segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

IMPORTÂNCIA E NECESSIDADE DE MANTER O PADRÃO

Em 2 Tm 1.13,14, como discípulos de Cristo, aprendemos algo muito importante. Inicialmente, entendemos que temos o Senhor como padrão. Tendo-O como padrão, devemos guardar toda a  Sua doutrina como bom depósito. Mas não estamos sozinhos nesta tarefa, é importante saber que alguém nos ajuda:o Espírito Santo!
I – MANTENDO O PADRÃO
A palavra padrão significa tudo o que serve de base ou norma para avaliação, medida, modelo, exemplo e protótipo.
Mas que padrão é este que temos que manter? Sabemos que muitos foram os ensinamentos de Jesus, e todos devemos guardar. Mas aqui  o apóstolo Paulo nos alerta – não somente a obreiros, líderes e pastores – mas a todos nós, discípulos de Cristo, recomendando alguns passos como padrão (contidos no capítulo 2 de 2 Tm). Então, todo discípulo de Cristo deve:
1 – Evitar contendas de palavras que para nada aproveitam, exceto para a subversão dos ouvintes (v.14).
2 – Apresentar-se aprovado, pois conhece a palavra da verdade, não se deixando envergonhar (v.15).
3 – Evitar os falatórios inúteis e profanos, pois os que assim fazem passarão impiedade ainda maior (v. 16).
4 – Apartar-se da injustiça, pois assim sucede com todos os que professam o nome do Senhor (v. 19 c).
5 – Fugir das paixões da mocidade. Seguir a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor (v.22).
6 – Repelir as questões insensatas e absurdas, pois estas só produzem contendas (v.23).
7 – Não viver a contender, e sim brandamente relacionar-se com todos, sendo apto para instruir, paciente (v.24).
8 – Quando for necessário, disciplinar com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda, não somente o arrependimento para conhecerem a verdade, mas também o retorno à lucidez, livrando-os dos aços do diabo, pois têm sido cativos por ele, para cumprirem sua vontade (v.25,2).
II – GUARDANDO O BOM DEPÓSITO
Atualmente, cada vez mais, vivemos cercados por traves, chaves, fechaduras, alarmes e sistemas de segurança. E assim fazemos por que queremos guardar coisas, objetos e pessoas, inclusive, a nós mesmos, da ação de malfeitores e de tudo o mais que possa afetar nossa segurança. Guardamos coisas por que sabemos de sua importância; guardamos coisas por que são valiosas. E assim acontece com a sã doutrina do Senhor. Recebemos dEle como um bom depósito (bancário) e devemos guardar em um cofre (nosso coração e nossa mente). O mais importante, o mais valioso para um discípulo deve ser a verdade da salvação, a verdade da graça salvífica de Deus no Evangelho. Paulo nos afirma que o Senhor nos fez com um sistema de segurança para ajudar a proteger essa esperança mui preciosa. Esse sistema de segurança habita em nós. Ele é o Espírito Santo. Glória a Deus por tanta dádiva! Oro a Ele para que nos ajude a não comprometer a Sua verdade com legalismos e licenças perniciosas. Importa-nos viver, mostrando a outros como viver; não uma vida qualquer, mas uma vida consagrada ao Senhor. É preciso viver e poder compartilhar a Sua graça e misericórdia com todos os que não O conhecem. Que eles possam se juntar a nós no glorioso momento em que daremos as boas vindas para Jesus quando Ele voltar. Oro a Deus para que nos dê a clara percepção que precisamos para ver a falsidade e os erros, protegendo-nos para viver a Sua verdade (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 26/12/201).

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

SIGNIFICADO E SENTIDO DE SEGUIR A CRISTO

Esta reflexão está fundamentada em Lucas 9.57-62. O texto bíblico descreve uma determinada situação em que Jesus ia pelo caminho com seus discípulos e muitos outros O seguiam. Há, então, uma cena com três atos no episódio bíblico: um homem declara que queria segui-Lo onde quer que Ele fosse; depois, um segundo homem recebe um convite de Jesus para que O siga e, por último, há um terceiro homem que manifesta, também, a vontade de seguir ao Senhor. Portanto, o episódio descreve uma sequência de fatos que se relacionam com seguir a Cristo. Mas o que significa seguir a Cristo? Vamos, então, procurar entender o significado e o sentido de ser discípulo de Jesus e como se deve segui-Lo. No texto, há, então, três homens que se posicionam quanto a seguir Jesus, no que considerei - fazendo uso de elementos de uma peça de teatro - como uma cena com três atos:
PRIMEIRO ATO: UM HOMEM DECLARA A JESUS QUE ESTÁ DISPOSTO A SEGUI-LO ONDE QUER QUE FOSSE.
Muitas vezes declaramos algo, falando que faremos isso e aquilo, sem avaliar bem e refletir sobre as reais e possíveis conseqüências do fato. Quando se afirma que se quer fazer, ou deixar de fazer algo, é preciso pensar. Este parece ser o caso do homem que declarou que seguiria Jesus onde quer que Ele fosse. Jesus não ignorou ou desprezou a afirmação de que iria segui-Lo para onde quer que fosse, mas procurou explicar a ele o que significava ser Seu seguidor. De um lado a pessoa estava declarando que estava assumindo um compromisso, uma responsabilidade de seguir Cristo; por outro lado, Jesus esclareceu sobre as condições que teria que suportar se estivesse realmente disposta a segui-Lo. Ele estava ensinando que animais têm abrigos e aves seus ninhos, mas Ele não tinha lugar para reclinar a cabeça. Jesus estava ensinando, na verdade, que para segui-lO, muitas vezes, é necessário deixar o conforto, a comodidade e certas regalias da vida. Enfim, seguir Jesus exige compromisso e renúncia. Não existe vida cristã sem renúncia. Na medida em que se estabelece primazia e prioridade para Jesus, as outras coisas, as outras pessoas, enfim, passam a ser consideradas em plano secundário. São pessoas e coisas importantes, é verdade, mas Cristo precisa estar em primeiríssimo lugar na vida do seguidor. Isso é tão certo quanto o fato de não existir cristianismo sem cruz. “E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me”. (Lc 9.23).Aprendamos que Jesus deseja que a pessoa deixe de lado o seu egoísmo, o conforto, o luxo. Quem sufoca seu egoísmo, seus interesses pessoais e imediatos, segue Jesus e está pronto para ser provado; perseverando até o final, será vitorioso. Aquele homem, também, passa-nos certo entusiasmo. Nada há de errado com o entusiasmo, exceto que não é fruto de arrependimento e conversão. Nos dias atuais, multiplicam-se os que querem seguir Jesus sob o fundamento da emoção e do entusiasmo. As campanhas de avivamentos, curas, libertação e prosperidades, geram muitas conversões falsas, bem como geralmente discípulos mal firmados, fruto, com muita freqüência, do mero entusiasmo. É preciso entender que os sentimentos humanos são sujeitos a alterações quando argumentos veementes e fortes apelos emocionais pressionam a mente. E isso nada tem a ver com conversão. Aí está muito do uso de meios artificiais de parte da igreja atual, quando realça a ênfase em música agitada, show midiático, pregação acalorada, entusiástica e aos gritos, a fim de criar uma atmosfera fácil, em que homens e mulheres sintam ser atrativo aceitar a Cristo. Mas importa saber que Jesus nunca fez essa aceitação parecer atrativa. Ele falava em solidariedade, perseguição, em dificuldades e sacrifícios. Para seguir Jesus – verdadeiramente - é preciso deixar-se esvaziar, liberando o “eu” enfraquecido para que o Senhor preencha esse vazio com Seu amor, Sua graça e Sua paz. Aí, então, pode-se afirmar como Paulo “... Estou crucificado com Cristo; logo, já não ou quem vive, mas Cristo vive em mim...” (Gl 2.19b; 20a).
SEGUNDO ATO: JESUS OLHA PARA UM OUTRO HOMEM, FAZ O CONVITE PARA QUE O SIGA, MAS OUVIU UM PEDIDO DE TEMPO.
Agora é Jesus quem chama uma pessoa para segui-lO. Parece até que o convite é bem recebido, mas a pessoa passa a colocar impedimento para cumprir o chamado divino. Para essa pessoa havia coisa mais urgente e prioritária, como sepultar seu pai, por exemplo. Ora, é importante dar importância aos pais, afinal é o quinto mandamento da Lei de Deus, mas o Senhor lhe adverte que as coisas do Reino de Deus são mais importantes do que as preocupações com o presente século (Mt 6.33). O Reino de Deus é prioridade primeira. O alvo principal de quem segue Cristo deve ser priorizar o Reino de Deus e a Sua Justiça. Há pessoas que somente dão desculpas e cumprem seu chamado, logo, estão priorizando coisas supérfluas e sem importância espiritual.
TERCEIRO ATO: POR ÚLTIMO, UM HOMEM DECLARA AO SENHOR QUE O SEGUIRÁ, MAS QUE ANTES PRECISA SE DESPEDIR DE SEUS FAMILIARES.
Esta terceira pessoa mostra,igualmente, a falta de prioridade para o chamado de Deus. Ao aceitar o Senhor como único e suficiente salvador, não há mais como voltar atrás. Uma vez colocada a mão no arado, não há como recuar! “Mas o justo viverá da fé; E, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele”. (Hb 10.38). Existem aqueles que se convertem e ficam olhando para trás. Foram libertos das coisas do mundo, tudo isso ficou no passado, mas ainda têm olhos para os prazeres do mundo. Tudo o que afasta de Deus, como certas práticas correntes do pecador e da pecadora, devem ser removidas para sempre, quando da conversão. Portanto, é preciso riscar o passado de sua história! O seu alvo agora está à sua frente. Projete o seu futuro, mantenha o seu olhar na cruz! Jesus deu oportunidades para essas três pessoas segui-lO, porém, não entenderam a substância da primazia que o Senhor deseja e exige dos Seus filhos e de Suas filhas. Você que está aqui continua tendo essa oportunidade. Mas depende de você. A salvação é um processo pessoal que se dá entre você e Deus. Tem a ver com sua caminhada com Ele, com suas escolhas, com seus olhares e com suas leituras de vida. Viver para si mesmo, é morrer para Cristo. Viver para Cristo é morrer para si mesmo! Reflita nisso! (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 19/12/2010).

