quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A IRA, A RAIVA E SUAS CONSEQUENCIAS

Diz a Bíblia: "Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo" (Ef 4. 26,27), Percebe-se aí que a ira, em si, não constitui pecado. A ira de Deus é muito citada no Antigo Testamento. Jesus também se irou: "Olhando-os ao redor, indignado e condoído com a dureza do seu coração..." (Mc 3. 5). É preciso aprender a ser como o Mestre; e ser como Jesus significa desenvolver o tipo certo de ira antes de mesmo tentar eliminar a ira. A raiz da ira precisa ser justa. O Senhor disse a Caim: "Por que andas irado? e por que descaiu o teu semblante?" (Gn 4. 6). O porquê é muito importante. A ira de Caim tinha uma raiz má: inveja. O sacrifício de Abel foi aceito, o dele não. Vejamos outros exemplos: Ele prosperou, eu não. Ou: eles o ouvem, a mim não. Ou, também: ele foi convidado, eu não. Ou, mesmo: Eles o cumprimentam, mas me ignoram. Ainda: Meus sentimentos estão feridos. Ele me expôs na frente dos outros, eu me senti ofendido! Estou magoado, furioso com ele. É assim que sucede com você? Cuidado! A ira que tem raiz egoísta, mesquinha ou fruto de temperamento passional, produz sempre frutos amargos. Tem-se que corrigir o por quê da ira, se não "eis que o pecado jaz à porta" (Gn 4. 7). A ira nunca pode ser justa enquanto o por quê for errado. "Irar-se" não exige raiva. Há pouca necessidade de encorajar a ira! Antes, somos advertidos sobre os perigos comuns à ira: em sua ira "não pequeis... nem deis lugar ao diabo". É certo que algumas situações realmente merecem a ira, uma ira justa. Moisés desceu do Sinai e encontrou Israel com idolatria e festanças (Êx 32. 1). Deveria Moisés ficar indiferente? Não! Ira ardente foi a resposta adequada ao insulto deles a Deus. O Senhor não repreendeu Moisés. Atirar as tábuas de pedra não foi correto; mas sua ira estava certa. Em outro caso, Potifar chegou a sua casa e encontrou a esposa chorando por causa de um assédio que José lhe havia feito. Ela mostrou prova (Gn 39.1). Deveria Potifar ficar furioso, encolerizado? Claro que deveria! Mas nós sabemos que a acusação dela era uma mentira, o marido não, ele acreditou nela; a evidência dela era errada, mas a ira de Potifar fora certa. A expressão da ira precisa ser justa. Eis aí o momento fácil de errar. A emoção da ira turba facilmente o julgamento, ignora facilmente a verdade, passa facilmente sobre os limites do certo. Na ira de Caim, ele se recusou a ouvir até mesmo a Deus. Ele assassinou seu irmão; e mentiu a Deus, depois. Isso é a ira furiosa. Não faça isso! A ira não deve esvaziar o domínio de si mesmo. Em circunstância nenhuma o domínio próprio pode ser sacrificado. "... eu não me deixarei dominar por nenhuma delas" (1 Co 6.12) nem mesmo a ira. Pode-se ficar justamente irado; mas não se pode permitir-se perder a sanidade! A ira é freqüentemente justa; a raiva nunca é. O perigo da ira é tão grande que precisamos tratar o assunto ira com muito cuidado. Precisamos aprender a ser "... tardio para se irar..." (Tg 1.19), como Deus é (Sl 103.8; 145.8). Assim, evitaremos muitos desastres. Irado, como você se comporta? Tem acessos de cólera? Fica bravo e grita? Bate o pé e dá ponta-pé? Até mesmo atira coisas? A ira pode ser ocasionalmente certa, mas um comportamento assim desenfreado nunca estará certo. É absolutamente errado: é pecado! Irado, o que você diz? Você fala mal, explode em palavrões. Você insulta as pessoasl. Você acusa falsamente quem o enfureceu? Você devolve insultos com insultos? Você espalha boatos, faz mexericos? A ira pode ser justa, mas todas as palavras maldosas certamente não são. É errado, é pecado! Irado, o que você faz? Caim irou-se contra Abel e o matou. Na sua ira, você também faz mal às pessoas? Faz coisas prejudiciais? Você instiga divisão, procura pessoas para falar mal, sai "atirando para todo lado", querendo contar a sua versão dos fatos? "O iracundo levanta contendas, e o furioso multiplica as transgressões" (Pv 29. 