sexta-feira, 16 de julho de 2010

DESPERTA MULHER! TU, QUE DORMES, DESPERTA PARA O CHAMADO DE DEUS!

O livro de Juízes descreve um período de 400 anos, aproximadamente, desde a conquista e posse de Canaã, a terra prometida, até a instalação da monarquia em Israel. Esse foi o tempo em que o Senhor levantou juízes sobre Israel. Os juízes foram magistrados que exerciam funções civis e militares. Ao todo foram 13 os juízes,o primeiro foi Otniel e o último, Samuel. Mas houve entre eles, uma mulher, Débora, que a Bíblia descreve como a mulher de Lapidote. O capítulo 3 fornece um padrão para a compreensão dos relatos que se sucedem em todo o livro. Os israelitas, após a morte de Josué, passaram a viver entre os povos de Canaã. Eles participaram de casamentos mistos com estrangeiros e depois serviram aos deuses falsos (ídolos) deles. Essa mistura maligna acendeu a ira de Deus, que levantava uma nação contra eles, subjugando-os. Então os israelitas clamavam ao Senhor que levantava um juiz ou libertador sobre eles, contra quem prevalecia. Reveja o padrão: o povo se afasta do Senhor (apostasia). Ele envia uma nação para oprimi-lo (opressão). O povo clama a Deus (oração). Ele ouve e levanta um libertador (libertação). O opressor é derrotado. O povo tem descanso. Nem todas as partes desse padrão são evidenciadas em todas as histórias de Juízes, mas o padrão é praticamente o mesmo. O juiz era um líder carismático, não escolhido oficialmente pelo povo, mas levantado pelo Senhor. O Espírito de Deus descia para dar autoridade e poder ao juiz para que lidasse com uma situação particular. Não era rei e não estabelecia dinastia ou uma família governante. O juiz era a pessoa escolhida por Deus para expulsar o opressor e dar paz à terra e ao povo.
Detenho-me em especial em um momento 4.1 - 5.31 em que o Rei Jabim e seu comandante Sísera oprimiam Israel já por 20 anos. Em 4.1 nos é apresentada Débora que se constitui na única juíza de Israel. No centro de uma cultura que exclui a mulher e lhe estabelecia uma posição inferior, ela exerceu um papel único e extraordinário; ela foi quem melhor fez a síntese de sua vida – “eu Débora me levantei por mãe em Israel”.
Débora foi uma mulher corajosa e “inconformada” (Rm 12.1,2) com a situação de seu povo. Vejamos os destaques de sua vida, e seus exemplos como mulher:
I – MULHER QUE ASSUME PAPEL DE LIDERANÇA (4.4-5)
1. Ela foi profetisa e juiza:
-Profetisa (v. 4 “profetisa”) – discernia e proclamava os desígnios de Deus: Era a voz profética de Deus perante o povo.
-Juíza (v.4 “julgava a Israel naquele tempo”) – mediadora jurídica das divergências relacionais: Era a voz forte de justiça entre os israelitas.
2. Ela se dispõs a orientar, instruir e julgar:
-1) estava disponível para atendimento (v. 5 “... atendia debaixo da palmeira...”)
-2) não discriminava no atendimento (v. 5 “... e os filhos de Israel subiam a ela a juízo”)
Aqueles foram tempos difíceis, mas Débora superou as limitações impostas pela cultura que a excluia e não se limitou a ser, apenas, “mulher de Lapidote” (v. 4). Teve, ao contrário, clareza do chamado do Senhor e discerniu ampliar suas fronteiras, não apenas domésticas, mas líder de todo o povo. Deus nos conduz a ampliar nosso mundo, a assumir posição de líder e a conquistar mais e mais.
II – MULHER QUE AMPLIA SUA VISÃO (4.6-7)
1. é preciso ter visão partilhada com quem tem credibilidade para ser parceiro (v. 6 “mandou ela chamar a Baraque....”)
A dinâmica do Reino de Deus se fundamenta muito em parcerias (Lc 10.1- Jesus Cristo designa 70 e os envia de dois em dois para anunciar as Boas Novas, curar e libertar).
2. é preciso ter visão e percepção de que a autoridade soberana é do Senhor (v. 6 “... o Senhor, Deus de Israel, deu ordem....”)
O Senhor ordena? Então, obedeça!
3. é preciso ter visão de que a vitória exige unidade de homens (v.. 6 “... leva gente ao monte Tabor e toma contigo 10.000 homens.....”) mas que acontecerá por milagre de Deus (v. 7”.. e o darei nas tuas mãos”)
