REFLEXÕES PASTORAIS COM GRAÇA

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

ATITUDES E GESTOS QUE DESPERTAM A ATENÇÃO DE CRISTO!

João 12.1-9 descreve o momento em que Jesus Cristo, em Betânia, é ungido por Maria, que utiliza todo um caríssimo unguento de nardo para lavar-lhe os pés, enxugando-os depois com seus próprios cabelos. Vamos compreender todo o episódio:
Foi oferecida uma ceia a Jesus, talvez em sinal de gratidão e solidariedade, após o milagre da ressurreição de Lázaro. Na ceia, Marta servia e Maria não, pois estava aos pés de Jesus, em atitude de adoração. Já Lázaro, embora não tenha falado durante o episódio, estava presente e com vida, era testemunha viva do poder e da autoridade de Jesus.
I – NA PRESENÇA DE JESUS CRISTO DUAS SÃO AS ATITUTES A TOMAR: SERVIR E ADORAR.
Marta estava servindo Jesus e os discípulos. Na presença de Jesus é importante servir. E Maria o que fazia?Enquanto Marta estava servindo, Maria, quieta e retraída, medita sobre como pode expressar sua gratidão ao Mestre: “Então, Maria tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo”.
O ato de ungir – cabelos e pés – era uma forma de homenagem a pessoas ilustres que se praticava muito no Oriente. Aqui neste ato, surgem aspectos que, à primeira vista, parecem exagerados. O valor do perfume era muito elevado. A natureza do frasco, que era feito de alabastro (um tipo de gesso finíssimo) possuía um gargalo que devia ser quebrado para liberar o precioso conteúdo, o que encarecia mais ainda o produto, pois somente era usado uma única vez.
O ato de Maria não foi uma ostentação, nem constituiu vaidade para chamar a atenção para si mesma. Na realidade, seu gesto foi marcado pelo transbordar de dedicação e alegria por estar ali na presença do Messias, o Filho de Deus.
Este gesto foi marcado por, pelo menos, quatro significados:
PRIMEIRO SIGNIFICADO DA UNÇÃO: AFEIÇÃO PROFUNDA
Esta afeição não foi decorrente de sentimentalismo efusivo ou de impulso emocional, mas causada pela convivência com o Mestre e a compreensão de suas doutrinas e de seus ensinos transformadores.
SEGUNDO SIGNIFICADO DA UNÇÃO: GRATIDÃO
O gesto agradecia todos os bondosos atos de Jesus, inclusive a ressurreição de Lázaro; pelo valor do bálsamo, a demonstração da gratidão se dava de maneira inconfundível.
TERCEIRO SIGNIFICADO DA UNÇÃO: RENÚNCIA DE POSSES
Por mais valioso que fosse o bálsamo, Maria considerou que nada poderia ser bom demais para seu Senhor.
QUARTO SIGNIFICADO DA UNÇÃO: INTEIRA CONSAGRAÇÃO
Longe de fazer a unção com poucas gotas de bálsamo, derramou a totalidade do conteúdo do frasco, todo o precioso perfume foi consumido. Neste gesto, Maria derramava a totalidade de sua alma diante de Cristo em inteira consagração.
II – HÁ PESSOAS QUE, NA PRESENÇA DE JESUS, OUSAM CRITICAR A OUTROS.
O egoísmo mal-humorado e sinistro de Judas procura tirar o brilho da pureza do ato de Maria. A bondade sempre provoca mal-estar e induz o mal a se revelar; atos de dedicação e serviço sempre despertam críticas. A crítica de Judas era: 
aparentemente razoável: afinal, havia muitos pobres na Palestina.  
fundamentalmente não sincera: o pano de fundo da crítica estava bem fundamentado,mas o texto afirma que Judas se comportava como ladrão, subtraindo o que era lançado na bolsa como oferta para as despesas de viagens e custeio de Jesus e dos discípulos. Então, não havia sinceridade na crítica de desperdício, posto que fazia muito sentido para ele, pois o dinheiro seria melhor empregado nas mãos dele e não derramado sobre o Mestre.
III – QUANDO A RAZÃO É JUSTA E SINCERA, JESUS SAI EM DEFESA DOS SEUS ADORADORES:
Maria não ficou exposta à crítica de Judas, sem defesa. Jesus tomou a palavra e:  
REPREENDEU A CRÍTICA
Judas acusou Maria de desperdiçar dinheiro. Seu dinheiro poderia ser melhor empregado se fosse oferecido para ajudar aos pobres e necessitados. Saibamos todos que os que querem seguir fielmente ao Senhor não devem se sentir surpresos quando se tornam alvos de críticas. Na realidade, os limitados seres humanos – mesmos os discípulos – apenas conseguem ver o exterior. Mas o Senhor nos conhece e nos sonda, sabe o que se passa em nosso coração. 
