segunda-feira, 15 de novembro de 2010

COMO E QUANDO O SENHOR OPERA A MULTIPLICAÇÃO...!

Nossa reflexão de hoje está fundamentada no mui conhecido episódio, presente nos quatro Evangelhos, que descreve a multiplicação feita por Jesus e que alimentou uma grande multidão,constituída por cinco mil homens, a partir de 5 pães e 2 peixes. Iremos nos deter na descrição de Mc 6.31-44. Sabe-se que o homem é um ser que se revela na integralidade de três dimensões. Há a dimensão físico-corporal (que se destaca pelas necessidades econômicas de alimentação, vestuário, habitação, etc.). Há a dimensão da alma (que se destaca pelas necessidades mentais de pensar, refletir, situar-se, tomar decisões, etc.) e há a dimensão do espírito (que se destaca pela necessidade de buscar a Deus, ouvir Sua Palavra e alimentar-se de Seus ensinamentos). A Bíblia está impregnada pela presença do Senhor e de Seu propósito para edificação do ser humano integral, portanto, tanto temos mensagens que expressam a vontade de Deus para suprir não somente o homem em sua dimensão espiritual, como se poderia supor, à primeira vista, mas o ser humano em toda sua complexa e integral dimensão, compreendendo a satisfação dos três níveis.
Desejo refletir hoje sobre um especial momento em que Jesus se revela muito preocupado com a dimensão física dos seus seguidores. A cena é a seguinte:  Jesus estava junto de grande multidão. Ele estava em Sua missão conforme declarou em Lc 4. 18,19 (que reproduz Is 61.1,2):
“O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me enviou para:
- evangelizar os pobres;
- proclamar libertação aos cativos,
- restauração da vista aos cegos,
- por em liberdade os oprimidos,
- apregoar o ano aceitável do Senhor”.
A ação empreendida pelo Senhor embora pareça, à primeira vista, apenas atender à dimensão espiritual do ser humano – como muitos advogam ser este o papel da Igreja de Cristo - situa-se na afirmação da integralidade do homem e da mulher.
Assim, Jesus mostrou preocupação e conduziu Seu ministério para atender as necessidades da alma e do espírito do homem, posto que Ele evangelizou, expulsou demônios, ressuscitou, deu vista aos cegos, pôs em liberdade os oprimidos, mas de igual forma, atentou para as necessidades de um povo faminto, pois alimentou, de forma miraculosa, a uma grande multidão, assim como nos relata o Evangelho, no milagre da multiplicação dos pães e peixes.
Saibamos, portanto, que Jesus se preocupa e atende ao homem por inteiro, em corpo, alma e espírito. Mas esta reflexão pretende compreender as condições em que o milagre da multiplicação de pães e peixes aconteceu e o que podemos aprender disso para aplicação atual em nossas vidas.
É CERTO QUE É JESUS QUEM FAZ A MULTIPLICAÇÃO, MAS O MILAGRE SOMENTE É POSSÍVEL NA VIDA DE QUEM APRENDE A DIMINUIR, A SOMAR E A DIVIDIR:
Vejamos, por partes, como tudo aconteceu:
As cenas anteriores estão descritas nos versículos 31-34, pois sabemos que após voltarem da missão confiada pelo Senhor (v. 7-13) que os enviara de dois em dois, os apóstolos foram a Jesus (v.30) e relataram tudo o que haviam feito e ensinado; como todos estavam cansados, Jesus os convida para irem com Ele repousar em lugar deserto (v. 31, 32) e tomam um barco, indo para um lugar deserto. Mas eis que muitos os viram partir (v. 33) e correram para lá, a pé, vindo de todas as cidades e chegaram antes deles. O v. 34 marca o coração compassivo de Jesus, pois ao ver a multidão, enche-se de misericórdia, vendo-os como "ovelhas que não têm pastor", e passa-lhes a ensinar muitas coisas. Este é o cenário que antecede ao momento que nos interessa mais para a análise desta reflexão. O cenário seguinte foi este: a  multidão era muito grande, a tarde se ia findando, a noite se aproximava, a região era deserta e o povo parecia cansado e faminto. Então, delineava-se um problema, e agora, o que fazer?
