segunda-feira, 19 de maio de 2008

APRENDENDO COM JESUS A DISTINGUIR O TIPO DE ENCONTRO QUE ELE APROVA

Em Lc 10.25-37 aprendemos com Jesus sobre encontros. Há encontros para a vida e há encontros para a morte. Na parábola tão conhecida – a do bom samaritano - o Mestre nos dá o exemplo da graça, da solidariedade, da generosidade e do amor altruísta, ao próximo, mas aproveita para nos ensinar sobre violência, egoísmo, indiferença e sobre a religiosidade e seus males. Destaca-se na parábola que um homem – o personagem central – teve três tipos de encontros. O primeiro encontro foi com os ladrões, o segundo foi com os religiosos e o terceiro foi com o samaritano. Em cada um dos encontros, o homem experimentou um tipo de sentimento bem diferente do anterior. O primeiro encontro que aquele homem teve - na estrada de Jerusalém para Jericó - foi com a violência e o egoísmo. O que pensa mesmo alguém violento e egoísta? Ele pensa assim: - Tudo que é meu é meu, e tudo o que é seu será meu também! Nem que seja à força. Se possível agirei por violência, pois defendo os meus direitos e não me importo com os seus. Matarei, roubarei e destruirei se possível for, o que importa é que sou mais “eu”! Relacionamentos orientados pela violência e pelo egoísmo são muito comuns. Eles ocorrem quando um domina o outro, causando-lhe dor, humilhação, sentimento de impotência, dano.Pessoas assim impõem ao outro sua vontade e seus caprichos, extraem do outro tudo o que tem de bom (e depois o descarta). É o tipo de relacionamento em que sempre um prejudica o outro. É o tipo de relacionamento que não terá final feliz. O segundo encontro que aquele homem teve(é certo que estava muito ferido, cheio de hematomas, fora deixado ali como morto) foi com a indiferença. O que pensa mesmo alguém religioso e indiferente? Ele pensa assim: - Tudo que é meu é meu; tudo o que é seu é seu. Relacionamentos orientados pela religiosidade e a indiferença, também, são muito comuns e se caracterizam quando um demonstra com suas atitudes que não se importa verdadeiramente com o outro. Pessoas assim não têm tempo para o outro, não se comovem com a dor, as lágrimas e o sofrimento do outro, e não dão a mínima prioridade ao outro em sua vida. É o tipo de relacionamento em que um nada faz para levantar o outro. É o tipo de relacionamento que praticamente já chegou ao fim. O terceiro e definitivo encontro que aquele desafortunado homem teve foi com a graça e o amor. O que pensa mesmo alguém gracioso e amoroso? Ele pensa assim: -Tudo que é meu é seu. O amor está presente nos relacionamentos em que um se importa verdadeiramente com o outro. Pessoas assim se compadecem da dor, das lágrimas e do sofrimento do outro, socorrem, ajudam e curam as feridas do outro, procuram ter tempo para o outro, dão prioridade para o outro em sua vida, fazendo de tudo para levantar o outro, até o limite das próprias forças e, se preciso for, buscam ajuda externa, até que o outro esteja curado. É o único tipo de relacionamento que tem tudo para ter um final feliz. Aprendamos com Jesus e seus ensinos, sempre atuais. Na vida ora estamos em pé ora caídos. Muitas vezes fortalecidos, dispomo-nos a ajudar ao outro, às vezes somos nós que precisamos de ajuda. Como nós temos agido, e como os outros agem conosco? O que sabemos é que a vida nos proporciona muitos tipos de encontros. Independentemente da forma de ser e viver do outro, importa saber o que sou e como sou. Sei que o egoísta quer tudo para si mesmo e tudo faz para derrubar o outro. O indiferente nada faz para levantar os caídos. Os religiosos parecem estar mais preocupados em defender sua crença, e sua religião, principalmente sua denominação, do que olhar para seu próximo. Mas nós da Comunidade temos sido ensinados e conduzidos por Jesus a construir relacionamentos solidários e eternos, e assim devemos agir, dentro e fora do nosso convívio comunitário. Que nós possamos fazer o bem, ajudar as pessoas caídas, sem perguntar qual sua condição social, sua etnia, sua religião! Temos aprendido que Jesus lança sobre nós Sua graça, sem que haja merecimento algum em nós mesmos, logo, o que mais podemos fazer a não ser: lançar graça para todos quantos encontrarmos e que dela careça? O verdadeiro amor lança fora todo o medo. Somente o verdadeiro amor não medirá esforços para garantir o bem-estar e a felicidade do outro. Não importa o tipo de pessoa que tiver um encontro com você, comporte-se sempre como Jesus nos ensinou: seja bom, libere graça, libere amor! Dentre os três encontros o único que mereceu a aprovação de Jesus foi com o samaritano: logo ele, alguém que era desprezado pelos judeus, que era excluído de qualquer tipo de relacionamento social, mas que independentemente de tudo, demonstrou genuína preocupação pelo caído, curou-lhes as feridas e até pagou para que dele cuidassem! Não basta cumprir a Lei, não basta simplesmente obedecer e não transgredir os mandamentos. É preciso não se esquecer que Deus é amor. E que a essência dos ensinamentos de Jesus está fundada na certeza de que a Lei se cumpre quando amamos: primeiro ao Pai, depois ao outro, ao próximo (Mt 22.35-40). Não sem razão Paulo, que teve logo a clareza de tudo isso, afirma em Rm 13.10: “O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor”.
(Síntese da mensagem deste pastor levada à Comunidade no culto de domingo 18/05/2008)

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