segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

COMO VENCER MEDOS E INCERTEZAS QUANDO AS PROMESSAS DE DEUS PARECEM DEMORAR.

A história que culmina em Gn 21.1-21 tem início no capítulo 12 quando presenciamos os acontecimentos que se firmam como princípio da formação étnica do povo hebreu.Em Gn 12.1,2 o Senhor ordena a Abrão que saia de sua terra e do meio de sua parentela e vá para a terra que Ele lhe mostraria, pois ali, a partir dele, faria uma grande nação. E assim fez Abrão. Ele tinha, então, 75 anos quando saiu de Harã (v.4). E a narração bíblica continua, posto que no capítulo 16 extraimos algo importante para a compreensão de toda a história. Ocorre que se passaram 10 anos e a promessa de um filho para Sarai ( 75 anos) e Abrão ( 85 anos), que daria início à grande nação, ainda não se cumprira. Então, vemos que Sarai se apressa e oferece ao marido a jovem escrava egípcia Hagar e, tendo Abrão concordado, eis que feita concubina, Hagar engravida. A iniciativa de Sarai que evidencia descrença na promessa do Senhor ou que a promessa estaria cumprida se ela agisse, porquanto naturalmente não poderia gerar um filho, tinha um leve sentido quando ficamos conhecendo a tradição e os costumes do antigo Oriente Médio, que assegurava que o filho de uma escrava com seu senhor seria considerado de sua senhora, ou seja, seria de Sarai. Este fato se destaca, para mim, como o início ruim de uma extraordinária e futura ação divina, posto que mostra uma mulher e um homem - que concorda com a idéia e sugestão da mulher - que 10 anos após terem recebido uma promessa do próprio Deus, não souberam esperar no Senhor e apressaram-se em executar um plano, convictos de que assim a promessa estaria sendo cumprida. Como se tal fosse possível! O que acontece a partir daí - a gravidez de Hagar e o nascimento do filho - mostra um pouco da natureza frágil, má e pecadora do ser humano.
AS ATITUDES DE HAGAR, ANTES E DEPOIS DA BÊNÇÃO DE GERAR UM FILHO DE SEU SENHOR:
Antes, na condição de serva Hagar se considerava inferior, e, desgraçada, humilhada, apenas servia.Depois, na condição de concubina já se sentia superior, posto que havia engravidado. Tendo recebido graça Hagar passa a ter atitudes de desprezo para com Sarai. Quantos não se portam assim? Você conhece alguém que agiu ou tem agido dessa forma? Antes, um injustiçado, uma vítima. Depois de ter alcançado a graça e a bênção de Deus, revela-se arrogante, senhor de si e auto-suficiente.
AS CONSEQUENCIAS QUE AS ATITUDES DE HAGAR GERARAM:
Sarai chama o seu marido e expõe o fato de que estava sendo insultada, desprezada e humilhada pela concubina. O que fizera Hagar ? Vangloriava-se de sua condição fértil e que carregava no ventre o filho de seu senhor, ao contrário de Sarai que nunca havia dado filhos a Abrão. Assim sentindo-se ofendida Sarai humilha Hagar que fugiu de sua presença. A serva havia-se esquecido que continuava serva, não era senhora, fora elevada à condição de concubina, mas a senhora era Sarai. Ao fugir Hagar embrenhou-se no interior do deserto, mas Deus tinha propósito para ela e o anjo do Senhor a encontrou junto a uma fonte de águas, entre Cades e Berede. O anjo manda Hagar voltar para a sua senhora e se humilhar perante ela. E disse mais: que seria multiplicada a sua descendência, que de tão numerosa não poderia ser contada. O anjo falou que ela teria um filho a quem daria o nome de Ismael, pois o Senhor a acudiu em sua aflição. E assim fez Hagar, voltou para a casa de Abrão e Sarai, submetendo-se à vontade de Deus. Dali a alguns meses Hagar deu à luz a Ismael. Nesta ocasião tinha Abrão a idade de 86 anos.
