REFLEXÕES PASTORAIS COM GRAÇA

segunda-feira, 23 de abril de 2012

DEUS QUE É DE TODOS, EM JESUS CRISTO, O SALVADOR DO MUNDO (Jo 4.42)!

Em João 2.23–4.42 constatamos que a graça de Deus, manifesta por Jesus na entrega de cruz, não faz acepção de pessoas, pois é para todos. ...”todo o que nEle crê...”(Jo 3.16) achará vida em Jesus Cristo. Portanto, a Graça inclui, jamais exclui. No texto citado, lemos sobre dois encontros de Jesus, um com um homem dito santo, doutor da lei, e outro, com uma mulher dita pecadora. Em tudo eram diferentes: na raça, na religião, reputação, gênero, riqueza, local e comportamento. Mas até que houve algo assemelhado nos encontros: os dois encontraram Jesus, de forma reservada, longe de multidões e testemunhas, ambos acharam cada encontro desconcertante e transformador. Nestas duas histórias vemos o cumprimento da promessa explicitada em Jo 3.16, pois Deus não tem favoritos, posto que tanto amou o mundo que deu o Seu amado Filho para que "todo aquele" que crer não pereça mas tenha a vida eterna. Em Nicodemos e na mulher samaritana, vemos ilustrados os extremos opostos desse "todo aquele". Deus não tem favorito (cf. Atos 10.34 e 35). Não importa quem você seja, não importa o que você fez, não importa qual é a sua genealogia, não importa como os outros tratam você, Jesus exibe uma gloriosa falta de preconceito. Ele é verdadeiramente o "Salvador do mundo" (João 4.42)!
  I - O HOMEM RELIGIOSO VISITA JESUS DE NOITE (3.1-21): No Evangelho de João as narrativas se tornam vivas das realidades espirituais oferecidas por Jesus. Em Nicodemos vemos o exemplo vivo de uma pessoa que, embora fosse um líder religioso altamente estimado, tinha fé inadequada, posto que insuficiente, incompleta. Esta história mostra Jesus lendo o coração daquele homem (veja Jo 2.25). Nicodemos não podia esconder a ignorância espiritual por trás da fachada de religiosidade, de formas e costumes, pelo menos de Jesus. Na história de Nicodemos, o evangelista retoma os temas abordados anteriormente. Jesus substituiu as ideias religiosas de Nicodemos pela verdade sobre o novo nascimento, tendo a cruz como o fundamento para tudo o que Ele oferecia. Não se pode entrar no reino de Deus pelo nascimento físico, mas por uma decisão pessoal que todos, mesmo um líder dos judeus, como Nicodemos, têm que tomar.
- A NECESSIDADE DE UM NOVO NASCIMENTO (3.3-8): Certamente Nicodemos era um homem piedoso, um exemplo do melhor que o judaísmo podia oferecer. Como fariseu, ele levava a sério a Bíblia e a sua fé. Não há dúvida de que ele teria sido um bom vizinho. A resposta de Jesus a esse bom homem, fiel e piedoso, é um pouco surpreendente.Se Nicodemos tivesse feito parte da delegação de fariseus que questionou João Batista (Jo 1.24-28), saberia da afirmação de João de que o batismo pela água anunciava a vinda dAquele que era maior do que João – o Messias. Por melhor e mais bondoso que fosse Nicodemos, ele precisava de um novo nascimento que só poderia vir pela fé no Messias, pelo ouvir a Palavra de Deus (Ef 5.26) e pela ação do Espírito Santo, que atua por meio da Palavra e promove a regeneração, segundo Jo 16.7-11, convencendo do pecado, da justiça e do juízo.
- A INUTILIDADE DE TENTAR SALVAR A SI MESMO (Jo 3.6-8; Is 25.9; Tt 3.5 e Hb 9.12): Experiência, por si só, mesmo que seja a de testemunhar milagres, não é suficiente para se ter uma fé que salva. Mas as palavras de Cristo a Nicodemos mostram, ao mesmo tempo, que a experiência é crucial para o cristão. Na verdade, um novo nascimento é uma experiência. Jesus está dizendo a Nicodemos, e a nós, que um conhecimento correto de formas, costumes e até da doutrina, não é suficiente. Precisamos experimentar, pessoalmente, Seu poder salvador em nossa vida. Se alguém lhe perguntasse: Você nasceu de novo? O que você responderia? E se a resposta for Sim, que evidência você tem para dizer isso?
