REFLEXÕES PASTORAIS COM GRAÇA

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

APRENDENDENDO MAIS SOBRE IMPUREZAS E CEGUEIRA ESPIRITUAL!

Reflitamos sobre Mateus 15.1-20! Os religiosos há muito estavam irados com Jesus pelo ensino repleto de autoridade e pelo resultado dos ensinamentos nas vidas dos apóstolos. Por isso, não cessavam de se mover contra o Mestre tentando confundir e criticar Suas afirmações. As posições assumidas e os ensinos ministrados por Ele traziam libertação, enquanto a lei aliada às tradições dos homens há muito escravizavam muitos.
Tantas e múltiplas tradições constituíam prova de como os fariseus e os escribas haviam falhado como intérpretes da lei. Uma dessas tradições era com relação ao comer sem lavar as mãos. Daí a pergunta inicial: “Por que os teus discípulos transgridem a tradição dos anciãos quando comem pão?” A forma como eles perguntam demonstra que estavam alarmados, não pela desobediência à lei, mas às tradições que eles próprios haviam construído. Os anciãos não estavam interessados na questão higiênica e de limpeza como pode parecer à primeira vista, mas com rituais externos. Havia uma tradição de que Shibta, um demônio se sentava sobre as mãos dos homens enquanto dormiam. Por isso, o ritual de lavá-las, pois as mãos que foram visitadas por demônios, contaminariam os alimentos. De pronto, Jesus não responde, mas formula outra pergunta. “Por que vocês transgridem o mandamento de Deus pela sua tradição?” Pois Deus disse; “ Honra a teu pai e tua mãe” e “quem amaldiçoar seu pai ou a sua mãe terá que ser executado. Mas vocês afirmam que se alguém disser a seu pai ou à sua mãe: “ Qualquer ajuda que vocês poderiam receber de Deus é uma oferta dedicada a Deus, ele não está mais obrigado a “honrar seu pai” dessa forma. Assim por causa da tradição, vocês anulam a Palavra de Deus. “Hipócritas”. E aí Jesus cita Isaías 29.13:” Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens”.
A explicação para as tradições: depois do cativeiro babilônico, os rabinos começaram a definir regras e regulamentos pormenorizados para governar a vida diária do povo judeu. Tratava-se de interpretações e aplicações da lei de Moisés, transmitidas de geração a geração. Nos dias de Jesus essa “tradição dos anciãos” existia na forma oral. Somente em torno de 200 d. C foi registrada na Mishna, que constitui a primeira parte do Talmude, uma codificação da lei oral do Antigo Testamento e das leis civis e políticas dos judeus.
Na sequência, Jesus chama para perto a multidão e diz: “Ouçam e entendam. O que entra pela boca não torna o homem impuro; mas o que sai de sua boca, isto o torna impuro”.
O que você come não o torna impuro, o que você fala, sim!
Eis que os discípulos dizem a Jesus que os judeus ficaram muito ofendidos quando ouviram isso, ao que Ele responde:
"Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada pelas raízes. Deixem-nos pois são GUIAS CEGOS. SE UM CEGO CONDUZIR OUTRO CEGO, AMBOS CAIRÃO EM UM BURACO”.Pedro, então, pede que Jesus lhes explique a parábola. Jesus se impacienta e pergunta: “Será que vocês ainda não conseguem entender”?
E aí ensina-nos:
1)     O que ENTRA pela boca VAI pelo estômago e mais tarde É EXPELIDO, jogado fora.
2)     As coisas que SAEM da boca VÊM DO CORAÇÃO e são essas que tornam o homem impuro.
3)     O QUE É QUE  SAEM DA BOCA, VINDO DO CORAÇÃO? Os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias.
4)      São essas coisas que tornam o HOMEM “IMPURO”, mas o comer sem lavar as mãos não o torna “IMPURO”!
Como aconteceu com Israel daqueles idos, ocorre com a igreja de hoje. Pregadores cegos, por causa do modernismo, conduzem os que foram cegos pelo deus deste mundo. Fisicamente falando não há nada mais patético do que ver alguém completamente cego tentar conduzir outro cego.
Mas espiritualmente falando, torna-se trágico quando os que dizem conhecer a verdade são na realidade cegos aos fatos inerentes a ela e, ao se vangloriar de sua suposta sabedoria, influenciam, por meio de sua mensagem tendenciosa, os que têm mentes mergulhadas nas trevas. Oro a Deus para que o engano não avance no seio da Igreja e que cegos, passem a ver, e não se permitam ser guiados por outros cegos; oro para que possamos ver o interior das pessoas e das coisas, não sua face externa, que pode geralmente nos iludir sob o manto da falsa religiosidade e aparente santidade; oro, finalmente, para que possamos distinguir o que contamina do que não contamina o homem! (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 07/10/2012).