EIS QUE SE PASSARAM 13 ANOS...
E Abrão teve uma experiência mística em que teve uma visão do Senhor que reafirma com ele as bases da aliança perpétua, prometendo-lhe ser pai de numerosas nações e lhe muda o nome para Abraão, que tem, então, 99 anos. Além de instituir a circuncisão, o Senhor muda, também, o nome de Sarai para Sara. No capítulo 21, finalmente, o cumprimento inicial da promessa, pois (v. 2) eis que Sara (com 90 anos) concebeu e deu à luz a um filho de Abraão (com 100 anos), a quem deram o nome de Isaque, segundo recomendação do Senhor. Portanto, entre o início da promessa inicial (capítulo 12) e sua concretização o prazo foi de 25 longos anos. Eis que Isaque cresceu e foi desmamado - entre 2 a 3 anos de idade. Na ocasião, como era tradição, Abrãao deu uma grande festa. Ocorre que Ismael, então, com 14 anos passa a caçoar e zombar de Isaque, fato que fora presenciado por Sara, que fica indignado e cheia de ira vai até Abraão e (v. 10) fala a ele: " Rejeita essa escrava e seu filho, porque o filho dessa escrava não será herdeiro de Isaque, meu filho". Embora tenha sido penoso para Abraão o Senhor o tranquiliza (v.12,13) afirmando que atendesse ao pedido de Sara, pois de Isaque seria chamada a sua descendência, mas também do filho da escrava faria o Senhor uma grande nação, por ser Ismael, também, seu descendente. E assim fez Abraão, acordando de madrugada e provendo pão e água à Hagar e ao menino, os despediu. Dali saiu Hagar com seu filho e andou errante pelo deserto de Berseba. Quando acabou água, colocou Hagar o menimo debaixo de um arbusto e afastou-se um pouco para esperar pela morte e não ver morrer seu filho. E teve medo, e chorou. Qual era o medo de Hagar? Que seu filho amado, a quem havia depositado tantas esperanças, morresse e, com ele, seus sonhos. Mas Deus ouviu a voz do menino - que certamente aflito chamava por sua mãe e como fora criado como servo do Senhor, ensinado que fora por seu pai, clamara ao Deus Todo-Poderoso - e um anjo do Senhor falou à Hagar. E como o anjo fez Hagar vencer seu medo? Com palavras de encorajamento e de promessas para seu filho, posto que a partir dele faria um grande povo. Isto visto, revisto e assimilado, aprendamos todos que:
I - AFLITOS, O SENHOR OUVE O NOSSO CHORO, CONFORTA-NOS E ENCORAJA-NOS.
Visto pela ótica de Hagar, a escrava: Ela se sentiu usada e depois que não mais precisavam dela, fora jogada fora, lançada no deserto sem nada, apenas com a roupa do corpo, um pouco de pão e um odre com água. A água havia acabado e ela deixou o filho debaixo de um arbusto e se afastou para não vê-lo morrer de fome e sede. Ela já ouvira as promessas do Deus de Abraão e acreditara nEle, mas agora passados os anos, eis que ela e seu filho são lançados ao deserto para morrerem? Então, ali sentido-se indefesa, ela teve medo e desesperançada, chorou.Mas, então, ouviu a voz do anjo. Somente palavras vindo do Senhor poderiam mesmo encorajá-la, em meio a tanto sofrimento físio e emocional. "Não temas!"foram as palavras que inicialmente ouviu.
Na crise, no sofrimento, nos desertos que atravessamos, não deveremos temer, ao contrário, preparemo-nos para ouvir a Palavra do Senhor. Ela conforta, encoraja, liberta!
II - AFLITOS, O SENHOR NOS CONCEDE FORÇAS PARA QUE POSSAMOS LEVANTAR.
Eis as palavras vindas do Senhor para Hagar e para nós, quando estivermos em semelhante situação: " Ergue-te, levanta.... segura pela mão....Eu farei..." (v.18)
III - AFLITOS, O SENHOR ABRE NOSSOS OLHOS PARA VERMOS OS RECURSOS QUE ELE DISPONIBILIZA.
