quinta-feira, 4 de abril de 2013

JESUS É A VIDEIRA, MAS A PRODUÇÃO DE UVAS DEPENDE DE NÓS (João 15)!

No domingo de páscoa resolvi trazer uma mensagem à Comunidade, não sobre o seu sentido e o significado, à exemplo do ano passado, mas sobre discipulado e a necessidade de assumirmos o sacrifício vicário, a morte do Cordeiro Pascal, não apenas em uma celebração da páscoa, mas durante todo o ano. Assim veio-me à mente o capítulo 15 do Evangelho de João, quando Jesus se intitula a videira verdadeira e que Deus é o lavrador (agricultor) e nós, os ramos. A produção de uvas na Palestina era considerada  cultura de subsistência, assim como é o arroz no Brasil, então, não constitui surpresa que o Senhor tenha usado a videira como símbolo de Israel (Salmo 80.8-16; Jeremias 5.10). Mas a videira, como símbolo de Israel, fracassara em atender às expectativas de Deus (Oséias 10.1,2); além disso, suas uvas eram selvagens e sem valor, e mesmo com os cuidados do Senhor com Sua vinha (Isaías 5.1-7; Jeremias 2.21), Israel fracassara. Mas eis que Jesus se apresenta como a verdadeira videira (João 15.1), tendo sido chamado para cumprir uma Missão, resgatar Israel e toda a humanidade, que se afastara, para os braços do Pai. Jesus afirma que é a verdadeira videira, o Pai, o lavrador e que nós somos ramos da videira, se permanecermos nEle. Sendo ramos da videira assumirmos diversas responsabilidades muito importantes, pois somos discípulos (15.1-17).
I – É NECESSÁRIO QUE O RAMO PRODUZA FRUTOS:
A produção de uvas, como fruto, é a principal responsabilidade da videira. Jesus exortou os ramos a produzirem muito fruto (15.8) e a deixar esse fruto permanecer (15.16), advertindo que os ramos infrutíferos seriam arrancados (15.2).Que fruto se espera que o ramo cristão produza? O fruto do Espírito de Deus (Gálatas 5.22), as boas obras (Colossenses 1.10), partilhar as posses com os irmãos necessitados (Romanos 15.28), louvar a Deus (Hebreus 13.15) e ganhar almas (Provérbios 11.30; João 4.36; Romanos 1.13). Qualquer que seja o fruto, o cristão deve produzir (15.2) em grande quantidade (15.8), e continuamente (15.16).O discipulado não é uma condição estática, imutável, mas um crescente modo de vida. Tornamo-nos discípulos de Jesus se  mais e mais reproduzimos Seu caráter justo em nossa vida. Vejamos as condições para a máxima produção de fruto: "Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda" (15.2). Para que mais uvas cresçam, o Senhor poda os ramos, removendo o que for  inútil e tudo o que poderia desviar a força vital da produção. A poda é dolorosa, mas necessária porque muitas coisas sugam nossa força e nos impedem de sermos mais produtivos. Todos nós necessitamos de alguma poda. Além da poda, para que a produção seja contínua, precisamos permanecer na videira (15.4). Sem a ligação vital com a videira, o próprio ramo murcha e morre.
II – É NECESSÁRIO QUE O RAMO QUE PRODUZ FRUTOS PERMANEÇA EM CRISTO:
Permanecer em Jesus é essencial para viver e frutificar. "Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer" (15.4-5). Para produzir fruto precisamos manter uma ligação ininterrupta, uma relação ativa e constante com Jesus. Os ramos que permanecem em Cristo produzem muito fruto (15.5), mas aqueles que não permanecem são colhidos e lançados no fogo (15.6). A ausência de Jesus da vida de alguém marca sua profunda limitação, pois Ele afirma a todos nós: "sem mim nada podeis fazer" (15.5). Separado de Jesus, não posso fazer nada para melhorar minha relação com Deus. Muitos tentam andar sozinhos, acreditando em sua própria bondade e em seu discernimento e que estes irão produzir fruto, sem se apoiar no Senhor. Mas somente através de Jesus somos capazes de cumprir a justiça e a verdade que o Senhor espera que produzamos. Jesus permanece em nós através de suas palavras: "Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós..." (15.7). Precisamos recordar sempre do que Jesus disse e meditar de modo que Ele possa viver permanentemente em nós. O outro modo pelo qual Jesus permanece em nós é ao guardarmos os Seus mandamentos: "Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço" (15.10).
III – QUEM PERMANECE EM CRISTO GUARDA OS SEUS MANDAMENTOS:
Se guardarmos os mandamentos de Jesus, então permaneceremos em Seu amor: "Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço" (15.9-10). É importante destacar o discípulo de Cristo pode gozar da mesma intimidade que o Filho  goza com o Pai. Outra benção ligada com a guarda dos mandamentos do Senhor é a plena alegria: "Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo" (15.11). Jesus conhecia a alegria de agradar a Deus e sabia que nossa alegria depende de nossa obediência ao Pai. Muitos pensam que os mandamentos de Deus são indevidamente restritivos e que o Senhor estava buscando nos privar de todos os prazeres. A verdade é que o Senhor que nos criou sabe como viveremos melhor e sabe que nossas maiores alegrias virão quando obedecermos a Cristo de todo o coração. Uma bênção final é que Jesus nos trata como amigos e não como meros escravos. "Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer" (15.14-15). Um senhor daria somente ordens a um escravo, mas Jesus, como o Senhor amoroso, realmente partilhava Seu coração com Seus amigos explicando Seus planos e propósitos e dando aos discípulos discernimento de Seu pensamento. Jesus identificou um mandamento chave que precisamos guardar: "O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei" (15.12,17).
IV – QUEM GUARDA SEUS MANDAMENTOS PRATICA O AMOR AO PRÓXIMO:
O mandamento para amar os outros é muito antigo como mostra Levítico 19.18. Mas em João 13.34 o mandamento de Jesus soa como algo novo: "Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros" (13.34). A novidade do mandamento de amor é o novo padrão de amor: o amor que Jesus tinha pelo povo. Este é um amor que é maior do que qualquer outro que jamais existiu sobre a terra. Precisamos imitar Jesus no modo como amamos os outros.O amor de Deus abrange todos; não há exceções. E se quisermos imitá-Lo precisamos amar a todos.  Ele sacrificava o que era mais importante. Precisamos deixar prontamente o conforto, as conveniências, os direitos, as posses e nossa própria vontade para servir a outros. Deus nos amou e deu Seu Filho para que pudéssemos ter vida eterna (João 3.16). O verdadeiro amor não se manifesta como fraca indulgência, mas na vontade de tomar decisões duras, quando necessárias, para o bem-estar espiritual de outros. Jesus amou seus discípulos consistentemente, até o fim (13.1). Amar ao outro seria tarefa fácil se fosse algo ocasional e espasmódico. Mas, de fato, devemos nunca parar de amar, na compreensão da Graça. Em Cristo, que é a videira verdadeira, precisamos cumprir Seu propósito frutificando e permanecendo nEle, guardando Seus mandamentos e amando ao outro. Pense e pratique isso! (Reflexão com base em mensagem anunciada na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 31/03/2013).