segunda-feira, 8 de agosto de 2011

CONDIÇÃO IMPOSTA PELO SENHOR AOS QUE PRETENDEM SEGUI-LO: NEGAR-SE A SI MESMO E TOMAR A CRUZ!

O que é necessário para seguir Jesus? O que Ele espera de Seus discípulos e seguidores? Inicialmente, há uma pré-condição: o desejo de segui-Lo. Não existe coação, pois os discípulos de Cristo são voluntários. Seguir após Jesus envolve um compromisso que é o de se afastar das ligações psicológicas com o mundo e seus padrões, modelos, sistemas e condições para submeter-se a Cristo e ser contado entre aqueles que estão em plena relação com Ele. Em Mt 16.24 eis que Jesus articula três conceitos básicos envolvendo “o vir após Mim”. Ninguém será aceito se recusar o que Ele estipulou.  Então reflitamos em Mt 16.24 onde há a síntese dos passos que cada pessoa que se interessa em seguir a Cristo deve dar para assumir na condição de discípulo Seu.
DISSE JESUS: QUEM QUISER VIR APÓS MIM,... (v.24, parte a)
I- A SI MESMO SE NEGUE (parte b)
Atualmente predomina a lógica máxima do capitalismo que apregoa que somente os fortes sobreviverão e que a força é medida pela conquista, não importam os meios. Em uma realidade assim, sustentam-se e prevalecem o utilitarismo, o consumismo, o individualismo, o egoísmo, a exploração do homem pelo homem, em que os valores materiais e econômicos sobrepõem aos de solidariedade, comunhão e paz. Negar-se a si mesmo soa como um verdadeiro disparate, algo impraticável aos que querem e lutam para vencer. Impor vontade e firmar-se em um mundo altamente competitivo é a máxima que é ensinada hoje nos cursos de graduação e pós-graduação de temas ligados à liderança, empreendedorismo e gestão de negócios. Neste mundo importa ser livre, afinal, vivemos em um regime democrático em que deve imperar a liberdade, ampla e irrestrita, embora legalmente revestida por limites que impedem de prejudicar o outro. O homem sonha por ser livre. E isso é bom! Afinal, a história das civilizações nos mostra que ao longo dos séculos de tirania e vassalagem, os homens sonharam por liberdade, lutaram e muitos morreram para conquistá-la. Muitos são os momentos que a história realça com confrontos para a conquista de direitos humanos que séculos de tirania subtraíram ao homem.
Quem pode ser contra a democracia? Somente os déspotas e os agentes do mal necessitam de um regime autoritário.
Como, pois, entender e praticar o ensinamento de Jesus que nos convoca – caso queiramos segui-Lo – para renunciar às nossas vontades e nos submeter ao Seu jugo, embora seja leve e suave (Mt 11.29,30)?
Negar-se a si mesmo? Como é possível, se ao contrário o que se aprende neste mundo globalizado e altamente competitivo, a cada dia, é que se precisa Afirmar-se a si mesmo?
O que deve fazer o seguidor de Cristo?
Deve adotar uma nova identidade, colocando-se totalmente à disposição de Jesus. O seguidor deve abandonar e rejeitar o Eu como o objeto da vida e da ação. O que segue Jesus não continua mais com pensamentos que elevam modelos egoístas e hipócritas de comportamento. A negação de si mesmo implica em repudiar, afastar-se da sua própria independência em favor de submissão a outro. Devemos dizer "sim" a Cristo e "não" ao Eu. Isto significa assumir Jesus acima do Eu. É mais do que dizer "não" a alguma coisa ou atividade pecaminosa. É dizer "não" à sua própria vontade. O cristão precisa desistir do seu ego, gratificação e aspiração. Paulo disse, "Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" (Rm 12,1-2).
O homem chega a negar a si mesmo quando percebe que existe um caminho diferente do seu e que é mais eficiente e confiável. Jesus foi o maior exemplo disso. Ele disse que só fazia o que via o Pai fazer (Jo 5.19). Tudo quanto via o Pai fazer, então Ele fazia. Este é o principio do negar-se. Se não virmos o Pai, e o Pai se vê em Jesus, nunca iremos negar a nós mesmos. O negar-se é motivado pela revelação de quem é Cristo. Se vemos o Pai perdoar, perdoamos. Se vemos o Pai amar, amamos. Só fazemos o que o Pai faz. Tudo quanto o Pai faz, também, fazemos. Não é difícil e não é penoso. Se entendermos estas palavras, nossa imediata atitude é buscar um relacionamento íntimo e direto com Cristo. Se enxergarmos a Cristo, o negar-se será uma opção simples para nós. Optaremos por não mais odiar, nem julgar, nem fazer qualquer coisa que desagrade a Deus, simplesmente porque o Pai não o faz. Negar-se a si mesmo é, acima de tudo, submeter-se em tudo a Ele, subjugando vontades e desejos mais preciosos.
II – TOME A SUA CRUZ (parte c)
Após negar-se a si mesmo, o discípulo de Cristo precisa tomar sua cruz. Jesus literalmente tomou Sua cruz e carregou-a ao Gólgota. Isso foi o que Ele fez por nós. Este  foi Seu propósito ao vir até nós. E nós, que faremos por Ele? Nosso propósito na vida está concentrado nEle? Então, devemos aceitar uma vida centrada em Cristo e crucificada com Ele! (Rm 6.6:”...foi crucificado com Ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos”).
Atentemos para as palavras do apóstolo Paulo, em Gl 2.19,20: “Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a Si mesmo se entregou por mim”.
Você toma, figurativamente, sua cruz quando se compromete a esvaziar-se do Eu, pelo Senhor e faz disso seu propósito para toda a vida. A discussão que acontece, então, mais do que sobre o sofrimento do homem, expressa o compromisso e sacrifício por Cristo e Sua causa. Observe que a responsabilidade é contínua. Precisamos fazer isto diariamente; não se trata de renúncia momentânea, mas para toda a vida.
III – SIGA-ME (parte d)
E por fim, após negar-se a Si mesmo (Fp 2.5-8) e carregar a própria cruz, Jesus disse, para que cada um O seguisse. Mas Ele não estava simplesmente chamando de forma literal que pessoas viajassem em Sua companhia pelas poeirentas estradas da Galiléia.. Alguns fariam isso, mas tal não estava sendo exigido. O sentido mais amplo é de que todos deveriam imitá-Lo, obedecê-Lo e servi-Lo.
O verbo seguir implica em busca contínua. O apóstolo Pedro (I Pe 2.21) assegura que:” Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos”!
A base para seguirmos Jesus pode estar alicerçada em dor e sofrimento, mas igualmente em alegria e festa; muitas vezes, há falta de perspectiva e imobilismo diante das políticas sociais e econômicas excludentes, e do individualismo crescente, mas ainda há muitas formas de solidariedade, esforço comunitário, criatividade e de luta social em favor da dignidade humana e defesa da vida.  A renúncia exposta em Mt 16.24, por Jesus, não deve parecer pesada ou opressora, posto que implica em deixar as trevas e estar na luz que nos revela sermos à imagem e semelhança de Deus, e detentores de Seus atributos de amor, misericórdia, paciência, tolerância, paz e justiça! Neste contexto, se você nega a si mesmo/a e toma sua cruz, então, é um/a autêntico/a cristão/a e discípulo/a fiel do Senhor! (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 07/08/2011).

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