Eis o que diz o texto sagrado, portanto, reflita e medite nele!
" Abrindo-lhe Deus os olhos, viu ela um poço de água, e indo a ele, encheu de água o odre e deu de beber ao rapaz". (v.19)
O poço estava ali, disponível. Mas ela não o via. Somente o Senhor pode abrir nossos olhos para vermos os recursos e os instrumentos que Ele nos oferece; mas cegos espiritualmente nada vemos. Acontece, então, que muitas vezes a solução para o problema está bem à nossa volta, mas não percebemos! Mas o Senhor abre os nossos olhos e, aí, vemos!
IV - NÃO MAIS AFLITOS, O SENHOR, AINDA, CONTINUA NOS ACOMPANHANDO E NOS ABENÇOANDO.
E continua a narração: " Deus estava com o rapaz, que cresceu, habitou no deserto, e se tornou flecheiro, habitou no deserto de Parã; e sua mãe o casou com uma mulher da terra do Egito". E Deus, portanto, cumpriu o que prometera na vida de Ismael e de sua mãe Hagar.
Que história extraordinária e rica em ensinamentos! Os exemplos de Abraão, Sara, Isaque, Hagar e Ismael são marcados por promessas, incertezas, medos, fraquezas, choros e desespero, mas também por esperança e confiança, enfim, fé. Assim como a história de minha vida e certamente, da sua, creio. Não nos competem o julgamento e a condenação desta ou daquela pessoa. Somos seres humanos, portanto, limitados, falhos, fracos, indecisos, amedrontados, mas os que confessam o Senhor Deus, na pessoa graciosa de Jesus Cristo, Senhor e Salvador de suas vidas, sabem que, pela fé:
1) O PERFEITO AMOR LANÇA FORA TODO O MEDO, pois quando o amor de Deus verdadeiramente nos alcança, não pode existir temor, porque no "amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora o medo produz tormento; logo aquele que teme não é aperfeiçoado no amor (1 Jo 4.18).
2) NA FRAQUEZA É QUE SOMOS FORTES, POIS SUA GRAÇA DEVE NOS BASTAR (2 Co 12.9). Deus não quer que sejamos fortes, capazes e auto-suficientes, e por via de consequência, soberbos. Deus quer que dependamos dele, estejamos inteiramente à espera de Sua graça. Se o Senhor quisesse pessoas fortes, não teria escolhido as fracas (1 Co 1.26-29).
O Senhor não nos quer pelas habilidades, por capacidades, muito menos por títulos. O que Ele deseja é que nos apresentemos com nossa fraquezas, confessando a Ele as nossas insuficiências, limitações e incapacidades. Quando assim procedemos, experimentamos o Seu poder, Sua força e Sua graça. Quando queremos nos apresentar pelo que não somos, entristecemos Deus. Sinta, então, prazer nas suas fraquezas e Deus terá prazer em sustentá-lo com a Sua graça, em Cristo Jesus.
Resumo geral: Quando o Senhor promete, Ele cumpre, em Seu tempo, que pode até está demorando, pelo nosso controle de tempo, mas não para Ele, posto que é Fiel. O que sobre isso nos diz a Bíblia: " Há, todavia, uma cousa, amados que não deveis esquecer: que para com o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos como um dia. Não retarda o Senhor a Sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, Ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento" (2 Pe 3.8,9).Não se preocupe, então, entregue-se a Ele, simplesmente tenha fé, não medo ou incerteza, não queira atropelar o processo como fez Sara, usando Hagar e Abraão. Não se desespere como por duas vezes fez Hagar. Ao contrário, pela fé, entregando a vida ao Senhor, veja Is 41.10 se cumprir em sua vida:
"Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo; e te sustento com a minha destra fiel". (Desenvolvimento ampliado da mensagem deste pastor levada à Comunidade no culto de domingo 24/01/2010)