22). A ira é permitida, a conduta maldosa não é. É errada, é pecado. Irado, você acusa Deus? Pessoas iradas freqüentemente criticam Deus. Eles culpam Deus mesmo quando o incidente não foi um feito de Deus. Jó sabia mais do que isso. "Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma" (Jó 1. 22). Na ira, atrevidamente julgamos se Deus fez a coisa certa. A ira pode ser justa, mas julgar Deus certamente não é a atitude mais sensata e correta! De fato, é arrogantemente errado, é pecado! A duração da ira deve ser justa. "Não deixeis o sol se pôr sobre vossa ira." Breve deve ser a duração do tempo para a ira, até mesmo a ira justa. Aprenda com Deus, que "... não retém a Sua ira para sempre" (Mq 7. 18). Deixe a ira passar! Não importa se em seu juízo ela é justa. Na adversidade, no confronto com as hostes malignas, é preciso ter toda a maturidade espiritual para, então, perceber as astutas ciladas do inimigo. Se tivermos maturidade não permitiremos que a ira se transforme em raiva e “cegue o entendimento”. Na Comunidade, todos os que se permitem crescer na graça e no conhecimento, sabem que a arma mais poderosa para escapar ileso – sem machucados, arranhões e feridas abertas – de qualquer armadilha é a consciência da Graça, que libera misericórdia e perdão, enfim, leva-nos à maturidade e ao crescimento espiritual. Tais atitudes nos trazem alívio, graça e paz, e nos impedem de regredir espiritualmente com sentimentos de ira prolongada e raiva, que nos fazem muito mal, porquanto nos levam ao pecado, ou seja, afastam-nos de Deus.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O OLHAR DE JESUS LANÇADO SOBRE NÓS

Lc 13.10-17 nos apresenta um episódio em que Jesus estava em uma sinagoga. Era um sábado, e Ele ensinava. Ali havia, dentre tantas outras pessoas, uma mulher que padecia de uma enfermidade física e espiritual. O texto sagrado nos conta que ela estava possessa de um espírito de enfermidade, posto que há dezoito anos vivia olhando para o chão, encurvada, incapaz de andar ereta, ou mesmo sentar-se direito. Aquela mulher estava ali e é isso que inicialmente me chama a atenção. Outra pessoa talvez depois de tanto tempo de sofrimento, poderia ter ficado em casa, lamuriando-se, reclamando da vida ou de sua sorte. Mas ela estava ali, na sinagoga, na casa de orações. Ela estava ouvindo Jesus, disposta a aprender com Seus ensinos. Outro detalhe ainda se destaca: Ela não pediu a Jesus para ser curada. Ele simplesmente a viu ali encurvada e lançou, então, Seu olhar cheio de graça e misericórdia sobre ela, teve compaixão e a tocou. Ela foi curada e imediatamente glorificou a Deus pelo milagre. Quando o chefe da sinagoga O repreendeu por realizar a cura, desrespeitando a lei do sábado, Jesus falou da incoerência daqueles homens que levariam um boi ou um jumento para beber água em um sábado, mas eram contrários à cura da mulher que há dezoito anos vinha sofrendo. Ou seja, os religiosos judeus eram capazes até de valorizar animais, mas não o seu semelhante. E mais: Jesus chamou aquela mulher de “filha de Abraão”, já que normalmente somente se mencionavam “os filhos de Abraão” e assim Ele concedeu àquela mulher humilde uma posição de honra diante dos orgulhosos e soberbos religiosos, ao afirmar que ela também pertencia à família de Abraão. Depois do olhar de Jesus e de seu toque a “filha de Abraão” foi curada, endireitou-se, ficando completamente ereta e agradecia em brados a graça recebida. Assim como no passado continua no presente: posicione-se diante de Deus, congregue em uma igreja, participe da alegre comunhão com os da família de Deus, esteja aonde o olhar dEle possa alcançar você – ou seja, você precisa se dispor para estar com Ele – e, certamente Ele lançará o olhar sobre você e curará, libertará e salvará. (Síntese da mensagem deste pastor levada à Comunidade no culto de domingo 17/08/2008).