segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A QUEM JESUS CHAMA? ELE CHAMA PECADORES AO ARREPENDIMENTO. PELA COMUNHÃO COM ELE TORNAM-SE SANTOS. MAS COMO IDENTIFICAMOS OS SANTOS?

É impressionante como depois de mais de dois milênios, a humanidade, aí incluído o religioso cristão, ainda não entendeu a quem Jesus chama e com quem quer ter um relacionamento. Hoje, após muito refletir, assumo a seguinte afirmação: a responsabilidade por tamanha ignorância é da própria igreja, institucionalmente, que pela posição radical dos fundamentalistas quanto pelos usos e costumes/ errôneas doutrinas dos pentecostais e neopentecostais, imprimiu no homem conceitos de uma “falsa” santidade. Daí a razão pela qual Lc 5.27-32 evidencia o chamado de Jesus a Levi (Mateus), um publicano, cobrador de impostos, judeu a serviço do império romano, odiado pelos judeus, religiosos, ou não. A estranheza da época – como pode um santo querer estar junto de pecadores? – ainda perdura entre nós!
Jesus foi duramente criticado por que, não somente chamou Levi, um publicano, corrupto cobrador de impostos, ou seja, um pecador, para que O seguisse, mas aceitou estar em sua casa em grande banquete, junto a muitos outros que eram publicanos e pecadores. Deve um santo estar junto a pecadores, parece ser a grande pergunta dos ignorantes! Afinal, esta questão é típica de quem é, apenas, religioso, e não entende com profundidade a natureza de Deus e de Seus princípios! Afinal, o que é santidade? E o que fazem os santos? O que os santos fazem para chegar à santidade? O que é, então, e  que não é santificação?
SANTIFICAÇÃO:
I – NÃO É VIVER DE MODO SIMPLÓRIO. Não é falar baixo, ou estar com aspecto decaído; não é adotar porte e postura extremados, mostrando semblante carrancudo e compenetrado. Não é a preocupação com as medidas das roupas, os tipos de sapatos, o uso de indumentárias ditas apropriadas. Não é estar a mulher, obrigatoriamente, de saia comprida e o homem, de terno e gravata, ou de calça social e de camisa de manga comprida.
II – NÃO É FANATISMO. Muitos são os que quando o assunto é a santificação, partem para o fanatismo. Houve certo entendimento de que na vinda de Cristo, os cristãos que estiverem tomando banho não serão arrebatados! Por quê? Simplesmente, porque estarão nus! Outro entendimento estranho e absurdo: não se podia usar perfume, pois diziam os que se consideravam santos: “Nós já temos o perfume de Cristo”. Ora, a nudez condenada por Deus é a que leva à imoralidade, relacionada com a lascívia e com a pornografia. O Senhor também condena a nudez espiritual, isto é, o desprovimento da graça de Deus, ocasionado pela arrogância e pela cega confiança nos recursos humanos, como aconteceu com o pastor da igreja de Laodicéia (Ap 3.17,18). Quanto ao perfume (bom cheiro) de Cristo, o ensino de Paulo é no sentido espiritual (2 Co 2.14-17). E o uso de televisão? É claro que não se aprova programação imoral ou tendenciosa – em qualquer emissora - que seja apresentada. Mas o televisor é um equipamento eletrônico como rádio, DVD, celular, computador, tablet, e outros meios tecnológicos (como a internet), que tanto podem divulgar programas saudáveis, instrutivos e edificantes, como não. A escolha do que assistir, vendo, lendo e ouvindo, simplesmente é nossa!  Extremismo é sinônimo de ignorância, não de santificação!