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

LUZ E TREVAS: O OLHAR DE JESUS PARA HOMENS QUE O TRAEM E O NEGAM.

Lucas 22.47-62 descreve dois cenários: o primeiro ocorre no Getsâmani quando Jesus é preso e o seguinte, na casa do sumo sacerdote, quando se inicia o processo de julgamento que O levará à crucificação e morte.
Três  pessoas se destacam: Jesus, aquele a quem Isaías (9.6,7) descrevera cerca de 700 anos antes de Seu nascimento, como Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz. Aquele que é Deus Filho, que reina em perfeita comunhão com Deus Pai e Deus Espírito Santo, que é Luz, que é Fiel e cuja Misericórdia dura para sempre. A segunda pessoa é Judas, um dos discípulos, o que trai o Mestre, de forma premeditada e covarde. Seu pecado foi a apostasia – a separação permanente de Cristo por malignidade de coração. Sua traição selou a apostasia e foi seguida de remorso sem proveito. A terceira pessoa é Pedro, também um dos discípulos, o que nega o Mestre, de forma impulsiva, mas igualmente covarde. Seu pecado foi o desvio – a alienação momentânea de Cristo. Sua traição expôs sua condição de fraqueza e o levou ao arrependimento piedoso que o aproximou, depois, ainda mais do Mestre.
I – A NEGAÇÃO E A TRAIÇÃO DE JUDAS (v.47-53).
# O primeiro cenário: Era o jardim do Getsâmani, Jesus se encontrava com os discípulos. Judas chega liderando um grupo de soldados romanos, policiais do templo, sacerdotes, membros do sinédrio e de alguns servos dos sacerdotes e, para identificar bem o Mestre, O beija na face. E aí Jesus fala: “Com um beijo, Judas, trais o Filho do Homem?
# A resistência dos apóstolos: vendo os discípulos que aquilo significava a prisão do Mestre, perguntam-Lhe algo que soa muito estranho, posto que totalmente contrário a tudo que lhes ensinara Jesus Cristo, o Príncipe da Paz! ”Senhor, feriremos à espada?”
# Sem esperar por resposta, o impulsivo Pedro fere o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha, com uma espada.
# Jesus, então, fala e repreende afirmando: “Basta!”.
# E na sequência, torna a fazer o bem, tocando na orelha do homem, e o curando.
# Jesus, então, se dirige aos principais dos sacerdotes e capitães do templo e anciãos: “ Saístes, como a um salteador, com espadas e varas”. Ou seja: “ ei, Sou por acaso um salteador a quem devem buscar com espadas e varas?” E fala mais.
# E destaca que chegou a hora das trevas: “Todos os dias eu estive com vocês no templo e não levantaram a mão contra mim. Mas esta é a hora de vocês, quando as trevas reinam” (v.53); outra versão: “ ...esta é a vossa hora e o poder das trevas”. Jesus estava consciente de que era Luz e que os que se opõem a Ele eram trevas. Aquele era o momento das trevas, mas depois, com Sua ressurreição a Luz retornaria e Sua vitória seria completa e permanente.
II – A NEGAÇÃO DE PEDRO (v.54-62)
# O segundo cenário: Era a casa do sumo sacerdote, no meio do pátio, onde se encontravam alguns reunidos em volta de uma fogueira. Pedro estava ali, mas meio assustado, ora assentava-se com eles, ora inquieto andava pelo pátio, fingindo indiferença.
# Antes de chegar ali ao pátio (v.54), Pedro seguia o Mestre de longe. De longe não é a distância ideal para seguir ao Mestre. Tivesse Pedro corajosamente se posicionado ao lado de Jesus certamente Sua presença teria concedido forças para prosseguir e evitar o ataque do inimigo; afinal, estavam à procura do Mestre, não dos discípulos. Os provocadores nos atormentam até quando demonstramos irritação e desespero, quando não, deixam-nos em paz. A melhor maneira de seguir Cristo é bem de perto, nunca de longe. A melhor maneira de estar com Cristo é estar em comunhão com os irmãos de fé, em um alegre e maravilhoso relacionamento fraterno e solidário, como ensinamos aqui na Comunidade.
# O ato da negação: Na descrição desse cenário e dos fatos nos quatro Evangelhos, presenciamos Pedro ser zombado em três ocasiões. Ali no pátio foi Pedro, por seus temores, motivo de diversão e zombaria para todos os que se encontravam.
- a primeira negação: (v.56,57): a criada disse: Este também estava com ele. Mas Pedro nega: “Mulher, não o conheço”.
- a segunda negação (v.58): outro homem disse: Tu és também deles. Mas Pedro nega: “Homem, não sou”.
- a terceira negação (v.59,60): passado quase uma hora outro homem desconfia de seu sotaque e afirma: Também verdadeiramente estava com ele, pois também é galileu. Mas Pedro nega: “Homem, não sei o que dizes”.
Estava Pedro, ainda falando quando o galo cantou.
III – O OLHAR DE JESUS E SEU SIGNIFICADO
Neste momento, de dentro da casa do sumo sacerdote, mas por uma câmara que dava para o pátio, Jesus se vira e olha na direção de Pedro. Ele o vê – e apesar de sua situação prestes a passar por tudo que sabia que iria passar – e mostra que não se esquecera do apóstolo fraco. Seu olhar atingiu o coração e a consciência de Pedro.
Pedro chorou pelo impacto do olhar de Jesus e dali fugiu, desaparecendo na noite fria. Ali ia um homem de coração partido, ansioso por estar longe, querendo ficar a sós com sua consciência e seu amargo arrependimento. A tradição cristã diz que, a partir de então, Pedro não podia ouvir o galo cantar sem que caísse de joelhos e chorasse.
Mateus 27, 3-5 afirma que: ’ Então Judas que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: pequei, traindo o sangue inocente. Eles, porém, disseram: Que nos importa isso? Isso é contigo. E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar”.
Aqui está exposto que Judas se arrependeu. O que diferencia o arrependimento de Pedro do de Judas?
O arrependimento de Judas era remorso, que dói pela conseqüência do pecado.
O QUE PRECISAMOS APRENDER COM ESTE EPISÓDIO:
1) A força do homem não assegura vitória diante do confronto. Pedro foi sincero ao declarar que seguiria o Senhor até a morte. Ocorre que ele não tinha conhecimento de suas próprias fraquezas, confiava, como muitos, em suas forças. Tremendo e acovardado, ele não seguiu o Mestre, apenas o fez à distância, amedrontado. Acovardado, ele negou o Senhor. Aprendamos que os que os que confiam em suas próprias forças, fracassam; os vencedores são OS QUE CONFIAM NO SENHOR, e que assim como o monte de Sião, não se abala, mas permanece para sempre (Sl 125.1).
2) Diante do confronto devemos tomar posição firme por Cristo. Não dá para vacilar, é preciso estar firme com o Senhor. Diante de escarnecedores, devemos nos posicionar e deixar bem claro o que somos e quem o Senhor de nossas vidas. Não dá pra negar a Jesus.
3) Quem segue Jesus, precisa seguir de perto, nunca à distância. A firmeza é a melhor arma para o cristão enfrentar o mundo. É preciso dar bom testemunho... Somente assim se ganha o respeito de todos, mesmo de adversários. A melhor forma de seguir a Cristo é declarar-se corajosamente Seu discípulo.
4) O poder do mal - embora seja até mortal – está limitado. “ Esta, porém, é a vossa hora e o poder das trevas”. Estas palavras sugerem duas verdades: 1) há momentos em que Satanás e os homens podem perseguir Seu povo; 2) o tempo para isso é limitado e curto. A crucificação de Jesus parecia ao inimigo ser o golpe mortal contra Deus, mas a ressurreição tornou-se sua sentença de morte. Foi ali que o Filho de Deus esmagou a cabeça da serpente.
5) O olhar de Jesus, que a tudo sonda e perscruta, dirigido a Pedro, pode nos revelar três mensagens:
   - (1)  Ele presenciara as negações e a covardia de Pedro.
   - (2)  Ele estava triste com a negação.
   - (3)  Ele, mesmo assim, ainda amava a Pedro.
6) Diferenças entre arrependimento e remorso.: Pedro estava arrependido e isso interrompeu sua corrida para baixo, rumo ao abismo, como sucedera com Judas. Em Pedro havia arrependimento verdadeiro, e não remorso sem valor. O arrependimento conserva-nos na esperança; o remorso nos leva ao desespero. O arrependimento leva-nos de volta a Cristo; o remorso pode levar-nos para longe dEle. O arrependimento nos conduz à novidade de vida; o remorso nos leva a pecar mais profundamente.
7) O real significado de um espírito quebrantado na caminhada de fé:Desconfie de pessoas que se sentem muito bem com elogios, apenas porque fez o que era certo fazer, ou o que, alguém seu superior mandou que fizesse e bem feito fez. Muitos são os que fazem o que precisa ser feito, têm talentos, capacidade e formação profissional para tanto, mas falta-lhe quebrantamento de coração.
Depois disso, com o coração quebrantado Pedro nunca mais foi o mesmo; tornou-se um apóstolo corajoso e determinado, e não mais negaria Seu Mestre. Diz a tradição cristã que por ocasião de sua morte, ao saber que seria crucificado, não aceita, pois não se considerava digno de morrer como Jesus, e pede que lhe crucifiquem de cabeça para baixo. Verdadeiramente, foi Pedro um grande exemplo de discípulo de Cristo: falho, incompleto, pecador arrependido, e, acima de tudo, alguém que aprendeu com seus erros, sabendo-se perdoado pelo Senhor. Crendo ser amado de Deus, soube superar os obstáculos, propagar o Evangelho, viver com o coração quebrantado e morrer por Jesus Cristo! (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade por este pastor no culto de domingo 05/12/2010).

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O OLHAR DIANTE DA SITUAÇÃO PODE DETERMINAR UM FUTURO DE VITÓRIA OU DE DERROTA...!

