REFLEXÕES PASTORAIS COM GRAÇA

terça-feira, 20 de março de 2012

ALERTA AOS QUE TROPEÇAM NO FALAR E NÃO SABEM VIVER EM COMUNHÃO!

Tg 3.1 - 4.12 instruem sobre os malefícios da língua e a origem dos conflitos, das guerras e da perda de comunhão advindas daqueles e daquelas que tropeçam no falar. Vejamos parte por parte:
1.   NÃO DEVEMOS TROPEÇAR NO FALAR (Tg 3):
Tiago alerta para algo que não devemos ignorar: todos tropeçam em muitas coisas! Tiago não exclui nenhum dos irmãos. Todos nós tropeçamos em muitas coisas. Após demonstrar que todos os cristãos estão sujeitos a erros, tanto comportamentais quanto conceituais, Tiago estipula uma condição para alguém ser perfeito: se não tropeçar em palavra, o homem é perfeito. Todos que crêem na palavra tornam-se perfeitos, pois alcançaram a salvação em Cristo (1Co 2.6; 2Co 13.11 ). Ou seja, Tiago estava demonstrando que quem não tropeça na palavra alcançou a perfeição, isto porque muitos desejavam ser mestres, porém não compreendiam a palavra que concede a perfeição em Cristo. Muitos buscavam somente a posição de mestre por vanglória, o que promoveria a inveja, o sentimento faccioso, a confusão e toda má obra (Tg 3.6 ). Quem quisesse ser sábio e entendido, condição essencial para ser mestre, bastava ter um bom procedimento (Tg 3.13 ).  Tiago passa a exemplos figurativos. Os exemplos apontam o contraste entre o tamanho e força do cavalo e a pequenez dos freios que os controlam. Ele apresenta o contraste entre o tamanho das embarcações e o leme que as orienta.  Devemos ter cuidado com a língua e o efeito devastador que ela pode causar. Tiago evidencia o quanto é importante ter a língua sob controleA carta apresenta uma verdade: a língua é um pequeno membro que se gloria de grandes coisas! Ou seja, muitos dentro da igreja se gabavam de serem mestres, mesmo quando não tinham esse dom. Porém, é difícil que alguém venha a se gabar das funções que aparentemente são pequenas. Muitos em nossos dias se ensorbebecem de grandes feitos, grandes ajuntamentos, grandes mensagens. Porém, este é um feito próprio da língua quando sobre ela não se tem domínio. Mas cuidado... apenas uma fagulha de fogo pode incendiar uma floresta inteira! A língua é comparada a uma fagulha que incendeia uma selva. Por vir especificada ‘um fogo’, demonstra que ela não é fogo, mas é comparável ao fogo por ter a capacidade de inflamar. Como a língua é um pequeno membro que se vangloria de grandes coisas, todos os cristãos devem ter o cuidado de gloriar-se apenas em Deus (Jr 9.24 ; 1Co 1.31 ; 2Co 10.17 ), pois no Senhor não há diferenças sócio-econômicas. Aquele que procura ser mestre somente como meio para se vangloriar, sem ter a chamada para tal ministério, poderia causar um grande prejuízo a igreja de Deus, visto que poderia introduzir algum erro conceitual e a devastação seria semelhante ao pequeno fogo em uma floresta. Para evitar tão grande mal, todo homem deve estar pronto a ouvir e ser tardio em falar, a exemplo daqueles que, diante da tentação, diziam de maneira equivocada que estavam sendo tentados pelo Senhor (Tg 1.13 -17). Qual não seria o estrago na igreja se alguém com este erro conceitual viesse a alcançar a posição de mestre?  Aquele que é enganado pelo seu próprio coração acredita que é religioso. Estes geralmente não controlam a língua, estão prontos a falar, são tardios em ouvir, e acabam lançando mão da ira (Tg 1.16 ). Como todos tropeçam em muitas coisas, aquele que se gaba e alcança uma posição de destaque, irá tropeçar em palavras. Desta forma, a língua deste incauto será como fogo. Tiago dá mais um alerta: a língua pode acelerar o processo de destruição do homem, que sem a intervenção da língua, seria natural, ou seja, seria conforme o curso próprio da natureza. Isto porque o curso da natureza do homem é a morte, e a língua tem a capacidade de inflamar; ela acelera o curso da natureza.   Onde há pecado, há morte e a justiça de Deus não opera, o que resta é o fogo do inferno (Tg 1.20 e Tg 3.6 ). Apesar da condição anterior (v. 7), o homem não pode domar a língua. Observe que Tiago aponta uma impossibilidade: nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode controlar; está cheia de peçonha mortal. A carta evidencia a incoerência de alguns quando bendizem a Deus e amaldiçoam a Sua criatura. Isto quer dizer que de uma mesma boca, através de uma mesma língua, jorra benção e maldição. Não é conveniente a cristãos que procedam desta maneira. Caso alguém questionasse o fato de não ser próprio aos irmãos falarem mal uns dos outros Tiago passa aos exemplos e motiva a sua argumentação. Cada fonte jorra a água que lhe é própria. Mas, uma fonte de um mesmo manancial só pode produzir um único tipo de água. Muitos são os cristãos que se sentiam mestres, sábios e entendidos, porém a sabedoria que neles estava não vinha de Deus (Tg 3.1 e 13). A pretensa sabedoria que alguns possuíam não era a sabedoria que vem do alto. A carta descreve a sabedoria que vem de Deus, como a que Ele  dá liberalmente a todos “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada” (Tg 1.5). Ele chega a uma conclusão: o fruto da justiça semeia-se na paz! O que isso significa? Não se semeia o fruto, e sim a semente, pois devemos ter em mente que a semente dará o seu fruto no devido tempo. Ou seja, para se obter o fruto da justiça devemos lançar a semente na paz. Mas, qual é a semente que produz o fruto da justiça? Para se obter o fruto da justiça faz-se necessário semear a semente apropriada, que é a palavra de Deus (1Pe 1.23 ).  Sabemos que Cristo é a nossa paz e que o fruto da justiça só é possível por meio Dele (Ef 2.14 ).
2. NÃO DEVEMOS DAR ESPAÇO A CONTENDAS E À MALEDICÊNCIA (Tg 4.1-12): ISSO NOS LEVA A PERDER A COMUNHÃO!
As contendas e as guerras têm origem nos prazeres que alimentam a carnalidade, como a cobiça, a soberba, a inveja, o ciúme, a insubmissão, a maledicência, a fofoca e  o julgamento ferino. Todas essas coisas promovem e fazem crescer o egoísmo, a indiferença e a discórdia, o que contribui para afastar os homens, uns dos outros, levando-os à perda de comunhão! E isso não agrada a Deus, pois quer ter e manter comunhão com o homem, a quem criou, e de quem espera adoração, além de aguardar que o homem ame (respeite e valorize) o outro, como seu próximo! Não nos esqueçamos: para fugir das contendas, das divisões e dos problemas em relacionamentos, aprendamos a controlar a língua, sendo tardios no falar e prontos para ouvir! Pense e medite nisso! (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 18/03/2012).