segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A RESPEITO DOS QUE NÃO QUEREM SE ENVOLVER COM JESUS CRISTO

Mt 27. 11-26 descreve os momentos em que Jesus está de pé diante do governador romano Poncio Pilatos, submetendo-se a interrogatório, é setenciado à morte e em seguida é açoitado e entregue para ser crucificado. Na qualidade de governador e procurador romano (26 a 36 d.C), Poncio Pilatos exercia pleno controle sobre a província da Judéia, estando sob suas ordens o exército de ocupação composto por uma tropa de 2.500/ 5.000 homens. Ele tinha poderes de vida e morte, podendo condenar e reverter sentenças capitais. Nomeava os sumo-sacerdotes e controlava o templo e seu fundo monetário. As vestimentas sacerdotais estavam sob sua custódia, e só eram entregues em épocas de festas, quando o procurador vinha para Jerusalém. Para a história do cristianismo sua participação se resume à autorização da morte de Jesus Cristo. Flavio Josefo, historiador, afirma que Pilatos desviava dinheiro do templo e massacrou, sem motivos, alguns samaritanos. Pilatos era descrito, ainda, como homem servero, teimoso e corrupto. Para Eusébio de Cesareia, em sua História Eclesiástica, Pilatos caiu em desgraça junto ao imperador Calígula e cometeu suicídio, alguns anos depois dos fatos narrados pelo evangelista Mateus. É a esta autoridade romana que Jesus é enviado, pelos principais sacerdotes e anciãos do povo (Mt 27.1,2), para julgamento. Mas Pilatos logo descobriu que as autoridades religiosas, assim como o povo ali presente, não queriam julgamento, mas simplesmente a sentença de condenação. Embora nada tenha encontrado em Jesus que O condenasse, mesmo sabendo que tudo era uma grande encenação para a sentença de morte, Pilatos cede a pressão e “ lava as mãos”.
Lavar as mãos, depois de tomar uma decisão, pode acalmar a consciência, revela um recente estudo publicado na revista Science e desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. O gesto, aliás, assume um simbolismo em diversas vertentes. É a limpeza mais premente.
E o que vemos no v. 24 é que Pilatos manda vir água e lava as mãos, afirmando: “Estou inocente do sangue deste justo; fique o caso convosco!”. Daí vem a expressão "lavar as mãos como Pilatos", vista como uma forma de valorizar a escolha feita, tornando-a definitiva. Tecnicamente denominado de "dissonância cognitiva", este gesto ajuda a aliviar o sentimento de desconforto na mente causado pela escolha entre duas ideias, sendo que, em alguns casos, pode até demonstrar algum desprezo pelas alternativas recusadas. Mitologicamente a água era vista como um elemento capaz de purificar comportamentos imorais e, para os responsáveis deste estudo, Spike W. S. Lee e Norbert Schwarz, pesquisadores de Michigan, “lavar as mãos também pode expurgar vestígios incômodos de decisões passadas, reduzindo a necessidade de justificá-las”.
Após sonhar com Jesus a mulher do governador romano manda avisar seu marido (v. 19) para que não se envolvesse com a condenação de Jesus por que Ele era justo. Mas o que aquela mulher não sabia, e muitos, até hoje, não sabem, é que é impossível não se envolver com Jesus Cristo. Toda a humanidade, consciente ou inconscientemente, está envolvida com Cristo (Jo 3.17,18) e esse envolvimento acontece em duas perspectivas:
I – O ENVOLVIMENTO COM JESUS PODE OCORRER EM UMA PERSPECTIVA NEGATIVA
Este tipo de envolvimento se dá quando ocorrem:
1. INDIFERENÇA: quem age de forma indiferente à pessoa de Jesus Cristo comete a maior das blasfêmias, pois não está à parte de Deus, mas desprezando Deus.
2. INCREDULIDADE: quem age de forma incrédula, sequer é ateu, mas alguém que nega a fé através de atos e atitudes.
3. PRÁTICAS PECAMINOSAS OU SIMPLESMENTE POR SE “LAVAR AS MÃOS”: quem age e vive em prática do pecado está envolvido negativamente com Jesus, agredindo Seus princípios e mandamentos; quem vive assim atrapalha a obra de Cristo (Mt 12. 30: “quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha”. Quem age e vive “lavando as mãos”, exime-se do sentimento de culpa e “se esconde” diante de uma suposta “verdade”
II – O ENVOLVIMENTO COM JESUS PODE OCORRER EM UMA PERSPECTIVA POSITIVA
Este tipo de envolvimento se dá quando ocorrem:
1. Fé (Hb 11.6): quem age com fé está comprometido com Cristo.
2. Obediência (Hb 11.7-9): pela obediência valorizamos o sacrifício de Jesus.
3. Amor (1 Co 13.13): o amor é o mais forte elemento de visualização de Deus em nossa vida. O amor é a síntese da obra de Deus e da entrega de Jesus Cristo, em nosso favor. Quem ama “se envolve” com o outro sempre, em atitudes de solidariedade, compaixão e alteridade. Quem ama serve e se preocupa com o bem-estar do outro.
De todo esse episódio, extraímos:
1) A mulher de Pilatos pediu que ele não se envolvesse. Se em sonho viu que Jesus era inocente das acusações, por que não pediu ao marido que se envolvesse sim, mas em um julgamento sério e justo. Por que não interveio a favor do justo Jesus?
2) Se mesmo após se certificar que Jesus era inocente das acusações, por que Pilatos não se impôs como autoridade romana e decidiu ali mesmo ou, então, pediu tempo para averiguações e comprovações das acusações feitas contra Jesus?
3) Finalmente, para se eximir e demonstrar publicamente que não poderia se responsabilizar por aquela condenação, eis que Pilatos lava as mãos e entrega Jesus aos carrascos!
E quanto a você? Qual seu nível de envolvimento ou comprometimento com Jesus? Pilatos lavou as mãos. Você vai fazer o mesmo?
Ainda hoje, diante de uma situação adversa que exige uma tomada de posição de confronto, você age e se posiciona mesmo contrariando interesses, ou simplesmente tal como Pilatos “lava as mãos"?
Lendo e relendo qualquer um dos quatro evangelhos, não se encontra Jesus vacilando ou cedendo às pressões. Ao contrário, o que exaustivamente identificamos é a postura do Senhor em confronto com os religiosos (fariseus, escribas e doutores da Lei), porquanto os via como hipócritas! Faça você a sua parte, posicione-se a favor ou contra Jesus, mas, por favor, não "lave as mãos"! (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 09/10/2011).

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