terça-feira, 25 de março de 2008

CONSELHOS PARA SOBREVIVER AO MUNDO GOSPEL (Pr. Ricardo Gondim)

O mundo gospel se torna cada dia mais patético; distante do protestantismo; em rota de colisão com o cristianismo apostólico; transformado numa gozação perigosa; adoecendo e enlouquecendo milhares que são moídos numa engrenagem que condena a um duplo inferno. Não consigo responder a todas as mensagens que entopem minha caixa postal. Milhares pedem socorro. Eu precisaria ter uma equipe de especialistas, todos me ajudando a atender os que me perguntam: “ a maldição do pastor vai pegar mesmo?”; “é preciso aceitar as patadas que recebo do púlpito?”; “em nome da evangelização, devo aturar esses sermões ralos?”.Realmente não dá mais. A grande mídia propaga o que há de pior entre os evangélicos com petição de dinheiro, venda de “Bíblias fantásticas”, milagres no atacado e simplismos hermenêuticos. As bobagens alcançaram níveis intoleráveis. O que fazer? Tenho algumas idéias. Aconselho que os crentes parem de consumir produtos evangélicos por um tempo. Não compre Cd de música ou de pregação - inclusive os meus. Deixe os livros evangélicos encalharem nas prateleiras - idem, para os meus. Depois que baixar a poeira do prejuízo, ficará notória a diferença entre os que fazem missão e os que só negociam. Não vá a congressos - inclusive o que eu promovo. Passe ao largo dos "louvorzões". Não sintonize o rádio. Boicote todos os programas na televisão. Não comente, nem critique a pregação de pastores, bispos, evangelistas e apóstolos. Afaste-se! Silencie! Desintoxique mente, alma e espírito da linguagem, pressupostos e lógicas da "teologia da prosperidade". Volte a ler a Bíblia sem nenhum comentário de rodapé. Alimente seu interior em pequenos grupos. Reúna-se com gente de bom senso. Estanque seus dízimos e ofertas imediatamente. Repense com absoluta isenção onde vai dar dinheiro. Mas prepare-se; no instante em que diminuírem as entradas, os lobos vestidos de pastor subirão o tom das intimidações. Não tenha medo. Faça essa simples auditoria antes de investir o seu suor em qualquer igreja ou ministério: Quanto tempo é gasto no culto para pedir dinheiro? A hora do ofertório vem acompanhada de uma linguagem com “maldição, gafanhoto ou licença legal para ataques do diabo”?Prometem-se “prosperidade, colheita abundante, bênção, riqueza”, para os que forem fiéis? Existe alguma suspeita na administração dos recursos arrecadados? – Lembre-se que há dois níveis de integridade: o ético e o contábil. Não basta manter os livros em ordem; o dinheiro também só pode ser gasto no que foi arrecadado. Se a resposta para alguma dessas perguntas for sim, ninguém deve se sentir culpado quando não der oferta. Só haverá arrependimento no dia em que os auditórios se esvaziarem junto com uma crise financeira - o monumental ufanismo evangélico precisa deflacionar. Concordo: ninguém aguenta o jeito como as coisas estão. Soli Deo Gloria. (Comentários meus: sei que muitos que lerão esta reflexão extraída do site www.ricardogondim.com.br) podem se assustar e estranhar, e até repudiar. Mas se tal acontecer, desculpe-me, mas o seu olhar – caro/a leitor/a deste blog – precisa ser ampliado, assim você olhará em volta, e perceberá que o Pr. Gondim não diz nenhum absurdo, nem está louco, apenas, talvez, como nós pastores da Comunidade, esteja cansado de tanto absurdo, e exacerbada "mercantilização", “oba-oba”, “próspero” evangelho que é ensinado e pregado aos quatro cantos deste país. Assim como já fez Jesus, é preciso expulsar "os vendilhões do templo". Tudo se transformou - parece-me - em um negócio, em "um show".Por outro lado vende-se um mundo de “facilidades”, falsas doutrinas, ensina-se a ir a Jesus para fazer barganhas, querem-No pelo que Ele faz, não pelo que Ele é. Não aceitamos este mundo gospel que está aí: há muita hipocrisia, há todo “um culto à imagens de pastores e líderes”. Aos que como nós "não se conformam" com este mundo gospel, resta-nos o real sentido de seguir Cristo, praticando Seu Evangelho, que está embasado em amor, relacionamentos generosos e solidários, posto que importa-nos seguir o exemplo do Mestre e como Ele, estarmos dispostos a servir, não mais a ser servidos/as, a abençoar, e não, apenas, em ser abençoados/as. Soli Deo Gratia)