Encontramo-nos em Nm 13 e 14, texto que se destaca como o mais crítico da marcha dos israelistas pelo deserto, a caminho da Terra Prometida, Canaã.
Após a saída de Gósen, parte leste do delta do Nilo, no Egito, o povo conduzido por Moisés chega ao Monte Sinai, em jornada de pouco mais de dois meses. Ali acampado em tendas, o povo se aglomera, recebe os Dez Mandamentos, presencia a construção do Tabernáculo, e aguarda as ordens do Senhor. O livro de Números inicia com a determinação do Senhor, já no segundo ano após a saída do Egito, para que Moisés levante o censo de toda a congregação dos filhos de Israel (Nm 1.2ss). Isso ocorreu no primeiro dia do segundo mês (1.2), mas em 10.11,12 ocorre a partida do deserto do Sinai, ao vigésimo dia do segundo mês, e depois de onze dias chegou o povo a Cades-Barnéia, no deserto de Parã. Estava o povo a pouco mais duas semanas de viagem para ter acesso a Canaã. Ocorre que ali, acampado, Israel  aguarda  quarenta dias pelo retorno de doze espias (13. 1-20), que foram enviados à  Canaã e que deveriam contar à congregação reunida o que haviam visto e presenciado. O texto que se segue (13.21-14.38) nos apresenta um único cenário, mas visto  por dois diferentes  e opostos olhares, com base nos relatos dos doze espias, divididos em dois grupos, um com dez e outro, com dois espias:
O PRIMEIRO OLHAR: A terra é boa (13.27,30). Eia, subamos, e possuamos a terra, porque certamente prevaleceremos contra ela.
O SEGUNDO OLHAR: Na terra boa habita um povo gigante e temido (13.28,29).
Um olhar se revela com a sensação de vitória, porquanto a terra é boa e se deve conquistá-la.
O outro olhar se mostra com a sensação de derrota, porquanto é impossível conquistar a terra, já que o povo que lá habita é poderoso e invencível.
O OLHAR DA DERROTA: a atitude dos dez espias se concentra não nas possibilidades boas de confrontação, uma vez que era promessa do Senhor e a vitória era certa, mas na negação de suas forças, posto que a derrota é vista como algo concreto.
O que esse tipo de olhar evidencia?
1) a incapacidade de prosseguir: 13v.31: “Não poderemos...”
2) os defeitos e os problemas: v. 32: “(...) infamaram a terra ...”
3) as dificuldades: v.33: “(...) éramos (...) como gafanhotos...”
SIGNIFICADO E CONSEQUÊNCIAS DO OLHAR DE DERROTA: pessimismo generalizado, desânimo, incredulidade, revolta e castigo, morte (14.1,2).
O OLHAR DA VITÓRIA: a atitude de dois espias (Josué e Calebe) se concentra nas reais e boas perspectivas do confronto, posto que era promessa do Senhor que levaria o povo a derrotar seus inimigos e conquistar a Terra Prometida.
O que esse tipo de olhar evidencia?
1) a capacidade superior do ambiente: (14.7): afirmam ressaltando o que era bom na terra.
2) a crença nas promessas de Deus: (14.8,9): Não se minimizam as dificuldades, mas se ressalta a vitória como Vontade de Deus.
SIGNIFICADO  E  CONSEQUÊNCIAS DO OLHAR  DE VITÓRIA: fé e otimismo, ânimo para prosseguir, credulidade, bênção e aliança com Deus, vida (14.30b; 38).
Aprendemos, então, que:
1) a derrota pode ser fruto de uma atitude negativa e incrédula ( 14.11)
2) a derrota é, também, fruto da desobediência (14.22,23)
3) somos o que somos graças ao que vemos e deixamos de ver, ou seja, grande é a influência do Olhar quanto às derrotas e vitórias em nossa trajetória de vida.
Como entre o povo prevaleceu o olhar da derrota, o Senhor retardou a bênção que era imediata, posto que ali estava Israel a, apenas, um pouco mais duas semanas de viagem para Canaã, e fez o povo peregrinar, no deserto, por quarenta anos. Quanto teve o povo que chorar, murmurar e se entristecer por todos os anos que se seguiram, até que todos os daquela geração de homens morressem, exceto os dois que tiveram o olhar de vitória, Calebe e Josué? 
Analisando mais o significado de derrota e a vitória:
A derrota se expressa na vida de muitos em atitudes de perplexidade, por meio de lágrimas amargas, com rostos fechados, olhares perdidos e tristes. Quem experimenta e exibe a face  da derrota mostra como ela é: cruel, cinzenta, sem retoques, sem piedade. Sendo dramática, trágica e, geralmente, insuportável, a derrota supera a vitória em intensidade, força e poder de transformação.
Nenhum grito de guerra festivo, nenhuma vibração de alegria, nem o som ensurdecedor dos gritos da vitória são mais fortes e poderosos do que o silêncio de quem se ajoelha em prantos na solidão pela perda e derrota, que traz mudez e desamparo, como que em um velório. Se examinada com mais propriedade, percebe-se que a derrota parece ter relação íntima com a morte. A derrota simboliza o fim do sonho, a perda. É obvio que ninguém quer ser derrotado, todos querem ser vitoriosos. Vivemos em um mundo de pós-modernidade, em que o sucesso é admirado, e cada vez mais buscado por todos, portanto, ninguém quer ser perdedor. Mas nesses e noutros casos, restam as lições. O que se deve fazer é tirar delas tudo o que pode ser aproveitado como ensinamento; então, importa planejar a aplicação do aprendizado obtido com a experiência vivida. É preciso crer que a derrota de hoje pode levar à vitória de amanhã. Precisamos mudar a visão..! E assim olhar o futuro e ver a vitória. Ela nasce como um desejo, às vezes, até fugidio, mas que logo se converte em certeza, e aí pode e vai acontecer. É preciso, então, ter esperança! E o que alimenta a esperança é crer que existem oportunidades de superar, dar a volta por cima. Isto se aplica a pessoas, grupos, empresas, e  povos, como foi com Israel. Em casos assim, a derrota funciona como combustível para as conquistas futuras. Creia nisto, mas antes, mude sua perspectiva, torne-se um vencedor, uma vencedora... mude sua visão, mude seu olhar! Não mais a ênfase na limitação e na impossibilidade, mas na oportunidade de superar e transpor obstáculos, transformando crises em oportunidades de vitória. (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 28/11/2010).

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A VOZ DO POVO NÃO É A VOZ DE DEUS...!

