quarta-feira, 24 de outubro de 2007

LENDO A BÍBLIA COM OS OLHOS DA GRAÇA por Caio Fábio

Deus não se tornou amor. Ele é amor. Portanto, Deus sempre foi quem Ele é. Sua manifestação aos homens, todavia, é que “cresceu” aos sentidos humanos no curso das eras, posto que embora houvesse aqueles que o conhecessem como Graça (e o A.T. está cheio de Graça), sendo justificados pela fé (Hb 11), a maioria da humanidade, e também do povo escolhido para levar o “testemunho” (Israel), não poderia discernir a Graça de Deus se não fosse encerrado na certeza do pecado, isto conforme Paulo aos Romanos e a epistola aos Hebreus. Assim, a lei foi dada para avultar a culpa e o pecado. No entanto, nunca ninguém foi salvo pela Lei, tendo todos sido salvos exclusivamente pela fé, em qualquer tempo ou em qualquer era. Ele (o Senhor) falou de muitos modos e de muitas maneiras, mas, para sempre, falou por meio do Filho. Portanto, segundo várias cartas de Paulo e segundo a epistola aos Hebreus, todas aquelas coisas anteriores (a Lei e seus cerimoniais), eram apenas uma pedagogia simbólica, e que teve o seu lugar na infância da formação da consciência, tendo caído em obsolescência quando tudo o que antes era sombra e arquétipo veio a ganhar concreção final em Jesus, o qual é Deus encarnado, e em Quem habita corporalmente toda a plenitude da divindade. Assim, no A.T. temos um processo de uma longa pedagogia divina, e que muitas vezes está carregada de coisas que ferem os nossos “sentidos atuais”, mas que eram normais para o homem antigo. Desse modo, o escândalo é nosso, mas nunca foi deles. E é assim porque a revelação de Deus aos homens acontece conforme o estágio de percepção no qual eles se encontram, sendo que, agora, Deus diz a todo homem e em todo lugar, que Ele já se reconciliou com o mundo, por meio de um Varão ao qual Ele creditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos: Jesus. Quando leio a Bíblia faço-o ao contrário do que normalmente as pessoas fazem. Ou seja: leio conforme Jesus, que mostrava o que a Seu respeito constava em todas as Escrituras. Ora, com isso não digo que procuro profecias que “conformem o messiado” de Jesus, mas sim que leio buscando o espírito do Evangelho na Velha Aliança, a qual, embora agora “tenha sido removida” (Hebreus), carrega em si a semente imutável do amor e da justiça divinos. Desse modo, leio a Bíblia a partir de Jesus, posto que Nele a Palavra se encarnou, se explicou, se auto-interpretou e fez sua própria aplicação à vida como um todo. Por isso, tudo aquilo que eu leio na Escritura e que não combina com o espírito do Evangelho, sem hesitação, à semelhança de Paulo e do escritor de Hebreus, eu considero como tendo caído em sua vigência, posto que está claramente afirmado que eram apenas “sombra de coisas que haviam de vir”. Na realidade no A.T. Deus não estava dizendo, sobretudo quem Ele era, mas sim quem nós somos.

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