Débora poderia ter sido, apenas, profetisa e juíza, mas discerniu que Deus tinha para ela fronteiras maiores do que o exercício dos ministérios específicos: ela deveria ser instrumento de liberdade espiritual e liberdade política. Sem desconsiderar seu ministério na comunidade da fé, Deus convoca você a ser uma alternativa para os males que assolam nossa nação.Para tanto, é imperioso ampliar a visão, ver o invisível, ouvir o inaudível e experimentar o sobrenatural de Deus.
III – MULHER QUE É IMPULSIONADA POR FÉ E CORAGEM (4.8-14)
1. É preciso ter fé e ousar, pagando o preço de um comprometimento direto no enfrentamento da batalha (v. 8-9 “... se fores comigo, irei, porém, se não fores comigo, não irei; ela respondeu: certamente irei... e se foi com Baraque”).
2. É preciso ter fé e ousar, motivando outros líderes (v. 10 “Baraque convocou.... e Débora também subiu com eles”; 5:9 – “meu coração se inclina para os comandantes de Israel”)
3. É preciso ter fé e ousar, motivando a todos (5:2 “.. e o povo se ofereceu voluntariamente...”)
4. É preciso ter fé e ousar, reafirmando o lugar do Senhor na batalha (v.11-14 “... este é o dia que o Senhor entregou a Sísera nas tuas mãos porventura, o Senhor não saiu adiante de ti?...)
Débora poderia ser, apenas, uma mulher que teve uma grande visão, porém discerniu que Deus tinha para ela fronteiras maiores do que a revelação de Sua visão, por isso, com coragem, posicionou-se ao lado dos que foram usados por Deus na libertação efetiva da sua nação. Deus convoca você a ser e exercer uma liderança saudável e abençoada por Ele. Amplie sua fé e assuma posições de confronto em batalhas, pois certamente o Senhor preparará a vitória!
Débora levantou-se como “mãe de Israel”. Como mulher determinada (5.7), ela ouviu a voz de Deus dizendo claramente “Desperta, Débora, desperta, desperta, acorda..” (5.12) e ela imediatamente despertou: exercendo responsavelmente seu ministério; recebendo e compartilhando uma visão clara de que Deus daria à nação uma superação completa da crise - assumiu a dor de seu povo, orou, motivou, desafiou; teve ela coragem para enfrentar os imensos desafios do campo de batalha e obter a vitória:
- que foi do Senhor (v. 15 “e o Senhor derrotou a Sísera, e todos os seus carros e a todo o seu exército...)
- que foi completa (v. 16 “... e todo o exército de Sísera caiu a fio de espada, sem escapar nem sequer um”; v. 17-22 Jael mata Sísera que havia fugido; v. 23-24 – o rei Jabim também foi exterminado)
- que trouxe paz (5.31 “... e a terra ficou em paz quarenta anos”)
É preciso, ainda, dar maior destaque a ação de Jael (4.17-24), mulher de Héber, que usou de artimanha para acolher em sua tenda o fugitivo general Sísera, e no intuito de escondê-lo, cobriu-o com um manto, e quando este adormeceu, cravou-lhe uma estaca em sua fonte e o matou.
Em um período de Israel marcado pelo sofrimento e opressão, a história foi escrita – de forma magistral – por duas corajosas e determinadas mulheres, Débora e Jael.
Deus tem dado às mulheres dons e ministérios específicos. Eis que Ele chama você, mulher, para novas fronteiras, novos sonhos, novos planos, novas realizações. Disponha-se, pois, como mulher, a participar da obra do Senhor! Queira aprender mais a Bíblia. Na comunidade de fé não falte a nenhum dos cultos do Ministério de Mulheres. Não falte aos estudos bíblicos. Não falte aos cultos da família em comunhão aos domingos. Interesse-se mais pela sua espiritualidade. Busque a paz de Cristo que excede todo o entendimento. Mas saiba que viver neste mundo pós-moderno é estar preparada para a guerra, em todos os sentidos, em todas as áreas.
Faça como Débora, a profetiza e juíza de Israel, desperte! Desperte para a vida de vitória, desperte para Deus! (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto do Ministério de Mulheres, quinta-feira 15/07/2010).

Um comentário:

Rosidelma Olga disse...

Gostei mto dessa reflexao,quem dera se nós mulheres tivessemos coragem para levartarmos e posisionarmos de frente na obra do Senhor. maravilhoso.