar esses sermões ralos?”.Realmente não dá mais. A grande mídia propaga o que há de pior entre os evangélicos com petição de dinheiro, venda de “Bíblias fantásticas”, milagres no atacado e simplismos hermenêuticos. As bobagens alcançaram níveis intoleráveis. O que fazer? Tenho algumas idéias. Aconselho que os crentes parem de consumir produtos evangélicos por um tempo. Não compre Cd de música ou de pregação - inclusive os meus. Deixe os livros evangélicos encalharem nas prateleiras - idem, para os meus. Depois que baixar a poeira do prejuízo, ficará notória a diferença entre os que fazem missão e os que só negociam. Não vá a congressos - inclusive o que eu promovo. Passe ao largo dos "louvorzões". Não sintonize o rádio. Boicote todos os programas na televisão. Não comente, nem critique a pregação de pastores, bispos, evangelistas e apóstolos. Afaste-se! Silencie! Desintoxique mente, alma e espírito da linguagem, pressupostos e lógicas da "teologia da prosperidade". Volte a ler a Bíblia sem nenhum comentário de rodapé. Alimente seu interior em pequenos grupos. Reúna-se com gente de bom senso. Estanque seus dízimos e ofertas imediatamente. Repense com absoluta isenção onde vai dar dinheiro. Mas prepare-se; no instante em que diminuírem as entradas, os lobos vestidos de pastor subirão o tom das intimidações. Não tenha medo. Faça essa simples auditoria antes de investir o seu suor em qualquer igreja ou ministério: Quanto tempo é gasto no culto para pedir dinheiro? A hora do ofertório vem acompanhada de uma linguagem com “maldição, gafanhoto ou licença legal para ataques do diabo”?Prometem-se “prosperidade, colheita abundante, bênção, riqueza”, para os que forem fiéis? Existe alguma suspeita na administração dos recursos arrecadados? – Lembre-se que há dois níveis de integridade: o ético e o contábil. Não basta manter os livros em ordem; o dinheiro também só pode ser gasto no que foi arrecadado. Se a resposta para alguma dessas perguntas for sim, ninguém deve se sentir culpado quando não der oferta. Só haverá arrependimento no dia em que os auditórios se esvaziarem junto com uma crise financeira - o monumental ufanismo evangélico precisa deflacionar. Concordo: ninguém aguenta o jeito como as coisas estão. Soli Deo Gloria. (Comentários meus: sei que muitos que lerão esta reflexão extraída do site www.ricardogondim.com.br) podem se assustar e estranhar, e até repudiar. Mas se tal acontecer, desculpe-me, mas o seu olhar – caro/a leitor/a deste blog – precisa ser ampliado, assim você olhará em volta, e perceberá que o Pr. Gondim não diz nenhum absurdo, nem está louco, apenas, talvez, como nós pastores da Comunidade, esteja cansado de tanto absurdo, e exacerbada "mercantilização", “oba-oba”, “próspero” evangelho que é ensinado e pregado aos quatro cantos deste país. Assim como já fez Jesus, é preciso expulsar "os vendilhões do templo". Tudo se transformou - parece-me - em um negócio, em "um show".Por outro lado vende-se um mundo de “facilidades”, falsas doutrinas, ensina-se a ir a Jesus para fazer barganhas, querem-No pelo que Ele faz, não pelo que Ele é. Não aceitamos este mundo gospel que está aí: há muita hipocrisia, há todo “um culto à imagens de pastores e líderes”. Aos que como nós "não se conformam" com este mundo gospel, resta-nos o real sentido de seguir Cristo, praticando Seu Evangelho, que está embasado em amor, relacionamentos generosos e solidários, posto que importa-nos seguir o exemplo do Mestre e como Ele, estarmos dispostos a servir, não mais a ser servidos/as, a abençoar, e não, apenas, em ser abençoados/as. Soli Deo Gratia)

quinta-feira, 20 de março de 2008

O SERVIÇO NOS TORNA GRANDES, A HUMILDADE NOS FAZ MAIORES AINDA

Em Mt 20.17-28 nos deparamos com mais uma cena com fatos marcantes vividos por Jesus e Seus discípulos. A mulher de Zebedeu, mãe de Tiago e João, pede um favor ao Mestre: que no Reino de Deus, seus dois filhos se assentem um à direita e outro à esquerda de Jesus. Três pontos se destacam na análise de todo o texto: 1) a ambição da mãe que queria lugares de honra para seus filhos; 2) a própria posição de aceitação dos filhos posto que poderiam ter repreendido, embora com ternura, a mãe; 3) a posição irada dos dez outros discípulos mostra que não foram sábios e também reflete que existiam motivos egoístas em seus corações. A resposta de Jesus suscita uma advertência: quem pede honra e glória não sabe o que pede. É preciso estar disposto a tomar o cálice, é necessário carregar a cruz. E mais afirmou Jesus: no mundo, os príncipes dominam os gentios e sobre eles (os príncipes) existem outros que os dominam. Ou seja, nos reinos e nações dos homens, predomina o entendimento de que grandes são os homens que lideram os outros. Assim para ser líder, quer seja governador, presidente ou rei, é preciso ser grande. Os maiores são os que lideram os outros. Mas Jesus alerta que entre nós, seus discípulos, não é assim. Quem quiser ser grande, que seja o que sirva. Quem quiser ser o primeiro, que seja o que sirva, pois “o Filho do homem não veio para ser servido, MAS PARA SERVIR, e dar Sua vida por resgate de muitos”. A grandeza do Reino está em servir, ponto de vista oposto a respeito do conceito de grandeza, entre os homens. A disposição de servir começa no coração. Mais uma vez Jesus preocupa-se mais com a atitude do coração de seus seguidores do que com suas obras (Jo 13.1-17). Cristo nos legou o maior exemplo de humildade, porque sendo Deus, fez-se servo (Fp 2.7): “esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens”. O homem não pode alcançar a remissão de seus pecados por meio das obras (Sl 49.6-8,15). A razão humana não consegue admitir que a salvação é uma dádiva exclusiva de Deus – pela graça – (Ef 2.8,9), pois o que vemos todos os dias é o homem lançando mão de sua capacidade e sabedoria para salvar-se a si mesmo. Em vão ele tenta, em vão vive ele e em vão morre. Mas ao contrário, o que acontece comigo que tenho Jesus como Senhor e Salvador? A salvação dá-se pela fé, a salvação ocorre pela graça. Minha fé em Jesus faz o Seu olhar ser lançado sobre mim, e quando Seu olhar me alcança, a Graça é liberada sobre mim. Nesta consciência, sinto-me constrangido pelo incomensurável amor de Deus e vejo-me disposto a servir cada vez mais para a expansão do Reino e por meu crescimento espiritual. Assim, recebo amor do Pai, amo-O mais e mais, e em assim fazendo, inclino-me a me entregar mais ao meu próximo, em amor, misericórdia, generosidade, em uma palavra, em graça. (Síntese da mensagem deste pastor levada à Comunidade, no culto de domingo 16/03/2008)