REFLEXÕES PASTORAIS COM GRAÇA

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O QUE É A IGREJA DE CRISTO? LUGAR ONDE HÁ JOIO NO MEIO DO TRIGO, BEM COMO PEIXES RUINS ENTRE PEIXES BONS!

Em Mateus 13.47-50 há a parábola da rede de pesca (também chamada de parábola dos peixes bons e ruins). Esta parábola somente é encontrada em Mateus. A mensagem não difere muito da parábola do joio (Mt 13.24-30;37-43), visto que o resultado final é o julgamento, a separação entre os bons e os maus. No grego, a palavra aqui traduzida como «rede» não é a rede pequena, que um homem sozinho podia usar, e, sim, a rede grande, manejada por diversos homens, e que podia recolher grande número de peixes de uma vez só. Por causa dessa capacidade, como é natural, muitas variedades de peixes são colhidos por ela. Alguns peixes eram usados como alimento, para fornecer óleo "ou outro produto de valor no mercado, enquanto que outros peixes eram inúteis, destituídos de qualquer valor. Era preciso, então, que os pescadores separassem os peixes bons dos peixes maus ou sem valor. Ademais, lembremo-nos  que as leis judaicas referentes à alimentação não permitiam que certos peixes fossem consumidos, a despeito de seu valor aparente. Os pescadores judeus deviam devolver tais peixes ao mar. A parábola ilustra os efeitos da pregação do Evangelho no mundo. Alguns aceitam a mensagem e assim desenvolvem uma fé autêntica, tornando-se discípulos legítimos de Cristo. Outros são somente «recolhidos» pela rede da mensagem de Cristo, mas com o tempo mostram que são falsos discípulos. Alguns possuem verdadeiramente a vida espiritual, conferida em face da fé verdadeira, enquanto que outros só aparentemente têm vida espiritual. Alguns, segundo os propósitos de Deus, estão prontos para cumprir os alvos divinos, ao passo que outros não são aptos para cumprir os alvos de Deus para homens e mulheres. É missão da Igreja lançar a rede do Evangelho tão largamente quanto possível, para que haja o maior número de pessoas dentro do limite de suas malhas. Assim, é inevitável que sejam trazidos alguns cristãos não genuínos. Todavia, não há de se preocupar o cristão com a mistura na igreja, porque está além do poder humano o purificá-la. A seu tempo, Deus retirará da Igreja seus membros indignos, deixando-a sem mancha ou nódoa.  As parábolas do joio e da rede nos advertem da presença de pessoas boas e más dentro da igre­ja. Na parábola do joio, atribui-se à ação do inimigo a introdução de pessoas mundanas entre o povo de Deus. A parábola da rede descarta a possibilidade de seleção prévia; a separação dos peixes ocorre mais tarde. Da mesma forma, a rede do Evangelho, lançada em esfor­ços evangelísticos, reúne todo tipo de pessoas, o que não exclui as ruins.  Muitos são os puristas que proclamam sobre a necessidade de purificar a igre­ja! Suas intenções são boas e certamente é importante que haja disciplina na igreja. Mas somos falíveis em nossa pressa, e poderemos arrancar trigo juntamente com o joio, ou lançar fora bons peixes. Ao se expressar sobre a consumação dos séculos, Jesus usa algumas parábolas para enfatizar o ensino sobre a existência, em Sua Igreja, de servos fiéis e infiéis, entre crentes convertidos e crentes convencidos. Vejamos como se dá a separação entre os dois tipos de cristãos:
Na parábola do joio, a separação se dá entre o trigo e o joio
Na parábola da rede, a separação ocorre entre peixes bons e ruins
Na parábola do servo, a separa­ção é entre servos bons e maus
Na parábola das dez virgens, a separação é entre virgens sá­bias e tolas
Na parábola dos talentos, a se­paração é entre os servos de­dicados e os negligentes.
Ligeiramente podemos fazer uma comparação entre trigo x joio e peixes bons x peixes ruins, pois sabemos que o joio é deixado confinado no campo e os peixes ruins são lançados fora da rede e deixados na praia. A separa­ção, agora, é necessária, mas não observada como deveria. Na parábola da rede, ou dos peixes bons e peixes ruins, a execução da separação final e do julgamento se dá de uma forma especial. Os pescadores não têm nenhuma relação com isso. No final dos tempos os anjos surgirão e separarão os imundos dentre os jus­tos; não os bons dentre os maus, como os pescadores fizeram. Na consumação dos séculos os anjos cumprirão a rígida tarefa de separar os imundos dos justos, e os lançarão dentro da fornalha de fogo. Portanto, esse assunto está claro. Os anjos se­rão os agentes da separação final. Agora, como pescadores, espalhamos a rede; os anjos farão a seleção. Jun­tamos todos, e os convidamos para que venham os bons e os maus; os anjos, de acordo com a palavra de Cristo, separarão os maus dos justos e o joio do trigo. Por fim, o Senhor, somente Ele, decreta a condenação. Nossa função atual, como pescadores, não é a de julgar, mas de declarar. Enquanto nos­sa tarefa é a de proclamar o Evangelho, os anjos farão a separação entre bons e maus, e o Senhor depois os julgará. No mais, percebemos que na parábola dos peixes bons e ruis há cinco elementos: a rede, o mar, os pescadores, os peixes e os anjos. Não basta ser um peixe e estar na rede, é preciso ser um peixe bom. O Evangelho representa a rede. A rede é lançada ao mar - que representa a humanidade - e pesca uma grande quantidade de peixe. Então, os que são apanhados pela rede não são somente os bons, mas há também os ruins. Então não basta ser peixe e estar na rede. É necessário ser um "peixe bom". Para o Senhor irão os " peixes bons", os salvos em Cristo. Somente Ele pode mudar a velha natureza humana de "peixe ruim" e transformá-la em " peixe bom"! Não basta declarar que é de Deus, que pertence a uma denominação cristã. Muita gente está fazendo isso. Não basta estar, é preciso ser; não basta declarar, é preciso ter atitude cristã; é necessário mudar de vida, e não apenas falar em nudança!
Precisamos fazer parte da verdadeira Igreja de Jesus Cristo, a que é formada pelo Seu Corpo e que está espalhada por toda a Terra. Ela é a Igreja que será arrebatada na vinda de Jesus. Só nos tornamos membros da Igreja de Cristo através do Novo Nascimento. Por isso ela é invisível, porque o Novo Nascimento ou Regeneração é algo que acontece dentro do homem, mediante uma transformação espitual que somente Deus pode conferir. Pelo Novo Nascimento o "peixe ruim" é transformado em "peixe bom"! Os peixes bons são os filhos do Reino. Eles chegam à praia, são recolhidos pelos anjos e são salvos. Já os peixes ruins, embora tenham sido apanhados pela rede, arrastados até a praia, quando lá chegaram foram inspecionados e achados ruins, de má qualidade, tendo, então, sido lançados novamente no mar. De nada adianta pertencer ao grupo social reconhecido como igreja, de nada adianta se dizer cristão em meio ao mundo, se o peixe não for bom! Oro ao Senhor para que haja cada vez mais trigo, e menos joio, cada vez mais peixe bom, e menos peixe ruim, cada vez mais virgem sábia, e menos virgem  tola, cada vez mais servos bons, e menos servos maus, cada vez mais servos dedicados, e menos servos negligentes! A Ele seja toda o Gloria, para sempre! (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 19/08/2012).