Com base em 1 Sm 8.1-22 pretendo enfocar os aspectos que diferenciam a voz do povo da voz de Deus, ou seja, até que ponto a vontade de Deus é expressa na forma de agir de um povo que por Ele clama e que se diz ser Seu! Preliminarmente, é importante destacar que 1 Samuel cobre um período de cerca de 140 anos, iniciando com o nascimento de Samuel, em torno de 1150 a.C e terminando com a morte de Saul, em torno de 1010 a.C. Ao examinarmos o cenário antecedente deste livro  e de seu conteúdo vemos que: Israel fora governado por juízes que Deus levantou em momentos cruciais da sua história; no entanto, Israel havia se degenerado moral e politicamente. Estivera sob investidas violentas e impiedosas dos filisteus. O templo de Siló fora profanado e o sacerdócio se mostrara corrupto e imoral. Em meio a essa confusão política e religiosa surge Samuel, o filho de Ana. O menino cresce, assume o lugar do profeta Eli e passa a gozar de imenso prestígio entre o povo, porém seus filhos não continuaram bem seu ofício, pois não eram reflexos do seu caráter piedoso. O povo não tinha confiança nos seus filhos como juízes; e, então, sucedeu que à medida que Samuel envelhecia, pressionavam-no para que lhes desse um rei. O Senhor não queria isso para Seu povo. O profeta Samuel relutou, mas, finalmente, como era vontade dos homens, acaba cedendo e unge Saul como primeiro rei de Israel. Mas o futuro logo revelou quão desastrada fora a medida. A impaciência de Saul fez com que exercesse funções sacerdotais, em vez de esperar por Samuel. Depois de desprezar os mandamentos de Deus, foi rejeitado pelo Senhor. E o Espírito Santo dele se afastou. Depois dessa rejeição, Saul tornou-se uma figura trágica, consumida por ciúme e medo, perdendo gradualmente a sua sanidade. Gastou seus últimos anos em uma incansável perseguição a Davi através das regiões montanhosas e desérticas do seu reino, em um desesperado esforço para eliminá-lo. Davi, no entanto, encontrou um aliado em Jônatas, filho de Saul. Ele advertiu Davi sobre os planos do seu pai para matá-lo. Finalmente, depois que Saul e Jônatas são mortos em batalha, o cenário está pronto para que Davi se torne o segundo rei de Israel. Já 2 Samuel trata da ascensão de Davi ao trono e dos quarenta anos do seu reinado. O livro está focado na pessoa de Davi. Começa com a morte de Saul e Jônatas na batalha do monte Gilboa. Davi é, então, ungido rei sobre Judá, sua própria tribo. Há um jogo de poder pela casa de Saul entre Isbosete, filho de Saul e Abner comandante-chefe dos exércitos de Saul. Embora a rebelião tenha sido sufocada, esse relato sumário descreve os sete anos e meio anteriores à unificação do reino por Davi. Davi unifica tanto a vida religiosa quanto política da nação ao trazer a arca do Testemunho da casa de Abinadabe, onde havia estado deste que fora recuperada dos filisteus. Davi derrota com sucesso os inimigos de Israel, e inicia-se um período de estabilidade e prosperidade. Tristemente, porém, sua vulnerabilidade e fraqueza o leva ao pecado com Bate-Seba e ao assassinato de Urias, esposo dela. Apesar do arrependimento de Davi, depois de confrontado pelo profeta Natã, as conseqüências da sua ação são declaradas: “Agora, pois, não se apartará a espada jamais de tua casa” (12.10). Absalão, filho de Davi, depois de uma longa separação de seu pai, instiga uma rebelião contra o rei, e Davi foge de Jerusalém. A rebelião termina quando Absalão, pendurado em uma árvore pelos cabelos, é morto por Joabe. Há uma desavença entre Israel e Judá a respeito da volta do rei a Jerusalém. Um rebelde chamado Seba instiga Israel a abandonar Davi e a voltar para casa. Embora Davi tome uma série de decisões desafortunadas e pouco sábias, a rebelião é sufocada, e Davi é mais uma vez estabelecido em Jerusalém. E a história prossegue e está descrita tanto em 1 e 2 Reis quanto em 1 e 2 Crônicas. E aí se conhece a história da divisão do Reino, após a morte de Salomão. De como tanto o Reino de Israel assim como Judá estiveram em processos de avanço e recuo moral e religioso, de como se deu o fim de Israel, levado cativo pelos assírios e como ocorreu o fim de Judá, levado cativo pelos babilônicos. E o tempo dos reis, finalmente, termina em 586 a.C, com a queda de Jerusalém. Considerando que o início do reinado de Saul se deu em 1040 a.C, conclui-se que a monarquia durou, aproximadamente, 454 anos, mas, certamente, poderia ter durado até os dias atuais. Isso em relação ao Reino de Judá, mas quanto ao Reino de Israel, posto que a queda de Samaria se deu em 721, a monarquia ali durou, apenas, 319 anos, portanto, 135 anos a menos que o Reino de Judá.
A questão que se coloca está centrada em 1 Sm 8.1-22 quando os hebreus pedem ao profeta Samuel por um rei.
Então, qual a voz e a vontade dos homens? Um rei que lhes governassem, como os povos vizinhos.
E qual a voz e a vontade de Deus, inclusive preliminarmente manifesta por Seu profeta Samuel? (v.6): “Porém esta palavra não agradou a Samuel, quando disseram: Dá-nos um rei, para que nos governe.”
O que fez o profeta? Consultou o Senhor (v.6c): “Então, Samuel orou ao Senhor”.
E o que disse o Senhor à Samuel? (v.7 - 9):” Atende a voz do povo em tudo quanto te diz, pois não te rejeitou a ti, mas a Mim, para Eu não reinar sobre ele. Segundo todas as obras que fez desde o dia que o tirei do Egito até hoje, pois a mim me deixou e a outros deuses serviu, assim como o faz a ti. Agora, pois, atende à tua voz, porém adverte-o solenemente e explica-lhe qual será o direito do rei que houver de reinar sobre ele”.
Ou seja, minha interpretação do texto bíblico: este é o desejo do povo, não é o Meu (diz o Senhor), mas se o povo assim quer, que assim seja; mas antes, adverte-o sobre os males da monarquia, quem sabe o povo mude de idéia!
E aí passa Samuel a descrever ao povo reunido o que um rei, geralmente, faz a seu povo (v.11 a 17):
1) toma os filhos e emprega no serviço de seus carros, como cavaleiros; toma a outros, como lavradores do campo, a outros, para fabricarem armas de guerra, a outros, como perfumistas, cozinheiros e padeiros;
2) toma o melhor das lavouras e das vinhas, dos olivais e dá aos seus servidores; de igual modo as sementeiras e as vinhas para dar aos seus oficiais e aos seus servidores;
3) requisita os servos e servas, e o melhor dos jovens, para seu trabalho; de igual modo, toma o rebanho e todos serão seus servos.
E o mais grave, ainda, falou o profeta, em nome do Senhor, ao povo (v.18): “Então, naquele dia, (o dia mau) clamareis por causa do vosso rei que houverdes escolhido; mas o Senhor não vos ouvirá naquele dia”.
Mesmo assim, com toda a força da argumentação contrária à instituição da monarquia, o povo não cedeu e insistiu:
(v.19b): “NÃO! Mas teremos um rei sobre nós”.
E o que fez o profeta? Falou ao Senhor as palavras do povo. E o Senhor simplesmente disse:
(v.22b): “Atende a sua voz e estabelece-lhe um rei”.  Novamente insisto na interpretação do texto bíblico: esta não é Minha vontade (diz o Senhor), mas o povo quer; Eu concedo, Eu permito que aconteça, faça-se, então, sua vontade e que ele (o povo) suporte as consequências!
Sabemos que a vontade de Deus se cumpre sempre. Sabemos, igualmente, que o homem é dotado de inteligência e vontade própria. Assim, tanto o homem tem vontade, quanto Deus tem vontade. Isso soa como óbvio, mas me interessa ser didático para elucidar bem a questão. Deus é sempre presente (onipresente), é sempre sabedor e conhecedor de todas as coisas (onisciente), nada acontece que não seja de Sua vontade.
Mas a vontade de Deus adquire duplo contorno em Suas atitudes, tanto pode ser concessiva, permissível, quanto volitiva. O que isso significa?
Inicialmente, permitam-me esclarecer: este é um assunto teológico polêmico, em que muitos não aceitam o que vou escrever a seguir, mas continuo sustentando isso. E o que afirmo?
Que não somos (nós os seres humanos) robôs ou marionetes, mas que temos vontade própria, e que Deus reconhece e valida isso. Afinal, Ele quis assim. Foi desejo e vontade dEle que o homem, feito à Sua imagem e semelhança, se posicionasse através de suas escolhas. Ele, o Senhor, estabeleceu parâmetros e paradigmas que se encontram revelados e dispostos em Sua Palavra, a Bíblia Sagrada. Se o homem estiver apto a viver e conviver segundo seus mandamentos e princípios, deve escolher uma vida de retidão e temor a Deus, mediante os muitos exemplos de homens e mulheres da Bíblia, que se deixaram conduzir pelas Suas instruções, reveladas aos profetas e pelo ensino do Filho amado Jesus Cristo.
A vontade de Deus se expressa em ações concessivas e permissíveis quando se materializa em situações em que o homem faz sua escolha, comunica ou não a Ele, e não espera por Sua resposta, simplesmente vai e faz. Como o Senhor a tudo vê, de tudo sabe e percebe, e como nada acontece sem que Ele deixe acontecer, tudo simplesmente acontece; não é expressamente Sua vontade, é a do homem; mas Ele permite acontecer, Ele concede, simplesmente, e nada faz para impedir. Poderia, se quisesse, agir e impedir a ação do homem, mas não faz; o homem é livre, tanto para tomar decisões quanto a tê-Lo, quanto a não tê-Lo. E Ele, o Senhor, respeita isso. É parte do conjunto de Seus princípios; caso contrário, nada teria sentido e teologicamente, teríamos que afirmar que o mal é causado por Deus que é mau, mas ao contrário, Ele é Amor (1 Jo 4.8b). Então a verdade é que do Senhor somente provêm coisas e ações boas, nunca ruins ou más; mas este já não é o caso do homem!
A vontade de Deus se expressa em atitudes volitivas quando é a Sua verdadeira manifestação divina. É a expressão de Sua magna vontade. Acontece quando pessoalmente Ele interfere nas ações, fatos e processos. É o agir de Deus, por Sua graça, livremente, que acontece quando Ele lança o olhar sobre algo ou sobre alguém. Ou, então, acontece quando o Senhor ouve e atende a oração de alguém que pede por Sua ação e pelo Seu agir, cumprindo-se a Sua vontade. Não sem razão Jesus veio ao mundo com uma missão: fazer a vontade de Deus (Hb 10.7,9). E nós... será que temos feito a vontade de Deus? Jesus espera que façamos, ou melhor, que deixemos Deus fazer Sua vontade nas nossas vidas. Mas isso parece ser tarefa muito difícil e, embora afirmemos que desejamos que a vontade de Deus seja feita (Mt 6.10), quase sempre, ao final, prevalece a nossa. Muitos são os que, geralmente, até querem fazer a vontade de Deus, mas reconhecem ser tarefa difícil, e aí desistem e fazem segundo sua própria vontade.
A verdade é que os cristãos precisam seguir o conselho do apóstolo Pedro: "Para que no tempo que nos resta na carne, não vivais mais segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus" (1 Pe 4.2). Ou seja, enquanto vivos, aqui na terra, procuremos não seguir nossa própria voz, impulsos ou desejos, mas a voz e a vontade de Deus; pois, tanto o mundo, como as pessoas que fazem a vontade do mundo, passam, mas quem faz a vontade de Deus, permanece para sempre! (1 Jo 2.17). (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 21/11/2010).

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

COMO E QUANDO O SENHOR OPERA A MULTIPLICAÇÃO...!

