segunda-feira, 5 de março de 2012

NÃO BASTA CRER E SER DISCÍPULO, É PRECISO SER HUMILDE, EXPERIMENTAR O AMOR DE DEUS E COM ELE TER INTIMIDADE E COMUNHÃO!

Jo 13-1-35 descreve os momentos da última ceia em que Jesus participou com Seus discípulos. Duas são as partes que divido daquele evento: inicialmente o Mestre se humilha perante os discípulos e lhes lavam os pés; depois, percebemos a doce e íntima comunhão entre Jesus e o discípulo amado João, após Jesus abalar a todos ao afirmar que havia um traidor entre eles. Vejamos por partes:
PARTE I – A HUMILDADE QUE NOS CONDUZ AO LAVA-PÉS (v. 1-17):
Jesus após lavar os pés dos discípulos recomenda que Lhe sigam o exemplo (Jo 13.12-17).  Foi muito humilhante para os discípulos verem o Mestre tomar a posição de servo ao lavar-lhes os pés. Mas o propósito de Jesus era ensinar-lhes importantes práticas:
Aos olhos de Jesus a verdadeira grandeza consiste na grandeza da humildade. A pessoa humilde coloca a sua inteira dependência em Deus. Esta é a raiz de toda virtude. Ao contrário disso, a perda da humildade conduz ao orgulho, que é a raiz de todo o mal, de todo o pecado. Além de outras coisas, é justamente por causa do orgulho que precisamos de um Salvador, Libertador e Redentor. Reforçando: ser humilde significa confiar em Deus por todos os dias de nossa vida. Esta confiança – gerada pela entrega – não pode existir onde há orgulho. Poucos são os que conseguem ver – com toda a clareza – que humildade e fé estão muito ligadas em toda a Bíblia Sagrada. No ministério de Jesus tal assertiva fica evidente em pelo menos duas ocasiões: a cura do criado do centurião (Mt 8.8) e a cura da filha da mulher siro-fenícia (Mc 7.28,29). A humildade leva a pessoa a reconhecer que não é nada diante de Deus. A humildade remove as dificuldades que prejudicam a fé e produz plena confiança em Deus. A falta de humildade, ao contrário, impede-nos de ter uma “fé que opera”. Muitas pessoas têm a tendência de se acharem mais importantes que as outras, de procurar apenas em si mesmas, de procurar o lugar mais alto, a posição de maior destaque. A humildade – no símbolo da cerimônia do lava-pés – deve remover qualquer sentimento de orgulho e prepotência, deve retirar todo o  nosso egoísmo e a nossa indiferença para com os outros. A lembrança e a prática dessa cerimônia de lava-pés realizada no verdadeiro espírito de humildade desenvolvem em nós um sentimento de comunidade. Por outro lado, esse momento do lava-pés nos leva ao ensino do apóstolo Paulo:  “sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor” (Gl 5.13c). Finalmente, o gesto de Jesus com o lava-pés nos ensina mais:
- ele foi praticado como preparação espiritual para a Santa Ceia.
- é, portanto, uma ocasião muito especial para um exame próprio, para recomeçar a vida em Cristo.
- mais humildade gera mais dependência de Deus e assim se torna mais difícil voltarmos às práticas dos velhos hábitos, pois evitamos descuidar da vida cristã.
- a cada mês, pelo menos, por ocasião da participação da Santa Ceia na igreja, cada um precisa fazer um auto-exame a fim de detectar em si mesmo se está ou não crescendo na graça, abandonando o orgulho.
- quando cada um busca intimidade sadia com seu próximo e “lava os pés uns dos outros” experimenta o amor de Cristo prevalecendo. 
- neste caso, humildemente, cada um se une ao outro e ao nosso Pai Celestial.
- aí cessam as diferenças sociais, econômicas, étnicas, culturais e, então, todos são iguais diante de Deus.
- se somos pecadores salvos pela graça, não temos nada, absolutamente nada, que nos possa recomendar diante do Pai, a não ser as nossas grandes e incessantes necessidades!
PARTE II – EXPERIMENTANDO A INTIMIDADE E O AMOR DE DEUS (v,21-35):
Muitas são as pessoas que têm dificuldade em crer, na prática, que Deus as ama. Assim apenas baseiam seus relacionamentos com Deus na virtude da fé (algo como fé da fé), ou nos compromissos mantidos com o Criador. João, o apóstolo, foi diferente. Ele era homem de fé e obediência, mas antes de tudo, era alguém que confiava no amor de Deus. Por isso o v.23 declara que “ali estava aconchegado a Jesus um dos seus discípulos, aquele a quem Ele amava”. Atitudes do apóstolo João nos ensinam como se portar diante de Jesus, experimentando Seu sacrossanto amor, convivendo em Sua intimidade, gozando de comunhão com Ele:
I – É PRECISO SE ACHEGAR A ELE, TENDO ATITUDE DE ACONCHEGO (v.23): O apóstolo João demonstrou sua confiança no amor de Deus pela maneira espontânea com que se mostra ante Jesus. Há pessoas que não conseguem relaxar diante de Deus, estando sempre prontas como se estivessem a todo o momento sendo avaliadas, cobradas e julgadas.
II – É IMPERIOSO DEMONSTRAR CONFIANÇA NO SENHOR, PARA QUE OUTROS RECONHEÇAM (v.24): O apóstolo João demonstrou que confiava no amor de Deus pela forma como os outros apóstolos reconheceram sua intimidade com o Senhor. Pessoas que confiam no amor de Deus se tornam intercessoras de seus amigos e irmãos, tornam-se canais de comunicação com o Senhor. 
III - QUEM TEM CONFIANÇA E USUFRUI DE ÍNTIMA COMUNHÃO, PODE QUESTIONAR (v.25):O apóstolo João demonstrou sua confiança no amor de Deus pela coragem com que fez perguntas a Jesus. Muitos são os que desejam fazer perguntas a Deus, mas temem ofender o Senhor e vir a pecar. Muitos são os que não sabem fazer perguntas a Deus porque não confiam em Seu amor; estes quando fazem perguntas, assim procedem de forma malcriada e revoltada, ou, simplesmente, não tem coragem de se manifestar. João sabia como questionar Jesus porque confiava em Seu amor. E você, como reage? 
IV - QUEM TEM CONFIANÇA, NÃO PRECISA SE AUTOPROMOVER (v.24): O apóstolo João confessou sua total confiança no amor de Deus para com ele, mantendo-se em total discrição. Os íntimos de Deus não precisam proclamar a tudo e a todos que têm comunhão com Ele. Alguém que é intimo de você, simplesmente tem acesso direto a você, não precisa dizer e proclamar que é íntimo para ter o acesso! Infelizmente, muitos são os que se sentem íntimos de Deus e querem se autopromover, usando isso para proclamar publicamente, como que a dizer que a intimidade os tornam pessoas especiais. Quando nossa relação com Deus está baseada em nosso amor por Ele, temos certeza de Seu amor por nós. Quando isso acontece, tornamo-nos espontâneos com Ele, intercessores de nossos amigos e irmãos, e livres para perguntar tudo a Ele, também, além de discretos em nossa espiritualidade. Pense nisso! (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 04/03/2012). 

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