REFLEXÕES PASTORAIS COM GRAÇA

segunda-feira, 21 de março de 2011

AÇÃO E REAÇÃO NAS RELAÇÕES ENTRE O SER HUMANO E DEUS

Reflitamos sobre atitudes humanas e respostas de Deus, sobre ações apóstatas e reações do Senhor, que é Santo, Todo-Poderoso e Justo. Vejamos o livro de Jeremias. O profeta inicia, de forma poética, em 8.4-22 e 9.23,24, retomando seus comentários sobre a inevitabilidade do castigo divino aos pecadores. É preciso entender que uma atmosfera de conflito marcou o ministério e a atuação profética de Jeremias. Ele vociferava contra o pecado de Judá e repreendia severamente o povo por causa da idolatria e dos falsos profetas, em seu meio. Mas o profeta amava o povo de Judá, apesar de seus pecados, e orava por ele. Embora o juízo seja um dos temas centrais dos escritos de Jeremias, o profeta ressaltou com todo o cuidado, que o arrependimento, desde que sincero, adiaria o inevitável castigo. Conclamado para a tarefa ingrata de proclamar a destruição do reino de Judá, Jeremias foi comissionado para registrar a acusação formal de Deus contra o povo e proclamar o fim de uma era. Mas o juízo de Deus contra o Seu povo, embora fosse terrível, não seria a palavra final, pois Sua misericórdia e a fidelidade diante da aliança triunfariam sobre a ira. Depois do juízo, haveria a restauração e a renovação. O próprio Deus que impeliu Jeremias a censurar o pecado, era o mesmo que o autorizava a proclamar que a ira divina tinha limites, 70 anos. Depois viriam o perdão e a purificação. Um novo dia – de restauração – iria surgir. Vejamos o texto bíblico selecionado, por partes:
I – QUANDO SE CAI, PODE-SE LEVANTAR. QUANDO SE DESVIA DE UM CAMINHO, PODE-SE PROCURAR E ENCONTRAR O RUMO CERTO.
Isso é verdade, em nossas observações do cotidiano. Quedas, tropeços e desvios são possibilidades reais em nossas vidas, mas tanto o homem quanto a mulher possuem condições para sozinhos, ou com ajuda, superarem os obstáculos e romperem rumo ao conserto e a vitória. O Senhor orienta ao profeta a confrontar o povo e a lançar essas indagações sobre ele. Se isso é possível, por que aquele povo de Jerusalém continuava apostatando continuamente, persistia no engano e não mais queria voltar para a comunhão com Deus? E olha que as pessoas estavam falando e assegurando que eram sábias (8.8) e que a Lei do Senhor estava com elas; não isso não é verdade. Elas serão envergonhadas, aterrorizadas e presas, pois rejeitaram sim a palavra do Senhor (v.9). Veja o questionamento do Senhor: vocês fazem, mas quando querem, sabem desfazer; vocês caem, mas quando querem, sabem se levantar. Vocês tinham comunhão comigo, mas se afastaram, e agora, não sabem mais voltar a Mim? Por quê?
II – NÃO ADIANTA SER SÁBIO, FORTE E RICO E IGNORAR O SENHOR, SUA LEI, SUA GRAÇA E SUA JUSTIÇA
O próprio Senhor assegura em 9.23,24 que “não se glorie o sábio em sua sabedoria, nem o forte na sua força, nem o rico nas suas riquezas. Mas o que se gloriar, glorie-se em saber que Eu Sou o Senhor e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor”. De nada importa a sabedoria humana que se firma em seu próprio juízo. De nada adianta saber, conhecer e perecer. Sem Deus, a sabedoria humana é sem propósitos, infrutífera e vazia.
III – CUIDADO TODOS DEVEM TOMAR COM OS FALSOS PROFETAS
O profeta identifica os falsos profetas como aqueles que “curam artificialmente a ferida de meu povo” (8.11a) afirmando que há paz, quando não há paz (parte b). Como antes, muitos até hoje somente falam e pregam sobre benesses, vitórias, prosperidades, curas, milagres e maravilhas, esquecendo-se de ensinar sobre as tribulações da vida, sobre a natureza destruída e os efeitos climáticos da atualidade, sobre a corrupção e a falta de ética que campeia em nosso meio, seja no secular, seja no eclesiástico. Não pregam mais sobre mudança de vida, novo nascimento, santidade, caráter do verdadeiro cristão, honestidade, salvação e iminência da segunda vinda de Cristo. Não falam mais sobre pecados e suas conseqüências, sobre morte espiritual, arrependimento e perdão. Mas muitos são os que falam sobre prosperidade, ganhos materiais e financeiros, busca por curas e milagres. Enfim, muitos são os que apenas profetizam palavras de bênçãos e riquezas, não mais se exorta, não mais se ensina sobre ética e mudança de vida, não mais se condenam pecados e a corrupção que campeia em nosso meio.
IV – MAS OS VERDADEIROS PROFETAS – ASSIM COMO JEREMIAS – ESTÃO ENTRISTECIDOS E DOÍDOS PELOS PECADOS DO POVO
É fácil identificar a dor profunda experimentada pelo profeta Jeremias por causa do povo (8.18 ss). E fica evidente seu clamor, na versão NVI permanecem os questionamentos do profeta: “A tristeza tomou conta de mim; o meu coração desfalece. Ouça o grito de socorro da minha filha, do meu povo, grito que se estende por toda esta terra: O Senhor não está em Sião? Não se acha mais ali o seu rei? Por que eles me provocaram a ira com os seus ídolos, com os seus inúteis deuses estrangeiros? Passou a época da colheita, acabou o verão, e não estamos salvos. Estou arrasado com a devastação sofrida pelo meu povo. Choro muito, e o pavor se apodera de mim. Não há bálsamo em Gileade? Não há médico? Por que será, então, que não há sinal de cura para a ferida do meu povo?”
Observem que o livro de Jeremias termina – cap. 52 – com a queda de Jerusalém e o cativeiro de Judá. Tudo termina como havia predito o profeta do Senhor. É sempre assim: quando é de Deus se cumpre!
Mas hoje, assim como nos idos de Jeremias, há homens e mulheres que ficam surdos e surdas à voz de Deus e não sabem distinguir, na maioria das vezes, os falsos profetas que nos rodeiam, tampouco identificam o joio no meio do trigo em suas comunidades de fé. Muitos são os que insistem em seguir quem fala que está tudo bem e se rebelam contra quem deseja apascentar com amor, mas com palavras proféticas de exortação, renovação e restauração de caráter e direção, pautada em ética, generosidade e serviço, marcas indeléveis dos verdadeiros discípulos de Cristo. Cuidado! Orai e vigiai é a ordem do Senhor, e segundo o apóstolo Paulo em I Ts 5.19-22 que nos recomenda não apagar o Espírito, não desprezar as profecias e a julgar todas as coisas, é necessário reter o que é bom, e abster-se de toda forma do mal. E que a Igreja de Cristo diga amém! (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 20/03/2011).

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