Nossa reflexão de hoje está fundamentada no mui conhecido episódio, presente nos quatro Evangelhos, que descreve a multiplicação feita por Jesus e que alimentou uma grande multidão,constituída por cinco mil homens, a partir de 5 pães e 2 peixes. Iremos nos deter na descrição de Mc 6.31-44. Sabe-se que o homem é um ser que se revela na integralidade de três dimensões. Há a dimensão físico-corporal (que se destaca pelas necessidades econômicas de alimentação, vestuário, habitação, etc.). Há a dimensão da alma (que se destaca pelas necessidades mentais de pensar, refletir, situar-se, tomar decisões, etc.) e há a dimensão do espírito (que se destaca pela necessidade de buscar a Deus, ouvir Sua Palavra e alimentar-se de Seus ensinamentos). A Bíblia está impregnada pela presença do Senhor e de Seu propósito para edificação do ser humano integral, portanto, tanto temos mensagens que expressam a vontade de Deus para suprir não somente o homem em sua dimensão espiritual, como se poderia supor, à primeira vista, mas o ser humano em toda sua complexa e integral dimensão, compreendendo a satisfação dos três níveis.
Desejo refletir hoje sobre um especial momento em que Jesus se revela muito preocupado com a dimensão física dos seus seguidores. A cena é a seguinte:  Jesus estava junto de grande multidão. Ele estava em Sua missão conforme declarou em Lc 4. 18,19 (que reproduz Is 61.1,2):
“O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me enviou para:
- evangelizar os pobres;
- proclamar libertação aos cativos,
- restauração da vista aos cegos,
- por em liberdade os oprimidos,
- apregoar o ano aceitável do Senhor”.
A ação empreendida pelo Senhor embora pareça, à primeira vista, apenas atender à dimensão espiritual do ser humano – como muitos advogam ser este o papel da Igreja de Cristo - situa-se na afirmação da integralidade do homem e da mulher.
Assim, Jesus mostrou preocupação e conduziu Seu ministério para atender as necessidades da alma e do espírito do homem, posto que Ele evangelizou, expulsou demônios, ressuscitou, deu vista aos cegos, pôs em liberdade os oprimidos, mas de igual forma, atentou para as necessidades de um povo faminto, pois alimentou, de forma miraculosa, a uma grande multidão, assim como nos relata o Evangelho, no milagre da multiplicação dos pães e peixes.
Saibamos, portanto, que Jesus se preocupa e atende ao homem por inteiro, em corpo, alma e espírito. Mas esta reflexão pretende compreender as condições em que o milagre da multiplicação de pães e peixes aconteceu e o que podemos aprender disso para aplicação atual em nossas vidas.
É CERTO QUE É JESUS QUEM FAZ A MULTIPLICAÇÃO, MAS O MILAGRE SOMENTE É POSSÍVEL NA VIDA DE QUEM APRENDE A DIMINUIR, A SOMAR E A DIVIDIR:
Vejamos, por partes, como tudo aconteceu:
As cenas anteriores estão descritas nos versículos 31-34, pois sabemos que após voltarem da missão confiada pelo Senhor (v. 7-13) que os enviara de dois em dois, os apóstolos foram a Jesus (v.30) e relataram tudo o que haviam feito e ensinado; como todos estavam cansados, Jesus os convida para irem com Ele repousar em lugar deserto (v. 31, 32) e tomam um barco, indo para um lugar deserto. Mas eis que muitos os viram partir (v. 33) e correram para lá, a pé, vindo de todas as cidades e chegaram antes deles. O v. 34 marca o coração compassivo de Jesus, pois ao ver a multidão, enche-se de misericórdia, vendo-os como "ovelhas que não têm pastor", e passa-lhes a ensinar muitas coisas. Este é o cenário que antecede ao momento que nos interessa mais para a análise desta reflexão. O cenário seguinte foi este: a  multidão era muito grande, a tarde se ia findando, a noite se aproximava, a região era deserta e o povo parecia cansado e faminto. Então, delineava-se um problema, e agora, o que fazer?
1) v. 35,36: Ao identificar o problema da grande multidão que ouvia a Cristo, os discípulos pareceram mostrar preocupação e interesse, pois foram até o Mestre. Mas a análise mais aprofundada revela que não. Ao contrário, demonstraram indiferença e hipocrisia. Ali era uma região deserta, a noite já se aproximava, a solução seria despedir a multidão para que, cada um desse seu jeito? Mas onde aquela quantidade de pessoas iria comprar algo para se alimentar? Os discípulos sabiam disso, então, a aparente preocupação revelava ter identificado o problema do outro, mas fazer o quê? Eles têm problema, mas não há muito o que fazer por eles! Ocorre que não  é isto que nos ensina o Senhor! Aprendemos, então, com Jesus que é preciso DIMINUIR a indiferença, a hipocrisia e o egoísmo, até que sejam estes extirpados do coração e da atitude de um verdadeiro discípulo. Somente diminuindo o Eu, pode-se ver e sentir a necessidade do Outro!
2) v. 37: Por isso que Jesus percebendo tudo respondeu-lhes: "Daí-lhes de comer”. Ou seja, ei vocês, aprendam a somar com os outros, importem-se com eles! Aprendemos, então, com Jesus que é preciso SOMAR responsabilidade e assumir que o problema do outro, também é problema meu.
3) v. 38: Questionaram os discípulos quanto a como comprar pães ali onde não havia nada. Mas Jesus lhes pergunta sobre quantos pães eles tinham, ou seja, o que vocês têm que possa ser partilhado? Vejam e voltem aqui comigo, é o que Ele lhes fala. Eles saem e voltam depois com 5 pães e 2 peixinhos (em Jo 6.9 ficamos sabendo na narrativa do mesmo episódio que eram de um menino que ali estava). Aprendemos, então, com Jesus, que é preciso estar disposto a DIVIDIR o que se tem.
Antes de ver o milagre da multiplicação em nossa vida, devemos estar dispostos a fazer o mesmo, estando propensos a colocar todos os recursos nas mãos do Senhor e deixá-Lo dividir à vontade.
4) v. 39-44: Quando o homem aprende a DIMINUIR seu egoísmo e sua indiferença para com a necessidade do outro, quando aprende a SOMAR esforços e responsabilidade para ajudar o outro, quando aprende a DIVIDIR o que possui, colocando tudo o que dispõe ao alcance do Senhor, aí Ele realiza o milagre e faz a MULTIPLICAÇÃO.
Na lógica das relações sociais e econômicas capitalistas que atende aos anseios do consumismo exacerbado e ao culto do individualismo, onde predomina a competição egoísta e acirrada, não fazem sentido a partilha, a cooperação,o compartilhamento e a solidariedade tão presentes no ministério de Jesus. Os recursos levados a Jesus eram por si mesmos insuficientes até para os discípulos, então por que levá-los a Ele? Aí é que está a diferença: nas mãos do Senhor, meus poucos e insuficientes recursos se multiplicam, como ocorreu com os 5 pães e os 2 peixinhos, posto que foram multiplicados e todos comeram e se fartaram (cinco mil homens, não incluindo as mulheres e crianças, o que pode ter dobrado a quantidade de saciados), sobrando, ainda, 12 cestos com restos de comida.
Em síntese aprendamos:
Quem deseja bençãos multiplicadas sobre sua vida, DEVE
DIMINUIR a indiferença e o egoísmo para com o outro, SOMAR responsabilidade (o problema do outro é problema meu, também), DIVIDIR os recursos (seu tempo, seus bens e seus talentos), mesmo que sejam poucos.
Proceda dessa forma, aja mais com fé e a MULTIPLICAÇÃO será uma constante em sua vida! (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 14/11/2010).

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ORAÇÃO OUVIDA E ATENDIDA PELO SENHOR.

Lc 11.1-13; 18.1-8 nos apresentam dois momentos no ministério de Jesus que se complementam e muito nos ensinam sobre a oração e sua eficácia. Deus ouve a oração, sempre. Mas é preciso saber pedir. Certamente por esta razão um discípulo pede a Jesus que ensine a orar corretamente, e o Senhor ensina. Esta oração está bem resumida em Lucas: “ Pai, santificado seja o teu nome, venha o teu reino; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo o que nos deve; e não nos deixe cair em tentação”. Nesta oração estão contidos alguns pontos que precisamos destacar:
1) o reconhecimento da santidade do nome do Senhor e o desejo de que venha o Seu Reino sobre nós;
2) o pão (alimento) que necessitamos diariamente, Ele nos dá;
3) a disposição que devemos ter de pedir perdão por nossos pecados, pois, também, perdoamos a todos os que nos devem, em ofensas ou dívidas quaisquer;
4) o reconhecimento de que podemos cair em tentação, logo, precisamos da ajuda do Senhor para que não cedamos à tentação.
Após ter ensinado a forma certa de orar a Deus, Jesus ilustra com a parábola do amigo importuno (Lc 11.5-8) em que pela insistência, um amigo obtém do outro, o que pedia, embora a hora fosse inconveniente e inapropriada.
De igual forma, em Lc 18.1-8, Jesus narra uma segunda parábola, a do juiz iníquo em que pela insistência, uma viúva obtém de um juiz perverso, malévolo, iníquo, uma sentença favorável a sua causa.
Tanto no final da primeira parábola (11. 9-13), quanto da segunda parábola (18. 6-8) há explicações sobre como a perseverança e a insistência na oração surte seus efeitos:
I – Requisitos para alcançar resposta da oração
- É preciso PEDIR. Somente quem pede é atendido.
- É preciso BUSCAR. Somente quem busca, achará.
- É preciso BATER. Somente para quem bate, a porta será aberta.
Deus não responde a atitudes passivas, mas às ativas. O homem e a mulher devem se dispor em ação,  com fé. Para tanto, cumpre-nos pedir ao Senhor, buscar o socorro do Senhor e bater à porta do Senhor, clamando por justiça, misericórdia e ajuda.
Jesus aqui afirma que se nós, mesmo sendo maus, concedemos boas dádivas a nossos filhos, quanto mais o Pai celestial, dará o Espírito Santo àqueles que lhe pedirem.
II – Pontos para se destacar, nas duas parábolas quanto a alcançar resposta de oração
Os homens se acomodam em seus egoísmos e, muitas vezes, não estão dispostos a ajudar ao outro:
na primeira parábola: somente por insistência o homem que necessitava de pão para servir a um amigo que havia chegado à sua casa por volta da meia noite, teve seu pedido atendido;
na segunda parábola: somente por insistência a viúva que necessitava da sentença do juiz perverso teve seu pedido atendido.
Se o egoísta acomodado em sua casa, por insistência, foi capaz de atender ao amigo,
Se o juiz perverso, por insistência, foi capaz de atender ao clamor da mulher,
MUITO MAIS fará Deus, que é amor, por justiça aos seus escolhidos, que a Ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los.
Mas, depois de tudo, sobressai como alerta a perseverança na fé, pois Jesus lança a pergunta final:
Quando vier o Filho do homem, achará, por acaso, fé na terra?
Ou seja, quando Ele, o Senhor, voltar, achará alguém com suficiente fé, para ser encontrado orando, insistentemente orando?
Portanto, aprendamos com Jesus que importa orar e continuar orando, mesmo que sejamos tidos como inconvenientes e insistentes. Importa orar? Então, ore. Persevere na oração. Creia. Persevere na fé e você obterá resposta a sua oração (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 07/11/2010).

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

AS PROVAÇÕES DE CADA DIA E O ÂNIMO PARA CONTINUAR NA LUTA!