III – NÃO É ISOLAMENTO. A santificação também não é isolamento. Muitos são os que crêem que andar em santidade é fazer jus ao sentido etimológico da palavra – estar separado – e se isolam de tudo e de todos, para meditar, orar e jejuar, para não cair em tentação. Se o mundo jaz no maligno (1 Jo 5.19) então devemos sair do mundo? Como se fosse possível e como se fosse este o ensino de Jesus! Em Jo 17.15 o Senhor ora ao Pai intercedendo pelos apóstolos e por todos os Seus futuros discípulos (eu e você, inclusive) em súplica: “Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal”. Logo, é no mundo o lugar dos homens, quer sejam santos ou pecadores! Certamente não existiu, existe ou existirá pessoa mais pura e mais santa do que Jesus. E, onde o encontravam, frequentemente? No meio de pecadores (Mt 9.9-13; Lc 19.1-10; Mc 2.14-17;Lc 7.36-50) ). Ele participou das bodas de Caná da Galiléia, demonstrando ser sociável (Jo 2.1-11). Assentar-se na roda dos escarnecedores/pecadores não é de todo algo ruim ou completamente impedido aos santos, o inaceitável é dar ouvidos a seus conselhos e participar/compartilhar de suas zombarias (Sl 1. 1,2). Como luz do mundo (Mt 5.14-16), que deve brilhar em meio às trevas (Fp 2.15), os santos não podem se isolar da sociedade, mas influenciá-la com o bom perfume de Cristo. Há, também, em nossos dias, um grupo de pessoas que pensa que santificação é maltratar o corpo, subjugando-o com sacrifícios. Mas Deus não se agrada disso (1 Sm 15.22; Ec 5.1). Ele quer obediência aos Seus preceitos; é isso que denota santificação verdadeira. Viver uma vida de santificação também não implica viver sem tentação (Mt 4.1-11) nem estar imune ao pecado (1 Co 10.12). Significa, antes, ter poder para dominar o pecado (Rm 6.14).
SANTIFICAÇÃO:
É buscar a dependência de Deus, procurando se afastar da vida pecaminosa (1 Ts 4.7; Hb 12.14), não se conformando com o mundo (Rm 12.1,2). Santificar implica em conviver com os pecadores, mas sendo sal e luz, dando bom testemunho. Os cristãos santos devem ter as características e atributos imputados aos líderes da Igreja, tanto bispos e pastores, quanto diáconos e presbíteros (1 Tm 3.1-13; Tt 1.5-9). A conduta do santo deve revelar que é:
- irrepreensível;
- marido de uma só mulher/esposa de um só homem;
- temperante (quem modera apetite e paixões)
- sóbrio (quem modera em comer e/ou beber);
- modesto (simples, desprovido de vaidade, comedido em ações e conduta)
- hospitaleiro (quem recebe bem em sua casa);
- apto para ensinar;
- não dado ao vinho;
- não violento;
- cordato (sensato, ponderado);
- inimigo de contendas (de brigas, discussões, confusões)
- não avarento (ao contrário, generoso, solidário).
E mais: santo é quem se distancia do pecado. Santo é todo aquele em que se agrada o Espírito Santo. Todo aquele que o Espírito Santo faz morada é santo. Logo, se o Espírito Santo está na pessoa, o Seu fruto se manifesta, pois o Espírito é Santo (Gl 5.22). Então, o santo se apresenta motivado por amor, paz, alegria, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Você se apresenta assim?Veja bem,não pergunto se você é cristão, protestante, católico  ou ortodoxo? Pergunto: você que crê em Deus, que é Pai e se revela no Filho e no Espírito Santo, você se apresenta assim? Se a resposta for sim...sim.., então, você é santo!
Finalizando, veja o entendimento da leitura e da reflexão de Cl 3.12-17:
Os santos se revestem de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade.
Os santos suportam uns aos outros.
Os santos perdoam-se mutuamente uns aos outros.
Os santos consideram o amor acima de todas as coisas, posto que é o vínculo da perfeição.
Os santos consideram a paz de Cristo o árbitro de seus corações.
Os santos, por seus chamados, são agradecidos a Deus.
Nos santos habita ricamente a palavra de Cristo, que os instrui e por ela se aconselham, mutuamente, em toda a sabedoria, louvando a Deus, salmodiando, sempre com gratidão em seus corações.
Os santos – em tudo o que fazem – mas tudo mesmo, seja em palavra, seja em ação, fazem em nome de Jesus Cristo, dando a Ele, graças a Deus Pai.
Repito: Você se apresenta assim? Então, você é santo! (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 05/02/2012).

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