sexta-feira, 17 de julho de 2009

GRAÇA LIBERADA SOBRE ÍMPIOS E INIMIGOS DO POVO DE DEUS

O segundo livro de Reis (cap. 5) revela uma pequena história com profundo significado. Os personagens são apresentados e se mostram em palavras e atitudes, e para compreender tudo é necessário dissecar todo o conteúdo da história. Vejamos o que poderemos extrair e aprender da interpretação de todo o capítulo:
I – O PODER DO HOMEM E SUAS LIMITAÇÕES
Na humanidade todo o poder tem suas limitações. Naamã era homem de autoridade e poder, mas se mostrava absolutamente limitado: estava com uma enfermidade terrível, a lepra. E a despeito de todo o poder que detinha, de todas suas posses e riquezas, a medicina da época não apresentava recursos para promover sua cura. Mas eis que surge a graça na atitude de uma menina judia escrava na casa de Naamã. Homens como o general sírio são limitados, pois não entendem as relações de Graça. O desprendimento da menina cativa – fora arrancada do seio de sua família em Israel, e ali estava a serviço forçado na casa do general sírio – que liberou generosidade e graça sobre o senhor e sua mulher, pois foi a ela e lhe falou do profeta de Deus que certamente poderia curar (purificar) seu senhor. Ali tudo começou. Toda a obra, toda a cura que aconteceu lá bem depois, somente aconteceu porque aquela pequena serva se portou como uma verdadeira filha do Deus que é Amor ( I Jo 4.7,8). E mais ainda, a menina apenas falou de cura e purificação, nada mais acrescentou, ou seja, não pediu nada em troca, nada pediu para si mesma. Não pediu para ser abençoada, apenas lançou palavras abençoadoras. Que exemplo para nós nestes conturbados, confusos e tenebrosos dias de multidões nas igrejas, que aprenderam a barganhar com Deus, que aprenderam a pedir, pedir e não se preocupam em abençoar, apenas em serem abençoadas! Outro tipo de limitação está retratado em Naamã uma vez que não aceitou a inversão de tratamento. Como general e comandante de um poderoso exército estava habituado a ser temido e bem recebido, por bem ou por mal. Mas ali na casa de um simples profeta que sequer se deu ao trabalho de sair para falar com ele, reconheceu a contragosto que seu poder e autoridade não alteraram a rotina do profeta, pois este preferiu mandar um emissário para falar-lhe. E o recado era simples e intrigante: deveria o general leproso se dirigir até o rio Jordão e mergulhar em suas águas por sete vezes. Tão somente isso e seria purificado e sarado. Mas Naamã considerou isso um desaforo, pois esperava que o profeta saísse e o saudasse com as honras devidas e que formalmente invocasse o seu Deus e impondo suas mãos sobre ele, o curasse. E mais: se tivesse ele que se lavar, melhor seria nas águas de rios de Damasco, que eram melhores que o Jordão. 
II – O INFINITO E INIGUALÁVEL PODER DE DEUS E A LIBERAÇÃO DE SUA GRAÇA
Em Deus reside todo o poder e toda a glória. A Bíblia afirma que Deus é amor e o amor que se revela nEle não admite acepção ou caráter ideológico, como em muitos ambientes humanos, plenos de convicções políticas e religiosas. O amor de Deus não se limita a ideologias. Ao contrário, o Senhor quebra barreiras e alcança o ser humano (seja qual for sua condição) que dEle necessita. O criminoso, o corrupto, o agressor ou o opressor não estão excluídos do amor de Deus. Naamã era general sírio, inimigo de Israel, inimigo do povo de Deus. Muitos são os que – dentro e fora das igrejas, ou de ambientes religiosos – não entendem isso e continuam excluindo homens como Naamã, quando o próprio Deus não o faz. O general não adorava Javé, mas o deus Rimom. Se nos dias atuais alguém como Naamã for a uma igreja terá que, antes de receber ajuda espiritual, queimar os ídolos e imagens, fazer oração de renúncia, rejeitar todo e qualquer pacto. É preciso estar muito atento para compreender os mistérios inerentes ao agir de Deus. Inúmeras são as vezes que a Bíblia nos revela formas sutis e misteriosas que Ele usa, em suas insondáveis estratégias de graça. Releiamos a história e vejamos quem Deus usou para agir sobre o general leproso: a menina era uma escrava, mas foi quem Deus usou como primeiro instrumento do milagre. Ela foi usada por sua fé, e por isso suas palavras são repletas de convicção e graça. O rei da Síria também foi usado, mesmo não conhecendo o Senhor, e aqui ele representa os que servem para a realização de Seus propósitos. Eliseu surge como profeta, aquele que leva a Palavra de Deus e que por sua comunhão com Ele, em Seu nome libera graça e realiza milagres. O servo Geazi, ao contrário do profeta a quem servia, quis se aproveitar da situação de gratidão do general curado e, mentindo-lhe, cobrou bens e presentes, como recompensa final recebeu do profeta uma palavra forte de repreensão e ficou leproso instantaneamente.
III – CONTEMPLADOS PELA GRAÇA QUAL DEVE SER O NOSSO PAPEL COMO DISCÍPULOS DO SENHOR: 
1)Devemos tratar a todos com igualdade, não nos deixando impressionar com os poderosos;
2) Precisamos agir em nome de Jesus com indistinto amor e respeito, e não esperar por recompensas humanas;
3) Devemos consolar e orientar os quebrantados, excluídos sociais e os desconsolados e desesperados, a despeito de sua crença ou ausência dela;
4) Precisamos nos posicionar, denunciando e revelando a corrupção feita em nome da fé.
Quando Deus tem um propósito na vida de alguém não importa sua condição, seu estado, sua cor, sua nacionalidade, sua crença, Ele simplesmente age.
Quando Deus revela Sua graça em alguém, Ele faz uma Boa Obra (Fp 1.3-11) e aí, Ele a aperfeiçoa, foi o que aconteceu com a jovem serva. Pelas declarações finais de Naamã, ele certamente não mais seria o mesmo. Não mais Rimom em sua vida, mas Javé, não mais o orgulho, a prepotência e a arrogância, mas a simplicidade daquele profeta que com sua fé e desprendimento, mantinha-se humilde, simples e não queria glória, honra ou nada de ordem financeira ou material. Finalmente: não sejamos como Geazi, que foi desobediente e recebeu um castigo terrível, era são e ficou leproso. Com o Senhor saibamos todos: que Ele lança o Seu olhar e derrama Sua graça sobre qualquer um, e que quem tem a graça de Deus, sabe que isso lhe basta. Quando buscamos em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua justiça, todas as coisas de que necessitamos nos serão acrescentadas! LEMBRE-SE: Graça é favor imerecido. Logo, se a recebo e sei que como pecador não sou merecedor, não posso estranhar se o Senhor a lança sobre alguém mais; não importa o meu conceito ou juízo de valor, Deus é quem designa sobre quem virá a bênção, se sobre um que quer mais aproximação com Ele (como eu) ou se sobre alguém que não quer nada com Ele (como no exemplo de Naamã). Qualquer outra interpretação sobre a cura de um ímpio e inimigo declarado do povo de Deus, que não estiver embasada na dimensão da graça, é simplesmente religiosa, e considero descartável!(Síntese da mensagem deste pastor levada à Comunidade no culto de domingo 12/07/2009)