Os textos que motivam esta reflexão são Juízes 2.10-3.1-6 e Romanos 12.1-3. Quando cremos que somos filhos de Deus e que a salvação se dá inteiramente pela graça, o favor imerecido, em alguns, surge certo conformismo espiritual, como se Deus, por Sua Soberana vontade, impedisse simplesmente qualquer possibilidade de problema, doenças ou situações adversas em nossa vida! Quanto engano! Em muitos há até certo conformismo espiritual quando optam por cruzar os braços, e passivamente esperam o tempo passar. É verdade que tudo ocorre segundo a vontade de Deus, mas é errado nos submetermos passivamente à aflição como sendo a vontade de Deus, posto que Ele é soberano e poderia nos ter prevenido dela. Isto é verdade, mas a Palavra de Deus afirma que devemos reagir, de forma correta às situações que nos são apresentadas.
Tão grave quando deixar-se levar pelo conformismo espiritual é aderir à algumas práticas, igualmente corriqueiras, nestes tempos de pós-modernidade, como a murmuração e a teologia da prosperidade. Muitos são os que não resistem às situações adversas e, simplesmente, murmuram, criticam Deus e se queixam dEle. Outros tantos, adotam a confissão positiva e os ensinos tortuosos da teologia da prosperidade e, simplesmente, negam qualquer possibilidade de as situações adversas existirem, pois são mais que vencedores, em Cristo; não há, então, lutas que não conduzam à vitória, assim como não há enfermidades ou obstáculos, pois o Senhor se encarrega de retirá-los do caminho do cristão. Há o texto de Juízes, conforme a citação, que descaracteriza tal assertiva, posto que o Senhor irado com Seu desobediente povo toma uma atitude que bem demonstra a forma como Ele prova a cada um de nós. No texto bíblico vemos que o Senhor afirma que manteve os povos estrangeiros na terra prometida para que os filhos de Israel aprendessem a guerrear. Da mesma forma acontece conosco, depois de certo tempo, acomodamo-nos e deixamos de estar vigilantes, baixamos a guarda contra as astutas ciladas do inimigo que está entre nós com um grande e estarrecedor propósito, posto que veio para “matar, roubar e destruir” nossa vida (Jo 10.10); a questão ampla é que tanto os que vem para matar, roubar e destruir, quantos os lobos, procedem dos ardis de Satanás em afastar os homens da comunhão com Deus. Deus quer que Seus filhos se comportem de forma ativa, não passivamente, que aprendam a lutar, que sejam mais altivos, porém dependentes dEle. O que aprendemos é que é preciso resistir e enfrentar as adversidades e lutar! Diante dos problemas e impasses, não há outra atitude a tomar, é necessário enfrentá-los. É preciso não desistir. É importante oferecer-se à Deus em um culto racional (não fique só na emoção, fé e razão andam juntas e se completam!) como ensina Rm 12.1,2, não se permita a acomodação aos padrões deste mundo, mas seja transformado pela renovação da mente e aí, certamente, será capaz de experimentar e comprovar a boa, a agradável e a perfeita vontade de Deus. E mais alerta Paulo, que “ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas, ao contrário, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida de fé que Deus lhe confiou” (Rm 12.3). Portanto, não se esqueça: é preciso lutar. É preciso estar vigilante, sempre. É preciso não se deixar amoldar-se. É preciso resistir e não se acomodar. Lutar é preciso, sempre. Quando não for hora para lutar, o Senhor nos alertará, conforme afirma Sl 46.10 (NVI): “Parem de lutar! Saibam que Eu sou Deus! Serei exaltado entre as nações, serei exaltado na terra”. Finalmente, crendo na absoluta soberania de Deus, não se submeta às situações adversas que são impostas, inclusive como prova, pelo Senhor, ao contrário, reaja a essas situações com orações e súplicas, segundo a vontade revelada em Sua Palavra, até que a paz que excede todo o entendimento guarde sua mente e seus sentimentos em Cristo. E não se esqueça: quando em batalha, não reclame de Deus aos outros, mas reclame com Deus em oração. Não se queixe de Deus, queixe-se à Deus! E a despeito das provações de cada dia, não desista, anime-se e prossiga, pois é importante continuar na luta; a seu tempo, o socorro do Senhor virá e a vitória, também!(Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 31/10/2010).

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

FORTALECIDO NO SENHOR, TUDO POSSO!

Na carta aos fiéis de Filipos, o apóstolo Paulo dá testemunho de um sentimento de alegria e de gratidão, posto que os filipenses haviam-no socorrido em momentos difíceis para ele. Há de se destacar na carta, também, uma enérgica advertência à presença de muitos que eram inimigos da cruz de Cristo (3.18), indicando que haviam chegado alguns mestres judaizantes à Macedônia que, com sua insistência em manter vigente a lei mosaica e em especial a prática da circuncisão, perturbavam a fé dos cristãos de origem gentílica. A carta expõe, também, a afirmação de que a alegria da salvação deve ser uma constante na vida do cristão (4.4) e que este deve confiar plenamente no Senhor, que está perto (4.5) e pensar e agir de maneira sempre digna de louvor (4.8). Mas o destaque maior que merece nossa atenção para a reflexão de hoje é a afirmação contida em 4.13 “tudo posso naquele que me fortalece”, tão conhecida no meio evangélico, a ponto de fazer parte de orações – quase obrigatoriamente – no meio das tribulações do dia-a-dia. A impressão que tenho é a de que no meio de um problema, de uma questão muito difícil, afirma-se, recorrendo a este versículo como se – em si mesmo – tivesse “força e poder” para, em nome de Jesus, resolver todas as dificuldades, pois a Palavra de Deus afirma que “Eu posso fazer todas as coisas", esquecendo-se até da segunda parte do versículo" naquele que me fortalece”. Será isso mesmo? Será que funciona desse jeito? É esta a visão de Paulo, á luz da epístola e das Sagradas Escrituras é este o entendimento? Sou eu, então, um “super-crente”? Eu tudo posso; todas as coisas eu posso fazer? A resposta a esta pergunta pode ser obtida em muitas partes da Bíblia. Mas a própria carta aos filipenses já expõe a questão de forma bem lógica e se seguirmos a linha de raciocínio de Paulo obteremos diversos ensinamentos para justificar a afirmação de 4.13. Vejamos por etapas, analisando alguns versículos anteriores, a partir do primeiro capítulo da carta:
Inicialmente, o versículo faz mais sentido teológico quando ressaltamos assim: “tudo posso NAQUELE QUE ME FORTALECE”. A ênfase que o apóstolo está dando é no fortalecimento que possui quem está no Senhor e que em decorrência disso pode suportar todas as coisas. Então, surgem duas perguntas.
1) QUEM É QUE ESTÁ FORTALECIDO NO SENHOR?
-    QUEM tem o amor aumentado, cada vez mais, em conhecimento e em toda a percepção para discernir o que é melhor e que, em decorrência disso, torna-se puro e irrepreensível até o dia do Senhor (a vinda do Cristo) (1.9,10)
-    QUEM está cheio do fruto da justiça (age com lisura, honradez e justiça), fruto este que vem por meio de Jesus Cristo para glória e louvor de Deus (1.11).
-    QUEM exerce sua cidadania (vive) de maneira digna do evangelho de Cristo, permanecendo firme, em um só espírito, lutando unanimemente (com outros irmãos) pela fé evangélica, não se intimidando por aqueles que se opõem a eles (1.27,28).
-    QUEM nada faz por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considera os outros superiores a si mesmo. Cada um cuidando não somente de seus interesses, mas também dos outros, que assim seja tal qual Cristo que, embora seja Deus não se considerou igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tornando-se servo, humilhando-se e sendo obediente até a morte (2.3-8).
-   QUEM tudo faz sem queixas nem discussão para que se torne puro e irrepreensível, filho de Deus, inculpável diante de uma geração corrompida e depravada, na qual brilhe como estrela do universo, retendo firmemente a palavra da vida (2.14-16).
-    QUEM está alegre, apesar das circunstâncias (2.18).
-   QUEM prossegue para o alvo, esquecendo das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus (3.12-14).
-    QUEM é amável para com todos (4.5).
-    QUEM aprendeu a não andar ansioso por coisa alguma, antes, em tudo, com orações e súplicas, pede ao Senhor por auxílio e aguarda no Senhor ( 4.6).
-    QUEM aprendeu a ter paz, não uma paz qualquer, mas uma paz que excede todo o entendimento humano, a paz que guarda o coração e a mente em Cristo Jesus (4.7).
-    QUEM pensa e põe em prática tudo o que é verdadeiro, o que é nobre, o que é correto, o que é puro, o que é amável, o que é de boa fama, o que é excelente ou digno de louvor ( 4.8,9).
-   QUEM aprendeu a ser generoso, a ser solidário com o dilema e a necessidade do outro (4.10).
-  QUEM aprendeu a se adaptar a toda e qualquer circunstância, tanto a passar necessidade, quanto a ter fartura (4.11).
-   QUEM aprendeu o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito ou passando necessidade, (4.12).
ENTÃO,
Tendo aprendido a viver desta forma, posso formular e responder à outra pergunta que, naturalmente, surge:
2) ESTANDO FORTALECIDO NO SENHOR, PODE-SE TER OU FAZER TODAS AS COISAS?
É este o entendimento? Não, verdadeiramente, não!!
A questão proposta por Paulo tem outro significado.
A conclusão a que se chega após os pontos da carta que analisamos é esta:
QUEM tudo pode (ter ou não ter) terá ou não terá, porque aprendeu que o Senhor o fortalece, e nEle pode suportar tanto o peso da FARTURA (e não se deixar sucumbir pela vanglória, prepotência, arrogância ou egoísmo), quanto o peso da FALTA (e não se deixar sucumbir pela murmuração, depressão ou ingratidão).
Em situação crítica e de bombardeios de todos os lados, eu suporto e não vou sucumbir e não me deixarei vencer pelas forças contrárias.
Em situação de bonança e de prosperidade, eu suporto e não vou me desviar do Caminho do Senhor, pois tenho me fortalecido nEle e nada me afastará dEle.
Nele posso – tanto ter – quanto não ter. Eu posso – todas as coisas – posto que sei agir de forma a bendizer o Seu santo e maravilhoso nome.
Eu TENHO, que maravilha, obrigado, Senhor!
Eu NÃO TENHO. Então, vou esperar; mas enquanto isso, obrigado, Senhor!
TUDO POSSO!... Tanto posso ter como posso não ter! A tudo posso suportar. Tanto suporto ter, quanto suporto não ter!
Esta é a mensagem maravilhosa de superação e renovação de ânimo que Paulo levou àqueles fiéis filipenses e que é sempre atual, não obstante seja preciso ter clareza de seu verdadeiro sentido e propósito; minha expectativa é que possa ter contribuído, modestamente, para tanto!(Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 17/10/2010).

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

EXISTÊNCIA HUMANA: FAZENDO DISTINÇÃO ENTRE OS SINAIS DE VIDA E DE MORTE!