1) v. 35,36: Ao identificar o problema da grande multidão que ouvia a Cristo, os discípulos pareceram mostrar preocupação e interesse, pois foram até o Mestre. Mas a análise mais aprofundada revela que não. Ao contrário, demonstraram indiferença e hipocrisia. Ali era uma região deserta, a noite já se aproximava, a solução seria despedir a multidão para que, cada um desse seu jeito? Mas onde aquela quantidade de pessoas iria comprar algo para se alimentar? Os discípulos sabiam disso, então, a aparente preocupação revelava ter identificado o problema do outro, mas fazer o quê? Eles têm problema, mas não há muito o que fazer por eles! Ocorre que não  é isto que nos ensina o Senhor! Aprendemos, então, com Jesus que é preciso DIMINUIR a indiferença, a hipocrisia e o egoísmo, até que sejam estes extirpados do coração e da atitude de um verdadeiro discípulo. Somente diminuindo o Eu, pode-se ver e sentir a necessidade do Outro!
2) v. 37: Por isso que Jesus percebendo tudo respondeu-lhes: "Daí-lhes de comer”. Ou seja, ei vocês, aprendam a somar com os outros, importem-se com eles! Aprendemos, então, com Jesus que é preciso SOMAR responsabilidade e assumir que o problema do outro, também é problema meu.
3) v. 38: Questionaram os discípulos quanto a como comprar pães ali onde não havia nada. Mas Jesus lhes pergunta sobre quantos pães eles tinham, ou seja, o que vocês têm que possa ser partilhado? Vejam e voltem aqui comigo, é o que Ele lhes fala. Eles saem e voltam depois com 5 pães e 2 peixinhos (em Jo 6.9 ficamos sabendo na narrativa do mesmo episódio que eram de um menino que ali estava). Aprendemos, então, com Jesus, que é preciso estar disposto a DIVIDIR o que se tem.
Antes de ver o milagre da multiplicação em nossa vida, devemos estar dispostos a fazer o mesmo, estando propensos a colocar todos os recursos nas mãos do Senhor e deixá-Lo dividir à vontade.
4) v. 39-44: Quando o homem aprende a DIMINUIR seu egoísmo e sua indiferença para com a necessidade do outro, quando aprende a SOMAR esforços e responsabilidade para ajudar o outro, quando aprende a DIVIDIR o que possui, colocando tudo o que dispõe ao alcance do Senhor, aí Ele realiza o milagre e faz a MULTIPLICAÇÃO.
Na lógica das relações sociais e econômicas capitalistas que atende aos anseios do consumismo exacerbado e ao culto do individualismo, onde predomina a competição egoísta e acirrada, não fazem sentido a partilha, a cooperação,o compartilhamento e a solidariedade tão presentes no ministério de Jesus. Os recursos levados a Jesus eram por si mesmos insuficientes até para os discípulos, então por que levá-los a Ele? Aí é que está a diferença: nas mãos do Senhor, meus poucos e insuficientes recursos se multiplicam, como ocorreu com os 5 pães e os 2 peixinhos, posto que foram multiplicados e todos comeram e se fartaram (cinco mil homens, não incluindo as mulheres e crianças, o que pode ter dobrado a quantidade de saciados), sobrando, ainda, 12 cestos com restos de comida.
Em síntese aprendamos:
Quem deseja bençãos multiplicadas sobre sua vida, DEVE
DIMINUIR a indiferença e o egoísmo para com o outro, SOMAR responsabilidade (o problema do outro é problema meu, também), DIVIDIR os recursos (seu tempo, seus bens e seus talentos), mesmo que sejam poucos.
Proceda dessa forma, aja mais com fé e a MULTIPLICAÇÃO será uma constante em sua vida! (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 14/11/2010).

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