terça-feira, 18 de junho de 2013

QUAL A PAUTA PARA AS MANIFESTAÇÕES POPULARES QUE ESTÃO OCORRENDO NO PAÍS?

Estes são dias de manifestações! Finalmente, o povo parece ter despertado! A letargia das massas me cansava; a sensação que identificava era a de que o povo aceitava passivamente as ondas de corrupção nas três esferas de poder, posto que há muito não mais se restringia ao executivo, mas se alastrara para o legislativo e o próprio judiciário. Enfim, as leituras diárias que fazia - e faço - dos jornais Folha de S.Paulo e Estado de São Paulo, logo nas primeiras horas da manhã, geralmente me deixavam indignado. 
Onde será que vamos parar? Era a pergunta que atravessava minha garganta. Nas aulas de graduação, em uma universidade pública e em uma faculdade particular, como professor, frequentemente enveredava por uma discussão mais acalorada sobre os males da corrupção que grassam nosso país, a impunidade que campeia livremente, os descasos nas gestões públicas e a passividade do povo brasileiro. 
Cada vez que precisa de um atendimento na rede pública de ensino (municipal, estadual ou federal) ou busque uma unidade de saúde, de igual forma, o cidadão brasileiro espera por constrangimento, que é quase líquido e certo. No final, um gosto amargo na boca! Descaso, mau atendimento, imperícia, desaforo, desconsideração e falta de respeito, é o que fica na memória de muitos, a cada dia, após o uso dos chamados serviços públicos. 
Na Comunidade, como pastor, de outra forma, mas sob o mesmo olhar, recorro às mensagens que se embasam em referências bíblicas para ilustrar casos de injustiça social e a conclamar o povo a ver as desigualdades econômicas e sociais que  marcam este país. Paulo, o grande apóstolo responsável pelo alicerce missionário do cristianismo, escreveu algo que sempre me guia (Romanos 12.2: "E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus"). 
Ei, brasileiros de todos os rincões, despertem, não se conformem, não se amoldem à vontade da maioria corrupta e inescrupulosa! 
De forma ordeira e pacífica, conclamo você, homem de Deus e mulher de Deus, para que saia de sua zona de conforto, amplie sua mente, renove seu entendimento. Saia de sua alienação religiosa, pois muitos são os líderes religiosos (que influenciam milhões) que ensinam - equivocadamente - que lugar de cristão é na igreja, e não no mundo!
Se ampliar sua mente e renovar seu entendimento saberá que Jesus Cristo fez no Getsêmane sua última oração intercessora (João 17.15,16: " Não peço que os tires do mundo, mas que os livre do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou").
A explicação teológica é simples e clara: sociológica, econômica, cultural e antropologicamente estamos e somos do mundo, como seres humanos. Habitamos um planeta chamado terra e estamos circunscritos a um tempo, a um local e a um espaço. Enfim, Jesus sabia que é importante que o homem viva socialmente integrado aos de sua espécie! Não há o que se discutir. 
O que Jesus falou foi que - espiritualmente - não somos do mundo, não temos parte com os valores que fundamentam os reinos dos homens (individualismos, competição, relativismo, corrupção, ambição, disposição para a guerra e contendas); se não temos parte com esses valores, não somos e não pertencemos a este mundo, então, não podemos aceitar, não devemos nos conformar com as mazelas da desigualdade que circunda o homem e sua trajetória de vida. 
Somos homens e mulheres de Deus se nos comportarmos como tal, em toda sua integralidade: seres políticos, econômicos, sociais, culturais e espirituais é o que somos. Não apenas o Espírito Santo habita em nós, mas há em nós, a nos mover, dirigidas por Ele, as demais necessidades que nos tornam um ser integral. Neste sentido, o posicionamento com ação política e o exercício da cidadania, de forma ordeira e pacífica, faz parte da vida cristã! 
Brasil, Brasil... assim dá gosto ser brasileiro! Oro a Deus, para que o Planalto, e os homens e as mulheres que exercem cargos em todo este imenso país, possam refletir e tirar suas conclusões para a mudança, já! O recado das massas, inicialmente, em 12 capitais, foi dado! Quem tiver a mente mais aberta sabe que a pauta de reivindicações é mais extensa e, certamente, não se limita a alguns centavos a mais no preço do transporte coletivo! E o mais significativo e emblemático: tudo está sendo feito e conduzido sem a presença de uma liderança forte, local, regional ou nacional, e sem a participação explícita de partidos políticos, sindicatos ou outras entidades! Simplesmente a voz do povo, por ele mesmo, sem a intermediação de quem se tornou indigno de representá-lo! Sem vandalismo e sem excessos, dá gosto ver e ouvir a voz rouca das ruas!

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