Os textos básicos motivadores de nossa reflexão são Ef 2.1-10 e Jo 11.31-44. Os dois textos se completam. Em um, temos o apóstolo Paulo esclarecendo sobre o processo que conduz o homem do estado de pecador – espiritualmente morto – para a condição de salvo - espiritualmente vivo - pela Graça de Deus. Em outro, temos o momento da morte física de Lázaro, dos sonhos que se desfizeram, da esperança que havia morrido, mas Jesus se faz presente e ressuscita-o, após ter afirmado que “ Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crer em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá eternamente.Crês isto?” (Jo 11.25,26). Pode-se assegurar que, em um sentido amplo e de forma geral, os homens estão mortos. Física e materialmente falando, muitos podem até estarem em boa situação financeira, com saúde e apresentando sinais de prosperidade material, família em situação estável, negócio bem sucedido; estão vivos para as coisas do mundo, mas estão mortos. Suas vidas, embora se apresentem como vitoriosas, não fazem muito sentido para eles mesmos. Existem em cada um deles um imenso vazio não preenchido pelo sucesso profissional ou pessoal, pelo dinheiro, por bens e outros prazeres mundanos. Tudo lhes parece muito bom, mas lhes falta satisfação interior. Há vida exteriormente, mas há morte em seu íntimo, no mais secreto de seu ser.
I – PARA ENTENDER A MORTE, É PRECISO DISTINGUIR OS TRÊS NÍVEIS DE VIDA HUMANA.
Primeiro nível: a vida física
Aí estão os sentidos, os sistemas corpóreos que se manifestam na vida e existência do homem e da mulher. É o físico que materializa o nosso interior. É com o físico que a simpatia é demonstrada mediante o sorriso. É com o físico que a solidariedade é vista através de ações sociais e comunitárias; é por esse nível que a beleza é contemplada e admirada. No caso de Lázaro, fisicamente ele estava morto, seu físico estava apodrecendo; não mais havia vida física.
Segundo nível: a vida da alma
Aí está o centro dos sentimentos, desejos e vontades. É com a alma que sentimos e experimentamos o prazer, a emoção, o apetite, a vontade de fazer ou deixar de fazer algo. No caso de Lázaro, já não podia experimentar nada disto, pois estava morto.
Terceiro nível: a vida espiritual
Aí está a capacidade de contato com Deus em um relacionamento pessoal.
II – PARA ENTENDER A VIDA HUMANA, É PRECISO DISTINGUIR OS DOIS NÍVEIS DE MORTE.
Há a morte física e a morte espiritual. Elas não atuam de forma simultânea, necessariamente. Assim, pessoas podem estar fisicamente vivas e espiritualmente mortas, bem como podem estar espiritualmente vivas e fisicamente mortas.
Tanto a morte física (caso de Lázaro) quanto a morte espiritual são evidenciadas através de alguns sinais, que podem ser comuns e compartilhados:
1) Mortos não têm apetite
Lázaro não mais podia saborear os pratos preparados por sua irmã Marta, porque estava morto. A pessoa morta espiritualmente, também, não tem apetite de Deus. Não anseia por comunhão, conhecimento da Palavra, oração, por nada disso. Pode até vir à Igreja e participar de algumas atividades, ou seja, pode até ser religioso, mas não tem fome de Deus.
2) Mortos não têm ação
Lázaro estava ali atado, sem ação, morto. Pessoas mortas espiritualmente, também, não têm vida espiritual, não têm testemunho, oração, não compartilham o Evangelho nem com palavras, nem com atitudes, pois estão atadas, amarradas, presas, mortas.
3) Mortos não amam
Marta e Maria amavam Lázaro e estavam ali chorando pelo irmão. Jesus ali estava e por amor chorava por ele, mas Lázaro não podia responder ou fazer coisa alguma, pois estava morto. É isso que acontece com os mortos espirituais:
Eles não respondem ao amor de Deus.
Eles não se importam com o amor que os outros – vivos espiritualmente – manifestam por eles, seja o marido, a mulher, os filhos, os amigos, os irmãos; enfim, os mortos espirituais não conseguem perceber e enxergar o amor, simplesmente não reagem a gestos de amor.
III – AS DIFERENTES NECESSIDADES DOS MORTOS, NOS DOIS NÍVEIS.
Os mortos, em sua dimensão física, não necessitam de nada, exceto terem seus corpos enterrados, por uma questão de saúde pública. Gn 3.19c descreve o fim físico do homem:"...porque tu és pó e ao pó tornarás".
E quanto aos mortos espirituais, de que necessitam?
Eles não precisam de estímulos, nem de humor, conforto ou solidariedade. Lázaro tinha ali tudo isso: a família estava presente, seus amigos também. Ali havia conforto e solidariedade, mas não havia o principal, não havia vida.
O que, então, os mortos espirituais precisam é de vida espiritual, precisam de Jesus Cristo! Ele que é Vida, posto que até quem morre fisicamente, nEle terá vida, a vida eterna. Por isso ali onde havia cheiro de morte, após a intervenção miraculosa de Jesus exalou-se Seu suave e doce perfume, o perfume de Vida. Como fez com Lázaro, Jesus pode fazer com que o morto espiritual venha para fora da sepultura, levante e ganhe vida (Jo 11.37,38). Hoje ainda, agora mesmo, Jesus quer chamar alguém, que está morto ou morrendo espiritualmente, para tirá-lo da situação de comodismo, de mornidão espiritual e dar-lhe vida, fazendo-o experimentar a plenitude de Seu amor. Há um apelo celestial para quem assim estiver: sair da sepultura e experimentar vir para fora, deixar a morte espiritual e vir para a vida.
Saibamos todos que em Ap 3.14-22 Jesus adverte a igreja de Laodicéia severamente: “... Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno, e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca."
Com o Senhor não existe talvez/vou pensar ou mais-ou-menos. Com o Senhor deve ser sim-sim ou não-não. Não existe meio-termo, não existe o morno (espiritualmente morto), mas o quente (espiritualmente vivo/tem parte total com Deus) ou o frio (aquele que não tem parte com Deus). Na dimensão integral do ser humano (corpo, alma e espírito) ser "frio" (descrente, agnóstico ou ateu) é preferível a ser "morno" (conhecedor da verdade, mas que se afastou do Senhor, e que está morrendo espiritualmente). Precisamos tomar cuidado, pois sabemos  que o Senhor rejeita o "morno", que Lhe dá "náuseas", e portanto, o "vomita"! E quanto a você, como está espiritualmente? (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 10/10/2010).

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A LÍNGUA É FOGO...!

A epístola de Tiago foi escrita não para explorar temas doutrinários e teológicos, mas para exortar aos discípulos de Jesus quanto a serem "praticantes da palavra e não somente ouvintes" (1.22). Neste sentido é que Tiago se refere à sinceridade da fé (1.22-25;2.14-16;3.13-18), a resistir às provações com paciência (1.2-4;12-15;5.7-11), a não julgar os demais (2.12,13;4.11,12), a refrear a língua (1.26;3.1-12), a não jurar (5.12) e a perseverar na oração (5.13-18). Detenho-me agora, em particular, em 3.1-12, em que Tiago expõe que dentre as diversas formas de tropeço, a mais grave é o tropeço no falar. Há uma afirmação contundente de que "se alguém não tropeça no falar é perfeito varão, capaz de refrear, também, o corpo" (3.2b). Perceberam o alcance da expressão perfeito varão? Como almejar e alcançar a "perfeição cristã" se não refreamos a língua? O texto evidencia alguns tipos de controles exercidos pelo homem: em animais, o freio (ou cabresto) na boca de um cavalo, um pequeno objeto, mas que serve para frear (dominar, controlar) o animal; em navios, o leme que, embora pequeno, exerce sua função de se deixar dirigir pelo timoneiro; de todas as feras, aves,répteis e seres marinhos que são domados e dominados pelo homem; mas, quando se trata da língua, parece não ter o homem controle sobre tão pequeno membro! E enfatiza o texto sagrado que a língua nenhum homem parece ser capaz de domar; que é mal contido, carregado de veneno mortífero. Quão poder tem a língua: serve para bendizer e serve para amaldiçoar! Dela procedem, igualmente, palavras de bençãos e palavras de maldições! A escolha é sua. Mas Tiago afirma que não deve ser assim! Você é de Deus ou não é de Deus? Não se pode ser de Deus e ter práticas que amaldiçoem! Você não pode ser uma benção e maldizer pessoas! Há uma contradição implícita aí! Como pode jorrar de um mesmo lugar tanto o doce quanto o que é amargoso ? (v.11). Uma figueira somente pode produzir figos, não azeitonas!(v.12). Entenderam a lógica que permeia o texto? Assim precisa ser em nossa vida. As ações de um cristão devem expressar e traduzir sua crença e seus valores. A vida de alguém que professa Jesus Cristo como Senhor e Salvador, sendo Ele a expressão maior do Amor de Deus pela humanidade, não pode deixar de exprimir as características do fruto do Espírito Santo (Gl 5.22: ...! "amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio"). Quem se permite ser guiado pelo Espírito Santo é filho de Deus (Rm 8.14) e quem é filho de Deus sabe frear a língua, pois aprendeu a ser manso e a ter domínio sobre suas atitudes e seu corpo, em especial, sobre a língua, que sabe ser mortal e fogo!(Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 03/10/2010).