II – A MULHER PECADORA TEM UM ENCONTRO COM JESUS DE DIA (4.1-42). Ponha-se no lugar dessa mulher: ali estava aquele homem, de outra religião, que depressa revelou que conhecia alguns de seus segredos pessoais mais bem guardados. Não admira que ela tivesse uma mudança de atitude! Deste modo, não foi a presença física de Jesus que convenceu a mulher que Ele era o Messias (Sua aparência física, aparentemente, não significava nada para ela) – mas a Sua palavra. Aqui, novamente, João destaca o tema de que a palavra de Jesus é tão boa quanto o Seu toque. Jo 4.23,24 faz lembrar a purificação do templo no capítulo 2. Jesus veio à Terra para restabelecer a adoração correta de Deus. Um templo localizado favorece um povo sobre outro; mas a adoração em espírito é universal. Não está atrelada a algum lugar geográfico ou povo em particular. Jesus estava destacando que o local da adoração não era tão importante quanto a atitude do adorador. Não é tanto onde adoramos como a quem adoramos. Jesus é o Salvador do mundo, o que significa que a salvação não está mais restrita por considerações étnicas ou geográficas. Em Jesus, todos os povos, inclusive grupos menosprezados como os samaritanos, podem clamar pela plenitude do favor de Deus. Para os desprezados e rejeitados, este tipo de salvação era uma surpresa grande e bem-vinda. Para os que oprimem e excluem, essa grande salvação vem como a ruptura de um mundo em que todos conhecem o seu lugar. Quão opostas são as situações vividas pelos dois personagens com que se depara Jesus. Há muito contraste entre eles, então, precisamos estudá-los. Nicodemos era um homem, a samaritana era mulher. Ele era judeu religioso, nada menos que um fariseu, e ela era uma humilde samaritana. Ele veio de noite; ela veio ao meio-dia. Ele era rico (Jo 19.39); ela era pobre (caso contrário, ela não teria ido buscar sua própria água no calor do dia). Ele era altamente educado ("o" mestre de Israel", 3.10), ela, como as mulheres da Palestina no primeiro século, provavelmente era analfabeta. Ele era piedoso (um fariseu), ela era adúltera. Ele era altamente respeitado; ela era (provavelmente) menosprezada e rejeitada, até mesmo pelas próprias vizinhas samaritanas. Ele tinha um grande nome, conhecido pelos antigos escritos fora da Bíblia; ela era anônima. Ele vivia na cidade santa, Jerusalém; ela vivia em Sicar, uma localização difícil de determinar. Ele era aberto para crer mas lento para aceitar; ela era suspeitosa a princípio mas rápida para abraçar Jesus quando percebeu quem Ele era. Nestas duas histórias contemplamos o sentido e o significado de Jo 3.16. Deus enviou Seu Filho para que todos os que nEle crerem tenham a vida eterna. Nestes dois indivíduos vemos os extremos opostos. Não importa quem seja você, sua situação na vida ou condição pecaminosa, você é bem-vindo para recebê-Lo. Ele é verdadeiramente o "Salvador do mundo". Jesus foi derrubando os muros e as paredes de separação entre os judeus e os gentios, e a pregar salvação a todo o mundo. Conquanto judeu, misturava-Se sem restrições com os samaritanos, anulando os costumes farisaicos de Sua nação. Apesar de seus preconceitos, aceitou a hospitalidade desse povo desprezado. Dormiu sob seu teto, comeu com eles à mesa – partilhando do alimento preparado e servido por suas mãos – ensinou em suas ruas, e tratou-os com a máxima bondade e cortesia. Finalmente, saiba que o penetrante olhar de Jesus muda tudo. Pessoas seguras de si mesmas ficam incertas. Os menosprezados encontram nova vida. Igrejas confortáveis aprendem a evitar a atitude de indiferença para com os destituídos. O Espírito assopra onde Lhe convém! Então, não devemos nos surpreender quando os cristãos se tornarem mais semelhantes a Jesus, e isso causar bastante impacto! Como aconteceu também ao Senhor, tal "sacudidela” não será recebida em todos os lugares com alegria. Tanto dentro como fora da igreja, muitos são os que preferem a confortável segurança de uma vida que não é perturbada pelo vento inoportuno do Espírito. Esses se opõem à liberdade do Espírito e não ousam sair de sua “zona de conforto”. Mas aí reside o perigo! Tome posição e não construa muros  e paredes de separação em sua vida, antes “construa relacionamentos solidários” e crie parcerias e vínculos que o conduzam à eternidade com Cristo! (Reflexão com base em sermão proferido na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 22/04/2012).

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