segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

QUE AMOR É ESSE?

Mc 15.1-15 nos descreve os momentos em que Jesus, sendo preliminarmente julgado pelo Sinédrio, sacerdotes, anciãos e escribas, é conduzido até Pilatos para interrogatório e sentença final. Jesus não havia feito mal algum. Ele não era homicida, tampouco ladrão, ou malfeitor. Ele nunca errou, não pecou, por que, então, acusá-lo, condená-lo? Somente de uma atitude poderiam aqueles homens acusar Jesus, a de amar! Isso Ele fez, e muito! Amar como nunca ninguém jamais amou: este foi Seu legado! Jesus amou e ama todo tipo de pessoa! Na parte final do texto citado, deparamo-nos com a pessoa de Barrabás. Quem era ele? Sabemos o que nos diz o texto: ele fora preso com amotinadores, que por conta de um tumulto, mataram alguém. Então, ele era um homicida. Havia um costume de, por ocasião das festividades, libertarem um condenado (como que um indulto que acontece, ainda hoje, por ocasião do natal, em nosso país). Pilatos ainda esperava que a multidão indicasse Jesus para ser solto, mas a massa instigada pelos religiosos preferiu Barrabás. Se atentarmos para a situação de Barrabás poderemos entender que deveria estar aflito, desesperado até. Afinal, fora sentenciado e logo seria executado por crucificação. Mas, eis que o inesperado aconteceu, pois o soldado chegara até ele (podemos, então, supor que assim se passou) e dissera: “ Vamos lá, saia Barrabás, por ordem do governador você está livre”. Certamente que Barrabás logo procurou saber o que acontecera: que milagre foi esse! Quem era o homem que iria morrer em seu lugar? Suponhamos que, por curiosidade, Barrabás tenha perguntado às pessoas que estavam ali, ao seu redor, quem era esse Jesus?
Certamente, à luz dos eventos marcantes do Evangelho, podemos entender que as respostas bem poderiam ter sido estas:
- "Eu sou Maria Madalena. Eu era uma prostituta. Estava possuída por demônios; os homens me usavam como objeto. E este homem me libertou".
- "Eu era leproso. Este homem teve compaixão de mim e me limpou".
- "Eu sou viúva e meu filho havia morrido. Mas este homem o ressuscitou".
- "Eu o seguia e o ouvia sempre em seus sermões e me lembro de um momento muito especial em que o vi multiplicar pães e peixes para matar a fome de uma grande multidão".
- "Eu sou Zaqueu, fiscal de impostos. Já roubei muito. Mas certa vez quis conhecer este homem e subi em uma árvore porque quis vê-lo passar, e a multidão era muito grande e me impedia. Mas este homem que nunca me havia visto antes, olhou para mim e me chamou pelo nome e disse que queria pousar em minha casa. De imediato, eu desci e o hospedei em minha casa. Ele me trouxe luz e recebi a certeza da salvação. Mesmo sendo eu quem era, ele me amou, me acolheu. Nunca mais fui o mesmo depois daquele encontro".
-"Eu sou Marta, irmã de Maria e de Lázaro. Meu irmão havia morrido já há quatro dias, mas Jesus teve compaixão e o ressuscitou".
Admiração, constrangimento e surpresa podem ter sido os sentimentos que atingiram o coração de Barrabás. Ele também – sem merecimento algum – foi agraciado por Jesus.
Como Barrabás, ninguém merece nada de bom. Logo, nunca é por mérito nosso que Jesus morreu em nosso lugar. Isto é graça, o favor imerecido! Você compreende isso?
Assim Deus age. Ele é autor e consumador de nossa fé. Por isso, devemos render graças a Ele, porque Ele é bom, porque a Sua misericórdia dura para sempre (Sl 106.1).
“Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos Seus amigos” (Jo 15.13).
Após tantos anos sendo tratados como servos, chega o momento em que Jesus afirma aos apóstolos, e agora a todos nós, discípulos, que somos Seus amigos, se fizermos o que Ele nos manda (Jo 15.14,15).
Ouça a voz de Jesus e não aja como os sacerdotes, anciãos e escribas que O condenaram, sendo apenas religiosos. Aja como alguém que sabe que Deus é luz (1 Jo 1.5 ), e que Deus é Amor (1 Jo 4.8). Transforme a sociedade, e não seja por ela transformado (Rm 12.2). Definitivamente a voz da multidão que ensandecida, manobrada pelos religiosos, preferiu a soltura de um homicida à libertação do inocente Jesus, não é a voz de Deus! Deus não está onde o ódio prevalece, onde a injustiça é praticada, onde o amor é esquecido! O amor ágape de Deus se revela no julgamento justo, na ampla oportunidade de defesa, na espera do arrependimento e da mudança de vida. Deus está onde prevalece o respeito, onde a dignidade humana é preservada, onde a justiça e a inclusão social são defendidas e praticadas! Deus está onde o amor está! (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, pela pastora Isabel Cristina, no culto de domingo 22/01/2012).