REFLEXÕES PASTORAIS COM GRAÇA

sábado, 2 de outubro de 2010

UMA BREVE REFLEXÃO SOBRE AS ELEIÇÕES E A PARTICIPAÇÃO DA IGREJA

Estamos a algumas horas das eleições gerais brasileiras e segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE/2010), 135.804.433 eleitores aptos, incluindo neste total, 200.392 no exterior, irão às urnas e escolherão seis candidatos para ocuparem posições de liderança, tanto nas Assembléias estaduais e na distrital, na Câmara e no Senado, em cada governo estadual e no DF, bem como na Presidência da República. Como cidadão brasileiro voto há 40 anos e exerço meus direitos sempre de forma muito clara e decidida. Leio muito, procuro ver e analisar, a cada dia, as notícias e os informativos sobre economia e política. Como professor universitário e consultor de empresas sou confrontado, diariamente, sobre questões e problemas ligados a essas temáticas. Sei em quem vou votar e procuro analisar cada candidato segundo alguns critérios sobre posturas, história de vida, coerências, valores éticos e morais, capacidade de gestão e sensibilidade de olhar o outro, em especial o excluído e marginalizado, como uma pessoa, não como um objeto. Como pastor e dirigente de Igreja tenho, também, uma posição bem definida. Igreja não vota, não faz aliança política, não se envolve com política partidária, não apóia candidato. Creio ser inadmissível que, em nome da religião, cidadãos livres sofram pressões ideológicas, da mesma forma como não aceito e condeno a prática de os religiosos livres sofrerem pressões ideológicas. Se o estado é laico, entre nós, tornam-se incoerentes a existência de feriados santos, expressões religiosas nas cédulas de dinheiro, espaços e recursos públicos loteados entre segmentos religiosos institucionais. É lamentável e vergonhoso quando assistimos a cenas em que líderes espirituais emprestam sua credibilidade em assuntos de fé, servindo a interesses efêmeros e duvidosos, em termos de postulados ideológicos e valores morais. Votar é prerrogativa do cidadão, não da igreja. Por essa razão não votam os clubes de futebol, as associações de bairros, as instituições civis diversas; mesmo as filantrópicas não votam. Quem vota é o cidadão. Ademais, a Igreja é um espaço democrático, em que todos e todas, a despeito de gênero, raça, classe social e opção política convivem e professam sua fé. Na Igreja estão, lado a lado, homens, mulheres e jovens, não importando o partido político a que estejam, porventura, filiados, se de situação ou de oposição (ou se classificado como de centro, ou direita, ou esquerda; ou ainda, liberal ou progressista); o que importa, é que ali deve haver um espírito de união, de solidariedade e de intensa comunhão, pois são da comunidade de fé. A Igreja que se envolve e se compromete com uma candidatura específica ou faz uma aliança partidária, direta ou indiretamente, rejeita e marginaliza aqueles fiéis que fizeram opções diferentes. Há um agravante histórico, quando religião e política se misturam. A mistura entre religião e política é responsável por terríveis males na história da humanidade. Muitos foram os crimes cometidos pelos religiosos, mas certamente matar em nome de Deus, é o maior deles. E o que deve fazer a Igreja? A Igreja tem um papel e é profético. Devemos elogiar e enaltecermos os feitos do governo que minimizam as dores e as mazelas sociais, as políticas públicas que proporcionem transformações sociais efetivas e conduzam ao desenvolvimento integral do ser humano. Mas quando a autoridade governamental se corrompe e não cumpre seu papel institucional a igreja deve se manifestar e condenar tal prática. A Igreja não deve estar ao lado do governo, ou contra este. A Igreja não é governo, nem oposição a ele. Mas todo cristão é, também, cidadão, logo deve exercer sua cidadania à luz dos valores do Reino de Deus e da ética cristã, envidando seus esforços para, de forma solidária, engajar-se na promoção de movimentos sociais que promovam justiça, paz e bem estar social. Domingo é dia de eleição e comparecer às urnas é um ato imperioso e intransferível de cidadania responsável, principalmente por ser uma oportunidade única de cooperar na construção de uma sociedade brasileira mais livre, economicamente mais igualitária e socialmente mais justa!Que Deus nos abençoe e ilumine quanto a discernir e a decidir; e que, em tudo, cumpra-se Sua vontade!

1 Comentários:

  • Clara, objetiva e emocionante. O Brasil necessita urgentemente de lideranças religiosas que tenham o mesmo perfil demonstrado em Vossa reflexão. Parabens!

    Por Anonymous Wilson Wischansky Tucuruí - Pará, Às 2 de outubro de 2010 11:00  

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]



<< Página inicial