sábado, 2 de outubro de 2010

UMA BREVE REFLEXÃO SOBRE AS ELEIÇÕES E A PARTICIPAÇÃO DA IGREJA

Estamos a algumas horas das eleições gerais brasileiras e segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE/2010), 135.804.433 eleitores aptos, incluindo neste total, 200.392 no exterior, irão às urnas e escolherão seis candidatos para ocuparem posições de liderança, tanto nas Assembléias estaduais e na distrital, na Câmara e no Senado, em cada governo estadual e no DF, bem como na Presidência da República. Como cidadão brasileiro voto há 40 anos e exerço meus direitos sempre de forma muito clara e decidida. Leio muito, procuro ver e analisar, a cada dia, as notícias e os informativos sobre economia e política. Como professor universitário e consultor de empresas sou confrontado, diariamente, sobre questões e problemas ligados a essas temáticas. Sei em quem vou votar e procuro analisar cada candidato segundo alguns critérios sobre posturas, história de vida, coerências, valores éticos e morais, capacidade de gestão e sensibilidade de olhar o outro, em especial o excluído e marginalizado, como uma pessoa, não como um objeto. Como pastor e dirigente de Igreja tenho, também, uma posição bem definida. Igreja não vota, não faz aliança política, não se envolve com política partidária, não apóia candidato. Creio ser inadmissível que, em nome da religião, cidadãos livres sofram pressões ideológicas, da mesma forma como não aceito e condeno a prática de os religiosos livres sofrerem pressões ideológicas. Se o estado é laico, entre nós, tornam-se incoerentes a existência de feriados santos, expressões religiosas nas cédulas de dinheiro, espaços e recursos públicos loteados entre segmentos religiosos institucionais. É lamentável e vergonhoso quando assistimos a cenas em que líderes espirituais emprestam sua credibilidade em assuntos de fé, servindo a interesses efêmeros e duvidosos, em termos de postulados ideológicos e valores morais. Votar é prerrogativa do cidadão, não da igreja. Por essa razão não votam os clubes de futebol, as associações de bairros, as instituições civis diversas; mesmo as filantrópicas não votam. Quem vota é o cidadão. Ademais, a Igreja é um espaço democrático, em que todos e todas, a despeito de gênero, raça, classe social e opção política convivem e professam sua fé. Na Igreja estão, lado a lado, homens, mulheres e jovens, não importando o partido político a que estejam, porventura, filiados, se de situação ou de oposição (ou se classificado como de centro, ou direita, ou esquerda; ou ainda, liberal ou progressista); o que importa, é que ali deve haver um espírito de união, de solidariedade e de intensa comunhão, pois são da comunidade de fé. A Igreja que se envolve e se compromete com uma candidatura específica ou faz uma aliança partidária, direta ou indiretamente, rejeita e marginaliza aqueles fiéis que fizeram opções diferentes. Há um agravante histórico, quando religião e política se misturam. A mistura entre religião e política é responsável por terríveis males na história da humanidade. Muitos foram os crimes cometidos pelos religiosos, mas certamente matar em nome de Deus, é o maior deles. E o que deve fazer a Igreja? A Igreja tem um papel e é profético. Devemos elogiar e enaltecermos os feitos do governo que minimizam as dores e as mazelas sociais, as políticas públicas que proporcionem transformações sociais efetivas e conduzam ao desenvolvimento integral do ser humano. Mas quando a autoridade governamental se corrompe e não cumpre seu papel institucional a igreja deve se manifestar e condenar tal prática. A Igreja não deve estar ao lado do governo, ou contra este. A Igreja não é governo, nem oposição a ele. Mas todo cristão é, também, cidadão, logo deve exercer sua cidadania à luz dos valores do Reino de Deus e da ética cristã, envidando seus esforços para, de forma solidária, engajar-se na promoção de movimentos sociais que promovam justiça, paz e bem estar social. Domingo é dia de eleição e comparecer às urnas é um ato imperioso e intransferível de cidadania responsável, principalmente por ser uma oportunidade única de cooperar na construção de uma sociedade brasileira mais livre, economicamente mais igualitária e socialmente mais justa!Que Deus nos abençoe e ilumine quanto a discernir e a decidir; e que, em tudo, cumpra-se Sua vontade!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O JEITO DE SER E VIVER DOS FILHOS DA LUZ.

O texto básico inicial que merece nossa atenção é Ef 4.17-5.21. Para a compreensão maior do texto e de sua análise, é importante destacar que, espiritualmente falando, todos os humanos – não importa o gênero, a crença e etnia – nasceram participantes de uma natureza gerada a partir da semente corruptível de Adão quando nasceram de seus pais. Todos, então, cresceram como gentios, na vaidade de seus pensamentos (v.17), obscurecidos de entendimentos, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem pela dureza de seus corações (v.18), e estes, tendo-se tornado insensíveis entregaram-se à dissolução para, com avidez, cometerem toda a sorte de impureza (v.19). Esta é a condição primeira na trajetória de homens e mulheres que nascem e vivem segundo seus próprios interesses, lógicas e perspectivas de futuro. Predomina o império dos sentidos e da vontade expressa na natureza anterior, posto que todos nasceram na condição de filhos da ira, filhos da desobediência e com uma natureza igual a de Adão (Rm 3.23). Mas em Cristo, crendo nEle, fomos gerados de novo (regeneração) e tornamo-nos participantes da natureza divina, pois somos criados (feitos) por Deus "...em verdadeira justiça e santidade" ( Ef 4.24). Obtivemos vitória sobre o mundo por fazer parte da família de Deus. Se você nasceu, segundo este entendimento, faz parte da família de Deus por ter nascido de novo de uma semente incorruptível, a palavra de Deus. Portanto, quando creu em Cristo, você recebeu poder para ser gerado de novo através da semente incorruptível, e mesmo possuindo ainda a carne e o sangue (matéria), tornou-se homem espiritual (nova natureza). O homem não tem poder sobre a sua natureza, pois ela é determinada quando do seu nascimento (Jr 13.23), por isso o etíope não pode mudar a sua cor, assim como o leopardo as suas manchas, da mesma forma que todos os homens não têm poder sobre a sua natureza pecaminosa. É preciso receber poder para se nascer de novo participante da nova natureza. Quando gerado dos pais, o homem é animal (corpo), terreno e carnal (velha natureza). Quando o homem é gerado de novo da semente incorruptível, ele ainda é animal (corpo de carne e sangue), porém, agora é espiritual e celestial, esperando somente ser revestido de um corpo espiritual (1Co 15.45-49). A Bíblia diz que a sua velha natureza foi crucificada e sepultada com Cristo (Rm 6.6). Você foi "circuncidado" com a "circuncisão" de Cristo, ou seja, você despojou-se de toda carne ao crer em Cristo. A velha natureza herdada em Adão foi desfeita (Cl 2.11). Não é possível nascer de novo enquanto se está vivo para o pecado, ou seja, enquanto o corpo do pecado não é desfeito. É preciso morrer para o pecado através da cruz de Cristo, e só então ressurge uma nova criatura participante da natureza divina (Rm 6.3 -4; Cl 3.1). Antes, tinha uma velha natureza, agora, em Cristo, você tem uma nova natureza. Aquela era inimiga de Deus, mas esta tem parte com Deus. A tendência da velha natureza era conduzir à morte, mas a tendência da nova natureza leva à vida e à paz. Nisto elas se opõem: morte e vida (Rm 8.6 -7).A Bíblia afirma que a carne (velha natureza) opõe-se ao Espírito (Espírito de Deus) (Gl 5.17). A carne pende para a morte, e o Espírito para a vida e a paz (Rm 8.6 -7). Mas se você é nascido de Deus, já crucificou a carne com as suas paixões (Gl 5.24), isto porque não fez a vontade da carne e nem a sua vontade, antes fez a vontade do Espírito  de Deus. Mas o que lhe falta ainda? Você precisa despojar-se (jogar fora) tudo o que pertencia ao velho homem! Mas, o que é pertinente ao velho homem que você deve lançar fora? Os seus feitos (Cl 3. 9). Como filho da luz é preciso transformar-se pela renovação do seu entendimento. O novo homem renova-se no conhecimento, o que permite andar em Espírito, como filhos da luz (Cl 3.10; Ef 4.23; Rm 12.2). Por isso o apóstolo Pedro instrui: crescei na graça e no conhecimento (2 Pe 3.18 )!
Antes nas trevas, mas agora na luz do Senhor! Vejamos o texto sagrado segundo a NVI (Ef 5.8-14): "Porque outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz, pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade; e aprendam a discernir o que é agradável ao Senhor. Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-se à luz. Porque aquilo que eles fazem em oculto, até mencionar é vergonhoso. Mas tudo o que é exposto pela luz, torna-se visível, pois a luz torna visível todas as coisas. Por isso é que foi dito: 'desperta tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo respladecerá sobre ti"
Em síntese, então, o apóstolo Paulo nos ensina, que o homem que é luz no Senhor DEVE andar e viver, segundo o texto principal desta reflexão, evidenciando a todos que:
- está despojado do antigo e do velho jeito de ser, pensar e viver (v.22).
- está renovado no espírito do entendimento (v.23).
- está revestido de um novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade (v. 24).
- deixou a mentira e agora fala a verdade com o seu próximo, porque sabe que “somos membros uns dos outros” (v.25)
- até se ira, mas procura não pecar, não permitindo que o sol se ponha sobre a ira, para não dar lugar à ação do diabo (v.26,27).
- se antes furtava, não furta mais, antes procura trabalhar mais para que fazendo o que é bom, possa ajudar os necessitados (v. 28).
- evita falar palavras torpes, agressivas ou que agridam o outro, mas fala palavras boas e que edifiquem o outro, que transmitam graça aos que as ouvem (v.29).
- evita entristecer o Espírito Santo no qual foi selado, por isso, mantém longe toda a amargura, a cólera, a ira, a gritaria, as blasfêmias, bem como toda a malícia (v.30,31).
- é benigno para com os outros, compassivo, perdoador, imitador de Deus, como filho amado, andando em amor (v.32;5.1-2).
- desprovido está de toda sorte de impureza ou cobiças, sem falatórios, mexericos e conversações tolas e desprovidas de sentido, posto que inconvenientes.
- antes andava nas trevas, mas agora na luz, como filho da luz, não como os néscios (ignorantes, incapazes, estúpidos), mas como os sábios, aprendendo a discernir as coisas espirituais e as não espirituais, agindo prudentemente e não insensatamente, não vivendo em dissolução, mas procurando compreender qual a vontade de Deus, entoando louvores, continuamente, louvores ao Senhor, dando sempre graças por tudo ao Senhor e, sujeitando-se, finalmente, aos outros, em amor e no temor de Cristo (v. 3-21).
E com você, isso aconteceu mesmo? Você nasceu de novo? Fez morrer a essência de uma vida dissoluta e vive agora, eticamente, longe da corrupção, da falsidade e da mentira? Então você é de Deus, é discípulo de Jesus, é filho da luz; despojou-se de sujeiras e  vive agora na alegria da comunhão com o Senhor e de paz com todos! (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 26/09/2010).