            ELOGIOU O ATO 
Jesus viu a preciosidade do ato, e não a do perfume; viu o incomparável preço de uma vida consagrada; viu a alma e o espírito de quem ofereceu a homenagem a Ele. 
            EXPLICOU O PROPÓSITO DAQUELE ATO 
Maria com discernimento espiritual, mostrava ali que era a ocasião para a última homenagem ao Senhor durante sua curta vida terrena. Jesus em sua resposta, deixa transparecer que só ela chegou em tempo de lhe oferecer o carinho final, os outros não conseguiriam fazer. 
             REFORMULOU A SUGESTÃO DE QUEM FEZ A CRÍTICA 
A sugestão de Judas era boa, e os discípulos ainda teriam muitas oportunidades para fazer o bem aos pobres, não devendo se esquivar dessa nobre missão. Mas naquele momento, estavam se esgotando as oportunidades de dar algo ao Filho do homem, antes da crucificação. Maria estava certa, afinal quem demostra amor e carinho com o Senhor não deixará de ser generoso para com o seu próximo.  
Finalmente, alguns últimos ensinamentos são extraídos do episódio bíblico: 
1.   A CRÍTICA E A CONSAGRAÇÃO CRISTÃ: Ninguém fala em desperdício quando se arriscam vidas em competições violentas ou se gastam tanto com festas pagãs como o carnaval e corridas de Fórmula 1, ou outros gastos ditos faraônicos em obras públicas, mas quando pessoas dedicam e dão suas vidas pela causa de Cristo, há fortes clamores de indignação contra tal “desperdício”. Qualquer pessoa que faz algo para o Senhor, que tenha lhe custado tempo e dinheiro ou esforço penoso, pode afirmar que houve quem protestasse. Cuidado para não seguir o exemplo de Judas. Se nossa ação tem a aprovação de Jesus, não nos importa o que as pessoas possam dizer, em forma de crítica. 
2.   A HOMENAGEM PÓSTUMA: Sabemos que Jesus foi ungido por seguidores depois de morto. Mas o destaque aqui é a defesa de Jesus sobre a ação de Maria que O estava ungindo em vida. Devemos mostrar nosso apreço aos nossos amigos e familiares enquanto estão com vida, precisando de afeição e apreciação. As flores enviadas depois da morte não poderão encobrir nossos sentimentos de culpa por não termos mostrado nosso carinho quando a pessoa estava em condições de receber. 
3.   O DESPERDÍCIO DE OPORTUNIDADES: Uma oportunidade perdida dificilmente volta. Os discípulos - certamente que muitos concordaram com Judas, o autor da crítica – se queixaram do que pensaram ser desperdício de Maria, quando realmente a oportunidade de homenagear Jesus estava chagando ao fim – enquanto que a de ajudar aos pobres, que eles achavam mais importante, estaria no meio deles dia pós dia, por toda a sua vida. As oportunidades variam segundo seu valor e importância. Sábio é quem consegue interpretar seu valor relativo, rapidamente recolhendo aquela que nem sempre nos é oferecida. Muitas são as oportunidades que se oferecem a cada dia, mas igualmente há outras que aparecem uma única vez na vida, e depois não mais acontecem.
Assim, na oportunidade de servir e adorar, não desperdice; tanto sirva quanto adore, afinal, somos ou não somos, diante de Deus, em essência, servos e adoradores? A atitude de Marta não foi negligente, atente para o fato de que Jesus estava em comitiva, com Ele estavam certamente os discípulos; muitos eram os convidados especiais aguardando que a ceia lhes fosse servida; importava aos anfitriões servir muito bem! Então, reflita sobre a cena e veja o que cada um dos irmãos fazia, de forma apropriada e bem aprovada por Jesus: Lázaro como anfitrião fazia companhia aos convidados, com eles conversando; Marta cuidava dos preparativos da ceia e Maria prostrada aos pés de Jesus unge-O com caro bálsamo de nardo! Que extraordinária e impactante cena de uma família em comunhão fraterna e rendida à pessoa iluminada de Jesus Cristo!  Pense sobre isso! (Reflexão com base em mensagem anunciada na Comunidade, por este pastor, no culto de domingo 19/01/2013).

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